9.5.26

OPINIÃO: Ao passar a alfândega moral


António José Seguro acaba de oferecer ao país uma dessas pequenas obras-primas de género ao promulgar ao contrário do que pensa, com a nota de rodapé tão extensa e penitente de quem quer transformar a contradição em profundidade institucional. Como se assinasse um cheque enquanto murmura ao balcão do banco que discorda profundamente da quantia, da caligrafia e até do encontro de contas. "Aprovo, mas não me confundam com isto", uma espécie de pecado com declaração de inocência anexada.

Quando um presidente da República sente necessidade de se afastar politicamente da lei que promulga, talvez possa existir matéria suficiente para um veto. A ironia não está apenas no acto, mas sim na liturgia moral que o acompanha. Seguro promulgou o diploma aprovado pela maioria de Direita com o inevitável perfume de urgência identitária que hoje atravessa a Europa. E, simultaneamente, decidiu deixar escrito que preferia "maior consenso" e menos "marcas ideológicas do momento". Seguro optou por discordar em voz alta e concordar no "Diário da República".

A nova lei endurece regras, duplica prazos, transforma a nacionalidade num corredor burocrático estreito e deixa pelo caminho o princípio de integração gradual que Portugal foi construindo, não por ingenuidade (como agora repetem os ministros da firmeza patriótica). Um país emigrante devia ter memória suficiente para não se transformar numa alfândega moral. Até aqui, um estrangeiro podia pedir a nacionalidade portuguesa ao fim de cinco anos de residência: agora passa a precisar de dez. Se vier da CPLP ou da União Europeia, beneficia da generosidade possível dos novos tempos: fica pelos sete. Antes, bastava que um dos pais estivesse há um ano em Portugal para uma criança nascida no país ter acesso à nacionalidade: agora exigem-se cinco anos de residência legal. O país que durante décadas transformou a integração numa política pública decidiu subitamente comportar-se como porteiro de discoteca. Tudo embrulhado num discurso sobre rigor, controlo e equilíbrio, palavras que a política usa frequentemente quando quer evitar a palavra "medo".

É possível olhar para esta promulgação como moeda de troca antecipada para o conflito seguinte: a lei laboral. Seguro sabe que a Esquerda que o engoliu em segunda volta não o ama de paixão. Tolera-o, num casamento de emergência sanitária contra Ventura. E sabe também que o pacote laboral do Governo será o verdadeiro "primeiro teste" de mandato quando, durante a campanha, prometeu chumbar as alterações laborais se não houvesse acordo com a UGT. Até podia ser uma aceitável moeda de troca, se não tivesse criado uma nova figura institucional de um presidente-em-voto-de-vencido de si mesmo.

Miguel Guedes – Jornal de Notícias - 8 de maio, 2026

MORA: Atleta desiste de prova para salvar adversário que caiu em canal de rega


Um momento de solidariedade e coragem marcou a edição deste ano da prova Trail Aqua Race, disputada no passado domingo, 3 de maio, no concelho de Mora.

Durante a competição, um dos participantes caiu num canal de água existente no percurso e ficou com dificuldades em conseguir sair pelos próprios meios. Perante a situação, o atleta Luis Vitorino interrompeu imediatamente a prova e lançou-se à água para auxiliar o companheiro de corrida.

A rápida intervenção acabou por evitar consequências mais graves, num momento vivido com tensão por vários participantes que se encontravam nas proximidades.

“Vi uma pessoa quase a afogar-se e atirei-me logo para a salvar”, relatou Luis Vitorino em declarações ao NS, descrevendo a reação instintiva que teve ao aperceber-se do perigo.

O atleta acabou por desistir da competição para prestar auxílio ao colega, numa atitude que mereceu elogios de outros participantes e de várias pessoas presentes no local.

A Trail Aqua Race é conhecida pelo seu percurso exigente e diferenciador, combinando trilhos naturais com passagens por linhas de água, pequenos açudes e ribeiras, proporcionando um desafio físico acrescido aos atletas.

As condições do traçado, desenhado para explorar a paisagem natural do concelho de Mora, exigem particular atenção dos participantes, sobretudo nas zonas de atravessamento de água e terrenos escorregadios.

Apesar do susto, o incidente terminou sem consequências graves graças à pronta resposta do atleta, num gesto que acabou por se sobrepor ao espírito competitivo da prova.

“O mais importante era ajudar”, terá afirmado Luis Vitorino após o sucedido, numa atitude que muitos participantes consideraram exemplar e reveladora do verdadeiro espírito de entreajuda associado ao desporto.

Legado Operário de Évora nomeado para prémio nacional do sector mutualista


O Legado Operário de Évora está nomeado para um prémio nacional promovido pela União das Mutualidades Portuguesas, na categoria de Trabalhador do Ano, através da candidatura de Vanessa Teixeira, colaboradora da instituição.

A votação decorre online até ao dia 27 de maio, no portal da União das Mutualidades Portuguesas.

Nomeação distingue trabalho desenvolvido no Atelier do Páteo

Vanessa Teixeira coordena o Atelier do Páteo, onde desenvolve atividade na área das artes visuais dirigida a crianças, jovens e adultos. Segundo o comunicado divulgado pela instituição, o trabalho realizado tem promovido a criatividade, o pensamento crítico e a utilização da arte como instrumento de desenvolvimento pessoal e envolvimento comunitário.

O Prémio Trabalhador do Ano distingue profissionais do universo mutualista que se destacam pelo empenho, dedicação e impacto no desenvolvimento das respetivas instituições.De acordo com o Legado Operário de Évora, esta nomeação representa o reconhecimento do percurso desenvolvido pela colaboradora e do trabalho da associação na proximidade com a comunidade e na intervenção centrada nas pessoas.

Votação pública decorre até 27 de maio

A candidatura encontra-se em fase de votação pública até ao próximo dia 27 de maio. A instituição apelou à mobilização da comunidade, sublinhando a importância deste reconhecimento para o sector mutualista e para o impacto local da associação.

Instituição aproxima-se do centenário

Fundado em 1927, o Legado Operário de Évora é uma associação mutualista sem fins lucrativos dedicada à proteção social, saúde e bem-estar dos associados. A instituição aproxima-se dos 100 anos de atividade.

6.5.26

PORTO: Lançamento oficial do livro "Adriano"

 


AVIS: 𝐂𝐚𝐦𝐢𝐧𝐡𝐚𝐝𝐚 “𝐄𝐧𝐭𝐫𝐞 𝐓𝐞𝐫𝐫𝐚 𝐞 Á𝐠𝐮𝐚” – 𝐁𝐞𝐧𝐚𝐯𝐢𝐥𝐚 | 𝟏𝟕 𝐝𝐞 𝐦𝐚𝐢𝐨 𝐝𝐞 𝟐𝟎𝟐𝟔


O Município de Avis convida todos os interessados a participar na caminhada “Entre Terra e Água”, que terá lugar no dia 17 de maio de 2026, em Benavila.

O ponto de encontro está marcado para as 9h00, no Santuário de Nossa Senhora de Entre Águas, sendo o início do percurso junto ao vértice geodésico do Monte Branco.

Esta caminhada circular, com uma distância aproximada de 6 km, levará os participantes por trilhos envoltos em montados de sobro, num percurso que combina natureza, tranquilidade e paisagens únicas. O itinerário segue até às margens da Albufeira do Maranhão, onde será possível desfrutar de uma vista panorâmica distinta sobre a vila de Benavila, num cenário de grande beleza natural.

As inscrições estão abertas até ao dia 14 de maio, podendo ser efetuadas na Divisão de Desenvolvimento Sociocultural, Turismo e Desporto do Município de Avis, nas Juntas de Freguesia, ou através do formulário online disponível em: https://tinyurl.com/CaminhadaBenavila26.

Participe e venha descobrir a harmonia entre a terra e a água num percurso inesquecível.

ODIVELAS: Inauguração da Exposição “O 1º de Maio e as Representações do Trabalho”

 


HOJE, ÀS 18 HORAS, INAUGURA NA BIBLIOTECA MUNICIPAL D.DINIS DE ODIVELAS, A EXPOSIÇÃO “O 1º DE MAIO E AS REPRESENTAÇÕES DO TRABALHO”.

Exposição cedida pela EPHEMERA - Biblioteca e arquivo de José Pacheco Pereira

 

V. V. RÓDÃO: AEAT e CIART assinalam Dia Europeu da Cultura Megalítica


A Associação de Estudos do Alto Tejo (AEAT) em parceria com o Centro de Interpretação de Arte Rupestre do Vale do Tejo (CIART) e o Geopark Naturtejo comemoraram o Dia Europeu da Cultura Megalítica, no passado dia 26 de abril, em Vila Velha de Ródão, com a conferência intitulada “Pré-História na paisagem para além da monumentalidade: a Beira Baixa”, apresentada pelo arqueólogo e fundador da AEAT, João Caninas.

Nesta sessão foi relevada a extensa e longa ocupação pré-histórica desta região e apresentada a especificidade dos monumentos megalíticos regionais. Este património permanece mal conhecido e carentes de urgente proteção e valorização pública, nomeadamente pela integração em redes de visitação.

A AEAT, que dedica a sua atividade maioritária à investigação arqueológica, com foco importante no megalitismo, é associada da European Route of Megalithic Culture (RECM), entidade que pretende destacar a importância excecional da cultura megalítica para a história europeia, redescobrir e promover o valor turístico dos seus monumentos e, dessa forma, melhorar a sua proteção como parte de um património cultural comum.

 A RECM tem 40 associados, em onze países (Alemanha, Dinamarca, Espanha, França, Holanda, Itália, Líbano, Portugal, Reino Unido, Suécia e Turquia), onde se incluem entidades públicas regionais ou locais, municípios, universidades, museus, geoparques, parques arqueológicos, parques naturais, associações, empresas e personalidades.

A comemoração deste ano foi integrada numa ação de formação (Geopanhados) orientada pelo geólogo Carlos Neto de Carvalho, do Geopark Naturtejo, e contou com a presença de cerca de 40 pessoas, maioritariamente professores de Biologia e Geologia.

Diário Digital Castelo Branco

 

5.5.26

AADP marca presença no 33.º Atleta Completo Nacional em Ponta Delgada


A Associação de Atletismo do Distrito de Portalegre (AADP) concluiu a sua participação no 33.º Atleta Completo Nacional, que decorreu em Ponta Delgada, Açores, numa presença marcada pela entrega, evolução competitiva e forte espírito de equipa.

Num dos mais exigentes palcos do atletismo jovem nacional, os atletas do distrito demonstraram capacidade de superação, competindo com os melhores do país e alcançando resultados que refletem o trabalho consistente que tem vindo a ser desenvolvido pelos clubes da região.

Em destaque esteve Luiz Otávio, com um excelente 6.º lugar da classificação geral (4077 pontos) e o estabelecimento de dois novos recordes distritais, confirmando o seu elevado nível competitivo.

Também Dayane Santos (13.ª), Matilde Sousa (11.ª) e Diego Castro (18.º) evidenciaram progressos significativos, com várias marcas pessoais superadas ao longo da competição.

Coletivamente, a AADP alcançou o 13.º lugar entre 20 associações, num resultado que espelha o esforço conjunto de atletas, treinadores e clubes.

Para os atletas, a experiência foi marcante não só pelo nível competitivo, mas também pelo contexto único da prova:

"Foi uma experiência muito boa. Competir nos Açores, num ambiente diferente, tornou tudo ainda mais especial e motivador", referiu um dos atletas da comitiva.

Também a equipa técnica destacou a atitude demonstrada:

"Estamos muito orgulhosos destes jovens. Para além dos resultados, evidenciaram uma postura exemplar, espírito de sacrifício e grande união ao longo de toda a competição", sublinharam os treinadores.

A realização da prova nos Açores acrescentou um fator diferenciador à experiência, proporcionando aos atletas não só um desafio desportivo, mas também uma vivência enriquecedora a nível pessoal e coletivo.

A AADP destaca ainda que os resultados alcançados são reflexo da evolução do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelos clubes do distrito, representando mais um passo sólido rumo ao crescimento sustentado da modalidade na região.

A participação neste campeonato nacional reforça a ambição da associação em continuar a elevar o nível competitivo dos seus atletas e consolidar o futuro do atletismo no Alto Alentejo.

MOURA: Semana do Património Histórico

 


Moura vai celebrar os seus núcleos museológicos e o património local durante a 24ª edição da Semana do Património Histórico, que decorre entre 18 e 24 de Maio.

A iniciativa pretende «valorizar e dinamizar os núcleos museológicos do concelho, bem como divulgar o património local junto da comunidade escolar e do público em geral», refere o município alentejano, em comunicado.

O programa inicia-se no dia 18 de Maio, Dia Internacional dos Museus, com uma visita técnica da Rede de Museus do Baixo Alentejo, na ala esquerda do Museu Municipal, às 9h30, seguindo-se a palestra “A Bíblia Hebraica de Moura”, ministrada por Tiago Moita.

Entre dias 19 e 22, realizam-se visitas guiadas aos alunos do 4º ano das escolas do concelho.

A agenda de dia 20 contempla um workshop de olaria, na Galeria do Espírito Santo, dirigida à comunidade escolar, sob a orientação de Susana S. Jorge Ferreira.

No dia 23, às 14h30, tem lugar a atividade “Há Ouro na Serra – O Tesouro do Álamo e a Arqueologia na Freguesia de Sobral da Adiça”, uma visita guiada à exposição patente no Museu Municipal, dedicada à população de Sobral da Adiça.

Ainda na mesma data, às 16:30, no Jardim Dr. Santiago, há um Concerto da Banda Juvenil Conjunta, com as bandas juvenis da SFUM Os Amarelos e da Sociedade Portimonense.

Também no dia 23, às 21h00, o Museu de Arte Sacra acolhe o recital de música “Cantar Camões”, com Eduardo Ramos no alaúde árabe e um percussionista convidado.

A fechar a Semana do Património Histórico, no dia 24 de Maio, realiza-se o “Domingos no Museu”, às 14h30, no Museu Municipal, com um workshop de aguarela, com Cláudia Félix.

Mais informações sobre inscrições e o programa completo da XXIV Semana do Património Histórico estão disponíveis no site da autarquia.

ODEMIRA: Quintais Adentro volta a espalhar música pelo concelho


De 3 a 6 de junho, a 4.ª edição do festival promovido pela Bazarulho leva concertos, uma residência artística e atividades comunitárias a Odemira, São Martinho das Amoreiras, Zambujeira do Mar e São Luís, reforçando a sua identidade descentralizada e a aposta na diversidade sonora.

O Quintais Adentro está de regresso para a sua 4.ª edição, afirmando-se como um dos projetos culturais mais singulares do Alentejo Litoral. Entre os dias 3 e 6 de junho, o festival volta a ocupar quintais, escolas e espaços improváveis de quatro localidades do concelho de Odemira — este ano com estreia na Zambujeira do Mar —, mantendo a missão de aproximar a música das comunidades e de cruzar geografias, linguagens e públicos.

Inspirado pelo imaginário de José Afonso — “por esses quintais adentro vamos” —, o festival anuncia agora o cartaz, que reflete uma programação eclética, reunindo artistas emergentes e projetos já consolidados.

Entre os confirmados estão Luca Argel, Mr. Gallini, Femme Falafel, April Marmara, Pista, The Twist Connection e Bardino, compondo um alinhamento que atravessa diferentes estéticas, do rock à eletrónica, da experimentação à canção.

Um dos momentos centrais da programação será a residência artística que junta O Gajo, Cachupa Psicadélica e Indeerjeet. Este encontro inusitado propõe um diálogo entre a viola campaniça, a música cabo-verdiana experimental e a tradição indiana do tabla, promovendo a interculturalidade e a partilha como eixo artístico e social. A residência culminará numa apresentação pública, sublinhando o caráter processual e comunitário do festival.

A programação volta também a incluir as chamadas “Atividades Perpendiculares”, entre as quais se destaca o “Recreio Adentro”. Nesta edição, a Orquestra Locomotiva, composta por cerca de 30 jovens músicos da região, será dirigida pela maestrina Joana Carneiro num concerto especial na Escola Básica de São Martinho das Amoreiras — um espaço com o qual mantém ligações pessoais.

Outra novidade é a parceria com o Festival Termómetro, iniciativa fundada por Fernando Alvim, que há décadas revela novos talentos da música nacional. Uma das bandas participantes na etapa de Odemira, Jacaréu, foi selecionada para integrar o cartaz final, reforçando o compromisso com a descoberta de projetos emergentes.

Mantendo a forte ligação ao território, o Quintais Adentro continua a reservar espaço para músicos locais, integrando-os tanto nas atividades paralelas como na programação principal. Neste âmbito, além da participação do tablista indiano Inderjeet Singh na residência, haverá espaço para a música improvisada com o saxofonista Edmar Pereira e o trombonista Marco Alves, a dream pop da dupla Tilde & Mari, o coro Vozes Femininas de Amoreiras-Gare e um showcase de Jorge Galvão, membro fundador dos saudosos Afonsinhos do Condado, atualmente residente no concelho. Estão ainda previstas ações como o “Lar Adentro”, que pretende levar pequenos concertos a lares e centros de dia, envolvendo jovens músicos da região.

Com o apoio do Município de Odemira, juntas de freguesia, CCDR Alentejo, Antena 3 e parceiros locais, o festival mantém uma política de acessibilidade, com vários concertos de entrada gratuita e condições especiais para menores de 18 e maiores de 65 anos.

CACHEIRO (Nisa): Festa em louvor de São Matias


No próximo dia 23 de maio, a Junta de Freguesia de São Matias convida toda a população a participar na Festa em honra de São Matias, no Cacheiro, um dia de celebração, convívio e tradição aberto a toda a comunidade, com Missa em honra de São Matias seguida de procissão às 15h30, Festival de Acordeão às 17h30 com António Maria Charinho, Nuno Cebola e João Louro, animação musical a partir das 20h00 com Nuno José e serviço de bar com comes e bebes ao longo de toda a tarde e noite, contando com a presença de todos para celebrar São Matias e valorizar as tradições da nossa freguesia.

Mercado Ribeirinho de Abrantes valoriza o Tejo com dinamização de várias atividades


A TAGUS, o Município de Abrantes e a União de Freguesias de S. Miguel do Rio Torto e Rossio ao Sul do Tejo unem esforços para mais uma edição do Mercado Ribeirinho de Abrantes, nos dias 22, 23 e 24 de maio, no Parque Ribeirinho Aquapolis. Durante três dias, a margem Sul da cidade de Abrantes transformase num amplo palco das potencialidades e tradições do território, com música, teatro, produtos, gastronomia, desporto e bem-estar, conversas e animação infantil, relembrando a dinâmica do antigo porto fluvial. 

Promover as potencialidades do Tejo, desafiando a comunidade e os visitantes a usufruírem do maior rio da Península Ibérica e das suas margens são os objetivos do Mercado Ribeirinho de Abrantes, organizado pela TAGUS – Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior, pelo Município de Abrantes e pela União de Freguesias de S. Miguel do Rio Torto e Rossio ao Sul do Tejo.

Esta edição tem como grande novidade uma recriação, no domingo, dia 24 de maio, de um mercado rural do século XX, lembrando a época em que o porto fluvial, localizado em Rossio ao Sul do Tejo, reunia grande dinâmica na sua margem à volta dos produtos e as ruas da freguesia concentravam os ofícios de apoio à atividade ribeirinha.  O Mercado de Época: o Tejo rural no séc. XX será dinamizado pelo Grupo Teatro Palha de Abrantes e irá contar com venda de flores, hortofrutícolas, artesanato e velharias.

Durante os três dias irão decorrer várias atividades para famílias, como mostra de produtos agrícolas, plantas e flores, agroalimentares, velharias e artesanato. O programa contempla igualmente atividades de valorização patrimonial, como oficinas de artesanato, propostas gastronómicas (tasquinhas com pratos regionais e peixe do rio, piqueniques para usufruir à beira Tejo) e atividades ao ar livre e de contacto com o património natural, como convívio de pesca, padel, batismo a cavalo, yoga, caminhada e demonstração de parapente. Terá ainda espetáculos culturais com fado, percussão, teatro de marionetas, etnografia e cavaquinhos, entre outros.

A inauguração do Mercado de Abrantes está marcada para as 18h, de dia 22 de maio, na margem Sul do Parque Ribeirinho Aquapolis. Após este momento oficial, haverá uma atuação da Tuna da Universidade da Terceira Idade (UTIA).

Oficinas e demonstrações

Dado o sucesso da edição passada, a organização volta a apostar na dinamização de oficinas pelos detentores dos saberes, os artesãos. No sábado, dia 23 de maio, pelas 15h30, a RCA – Restauro, Criação e Arte vai dinamizar uma iniciativa em que vai ensinar as crianças a partir dos 6 anos a pintar peixinhos em cerâmica. Nessa mesma tarde, os visitantes do mercado ribeirinho poderão experimentar fazer percussão com pipas, cestos e outros instrumentos da vinha, sob a orientação do grupo comunitário Sons do Douro, da Fundação Museu do Douro.

Já no domingo, dia 24 de maio, pelas 10h30, Rosa Chá vai dar dicas de como compor um centro de mesa com flores naturais. Pelas 11h, será feita uma pequena introdução ao parapente. Da parte da tarde, às 15h, a Presents.pt dinamiza um atelier onde os participantes aprenderão a criar ceras perfumadas para queimadores e para o roupeiro. Haverá ainda demonstração de arte equestre e batismo a cavalo, pela EPDRA - Escola de Desenvolvimento Rural de Abrantes. A finalizar o dia, Sérgio Silva demonstrará ao vivo como é o seu ofício de calafate a reparar um barco tradicional do Tejo.

Para participar nas oficinas, terá de se inscrever, dispondo de todas as informações no site da TAGUS.

Música, tradição e conversas

Celebrar o Tejo com fados é a proposta para sexta-feira, 22 de maio. A conhecida fadista abrantina Dora Maria traz Hugo Faustino, na guitarra clássica Pedro Pinhal e no acordeão Luís Mateus para animar esta noite de convívio.

No sábado, dia 23 de maio, durante a tarde, pelas 17h, haverá uma conversa sobre o mote “Os 3º Lugares como espaços de comunidade e bem-estar”, em que várias entidades da região irão refletir sobre os seus papeis junto das populações no sentimento de pertença, no combate ao isolamento, na inclusão e até na saúde mental. Estas Conversas do Tejo são dinamizadas pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, no âmbito do projeto ResilientES – Economia social como motor do desenvolvimento socioeconómico nos territórios de interior do SUDOE.

A chegada do Cruzeiro Religioso do Tejo à margem de Rossio ao Sul do Tejo está prevista para essa tarde, antecedendo a atuação do Grupo de Cavaquinhos de Casais de Revelhos, marcada para as 19h.

Logo após o jantar haverá uma performance de dança contemporânea com fogo apresentada por Marina Dance Center e Luciana Santoro. De seguida soarão os pipos e as meias-pipas, que já guardaram vinho, da formação Sons do Douro, criada no âmbito do projeto de intervenção artística Entre Margens. A terminar a noite, o Mercado Ribeirinho contará com o som do DJ Cláudio Antunes.

A componente etnográfica e musical, de domingo, dia 24 de maio, irá ser marcada pelas atuações da Sociedade de Instrução Musical Rossiense, do Rancho Folclórico de S. Miguel do Rio Torto, do Grupo Cantares da Sociedade Recreativa do Souto e do Grupo de Cavaquinhos da Pucariça, que vão preencher a tarde deste último dia do evento.

Haverá ainda o lançamento do livro “Memórias de um Guarda‑Rios Narrativa Biográfica de Luís Alves Rossio ao Sul do Tejo, da autoria de João Serrano, bem como a demonstração do ofício de calafate, valorizando um saber tradicional profundamente ligado à navegação no Tejo.

Atividades desportivas e de bem-estar

No desporto e bem-estar, a este mercado ribeirinho não vai faltar o habitual convívio de pesca, dinamizado pelo CAPEC do Pego, no sábado de manhã. Altura em que também decorrerá o Padel em Família, na margem Norte do Aquapolis, com experimentação e ensinamentos do Abrantes Clube de Padel.  Yoga e relaxamento sonoro, por Pedro Filipe – Yoga, Som & Meditação, é a proposta para o relvado da margem Sul, pelas 10h. 

No domingo de manhã, irá decorrer uma caminhada junto às margens do rio. E durante a tarde haverá jogos tradicionais.

Animação infantil

Aposta no teatro tradicional Dom Roberto para os pequenos e também para lembrança dos adultos volta neste Mercado Ribeirinho de Abrantes. No sábado, pelas 15h, Valdevinos Teatro de Marionetas apresentam as histórias "O Pescador" e "O Moleiro e o Burro".

Dedicado às crianças também haverá insuflável, pinturas faciais e jogos durante as tardes de sábado e domingo, além da oficina de pintura de peixinhos, do batismo a cavalo e dos jogos tradicionais.

Durante todo o evento haverá mercado de produtos locais e artesanato que funcionará na sexta-feira das 17h até às 24h, no sábado das 15h às 24h e no último dia, junta-se ao Mercado de Época: o Tejo rural no séc. XX, pelas 10h, de 24 de maio.

No Mercado Ribeirinho de Abrantes a gastronomia local também não é esquecida, com as duas tasquinhas, dinamizadas pelo Clube Desportivo “Os Patos” e pelo CAPEC - Clube de Amadores de Pesca e Caça do Pego, com petiscos tradicionais e peixe do rio. A celebração do rio Tejo, desafia também os seus visitantes a fazer piqueniques nas suas margens, com as cestas preparadas pela Padaria 2000, contemplando este recurso endógeno, que brinda Abrantes como elemento de ligação entre as populações ribeirinhas, tradição e identidade.

 

1º MAIO - Manifestação em Lisboa e Luta contra o Pacote Laboral











MAIO é mês de sensibilização para as Doenças Inflamatórias do Intestino


Durante este mês decorre a campanha nacional promovida pela Associação Crohn Colite Portugal, com o objetivo de dar visibilidade às Doenças Inflamatórias do Intestino (DII).

Em Portugal, estas doenças - como a Doença de Crohn e a Colite Ulcerosa - afetam mais de 25 mil pessoas. São crónicas e muitas vezes invisíveis, mas com impacto real no dia a dia, na vida pessoal e no trabalho.

📌 Esta campanha pretende:

▪ Aumentar o conhecimento sobre as DII

▪ Promover o diagnóstico precoce

▪ Combater o estigma associado a sintomas como dor, fadiga ou urgência intestinal

Ao longo do mês, várias entidades juntam-se a esta iniciativa, reforçando a importância da literacia em saúde e de uma sociedade mais informada e empática.

VILA VELHA DE RÓDÃO: Casa de Artes e Cultura do Tejo celebra 20 anos com concerto de Rita Guerra


 A Casa de Artes e Cultura do Tejo, em Vila Velha de Ródão, celebra o seu 20.º aniversário, no próximo dia 30 de maio, com um concerto de Rita Guerra, uma das vozes mais reconhecidas e conceituadas da música portuguesa.

Com uma carreira iniciada no final da década de 80 e conhecida pela sua versatilidade e voz única, Rita Guerra percorreu diversos géneros musicais, incluindo pop e baladas, entre outros. Enquanto cantora e compositora destacou-se pela longevidade na música portuguesa, mantendo-se ativa com espetáculos ao vivo e novas produções e uma discografia que inclui múltiplos álbuns de estúdio e compilações, que a consolidaram como um nome incontornável no panorama musical.

Os bilhetes para este concerto têm um custo de 10 euros e podem ser adquiridos, já a partir da próxima segunda-feira, dia 11 de maio, no balcão da Casa de Artes e Cultura do Tejo, em Vila Velha de Ródão e, no dia seguinte, em ticketline.sapo.pt.

In maisbeiras.sapo.pt - 4 de Maio de 2026     

4.5.26

OPINIÃO: O meu país


Não sendo nacionalista tenho muito orgulho de pertencer a este nobre povo que deu a conhecer ao mundo outros mundos. O país não é a geografia das terras, das ruas e das casas, mas sim a alma profunda do povo que aqui vive. Já andei por diversos países e não troco Portugal por nenhum deles. O português é um povo gentil e acolhedor na arte de bem receber, e tem no fado a memória de tempos audazes fabulosos. Já se vestiram de mais escuro, agora preferem cores mais suaves – os tempos são outros. Amo o meu país, de praias brancas no litoral, à planície alentejana e ribatejana, às serras verdejantes do norte. Na varanda da velha Europa, como periférico, aqui acolhemos à nossa maneira as novidades que nos chegam de fora, sem nunca perder a nossa matriz. Com as guerras lá fora damos mais valor à paz cá dentro, porque somos pacíficos. É o sentido da pertença e da identidade por partilharmos o mesmo solo que nos une. Espalhados pelos sete cantos do mundo é a partilha dos nossos valores que nos identifica. Somos um povo trabalhador que gosta de partilhar com os outros aquilo que tem, com uma alma grandiosa e eloquente. 

José Oliveira Mendes

Portalegre, 4 de Maio de 2026

CABEÇO DE VIDE: XIV Encontro de Volkswagen Carocha


 

OPINIÃO: A festa do futebol


Sim, é verdade, o futebol é muitas vezes mais negócio do que desporto. Demasiadas vezes, não é mais do que uma fachada para negócios sujos, incluindo branqueamento de capitais, tráfico de seres humanos e trafulhices diversas com apostas. E também é frequentemente utilizado para lavar a sujidade entranhada em algumas personalidades e regimes, como o das monarquias absolutistas e repressivas ali em redor do Golfo Pérsico. Um negócio dominado por gente que é, com alguma frequência, pouco recomendável, seja na liderança dos clubes, seja nas associações internacionais, como a UEFA e a FIFA. Gente para quem os protagonistas, sejam os futebolistas ou os adeptos, são apenas carne para canhão. O futebol português nunca foi, nem é, imune a essa contaminação. A notoriedade e os muitos milhões que giram à volta do futebol são atrações demasiado poderosas para narcisistas, arrivistas e corruptos.

Sim, o futebol é tudo isso e, como todas as atividades humanas, tanto atrai os piores como os melhores. Mas para o adepto comum, o futebol ainda é sobretudo arte e festa. Uma arte com solistas que são capazes de nos fazer abrir a boca de espanto (pensem no nosso Ronaldo ou no que nos promete um Rodrigo Mora), com coreógrafos que são capazes de transformar onze instrumentistas numa orquestra bem afinada (pensem em Guardiola ou em Farioli), com produtores que conseguem reunir o capital e os recursos humanos capazes de montar e executar um grandioso espetáculo (pensem em Laporta ou em Villas-Boas). A associação de nomes grandes do mundo da bola a personagens do F. C. Porto não é um acaso. Porque, mesmo que não possam ser comparados em prestígio e títulos, já deram o seu contributo para a paixão popular pelo futebol. Perguntem aos milhares e milhares de adeptos dos dragões que na noite passada encheram a alameda. O futebol é festa. Parabéns aos campeões!

Rafael Barbosa – Jornal de Notícias - 3 de maio, 2026

 

SARDOAL: Exposição ”Ter Abril na Mão”


Ter Abril na Mão" é a exposição de ilustrações de Frank o Mudo com textos de Mário Sousa que foi  inaugurada no passado dia 24 de abril, e ficará patente até 26 de maio.

3.5.26

EM MAIO, O FLORIR DE ABRIL - Baptista Bastos


Contar de Abril

Contarás de Abril o assombro, o desassossego, as súbitas visões de beleza longamente sonhadas, a hora vesperal; o renascer, meu e teu. Contarás de Abril instantes serenos, salivados de paz, o perfil de casas, as ruas docemente nossas que rimam connosco, as ternuras vagabundas, a utilidade dos gestos, o murmúrio discreto e comovido.

Contarás de Abril os gritos, as imprecações, as cóleras, o idioma ressurrecto na fraternidade de frases efusivas, no estertor.

Contarás de Abril aquele haver viagem, aquele cheiro antigo de chuva de infância, a peca sombra, o chouto curto, o bêbado de rua que te assustou, temulento, a frugal manhã.

Contarás de Abril o lado esquerdo da madrugada; cíclicos, os sismos: o chão em fissuras laceradas; devagarosa, a capa da terra a recobrir o oco, as galerias naturais do ódio, onde rebramia o mar, sobre o qual haviam colocado o pinho e a pedra e reconstruído a cidade, longa história de uma frustração.

Contarás de Abril os passos.

Contarás de Abril os sons, ínsitos na paisagem nocturna, nas betesgas.

Contarás de Abril que me viste trajado de estrelas, seteira ao ombro, num baixel de antigamente, soletrando palavras felizes, sem direcção nem sentido, como tudo o que é feliz.

Contarás de Abril, aos meus filhos, filhos teus, que os meus olhos míopes, ardidos, urbanos, ficaram cheios de um ofício de dizer coisas singelas, humildes e absurdas: como amor, liberdade.

Contarás de Abril os idos e os que voltaram; os que ficaram e ficam.

Contarás de Abril as pequenas pilhas de palavras, armazenadas numa necessidade que inventei; e as nossas almas ledas e limpas; e os braços que se estendem a outros abraços; e a cordialidade de anotarmos um nome, um número, numa flor; e os balaios sem reticências de mágoas, cheios, os balaios, de trissos de aves, de pássaros remotos de que ignoramos a voz ou havíamos esquecido o toque e a fímbria.

Contarás de Abril que na nossa terra já não apodrecem as raízes e que já não adiamos o coração; e que nascem crianças insubmissas e claras e livres; que já não nos dói a velhice e que os rios são todos nossos e íntimos e que já não perdemos a infância e que nascem crianças insubmissas e claras e livres.

Contarás de Abril a espessura mágica, o punho reflexo, o dia d'água, a lágrima, a vontade de sermos e de estarmos, o límpido grito, a forma inconsútil, o beijo proliferante, o vermelho e a brisa, as bambinelas vagantes nos sopros, o livor das coisas, a maravilha discreta de assear a vida, o caminhar, os semideiros, os rostos nesta dócil pausa e neste imenso perdão.

Contarás de Abril as casas de mil sóis, a imponderável descoberta dos sussurros, a brancura inadiável da perseverança, o resplendente varar dos dias, a feira alvoroçada das horas.

Contarás de Abril a visão e o visto.

Contarás de Abril as mãos dadas. Contarás de Abril o renascer da essencial frescura.

Contarás de Abril. Contarás, meu amor.

Baptista-Bastos

 

MÃE - Luz que não apaga...


 Poema à Mãe

No mais fundo de ti,

eu sei que traí, mãe

 

Tudo porque já não sou

o retrato adormecido

no fundo dos teus olhos.

 

Tudo porque tu ignoras

que há leitos onde o frio não se demora

e noites rumorosas de águas matinais.

 

Por isso, às vezes, as palavras que te digo

são duras, mãe,

e o nosso amor é infeliz.

 

Tudo porque perdi as rosas brancas

que apertava junto ao coração

no retrato da moldura.

 

Se soubesses como ainda amo as rosas,

talvez não enchesses as horas de pesadelos.

 

Mas tu esqueceste muita coisa;

esqueceste que as minhas pernas cresceram,

que todo o meu corpo cresceu,

e até o meu coração

ficou enorme, mãe!

 

Olha — queres ouvir-me? —

às vezes ainda sou o menino

que adormeceu nos teus olhos;

 

ainda aperto contra o coração

rosas tão brancas

como as que tens na moldura;

 

ainda oiço a tua voz:

          Era uma vez uma princesa

          no meio de um laranjal...

 

Mas — tu sabes — a noite é enorme,

e todo o meu corpo cresceu.

Eu saí da moldura,

dei às aves os meus olhos a beber,

 

Não me esqueci de nada, mãe.

Guardo a tua voz dentro de mim.

E deixo-te as rosas.

 

Boa noite. Eu vou com as aves.

 

Eugénio de Andrade

 

CASTELO DE VIDE: 𝐃𝐢𝐚 𝐌𝐮𝐧𝐝𝐢𝐚𝐥 𝐝𝐚 𝐋𝐢́𝐧𝐠𝐮𝐚 𝐏𝐨𝐫𝐭𝐮𝐠𝐮𝐞𝐬𝐚


Assinala-se no próximo dia 5 de maio, terça-feira, o 𝑫𝒊𝒂 𝑴𝒖𝒏𝒅𝒊𝒂𝒍 𝒅𝒂 𝑳𝒊́𝒏𝒈𝒖𝒂 𝑷𝒐𝒓𝒕𝒖𝒈𝒖𝒆𝒔𝒂.

Uma data oficialmente estabelecida em 2009 pela CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) para celebrar a língua portuguesa e as culturas lusófonas e proclamada em 2019 na 40.ª Sessão da Conferência Geral da UNESCO.

A data vai ser celebrada na Biblioteca Municipal Laranjo Coelho, a partir das 10h30, com um Atelier Didático a cargo da Professora Antónia Palmeiro, numa iniciativa do Grupo de Amigos de Castelo de Vide.

2.5.26

OPINIÃO: Um canibal ao meu lado


A BBC tem uma série de cursos online, de escrita, culinária, música ou bem-estar. Uma das opções é ministrada pela artista sérvia Marina Abramovic, que protagonizou algumas das performances mais perturbadoras da modernidade, e chama-se "A arte de estar presente". Ao longo do curso, explora-se a ideia de viver cada momento, até ao seu tutano. Cada "aula", um vídeo curto, consiste num exercício que é, antes de mais, sobre parar e viver num determinado tempo e espaço.

Refere a artista que, numa existência em que tudo mexe, a via láctea, a terra à volta do sol, a nossa corrente sanguínea, parar é de facto o mais difícil dos desafios. Por isso, uma das propostas que faz aos alunos é que se sentem numa cadeira e fiquem a olhar para uma parede em branco durante uma hora. Ridículo? Depende da perspetiva. Difícil? Sem dúvida. Quanto tempo consegue o leitor ficar sem fazer absolutamente nada? Quanto tempo resiste sem pegar no telemóvel assim que enfrenta um momento de espera, por mais breve que este possa parecer?

Marina está certa ao dizer que a tecnologia, que nos foi apresentada como sendo uma ferramenta mágica que nos daria mais tempo para o lazer se transformou, afinal, no "maior canibal" dos nossos apressados dias.

O L. contou-me no outro dia que os seus alunos não conseguiam parar, que precisavam de estímulos contínuos, o que estava a impactar de forma negativa a sua capacidade de concentração e de aproveitamento. O alarme foi também dado pelo Conselho de Escolas que relacionou a diminuição de alunos a concluir o ensino secundário com a ligação exacerbada dos jovens com o mundo digital.

O "detox" tecnológico que Marina Abramovic propõe, mais não é que parar, quando tudo o mais parece pensado para nos manter na roda do rato.

Joana Almeida Silva – Jornal de Notícias -30 de abril, 2026

 



PONTE DE SOR: Feira dos Sabores