1.5.26

CGTP convoca greve geral para 3 de junho


A CGTP vai convocar hoje, no 1.º de Maio, todos os trabalhadores para aderirem a uma grande greve geral no próximo dia 3 de junho", declarou Tiago Oliveira em entrevista à RTP Notícias.

Vamos realizar uma grande greve geral. Vamos continuar a trilhar este caminho de denúncia, mas também de luta por uma vida melhor. Vamos continuar a trilhar este caminho de exigência da retirada do pacote laboral", declarou ainda o secretário-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses.

O líder da CGTP estava a referir-se ao pacote laboral que o Governo pretende apresentar ao parlamento para introduzir mudanças na Lei do Trabalho.

"É sempre importante o dia 1 de Maio. É um momento de festa e de comemoração, mas é um momento de luta", afirmou Oliveira.

Segundo o secretário-geral da CGTP, o sindicato tem denunciado as grandes dificuldades que os trabalhadores estão a enfrentar atualmente. "Aquilo que estamos a viver não corresponde ao que o Governo coloca na retórica pública", disse o secretário-geral da CGTP, referindo que as propostas governamentais só aumentarão, por exemplo, a precariedade no trabalho.

"Em relação ao pacote laboral, passaram-se nove meses desde o início daquilo que foi apresentado ao país e aos trabalhadores e que conduziu à greve geral de 11 de dezembro. Nada mudou, está tudo lá", nomeadamente a precariedade no trabalho, a facilitação no despedimento, o "outsourcing", o banco de horas, dificultar a atuação dos sindicatos e o ataque ao direito à greve.

"Tem tudo sido uma encenação, uma telenovela", afirmou Oliveira, lembrando que os trabalhadores já rejeitaram o pacote laboral.

UGT aponta à concertação social

Em entrevista também à RTP Notícias, o secretário-geral da União Geral de Trabalhadores (UGT), Mário Mourão, declarou que não pensaram ainda sobre a realização de uma greve geral, pois ainda estão num período de negociações com o Governo.

A UGT tem negociado o pacote laboral com o Governo, ao contrário da CGTP que está afastada do processo, mas, segundo este último, por culpa do Executivo. "Tenho uma reunião no dia 7 na concertação social. Portanto, a seu tempo, nós analisaremos quais são as respostas que temos de dar relativamente ao processo de negociação que está em curso sobre o projeto do Governo", afirmou Mourão.

"Neste momento, não está excluída nenhuma forma de luta da UGT. Ainda não é o momento de fazer o anúncio de qualquer iniciativa de resposta a este pacote laboral", afirmou o líder da UGT, referindo que, mesmo que o sindicato não chegue a acordo com o Governo, continuará a realizar o seu trabalho no parlamento, para onde será enviado o projeto governamental.

"Estamos muito longe de chegar a um acordo" face às propostas apresentadas pelo Governo, indicou Mourão.

 

Jornal de Notícias - 1 de maio, 2026