Não sendo nacionalista tenho muito orgulho de pertencer a este nobre
povo que deu a conhecer ao mundo outros mundos. O país não é a geografia das
terras, das ruas e das casas, mas sim a alma profunda do povo que aqui vive. Já
andei por diversos países e não troco Portugal por nenhum deles. O português é
um povo gentil e acolhedor na arte de bem receber, e tem no fado a memória de
tempos audazes fabulosos. Já se vestiram de mais escuro, agora preferem cores
mais suaves – os tempos são outros. Amo o meu país, de praias brancas no
litoral, à planície alentejana e ribatejana, às serras verdejantes do norte. Na
varanda da velha Europa, como periférico, aqui acolhemos à nossa maneira as
novidades que nos chegam de fora, sem nunca perder a nossa matriz. Com as
guerras lá fora damos mais valor à paz cá dentro, porque somos pacíficos. É o
sentido da pertença e da identidade por partilharmos o mesmo solo que nos une.
Espalhados pelos sete cantos do mundo é a partilha dos nossos valores que nos
identifica. Somos um povo trabalhador que gosta de partilhar com os outros
aquilo que tem, com uma alma grandiosa e eloquente.
José Oliveira Mendes
Portalegre, 4 de Maio de 2026
