10.5.26

OPINIÃO: Uma fortuna por m2


Entre 2015 e 2024, os preços das casas na União Europeia subiram, em média, 53%. Em Portugal, na última década, o aumento foi de 180% e continuam a registar-se valores históricos, subidas por todo o país. No final deste abril, a conta ascendia a mais de três mil euros, em média, o metro quadrado.

Os mais jovens, que querem sair de casa dos pais, vão adiando a emancipação, e os mais velhos ajudam quando podem aqueles que não estão habilitados para aceder a casas de apoio social, mas têm sérias dificuldades em pagar rendas e empréstimos bancários.

As medidas anunciadas pelo Governo não têm surtido o efeito desejado e a carência de 200 mil casas que se estima que exista demorará anos a ser suprida, contribuindo para isso o que o setor da construção aponta como a falta de capacidade para fazer mais. A falta de mão de obra e a lentidão dos licenciamentos são apontados como fatores críticos há anos. Mas, o problema da habitação está longe de ser um problema exclusivamente português.

Esta semana, numa reunião do Parlamento Europeu, com o grupo de trabalho criado para debater este drama (as casas são os espaços em que se criam as famílias) foi discutida a necessidade de flexibilizar procedimentos burocráticos e de chamar o setor privado a investir. Mas, por parte das diferentes instituições da sociedade civil ouvidas ao longo do último ano, foi também deixado o alerta que o problema da habitação está longe de ser só uma relação desequilibrada entre a oferta e a procura. A especulação é apontada como um dos grandes alicerces desta crise.

Um dos caminhos apontados é o reforço de habitação pública e social, que representa em Portugal uns meros 2% do total de fogos, bem longe dos 30% dos Países Baixos, ou de países como França, Dinamarca e Reino Unido, onde o valor atinge os 20%.

Joana Almeida Silva – Jornal de Notícias - 7 de maio, 2026