Os mais jovens, que querem sair de casa dos pais, vão adiando a
emancipação, e os mais velhos ajudam quando podem aqueles que não estão
habilitados para aceder a casas de apoio social, mas têm sérias dificuldades em
pagar rendas e empréstimos bancários.
As medidas anunciadas pelo Governo não têm surtido o efeito desejado e
a carência de 200 mil casas que se estima que exista demorará anos a ser
suprida, contribuindo para isso o que o setor da construção aponta como a falta
de capacidade para fazer mais. A falta de mão de obra e a lentidão dos
licenciamentos são apontados como fatores críticos há anos. Mas, o problema da
habitação está longe de ser um problema exclusivamente português.
Esta semana, numa reunião do Parlamento Europeu, com o grupo de
trabalho criado para debater este drama (as casas são os espaços em que se
criam as famílias) foi discutida a necessidade de flexibilizar procedimentos
burocráticos e de chamar o setor privado a investir. Mas, por parte das
diferentes instituições da sociedade civil ouvidas ao longo do último ano, foi
também deixado o alerta que o problema da habitação está longe de ser só uma
relação desequilibrada entre a oferta e a procura. A especulação é apontada
como um dos grandes alicerces desta crise.
Um dos caminhos apontados é o reforço de habitação pública e social,
que representa em Portugal uns meros 2% do total de fogos, bem longe dos 30%
dos Países Baixos, ou de países como França, Dinamarca e Reino Unido, onde o
valor atinge os 20%.
Joana Almeida Silva – Jornal de Notícias - 7 de maio, 2026
