17.3.26

ALPALHÃO: Procissão dos Passos

 


PORTALEGRE: Câmara lança Prémio Literário "LUZIA"

 


O Município de Portalegre, através da sua Biblioteca Municipal, irá lançar o Prémio Literário "LUZIA", em homenagem à escritora portalegrense LUZIA (pseudónimo de Luísa Susana de Freitas Lomelino Grande, 1875-1945), realçando a necessidade e importância de promover e incentivar a criatividade literária, fomentando o gosto pela escrita, enquanto dimensões essenciais para um bom desenvolvimento intelectual do ser humano.

O Prémio LUZIA, organizado em colaboração com a Associação Cultural UMCOLETIVO, com o valor monetário de 1000€, galardoará uma obra inédita em prosa (conto), com o prazo de entrega até ao dia 15 de julho, aberto a todos os cidadãos.

Consulte as Normas de Participação em www.cm-portalegre.pt.

Nota Biográfica:

Luísa Grande nasceu a 15 de Fevereiro de 1875, em Portalegre, filha do capitão Eduardo Dias Grande e de Antónia Isabel Caldeira de Andrade que faleceu durante o parto.

Ao fim dos seis meses passados em Portalegre, o pai de Luzia, que sofria de uma grave doença pulmonar, decidiu mudar-se para a Madeira com as duas filhas, em busca de um clima mais favorável à sua doença.

Com nove anos apenas, Luzia vê a vida levar-lhe a pessoa que mais adora, o pai, que falece de tuberculose, e é de novo enviada para Portalegre, para casa da tia Sofia.

Aos catorze anos, é enviada pelos tios para o colégio das Salésias em Lisboa.

Atingida a maioridade, Luísa viveu algum tempo em Lisboa em casa dos viscondes de Geraz de Lima. Seguidamente acompanhou-os até à Madeira e passou a residir em casa da avó Ana, na Rua dos Netos, nº 19.

É na Madeira que Luzia casa com Francisco João de Vasconcelos, a quatro de Abril de 1896. Mas o casal não era feliz, e a Lei do Divórcio (de 3 de Novembro de 1910), que foi um dos primeiros atos legislativos do Governo Provisório saído da revolução de 5 de Outubro de 1910, foi imediatamente aproveitada por Luzia.

Posteriormente a esta fase da sua vida, Luzia vai ainda passar por grandes sofrimentos, já que para além do divórcio, terá vários problemas de saúde entre os quais a tuberculose e a neurastenia, cultivará a solidão, com receio de uma nova desilusão, o que quase a conduziu à loucura, à destruição dos seus sonhos, a um desequilíbrio emocional e físico que a levaram a desejar a morte.

Luzia recorre a um sanatório em França para se restabelecer e após esse período passa anos de uma interessante vida intelectual, tendo começado a publicar os seus livros, envolvendo-se na vida em sociedade, que era circunscrita a um pequeno mundo elegante, e inicia as suas viagens pelo estrangeiro.

Nos primeiros anos, no Funchal, tudo lhe correu a seu gosto, num ambiente calmo e alegre, mas o seu estado de saúde agrava-se a cada dia. Após sofrimentos físicos e morais que se prolongaram ao longo da vida, Luzia falece a 10 de Dezembro de 1945, pelas 14h, na Quinta Carlos Alberto.

 

11.3.26

ATLETISMO: Espanha e Portugal unem-se através de protocolo AADP transfronteiriça entre a federação Extremenha e a AADP


A Associação de Atletismo do Distrito de Portalegre (AADP) e a Federação Extremenha de Atletismo deram um passo significativo no reforço da cooperação desportiva entre Portugal e Espanha, através de um acordo de colaboração centrado no desenvolvimento do atletismo nas regiões do Alto Alentejo e da Extremadura.

A primeira iniciativa no âmbito desta parceria teve lugar no passado dia 7 de março, durante o XIII Corta-Mato Cidade de Elvas, que contou com a presença de cerca de 70 atletas, técnicos, juízes e dirigentes em representação da Seleção da Extremadura. A participação da comitiva espanhola transformou a competição numa verdadeira jornada de desporto, convívio e partilha entre agentes do atletismo dos dois lados da fronteira.

A iniciativa proporcionou uma tarde de competição participada, mas também um importante momento de aproximação entre comunidades desportivas vizinhas, permitindo que atletas de diferentes escalões, desde os mais jovens até aos veteranos, partilhassem a mesma experiência competitiva e reforçassem os laços entre as duas regiões.

Este acordo de cooperação entre a AADP e a Federação Extremenha de Atletismo pretende promover o intercâmbio desportivo e institucional, incentivando a participação de atletas, técnicos e juízes em iniciativas além-fronteiras e criando novas oportunidades de desenvolvimento para o atletismo regional, em linha com os princípios de cooperação territorial europeia.

No seguimento desta parceria, está já prevista a constituição, pela primeira vez, de uma Seleção da AADP composta por atletas de todos os escalões, que representará o Alto Alentejo em competições na Extremadura espanhola. Esta iniciativa assume particular relevância no caso dos escalões de séniores r veteranos, que tradicionalmente não integravam seleções regionais, abrindo agora novas oportunidades de participação e representação para atletas de todas as idades.

A AADP acredita que esta colaboração constitui um passo importante para o crescimento do atletismo no território, reforçando a ligação entre regiões vizinhas e criando novas experiências competitivas, formativas e humanas para atletas, técnicos e juízes de ambos os países.

 

NISA: União de Freguesia organiza Feira dos Vinhos e Sabores

 




“Vai mas é para a tua terra!”: mês da história negra e misturas na Calçada do Combro


O grito era sincero mas desnecessário. No 12º episódio da série Fala-me de ti, Lisboa, uma viagem em exposição, a lisboetas misturados, que estão, mesmo, na cidade deles, país delas, terra dos doze.  A Black History Month na Calçada do Combro, na Junta de Freguesia da Misericórdia.

Há dias, 5 de fevereiro, 4 da tarde, inverno desgraçado, pela Calçada do Combro abaixo, adivinhando o Tejo enevoado, não cheguei lá. Não por os avisos prevenirem mais chuva, vento, inundações, mas porque eu tinha um encontro luminoso com meus patrícios mais queridos.

Daqueles de chegar perto deles e apetecer-nos sempre um abraço de agradecimento. Bem-vindo à tua pátria da Outra Banda, General! Por que partiste tão cedo, Lena? Meus respeitos, ó mãe de todos os repórteres portugueses, Senhora Dona Virgínia! Que saudades, Pantera! Olá, Tito Lisboa, tão Mindelo, quer dizer, tão nosso…

E, assim, repetida, uma homenagem a cada um e a todos, prestada a uma dúzia de personagens, que me são muito, muito queridas.

Nessa quinta-feira, às 4 da tarde, uma dúzia exata de ilustres lisboetas juntaram-se ao fundo da Calçada do Combro. Ali onde ela bifurca: ir pelo Poço dos Negros, travessa de nós todos, ou para a casa de todos nós, o Parlamento – uma, ou outra rua? Os doze ficaram ali mesmo (dizia a pretensiosa tabuleta: “Largo Doutor António de Sousa Macedo”), com dois palácios fronteiros e fidalgos, o Mesquitela e o Cabral. Entraram, à direita, no Palácio Cabral, nº 7 D, a porta larga da Junta de Freguesia da Misericórdia. Eu segui-os.

Foi lá que eles se transformaram, todos, em quadros-retrato e se penduraram nas paredes centenárias. Na verdade, se nos quadros estavam todos, os doze, presencialmente faltavam alguns que eu, podia jurar, vi descer juntos, pela calçada. Fica o leitor prevenido de que o aqui se vai contar é a Lisboa real, a eterna e extraordinária.

E há ainda quem diga: “Tanto mestiço, mas isto é Lisboa?…” Claro que é. Ele há outra coisa?

Estávamos no andar térreo, nas duas salas de exposição do Espaço Santa Catarina, com arcadas sem estuque para mostrar tijolos anteriores ao terramoto. Doze quadros-retrato expostos ao nosso agradecimento. E alguns dos retratados, como já referi, também em presença física e orgulhosa. Apeteceu-me, emocionado, gritar a todos e a cada um:

“Vai mas é para a tua terra!”

O grito era sincero, embora, evidentemente, desnecessário. Os doze retratados já lá estavam, na cidade, país, amor que tanto honraram. Cidade deles, país delas, terra dos doze. 

A inaugurada homenagem – a exposição decorre até 19 de fevereiro – traz este ano quatro novos quadros que se juntam aos das edições anteriores da Black History Month, em 2024 e 2025. Três edições, quatro pinturas por cada uma delas, doze quadros, a aritmética é a única coisa enfadonha nesta história.

A iniciativa Mês da História Negra veio de longe, de muito longe. Do Canadá, país do rio Saint-Laurent, ainda mais largo que o nosso Mar da Palha e que por esta altura está gelado (até abril). As fragatas e faluas de lá, se as houvesse, nem com quebra-gelo ousariam navegar. Mais uma razão por a oferta, vinda de tão longe, nos aquecer o coração.

Foi proposta canadiana celebrar-nos a presença e o contributo histórico das comunidades afrodescendentes em Portugal. O Canadá contribui oferecendo-nos quadros de figuras portuguesas de origem africana, pintadas por artistas deles, afro-canadianos.

Assim de repente, poderia parecer isto: eles (os canadianos) querem que nós celebremos, na nossa casa, o que se passa com gente que não tem, necessariamente, nada a ver com eles. Não seria de desconfiar, uma interferência de país estrangeiro em assunto interno nacional? Não, pelo contrário. É um abraço de dois países, ambos honrados pelos abraços que acontecem, todos os dias e de há muitos séculos, nesses dois países.

No Palácio Cabral, eu vi e ouvi a embaixadora Elise Racicot, em Lisboa desde 2022, a dizer que nos conhece. Diplomata gentil e inteligente, logo que chegou, ela pensou: que posso oferecer a um país cujos cidadãos, mais de meio milhão, tanto fazem no Canadá? Que podia fazer ela, em Portugal, para mostrar quanto estava agradecida?

Podia, por exemplo, servir nas receções da embaixada de Lisboa xarope de ácer, que é especialidade canadiana. Mas ela queria mais do que isso.

Elise Racicot começou por nos lembrar que no Canadá, desde 1970, há o festival tradicional Black History Month e esse Mês da História Negra, realizado sempre em fevereiro, consiste em homenagear os seus compatriotas de origem africana.

Uma história de viagem, de lá para cá e de cá para lá, que Portugal tão bem conhece. Daí que, com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, a Agência para a Integração Migrações e Asilo (AIMA) e várias associações de portugueses afro-descendentes, ela nos tivesse incentivado a homenagem também por cá.

·       *   Ferreira Fernandes

·         ** Ilustração: Nuno Saraiva

10.3.26

S. SIMÃO _ Histórias do Povo - José Hilário


TARDES DE DOMINGO 
Acto contínuo à assinatura do tratado de paz, entre os países beligerantes, envolvidos na primeira guerra mundial, os militares portugueses, regressaram garbosamente à sua terra natal, com muitas histórias para contar a um povo sedento de as ouvir e de as memorizar.
É certo que, poucas vezes saíram das trincheiras, mas aperceberam-se das potencialidades de um país chamado França.
Por volta de 1925, saíram do Pé da Serra, os primeiros emigrantes de que há conhecimento, rumo a França, emanados de uma esperança de enriquecimento fácil e rápido.
Uns regressaram à aldeia que os viu nascer, poucos anos depois, com os bolsos mais vazios, do que quando partiram, outros de França, rumaram à descoberta de terras do Novo Mundo, acreditando que desta vez é que a sorte não lhes iria ser madrasta.
Ti Ambrósio foi um dos que regressou à santa terrinha, mais “liso” do que quando deixou os seus, mas ficou para sempre, sendo um admirador fanático da França, à qual chamava ironicamente “País de Gente”.
O largo principal da aldeia, “O Largo das Carretas”, era o centro do mundo. Era ali que a rapaziada praticava futebol, pé descalço, com dois punhados de farelos, dentro de uma meia velha, enrolada diversas vezes sobre si mesma, à cabra-cega, ou se entregava a correrias loucas sem nexo.
As meninas adolescentes, disciplinadamente dançavam modas de roda, o giroflé-giroflá, sob atenta vigilância das mães
Era ali que no Verão, as carretas carregadas de trigo ou palha, ou no Inverno com enormes “bidons” de azeite, faziam uma breve paragem, para que as vacas pudessem restabelecer energias.
Os funerários, tinham e têm ainda hoje, paragem obrigatória, de modo a permitir a reunificação de todos os acompanhantes e rezar o padre-nosso em uníssono.
No Verão, época de casamentos, acordeonista em cima de uma carroça, “farrom-fom-fom”, vai de baile até ás tantas, envoltos num espoginho poeirento, transformado em lama depois de misturado com o suor dos bailadores.
Por ali acampavam ciganos, malteses sem “eira nem beira”, comediantes sem graça alguma, a troco de uma tigela de azeitonas.
Por ali permaneciam pacientemente, homens sem trabalho, ouvindo e transmitindo as novidades, mudando-se lentamente do sol para a sombra, ou vice-versa e muitas das vezes discutindo raivosamente, uns com os outros “por dá cá aquela palha”.
Todos os sábados à tardinha, lá estava a carrinha da Gulbenkian, cheia de livros, para ajudar a passar os longos serões de Inverno, àqueles que gostavam de ler.
Ganhei o prazer de ler devido a esta biblioteca itinerante.
Era no Largo das Carretas que o “Ti Ambrósio”, homem normalmente de poucas palavras, sorumbático, que aos domingos à tarde, mais borracho que um pipo de carvalho, direito que nem um fuso, se colocava na parte mais alta do muro e transformava a sua personalidade tal e qual como a noite se transforma em dia.
Silêncio sepulcral em todo o largo.
As meninas paravam com as danças, os rapazes colocavam-se à sua volta, formando um semi-círculo, equidistante dele, aproximando-se ou afastando-se como se fossem atraídos ou repelidos por um íman, cujas linhas de força comandavam os seus movimentos.
Os homens adultos fingiam não ligar ao que o tonto do Ambrósio apregoava, as mulheres formavam pequenos grupos, cochichando, e de vez enquando riam desalmadamente.
E o discurso continuava alto e bom som.
-Isto é um país de merda…
“O Salazar é o maior ladrão deste mundo, só sabe roubar aos pobres para dar aos ricos.
Cerejeira e padralhada fora…rua!”
A mulher e a filha, desde o início do espectáculo, fechavam-se em casa, fechadura “rota à chave”, postigo ligeiramente aberto, ouvidos bem sintonizados, com o coração apertado, os minutos pareciam horas, esperavam ansiosamente  que o discurso terminasse, antes que o tenente Abóbora, comandante da GNR de Nisa, aparecesse e mandasse levar o único ganha-pão daquela pobre casa.
-Parvalhões! Levam livros para casa, para ler ao serão.
Alguém lhe lembrou:
- Ó “Ti Ambrósio”, os livros são muito úteis e além disso são de graça.
-Basta que sim - retorquiu o orador convictamente. De graça uma ova. Então esse tal Gulbenkian não é o rei do petróleo?-Parece que sim.
-Pois é ! É de graça, é de graça, mas para lerem um livro, os palermas têm de gastar pelo menos cinco litros de petróleo.
Risada geral do Zé Povinho.
Os temas dos seus discursos não incidiam simples e unicamente na religião, nos governantes, no seu Benfica, ou na sua querida França.
Certa vez abordou um tema diferente dos habituais.
-Andam para aí a dizer que a terra se move, que anda, se assim fosse quando eu chegasse ao Azinhal já a panela dos feijões pretos estava em Alpalhão.
Gargalhadas novamente.
Segunda-feira bem cedinho, fatada aviada para uma semana de trabalho duro, seis dias sem vir a casa, alforges ás costas, lá partia sem responder ás ralhações da mulher.
Em toda a semana ninguém lhe ouvia fosse o que fosse, os companheiros bem puxavam por ele, mas dali não ouviam nem um ai.

* José Hilário - Junho de 2002

** Pintura de José Malhoa

9.3.26

CRATO: Rota das Romarias 2026


O Município do Crato volta a promover, entre os dias 22 de março a 18 de outubro, a Rota das Romarias, um programa de caminhadas temáticas que alia o desporto à história dos locais a visitar.

A Rota das Romarias é, assim, um programa de caminhadas – muito além das romarias - que procura proporcionar ao caminhante o contacto, de perto, com aquilo que tece a mais profunda identidade do nosso Concelho, desfrutando das nossas paisagens e caminhos ou apreciando os nossos monumentos e vestígios arqueológicos, sempre com um enquadramento dedicado a cada uma das temáticas. É a melhor oportunidade para ficar a conhecer, passo a passo, o Crato e o seu Concelho.

A 1ª etapa da edição 2026 é já no dia 22 de março com a caminhada à Ponte da Decosta. As inscrições são gratuitas através do n.º 245990136 ou por email desporto@cm-crato.pt.

Vamos caminhar? Venha connosco.

HUMOR EM TEMPO DE CÓLERA

 

Adestramento - Cartoon de Vasco Gargalo

8.3.26

NISA: União de Freguesias – Saudação ao Dia Internacional da Mulher

 


Neste Dia Internacional da Mulher, a União de Freguesias de Espírito Santo, Nossa Senhora da Graça e São Simão presta uma sentida homenagem a todas as mulheres, mas em especial às mulheres da nossa freguesia.

Mulheres essas que, com a sua força, dedicação e generosidade, são o coração das nossas famílias, das nossas tradições e da nossa sociedade.

Cada gesto de cuidado, cada desafio superado e a cada sonho construído, está presente a coragem e a determinação que tanto nos inspiram e vão continuar a inspirar.

Hoje celebramos o papel fundamental das mulheres na construção de uma sociedade mais justa, solidária e humana.

Celebramos o passado que honraram, o presente que transformam todos os dias e o futuro que continuam a ajudar a construir.

A todas as mulheres, o nosso profundo reconhecimento, respeito e gratidão.

Feliz Dia da Mulher!

O Executivo da

União de Freguesias de Espírito Santo, Nossa Senhora da Graça e São Simão

 

8 DE MARÇO - Dia Internacional da Mulher


Calçada de Carriche

Luísa sobe,

sobe a calçada,

sobe e não pode

que vai cansada.

Sobe, Luísa,

Luísa, sobe,

sobe que sobe

sobe a calçada.

 

Saiu de casa

de madrugada;

regressa a casa

é já noite fechada.

Na mão grosseira,

de pele queimada,

leva a lancheira

desengonçada.

Anda, Luísa,

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.

 

Luísa é nova,

desenxovalhada,

tem perna gorda,

bem torneada.

Ferve-lhe o sangue

de afogueada;

saltam-lhe os peitos

na caminhada.

Anda, Luísa.

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.

 

Passam magalas,

rapaziada,

palpam-lhe as coxas,

não dá por nada.

Anda, Luísa,

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.

 

Chegou a casa

não disse nada.

Pegou na filha,

deu-lhe a mamada;

bebeu da sopa

numa golada;

lavou a loiça,

varreu a escada;

deu jeito à casa

desarranjada;

coseu a roupa

já remendada;

despiu-se à pressa,

desinteressada;

caiu na cama

de uma assentada;

chegou o homem,

viu-a deitada;

serviu-se dela,

não deu por nada.

Anda, Luísa.

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.


 Na manhã débil,

sem alvorada,

salta da cama,

desembestada;

puxa da filha,

dá-lhe a mamada;

veste-se à pressa,

desengonçada;

anda, ciranda,

desaustinada;

range o soalho

a cada passada;

salta para a rua,

corre açodada,

galga o passeio,

desce a calçada,

desce a calçada,

chega à oficina

à hora marcada,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga;

toca a sineta

na hora aprazada,

corre à cantina,

volta à toada,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga.

Regressa a casa

é já noite fechada.

Luísa arqueja

pela calçada.

Anda, Luísa,

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada,

sobe que sobe,

sobe a calçada,

sobe que sobe,

sobe a calçada.

Anda, Luísa,

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada. 

António Gedeão, in 'Teatro do Mundo'


7.3.26

M de MULHER: Cidades inseguras para elas: 7 em cada 10 mulheres já sofreram assédio no Brasil


Nesta sexta (6), o Brasil aparece em destaque na imprensa internacional por motivos que revelam as múltiplas camadas da vida política e social do país. Entre denúncias persistentes de violência contra as mulheres, tensões geopolíticas que reposicionam o país no cenário global e escândalos financeiros que expõem as entranhas do poder econômico, o noticiário estrangeiro desenha um retrato complexo da maior nação da América Latina.

Há ainda espaço para temas que vão da cultura política da diáspora latino-americana até os limites éticos do entretenimento televisivo.

Em comum, todos os episódios ajudam a compreender as contradições de um país em disputa — social, política e simbolicamente. Confira!

Assédio nas cidades brasileiras

Um estudo recente sobre segurança urbana revela um dado alarmante: sete em cada dez mulheres brasileiras afirmam já ter sofrido algum tipo de assédio moral ou sexual ao menos uma vez na vida. A informação foi divulgada pela agência internacional Prensa Latina na reportagem “Siete de cada 10 mujeres en Brasil reportan acoso, según estudio”, baseada em uma pesquisa nacional conduzida pelo Instituto Cidades Sustentáveis em parceria com a consultoria Ipsos-Ipec. O levantamento entrevistou 3.500 pessoas em dez capitais brasileiras e expõe um retrato persistente de violência cotidiana.

Segundo o estudo Viver nas Cidades: Mulheres, 71% das entrevistadas relataram ter sofrido assédio em ao menos um dos ambientes analisados. Entre os espaços investigados estão ruas, transporte público, ambientes de trabalho, bares, espaços domésticos e transporte privado por aplicativos. A pesquisa foi realizada em capitais como São Paulo, Salvador, Recife e Porto Alegre, abrangendo diferentes realidades urbanas do país.

A rua permanece como o principal palco dessa violência. Cerca de 54% das mulheres afirmaram ter sido assediadas em vias públicas, como praças, parques e praias. Em seguida aparece o transporte público, citado por 50% das entrevistadas. O ambiente de trabalho surge em terceiro lugar, com 36%, demonstrando que a violência de gênero atravessa tanto os espaços privados quanto os coletivos.

Durante a apresentação do relatório em São Paulo, a diretora de opinião pública da Ipsos-Ipec, Patrícia Pavanelli, resumiu a gravidade do cenário: “A insegurança é uma regra em nossas vidas, não uma exceção”, afirmou. A frase sintetiza uma realidade estrutural: para milhões de mulheres brasileiras, circular pela cidade significa calcular riscos permanentemente.

Embora os índices tenham registrado uma leve queda em comparação com 2014 — quando 74% das mulheres relataram experiências semelhantes — os pesquisadores destacam que a redução ainda é insuficiente diante da dimensão do problema. A persistência do assédio em múltiplos ambientes revela que políticas públicas e mudanças culturais caminham mais lentamente do que a urgência da realidade.

Para a promotora Fabíola Sucasas, do Ministério Público de São Paulo, aumentar penas não resolve sozinho o problema. “Confiar apenas no endurecimento das punições não basta”, alertou. A coordenadora municipal de políticas para mulheres, Naiza Bezerra, reforçou que os dados devem orientar novas estratégias de proteção e prevenção. Em outras palavras, combater o assédio exige muito mais do que leis duras: requer uma transformação profunda nas relações sociais.

JOANNE MOTA in https://forum21br.com.br

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

“Nisa em Festa” está de volta de 23 a 26 de Julho


A edição de 2026 do “Nisa em Festa” está de regresso entre os dias 23 e 26 de Julho, promovendo quatro dias de música, animação e diversas iniciativas, na Praça da República da vila de Nisa.

Promovido pelo Município de Nisa, o evento tem-se afirmado como um dos principais festivais de verão do Alto Alentejo e do País, reunindo milhares de visitantes. Ao longo das edições, o festival tem contado com actuações de nomes da música nacional e internacional.

5.3.26

ALPALHÃO: XXVII Feira dos Enchidos

 


NISA: União de Freguesias inaugura Biblioteca e homenageia Fernando Portugal

 


A União de Freguesias de Espírito Santo, Nossa Senhora da Graça e São Simão tem a honra de convidar toda a comunidade para a cerimónia de homenagem e inauguração da Biblioteca Fernando Mário Dias Filipe Portugal, que terá lugar no próximo dia 7 de março, sábado, pelas 16h00, no edifício da sede da União de Freguesias.

Fernando Mário Dias Filipe Portugal nasceu em Nisa a 17 de janeiro de 1929, vila à qual permaneceu profundamente ligado ao longo de toda a sua vida. Foi um homem cuja presença marcou a sociedade, deixando um legado humano, cívico e intelectual que justificou o reconhecimento público que lhe foi prestado após a sua morte, ocorrida a 31 de janeiro de 2012.

Homem de valores firmes, pautou a sua vida por um profundo sentido de responsabilidade, dignidade e serviço, permanecendo como exemplo de integridade, dedicação e amor à sua terra, continuando presente na memória de Nisa e de todos os que com ele privaram.

Sob o lema “Nominem et memoriam digni - homens dignos de eterna memória”, esta cerimónia constitui um momento de reconhecimento e gratidão, perpetuando o nome e o legado de uma figura maior da nossa comunidade nisense.

Contamos com a sua presença.

 

 

UM POEMA POR DIA, BEM QUE FAZIA - Jose Fanha


Naquela Praça 

Hei-de encontrar-te ali

naquela praça que talvez já não exista.

 

Praça da palavra.

Praça da canção.

Praça de bandeiras a beijar

os primeiros odores da primavera.

 

Hei-de encontrar-te um dia

ao alto da cidade

partilhando pão

azeitonas

e poema.

 

Ali

naquela praça que talvez já não exista

hei-de encontrar-te um dia

e seguiremos

abraçando

as laranjeiras

desfraldando

uma vez mais

a nossa voz ao vento.

* José Fanha 

OPINIÃO: A luta das mulheres continua


A pergunta vai sendo feita à medida que nos aproximamos da data. Porque é ainda preciso celebrar o Dia da Mulher? Há respostas positivas, de celebração, das conquistas das últimas décadas, mas assinalar o 8 de Março é também lutar contra a desigualdade. Vamos a cinco pontos. Primeiro, fosso salarial. Em média, as mulheres em Portugal ganham menos 240 euros por mês que os homens, e a diferença agrava-se com a progressão na carreira. Nos cargos mais elevados, a diferença ascende a 760 euros mensais, de acordo com o último relatório da Pordata. Isto quando elas chegam ao topo, o que só acontece em 17% dos casos. Segundo, desemprego. O número de mulheres no desemprego é maior que o dos homens e apenas 44% delas têm acesso a proteção social de desemprego, contesta a CGTP, que vai mais longe ao dizer que a reforma laboral que o Governo propõe é mais penalizadora para as trabalhadoras. Terceiro, precariedade. Mais de meio milhão de mulheres tinha vínculo precário, num estudo de 2024 da central sindical, que traça uma situação ainda pior no caso de jovens mulheres a entrar no mercado de trabalho - mais de metade tinha vínculos precários. Quarto, reformas. A diferença entre as pensões de homens e de mulheres é de quase 25%. Mas, neste campo, ao contrário de tantos outros indicadores quando nos comparamos com os demais, estamos em linha com o resto do bloco comunitário. As mulheres com 65 ou mais anos na União Europeia receberam, em média, pensões 24,5% mais baixas que as dos homens. Quinto, violência. Há mais mulheres vítimas de crimes, como abuso sexual, violência na intimidade, assédio laboral e assédio sexual em ambiente laboral. A lista de desigualdades dava um jornal e ainda perguntam porque é preciso sair à rua com cartazes e palavras de ordem.

·         Joana Almeida Silva – Jornal de Notícias- 5 de março, 2026

4.3.26

NISA: Feira dos Passos com TODAS as freguesias!

 


UM POEMA POR DIA, BEM QUE SABIA - José Luís Peixoto


A Mulher Mais Bonita do Mundo

estás tão bonita hoje. quando digo que nasceram

flores novas na terra do jardim, quero dizer

que estás bonita.

 

entro na casa, entro no quarto, abro o armário,

abro uma gaveta, abro uma caixa onde está o teu fio

de ouro.

 

entre os dedos, seguro o teu fino fio de ouro, como

se tocasse a pele do teu pescoço.

 

há o céu, a casa, o quarto, e tu estás dentro de mim.

 

estás tão bonita hoje.

 

os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios.

 

estás dentro de algo que está dentro de todas as

coisas, a minha voz nomeia-te para descrever

a beleza.

 

os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios.

 

de encontro ao silêncio, dentro do mundo,

estás tão bonita é aquilo que quero dizer.

 

* José Luís Peixoto, in "A Casa, a Escuridão"

** Desenho de Cipriano Dourado