4.5.26

OPINIÃO: A festa do futebol


Sim, é verdade, o futebol é muitas vezes mais negócio do que desporto. Demasiadas vezes, não é mais do que uma fachada para negócios sujos, incluindo branqueamento de capitais, tráfico de seres humanos e trafulhices diversas com apostas. E também é frequentemente utilizado para lavar a sujidade entranhada em algumas personalidades e regimes, como o das monarquias absolutistas e repressivas ali em redor do Golfo Pérsico. Um negócio dominado por gente que é, com alguma frequência, pouco recomendável, seja na liderança dos clubes, seja nas associações internacionais, como a UEFA e a FIFA. Gente para quem os protagonistas, sejam os futebolistas ou os adeptos, são apenas carne para canhão. O futebol português nunca foi, nem é, imune a essa contaminação. A notoriedade e os muitos milhões que giram à volta do futebol são atrações demasiado poderosas para narcisistas, arrivistas e corruptos.

Sim, o futebol é tudo isso e, como todas as atividades humanas, tanto atrai os piores como os melhores. Mas para o adepto comum, o futebol ainda é sobretudo arte e festa. Uma arte com solistas que são capazes de nos fazer abrir a boca de espanto (pensem no nosso Ronaldo ou no que nos promete um Rodrigo Mora), com coreógrafos que são capazes de transformar onze instrumentistas numa orquestra bem afinada (pensem em Guardiola ou em Farioli), com produtores que conseguem reunir o capital e os recursos humanos capazes de montar e executar um grandioso espetáculo (pensem em Laporta ou em Villas-Boas). A associação de nomes grandes do mundo da bola a personagens do F. C. Porto não é um acaso. Porque, mesmo que não possam ser comparados em prestígio e títulos, já deram o seu contributo para a paixão popular pelo futebol. Perguntem aos milhares e milhares de adeptos dos dragões que na noite passada encheram a alameda. O futebol é festa. Parabéns aos campeões!

Rafael Barbosa – Jornal de Notícias - 3 de maio, 2026