17.3.26
PORTALEGRE: Câmara lança Prémio Literário "LUZIA"
O Prémio LUZIA, organizado em colaboração com a Associação Cultural
UMCOLETIVO, com o valor monetário de 1000€, galardoará uma obra inédita em
prosa (conto), com o prazo de entrega até ao dia 15 de julho, aberto a todos os
cidadãos.
Consulte as Normas de Participação em www.cm-portalegre.pt.
Nota Biográfica:
Luísa Grande nasceu a 15 de Fevereiro de 1875, em Portalegre, filha do
capitão Eduardo Dias Grande e de Antónia Isabel Caldeira de Andrade que faleceu
durante o parto.
Ao fim dos seis meses passados em Portalegre, o pai de Luzia, que
sofria de uma grave doença pulmonar, decidiu mudar-se para a Madeira com as
duas filhas, em busca de um clima mais favorável à sua doença.
Com nove anos apenas, Luzia vê a vida levar-lhe a pessoa que mais
adora, o pai, que falece de tuberculose, e é de novo enviada para Portalegre,
para casa da tia Sofia.
Aos catorze anos, é enviada pelos tios para o colégio das Salésias em Lisboa.
Atingida a maioridade, Luísa viveu algum tempo em Lisboa em casa dos
viscondes de Geraz de Lima. Seguidamente acompanhou-os até à Madeira e passou a
residir em casa da avó Ana, na Rua dos Netos, nº 19.
É na Madeira que Luzia casa com Francisco João de Vasconcelos, a quatro
de Abril de 1896. Mas o casal não era feliz, e a Lei do Divórcio (de 3 de
Novembro de 1910), que foi um dos primeiros atos legislativos do Governo
Provisório saído da revolução de 5 de Outubro de 1910, foi imediatamente
aproveitada por Luzia.
Posteriormente a esta fase da sua vida, Luzia vai ainda passar por
grandes sofrimentos, já que para além do divórcio, terá vários problemas de
saúde entre os quais a tuberculose e a neurastenia, cultivará a solidão, com
receio de uma nova desilusão, o que quase a conduziu à loucura, à destruição
dos seus sonhos, a um desequilíbrio emocional e físico que a levaram a desejar
a morte.
Luzia recorre a um sanatório em França para se restabelecer e após esse
período passa anos de uma interessante vida intelectual, tendo começado a
publicar os seus livros, envolvendo-se na vida em sociedade, que era
circunscrita a um pequeno mundo elegante, e inicia as suas viagens pelo
estrangeiro.
Nos primeiros anos, no Funchal, tudo lhe correu a seu gosto, num ambiente
calmo e alegre, mas o seu estado de saúde agrava-se a cada dia. Após
sofrimentos físicos e morais que se prolongaram ao longo da vida, Luzia falece
a 10 de Dezembro de 1945, pelas 14h, na Quinta Carlos Alberto.
14.3.26
11.3.26
ATLETISMO: Espanha e Portugal unem-se através de protocolo AADP transfronteiriça entre a federação Extremenha e a AADP
A primeira iniciativa no âmbito desta parceria teve lugar no passado dia 7 de março, durante o XIII Corta-Mato Cidade de Elvas, que contou com a presença de cerca de 70 atletas, técnicos, juízes e dirigentes em representação da Seleção da Extremadura. A participação da comitiva espanhola transformou a competição numa verdadeira jornada de desporto, convívio e partilha entre agentes do atletismo dos dois lados da fronteira.
A iniciativa proporcionou uma tarde de competição participada, mas
também um importante momento de aproximação entre comunidades desportivas
vizinhas, permitindo que atletas de diferentes escalões, desde os mais jovens
até aos veteranos, partilhassem a mesma experiência competitiva e reforçassem
os laços entre as duas regiões.
Este acordo de cooperação entre a AADP e a Federação Extremenha de
Atletismo pretende promover o intercâmbio desportivo e institucional,
incentivando a participação de atletas, técnicos e juízes em iniciativas
além-fronteiras e criando novas oportunidades de desenvolvimento para o
atletismo regional, em linha com os princípios de cooperação territorial europeia.
No seguimento desta parceria, está já prevista a constituição, pela
primeira vez, de uma Seleção da AADP composta por atletas de todos os escalões,
que representará o Alto Alentejo em competições na Extremadura espanhola. Esta
iniciativa assume particular relevância no caso dos escalões de séniores r
veteranos, que tradicionalmente não integravam seleções regionais, abrindo
agora novas oportunidades de participação e representação para atletas de todas
as idades.
A AADP acredita que esta colaboração constitui um passo importante para
o crescimento do atletismo no território, reforçando a ligação entre regiões
vizinhas e criando novas experiências competitivas, formativas e humanas para
atletas, técnicos e juízes de ambos os países.
“Vai mas é para a tua terra!”: mês da história negra e misturas na Calçada do Combro
Há dias, 5 de fevereiro, 4 da tarde, inverno desgraçado, pela Calçada
do Combro abaixo, adivinhando o Tejo enevoado, não cheguei lá. Não por os
avisos prevenirem mais chuva, vento, inundações, mas porque eu tinha um
encontro luminoso com meus patrícios mais queridos.
Daqueles de chegar perto deles e apetecer-nos sempre um abraço de
agradecimento. Bem-vindo à tua pátria da Outra Banda, General! Por que partiste
tão cedo, Lena? Meus respeitos, ó mãe de todos os repórteres portugueses,
Senhora Dona Virgínia! Que saudades, Pantera! Olá, Tito Lisboa, tão Mindelo,
quer dizer, tão nosso…
E, assim, repetida, uma homenagem a cada um e a todos, prestada a uma
dúzia de personagens, que me são muito, muito queridas.
Nessa quinta-feira, às 4 da tarde, uma dúzia exata de ilustres
lisboetas juntaram-se ao fundo da Calçada do Combro. Ali onde ela bifurca: ir
pelo Poço dos Negros, travessa de nós todos, ou para a casa de todos nós, o
Parlamento – uma, ou outra rua? Os doze ficaram ali mesmo (dizia a pretensiosa
tabuleta: “Largo Doutor António de Sousa Macedo”), com dois palácios fronteiros
e fidalgos, o Mesquitela e o Cabral. Entraram, à direita, no Palácio Cabral, nº
7 D, a porta larga da Junta de Freguesia da Misericórdia. Eu segui-os.
Foi lá que eles se transformaram, todos, em quadros-retrato e se penduraram nas paredes centenárias. Na verdade, se nos quadros estavam todos, os doze, presencialmente faltavam alguns que eu, podia jurar, vi descer juntos, pela calçada. Fica o leitor prevenido de que o aqui se vai contar é a Lisboa real, a eterna e extraordinária.
E há ainda quem diga: “Tanto mestiço, mas isto é Lisboa?…” Claro que é. Ele há outra coisa?
Estávamos no andar térreo, nas duas salas de exposição do Espaço Santa
Catarina, com arcadas sem estuque para mostrar tijolos anteriores ao terramoto.
Doze quadros-retrato expostos ao nosso agradecimento. E alguns dos retratados,
como já referi, também em presença física e orgulhosa. Apeteceu-me, emocionado,
gritar a todos e a cada um:
“Vai mas é para a tua terra!”
O grito era sincero, embora, evidentemente, desnecessário. Os doze
retratados já lá estavam, na cidade, país, amor que tanto honraram. Cidade
deles, país delas, terra dos doze.
A inaugurada homenagem – a exposição decorre até 19 de fevereiro – traz
este ano quatro novos quadros que se juntam aos das edições anteriores da Black
History Month, em 2024 e 2025. Três edições, quatro pinturas por cada uma
delas, doze quadros, a aritmética é a única coisa enfadonha nesta história.
A iniciativa Mês da História Negra veio de longe, de muito longe. Do
Canadá, país do rio Saint-Laurent, ainda mais largo que o nosso Mar da Palha e
que por esta altura está gelado (até abril). As fragatas e faluas de lá, se as
houvesse, nem com quebra-gelo ousariam navegar. Mais uma razão por a oferta,
vinda de tão longe, nos aquecer o coração.
Foi proposta canadiana celebrar-nos a presença e o contributo histórico
das comunidades afrodescendentes em Portugal. O Canadá contribui oferecendo-nos
quadros de figuras portuguesas de origem africana, pintadas por artistas deles,
afro-canadianos.
Assim de repente, poderia parecer isto: eles (os canadianos) querem que
nós celebremos, na nossa casa, o que se passa com gente que não tem,
necessariamente, nada a ver com eles. Não seria de desconfiar, uma
interferência de país estrangeiro em assunto interno nacional? Não, pelo
contrário. É um abraço de dois países, ambos honrados pelos abraços que
acontecem, todos os dias e de há muitos séculos, nesses dois países.
No Palácio Cabral, eu vi e ouvi a embaixadora Elise Racicot, em Lisboa
desde 2022, a dizer que nos conhece. Diplomata gentil e inteligente, logo que
chegou, ela pensou: que posso oferecer a um país cujos cidadãos, mais de meio
milhão, tanto fazem no Canadá? Que podia fazer ela, em Portugal, para mostrar
quanto estava agradecida?
Podia, por exemplo, servir nas receções da embaixada de Lisboa xarope
de ácer, que é especialidade canadiana. Mas ela queria mais do que isso.
Elise Racicot começou por nos lembrar que no Canadá, desde 1970, há o
festival tradicional Black History Month e esse Mês da História Negra,
realizado sempre em fevereiro, consiste em homenagear os seus compatriotas de
origem africana.
Uma história de viagem, de lá para cá e de cá para lá, que Portugal tão
bem conhece. Daí que, com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, a Agência para
a Integração Migrações e Asilo (AIMA) e várias associações de portugueses
afro-descendentes, ela nos tivesse incentivado a homenagem também por cá.
· * Ferreira Fernandes
·
** Ilustração: Nuno Saraiva
10.3.26
S. SIMÃO _ Histórias do Povo - José Hilário
TARDES DE DOMINGO
* José Hilário - Junho de 2002
** Pintura de José Malhoa
9.3.26
CRATO: Rota das Romarias 2026
A Rota das Romarias é, assim, um programa de caminhadas – muito além
das romarias - que procura proporcionar ao caminhante o contacto, de perto, com
aquilo que tece a mais profunda identidade do nosso Concelho, desfrutando das
nossas paisagens e caminhos ou apreciando os nossos monumentos e vestígios
arqueológicos, sempre com um enquadramento dedicado a cada uma das temáticas. É
a melhor oportunidade para ficar a conhecer, passo a passo, o Crato e o seu
Concelho.
A 1ª etapa da edição 2026 é já no dia 22 de março com a caminhada à
Ponte da Decosta. As inscrições são gratuitas através do n.º 245990136 ou por
email desporto@cm-crato.pt.
Vamos caminhar? Venha connosco.
8.3.26
NISA: União de Freguesias – Saudação ao Dia Internacional da Mulher
Mulheres essas que, com a sua força, dedicação e generosidade, são o
coração das nossas famílias, das nossas tradições e da nossa sociedade.
Cada gesto de cuidado, cada desafio superado e a cada sonho construído,
está presente a coragem e a determinação que tanto nos inspiram e vão continuar
a inspirar.
Hoje celebramos o papel fundamental das mulheres na construção de uma
sociedade mais justa, solidária e humana.
Celebramos o passado que honraram, o presente que transformam todos os
dias e o futuro que continuam a ajudar a construir.
A todas as mulheres, o nosso profundo reconhecimento, respeito e
gratidão.
Feliz Dia da Mulher!
O Executivo da
União de Freguesias de Espírito Santo, Nossa Senhora da Graça e São Simão
8 DE MARÇO - Dia Internacional da Mulher
Luísa
sobe,
sobe
a calçada,
sobe
e não pode
que
vai cansada.
Sobe,
Luísa,
Luísa,
sobe,
sobe
que sobe
sobe
a calçada.
Saiu
de casa
de
madrugada;
regressa
a casa
é
já noite fechada.
Na
mão grosseira,
de
pele queimada,
leva
a lancheira
desengonçada.
Anda,
Luísa,
Luísa,
sobe,
sobe
que sobe,
sobe
a calçada.
Luísa
é nova,
desenxovalhada,
tem
perna gorda,
bem
torneada.
Ferve-lhe
o sangue
de
afogueada;
saltam-lhe
os peitos
na
caminhada.
Anda,
Luísa.
Luísa,
sobe,
sobe
que sobe,
sobe
a calçada.
Passam
magalas,
rapaziada,
palpam-lhe
as coxas,
não
dá por nada.
Anda,
Luísa,
Luísa,
sobe,
sobe
que sobe,
sobe
a calçada.
Chegou
a casa
não
disse nada.
Pegou
na filha,
deu-lhe
a mamada;
bebeu
da sopa
numa
golada;
lavou
a loiça,
varreu
a escada;
deu
jeito à casa
desarranjada;
coseu
a roupa
já
remendada;
despiu-se
à pressa,
desinteressada;
caiu
na cama
de
uma assentada;
chegou
o homem,
viu-a
deitada;
serviu-se
dela,
não
deu por nada.
Anda,
Luísa.
Luísa,
sobe,
sobe
que sobe,
sobe
a calçada.
sem
alvorada,
salta
da cama,
desembestada;
puxa
da filha,
dá-lhe
a mamada;
veste-se
à pressa,
desengonçada;
anda,
ciranda,
desaustinada;
range
o soalho
a
cada passada;
salta
para a rua,
corre
açodada,
galga
o passeio,
desce
a calçada,
desce
a calçada,
chega
à oficina
à
hora marcada,
puxa
que puxa,
larga
que larga,
puxa
que puxa,
larga
que larga,
puxa
que puxa,
larga
que larga,
puxa
que puxa,
larga
que larga;
toca
a sineta
na
hora aprazada,
corre
à cantina,
volta
à toada,
puxa
que puxa,
larga
que larga,
puxa
que puxa,
larga
que larga,
puxa
que puxa,
larga
que larga.
Regressa
a casa
é
já noite fechada.
Luísa
arqueja
pela
calçada.
Anda,
Luísa,
Luísa,
sobe,
sobe
que sobe,
sobe
a calçada,
sobe
que sobe,
sobe
a calçada,
sobe
que sobe,
sobe
a calçada.
Anda,
Luísa,
Luísa,
sobe,
sobe
que sobe,
sobe a calçada.
António
Gedeão, in 'Teatro do Mundo'
7.3.26
M de MULHER: Cidades inseguras para elas: 7 em cada 10 mulheres já sofreram assédio no Brasil
Há ainda espaço para temas que vão da cultura política da diáspora
latino-americana até os limites éticos do entretenimento televisivo.
Em comum, todos os episódios ajudam a compreender as contradições de um
país em disputa — social, política e simbolicamente. Confira!
Assédio nas cidades brasileiras
Um estudo recente sobre segurança urbana revela um dado alarmante: sete
em cada dez mulheres brasileiras afirmam já ter sofrido algum tipo de assédio
moral ou sexual ao menos uma vez na vida. A informação foi divulgada pela
agência internacional Prensa Latina na reportagem “Siete de cada 10 mujeres en
Brasil reportan acoso, según estudio”, baseada em uma pesquisa nacional
conduzida pelo Instituto Cidades Sustentáveis em parceria com a consultoria
Ipsos-Ipec. O levantamento entrevistou 3.500 pessoas em dez capitais
brasileiras e expõe um retrato persistente de violência cotidiana.
Segundo o estudo Viver nas Cidades: Mulheres, 71% das entrevistadas
relataram ter sofrido assédio em ao menos um dos ambientes analisados. Entre os
espaços investigados estão ruas, transporte público, ambientes de trabalho,
bares, espaços domésticos e transporte privado por aplicativos. A pesquisa foi
realizada em capitais como São Paulo, Salvador, Recife e Porto Alegre,
abrangendo diferentes realidades urbanas do país.
A rua permanece como o principal palco dessa violência. Cerca de 54%
das mulheres afirmaram ter sido assediadas em vias públicas, como praças,
parques e praias. Em seguida aparece o transporte público, citado por 50% das
entrevistadas. O ambiente de trabalho surge em terceiro lugar, com 36%,
demonstrando que a violência de gênero atravessa tanto os espaços privados
quanto os coletivos.
Durante a apresentação do relatório em São Paulo, a diretora de opinião
pública da Ipsos-Ipec, Patrícia Pavanelli, resumiu a gravidade do cenário: “A
insegurança é uma regra em nossas vidas, não uma exceção”, afirmou. A frase
sintetiza uma realidade estrutural: para milhões de mulheres brasileiras,
circular pela cidade significa calcular riscos permanentemente.
Embora os índices tenham registrado uma leve queda em comparação com
2014 — quando 74% das mulheres relataram experiências semelhantes — os
pesquisadores destacam que a redução ainda é insuficiente diante da dimensão do
problema. A persistência do assédio em múltiplos ambientes revela que políticas
públicas e mudanças culturais caminham mais lentamente do que a urgência da
realidade.
Para a promotora Fabíola Sucasas, do Ministério Público de São Paulo,
aumentar penas não resolve sozinho o problema. “Confiar apenas no endurecimento
das punições não basta”, alertou. A coordenadora municipal de políticas para
mulheres, Naiza Bezerra, reforçou que os dados devem orientar novas estratégias
de proteção e prevenção. Em outras palavras, combater o assédio exige muito
mais do que leis duras: requer uma transformação profunda nas relações sociais.
JOANNE MOTA in https://forum21br.com.br
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
“Nisa em Festa” está de volta de 23 a 26 de Julho
Promovido pelo Município de Nisa, o evento tem-se afirmado como um dos
principais festivais de verão do Alto Alentejo e do País, reunindo milhares de
visitantes. Ao longo das edições, o festival tem contado com actuações de nomes
da música nacional e internacional.
5.3.26
NISA: União de Freguesias inaugura Biblioteca e homenageia Fernando Portugal
Fernando
Mário Dias Filipe Portugal nasceu em Nisa a 17 de janeiro de 1929, vila à qual
permaneceu profundamente ligado ao longo de toda a sua vida. Foi um homem cuja
presença marcou a sociedade, deixando um legado humano, cívico e intelectual
que justificou o reconhecimento público que lhe foi prestado após a sua morte,
ocorrida a 31 de janeiro de 2012.
Homem
de valores firmes, pautou a sua vida por um profundo sentido de
responsabilidade, dignidade e serviço, permanecendo como exemplo de
integridade, dedicação e amor à sua terra, continuando presente na memória de
Nisa e de todos os que com ele privaram.
Sob
o lema “Nominem et memoriam digni - homens dignos de eterna memória”, esta
cerimónia constitui um momento de reconhecimento e gratidão, perpetuando o nome
e o legado de uma figura maior da nossa comunidade nisense.
Contamos
com a sua presença.
UM POEMA POR DIA, BEM QUE FAZIA - Jose Fanha
Hei-de
encontrar-te ali
naquela
praça que talvez já não exista.
Praça
da palavra.
Praça
da canção.
Praça
de bandeiras a beijar
os
primeiros odores da primavera.
Hei-de
encontrar-te um dia
ao
alto da cidade
partilhando
pão
azeitonas
e
poema.
Ali
naquela
praça que talvez já não exista
hei-de
encontrar-te um dia
e
seguiremos
abraçando
as
laranjeiras
desfraldando
uma
vez mais
a
nossa voz ao vento.
OPINIÃO: A luta das mulheres continua
·
Joana
Almeida Silva – Jornal de Notícias- 5 de março, 2026
4.3.26
UM POEMA POR DIA, BEM QUE SABIA - José Luís Peixoto
A Mulher Mais Bonita do Mundo
estás
tão bonita hoje. quando digo que nasceram
flores
novas na terra do jardim, quero dizer
que
estás bonita.
entro
na casa, entro no quarto, abro o armário,
abro
uma gaveta, abro uma caixa onde está o teu fio
de
ouro.
entre
os dedos, seguro o teu fino fio de ouro, como
se
tocasse a pele do teu pescoço.
há
o céu, a casa, o quarto, e tu estás dentro de mim.
estás
tão bonita hoje.
os
teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios.
estás
dentro de algo que está dentro de todas as
coisas,
a minha voz nomeia-te para descrever
a
beleza.
os
teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios.
de
encontro ao silêncio, dentro do mundo,
estás
tão bonita é aquilo que quero dizer.
* José
Luís Peixoto, in "A Casa, a Escuridão"
** Desenho de Cipriano Dourado























