17.1.17

Associação de Estudos do Alto Tejo - Central de Almaraz: Bomba atómica na margem do Tejo?

A Associação de Estudos do Alto Tejo associa-se aos esforços do Governo português, organizações ambientais e outras entidades para impedir a construção, por parte das autoridades espanholas, de um aterro de resíduos nucleares da central de Almaraz, Espanha. E reitera o empenho em forçar o governo espanhol a cumprir o calendário que o próprio divulgou em devido tempo de desmantelamento da central nuclear de Almaraz em 2020.
A Associação de Estudos do Alto Tejo sublinha os riscos de devastação na saúde humana e no ambiente associados à laboração de uma central nuclear. No caso de Almaraz, potenciados pela sua laboração junto ao rio Tejo. Razão mais do que suficiente para obrigar a uma posição enérgica de Portugal, pela proximidade geográfica com Almaraz (cerca de 100 quilómetros) e partilha da gestão do Tejo.
A Associação de Estudos do Alto Tejo exige à Comunidade Europeia que seja diligente e rigorosa com Espanha na aplicação das regras comunitárias, em especial as ambientais, e no acompanhamento deste processo.
Por último, a Associação de Estudos do Alto Tejo junta não só a voz como a disponibilidade para planear, organizar e concretizar todas as ações de sensibilização e protesto, de todas as entidades que partilham as mesmas reivindicações, e que visem travar o processo de construção do aterro nuclear de Almaraz e conduzam ao desmantelamento da respetiva central nuclear até ao ano de 2020.

16.1.17

CDU ganhou eleiçôes intercalares na Freguesia de Galveias

O Partido Ecologista Os Verdes regozija-se com a vitória obtida pela CDU nas eleições intercalares para a Assembleia de Freguesia de Galveias (Concelho de Ponte Sor – Distrito de Portalegre).
Galveias confiou na lista da CDU, encabeçada por Fernanda Bacalhau, a quem deu a maioria absoluta, com 273 votos (cinco eleitos) dos 547 votos expressos.
Os Verdes estão convictos e confiantes que Galveias pode agora contar com uma equipa competente e dedicada, empenhada na defesa dos interesses da freguesia e das suas populações.
Partido Ecologista Os Verdes

15.1.17

NISA: Inijovem abriu as inscrições para a Rota do Contrabando 2017

Estão Abertas as inscrições para a "XVIII Rota do Contrabando/ Ruta del Contrabando", este ano entre as localidades de Cedillo (Espanha) e Montalvão (Portugal).
Marque já na sua Agenda, 25 de Março de 2017.

14.1.17

NISA: Convívio de "Artilheiros" de 1972


Nisa recebeu primeira dádiva de sangue 2017






A Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Portalegre – ADBSP – já deu início às colheitas de sangue agendadas para o presente ano. A estreia de 2017 foi em Nisa e, no quartel dos Bombeiros, marcaram presença 21 voluntários, dos quais 12 mulheres (57,1%).
Uma vez consultados os potenciais dadores, só um não seguiu para a sala das colheitas. Este é tempo de resfriados e, como tal, várias foram as pessoas de Nisa que tiveram a amabilidade de comunicar pessoalmente que não se iriam inscrever, pois não estavam bem.
Uma jovem doou sangue pela primeira vez. E o Registo Nacional de Dadores Voluntários de Medula Óssea contabilizou uma entrada.
O almoço convívio decorreu num restaurante local, com o apoio da Câmara Municipal de Nisa.
Castelo de Vide
A ADBSP tem brigadas agendadas proximamente em: Castelo de Vide, nos Bombeiros, a 21 de janeiro; Montargil, no Centro de Saúde e em parceria com os Motards Montargil, a 11 de fevereiro.
Esperamos por si, num destes sábados, da parte da manhã!

JR

13.1.17

DO ALTO DO TALEFE (17): Igual para todos?

(Onde se fala de águias, ursos, lebres, tartarugas, mochos e mochas)
Numa destas tardes soalheiras o compadre Manel, professor primário aposentado, acompanhou-me no passeio ao talefe.
A conversa solta, leve e descontraída, invariavelmente recordava peripécias de uma sala de aula despida de apoios materiais, mas onde a inteligência desse meu velho amigo ressaltava, em prol de uma pedagogia que a todos beneficiasse dos seus conhecimentos.
Contava-me, entre risos, uma célebre ida ao Jardim Zoológico durante a qual se regalou com os olhos extasiados dos pequenitos, face a tantos e variados animais.
E de repente como quem não quer a coisa, perguntou-me:
- Oh compadre, já imaginou o que seria se um dia fosse necessário um animal dar aulas aos animais?
- Uma escola de animais? – perguntei desconfiado.
- Sim, uma escola onde se ensinassem os animais para a sua vida quotidiana. Imagine uma escola onde o professor fosse um mocho e tivesse como alunos...sei lá, por exemplo: uma águia, um urso, uma lebre e uma tartaruga.
Imagine que se pretendia ensinar a todos eles, as disciplinas de corrida, natação, voo e força.
Nesta altura imaginei o mocho de óculos sentado num ramo de árvore esforçando-se por engendrar estratégias para ensinar a águia a nadar, o urso a voar, a tartaruga a correr e a lebre a levantar pesos.
- Já imaginou compadre? Que notas teria a águia na corrida? E o urso a voar? A tartaruga a fazer força e a lebre a nadar?
O mocho professor certamente daria uma boa nota e três más notas a cada um, e se o regulamento dessa escola estabelecesse que seriam reprovados com três negativas, todos eles reprovariam.
A lebre viveria triste por lhe terem dito que não sabia voar; a águia frustrada por não saber nadar; o urso infeliz por ser lento na corrida e a tartaruga choraria por não ter força nos seus membros.
O mocho professor seria infeliz por não ter conseguido os seus objectivos.
- Livra, compadre! Ainda bem que os animais não têm escola – desabafei.
- Mas... têm-na os nossos meninos! –, respondeu ele, baixinho, quase que a medo, como se me tivesse dito algo de subversivo.
Sentei-me num tronco junto ao talefe, a pensar nas escolas deste país, onde muitas vocações são cortadas por exigências de médias de 19 ou 20 valores em todas as disciplinas.
Onde os melhores? Que melhores? São seleccionados por critérios que exigem a meninos e meninas diferentes, que sejam igualmente excelentes numa dúzia de disciplinas.
Onde os adultos, fazendo o papel de mochos e mochas, sujeitos a normas, critérios, programas, objectivos, tentam entrar nos meandros da memória dos jovens, dezenas de milhar de palavras novas, milhares de conceitos e de estruturas.
Quantas angústias e tristezas ultrapassadas, se, na vida dos humanos, utilizássemos os conhecimentos da mãe Natureza.
Ah! É verdade, Einstein reprovou nos exames de admissão à universidade. Saramago não frequentou a faculdade de Letras e segundo creio, o celebrado pintor naif nisense Augusto Pinheiro não frequentou a escola de Artes.
Já houve um tempo no mundo, sem escolas. Mas, no mundo de hoje é impensável a sobrevivência sem passar pela escola. Importa é que se diga que há que repensar a escola. Nomeadamente o acesso à formação de acordo com os interesses manifestados e não por avaliações feitas por mochos obedientes, que pretendem igualar águias com lebres ou ursos com tartarugas.
- Está a arrefecer o tempo!, ouvi o compadre Manel, velho mocho sábio, dizer-me.
Com a ajuda da bengala, levantei-me, apoiei-me no braço do compadre e viemos conversando sobre a pescaria aos bordalos que se avizinha.
Zé de Nisa – Jornal de Nisa nº30 - 30 Março 1999

Alpalhão festeja o Mártir S. Sebastião


12.1.17

Nisa: 16 dias após acidente rodoviário corpos ainda não foram entregues à família

Funeral das vítimas mortais do acidente de Nisa adiado por tempo indeterminado.
Na madrugada de quarta-feira, 28 de dezembro de 2016, na sequência de um #Acidente de viação na Estrada Nacional 18, entre Nisa e Alpalhão, distrito de Portalegre, dois homens morreram carbonizados. Marco Pinheiro, natural de Nisa, tinha 43 anos e Nuno Caldeira, também de Nisa, tinha 39 anos.
Segundo o que conseguimos apurar, no dia do acidente o veículo colidiu com uma árvore de grande porte e incendiou-se de seguida. Na estrada não havia sinais de derrapagem ou de travagem. Os óbitos foram declarados no local. As causas deste acidente continuam a ser investigadas pela Unidade de Trânsito da GNR de Portalegre.
Dezasseis dias após o acidente, a população nisense continuam em choque. Os funerais deveriam ter sido realizados ao final da tarde de quinta-feira, 29 de dezembro. No entanto, foram adiados por tempo indeterminado.
Uma vez que as autópsias foram inconclusivas devido ao estado em que sem encontravam os corpos, foi necessário fazer testes de ADN para que as vítimas mortais possam ser identificadas. Uma fonte referiu-nos que nestes casos só se podem entregar os corpos quando o Instituto de Medicinal Legal tiver dados rigorosos e científicos sobre a identidade das vítimas. A mesma fonte referiu que os resultados dos testes de ADN para identificar as vítimas poderão ser demorados.
As famílias e amigos das vítimas estão revoltados com a demora dos resultados dos testes de ADN. Dezasseis dias após o acidente os corpos ainda não foram entregues. Nas redes sociais é possível ver vários comentários de revolta: “Muito triste com o que está a acontecer, não basta a terrível dor da perda... infelizmente para quem sofre são processos demasiado morosos injustificáveis para quem espera poder despedir-se”; “Mas este país tem de pensar no sofrimento de duas mães e irmãos, isto não se faz”.
Os amigos de Nuno Caldeira de Marco Pinheiro estão a fazer os possíveis e os impossíveis para que esta situação se resolva com rapidez.
A Blasting News teve conhecimento através de uma fonte que os corpos poderão ser entregues no final da próxima semana.
Fábio Belo in Blastings News - 12/1/2017

HISTÓRIA(S) SEM SENTIDO (2): A Presidência Aberta no Distrito de Portalegre

É uma história (engraçada) e pouco conhecida, esta que partilho, hoje, convosco.
Mário Soares, eleito Presidente da República, em 1986, com o apoio da Esquerda (e muitos sapos “engolidos”) inaugurou o ciclo do que viria a chamar-se “Presidência Aberta”.
Estávamos em finais de 1988, não posso precisar o mês, e numa das reuniões da Assembleia Distrital, órgão supra e inter-municipal e que integrava representantes dos executivos e assembleias municipais do distrito, teve lugar um curioso episódio.
A Assembleia reunia no salão nobre do Governo Civil e minutos antes de a mesma se iniciar, os eleitos da APU – Aliança Povo Unido – que detinha a presidência de três municípios (Nisa, Ponte de Sor e Avis) combinaram, entre si, apresentar uma proposta no sentido de convidar o Dr. Mário Soares, a realizar uma “Presidência Aberta” no distrito. Era uma proposta simples, clara e objectiva, redigida em três tempos e que foi apresentada no Período de Antes da Ordem do Dia.
O que parecia um documento, para ser aprovado em poucos minutos, gerou uma profunda discussão entre os eleitos da APU e do PS, a força maioritária na Assembleia e nos órgãos de poder local no distrito.
A argumentação dos socialistas era variada, desconcertante e com laivos humorísticos. “Que a proposta era inoportuna”, diziam uns. “Que não tinha sido objecto de discussão nos municípios”, contrapunham outros. E, assim se prolongou no tempo, um tema quase inócuo. Percebeu-se, a dada altura, o motivo de tanta celeuma e o desconforto dos socialistas. Queriam ter sido eles, a apresentar a proposta e nunca esperariam que a mesma fosse formulada pela APU. Os eleitos do PSD, justo é referi-lo, mantiveram-se impávidos e serenos, afastados da querela, à espera que a proposta passasse da fase de discussão para a votação. E, alguém de entre nós (eleitos da APU) com mais experiência da política, resolveu de uma penada a discussão.
José Bruno (Vereador PS), Miranda Calha (Deputado PS), Mário Mendes (Presidente da Assembleia Municipal – APU), Mário Soares (Presidente da República) e José Manuel Basso( Presidente da Câmara Municipal – APU). A menina da foto é a Margarida Oliveira.
“Meus amigos, já vimos que o vosso problema não é a proposta em si, mas quem a apresenta. Pois bem, nós abdicamos de ser os únicos proponentes e aceitamos que a Proposta para convidar o Senhor Presidente da República a efectuar uma Presidência Aberta no Distrito de Portalegre, seja apresentada por todos os eleitos nesta Assembleia.
Foi votada e aprovada por unanimidade. Passado algum tempo, lá fomos a Belém, formular, em pessoa, o convite ao Presidente da República. Em Março de 1989, Mário Soares visitou o distrito de Portalegre e esteve no concelho de Nisa, no dia 17, um mês depois da visita de Cavaco Silva, então 1º Ministro, para inauguração do Quartel dos Bombeiros.
Resta referir que a Câmara e Assembleia Municipal eram de maioria APU, no caso do executivo, a primeira de maioria absoluta, resultante de um processo eleitoral (1985) inédito no concelho e cuja história, oportunamente, aqui publicaremos.
40 anos após as primeiras eleições (1976) para o Poder Local Democrático há um acervo de histórias desconhecidas, algumas “saborosas”, que os visitantes do Portal irão conhecer.
Mário Mendes

10.1.17

OPINIÃO: Duas ou três coisas sobre Mário Soares

Mário Soares, ex-Presidente da República, falecido no passado sábado, foi pai de João e Isabel Soares. Não é “pai” de mais ninguém ou coisa nenhuma. É fundador da Aliança Socialista Portuguesa, mais tarde Partido Socialista Português, o último P a ser retirado da designação, para não se confundir com PSP – Polícia de Segurança Pública.
Não nutro alguma predilecção especial por Mário Soares, reconhecendo nele, embora, qualidades e defeitos, mais aquelas do que estes, que o tornaram num político e estadista de referência, a nível nacional e internacional. Não alinho, por isso, com o coro que por aí anda a querer endeusá-lo e colocá-lo no pedestal de “pai da Democracia”.
Por duas razões. A primeira, é que a Democracia não tem “pais”. Foi construída por todos aqueles, filiados ou não em partidos (clandestinos, durante a Ditadura) que lutaram e muitos morreram, para que surgisse a radiosa manhã de 25 de Abril. Se tivéssemos que “nomear pais” para o regime instaurado com a “Revolução dos Cravos”, destacaríamos, em primeiro lugar, os “capitães de Abril” e o Movimento das Forças Armadas. Mas a história, portuguesa, da luta contra a Ditadura salazarista-caetanista, começou muito antes, logo após, aliás, o movimento de 28 de Maio de 1926, intensificando-se nos anos 30, com a promulgação da famigerada Constituição de 1933.
Quantos trabalhadores, sindicalistas, marinheiros, soldados, intelectuais não foram presos, deportados, assassinados, privados das liberdades fundamentais, afastados, compulsivamente das suas actividades profissionais, apenas por não seguirem a “doutrina da ditadura”?
Humberto Delgado, Norton de Matos, Rui Luís Gomes, Mário Sacramento, Dias Coelho, Sá Carneiro, Miller Guerra, Sarmento Pimentel, Álvaro Cunhal, Bento Gonçalves, Salgado Zenha, Otelo, Sottomaior Cardia e tantos, tantos outros, o que foram? “Avós”, "afilhados", "tios e sobrinhos" da Democracia?
O Alentejo pode orgulhar-se de ter um seu filho, como uma figura ímpar da Democracia e da Liberdade. Arriscou a sua vida, a carreira militar, a vida familiar. Tudo. Em prol de um bem maior: a Liberdade e a Democracia para os seus concidadãos e compatriotas.
Chamava-se Salgueiro Maia e tal como Catarina Eufémia, o Alentejo o viu nascer. Morreu ainda novo. Não reivindicou para si e para os seus, regalias e mordomias. Aliás, algumas a que por mérito próprio tinha direito, foram-lhe sonegadas.
2 - Admiro em Mário Soares a coragem e determinação com que se bateu pela Descolonização e pela entrada de Portugal na CEE, embora nesta questão, sem respeitar uma das normas mais elementares de um regime democrático: a consulta, em forma de referendo, à população do país.

No caso da Descolonização, por muitos tida como “exemplar” e por outros o seu contrário, Mário Soares foi ágil, pragmático e astuto. Conhecia o contexto histórico em que se movia. Eu estava na Guiné-Bissau – que tinha declarado a sua Independência, de forma unilateral, meses antes, em Setembro de 1973.
Spínola e a linha “spínolista” eram contrários à independência das colónias. Defendiam a autodeterminação e, se possível, o domínio neo-colonial.
Soares, percebeu, que tinha de ser rápido na definição da política colonial e concluir, com êxito, um dos desígnios do Programa do MFA: o segundo D, Descolonizar.
Timor ficou para trás – resolveu-se com sangue, suor e lágrimas, anos mais tarde.
A Guiné-Bissau fez a sua “Descolonização” no terreno. Nos primeiros dias de Maio havia uma delegação do PAIGC na principal avenida de Bissau, a dois passos do Palácio do Governador. Estive lá, fardado, uma “aventura” de que não medi as possíveis consequências, mas de que não me arrependi. Outros, muitos com patentes mais altas, alferes e capitães, estabeleceram por todo o território, contactos com o PAIGC e vice-versa, de que resultaram o cessar-fogo e o fim dos combates. Ficou nas mãos dos políticos o reconhecimento oficial de uma situação que já o era, de facto.
Moçambique tornou-se independente em Julho de 1975. Angola foi mais complicado, por várias razões. Três movimentos “independentistas”, um território rico, muitos interesses instalados que não queriam abdicar das suas prerrogativas.
Soares foi, vezes sem conta, apontado como “traidor”, “vendedor de pátrias” e outros nomes nada dignificantes. Cumpriu, neste caso e com distinção, o seu dever.
Não há “descolonizações exemplares”. Se o acto, opressivo, de colonizar – conquistar, ocupar, submeter ao domínio do invasor, explorar – é tudo, menos “exemplar”, por que deveria o seu inverso ser diferente?
A guerra colonial portuguesa (1961-1974) deixou um cortejo infindável de mortos, feridos, estropiados, marcados física e psicologicamente para o resto das suas vidas.
Estes, vítimas de uma guerra injusta e de um regime sanguinário, tal como os prisioneiros do Tarrafal, Peniche, Aljube, Caxias, S. Nicolau, Angra do Heroísmo, também são, por direito próprio, “pais da Democracia”. Lutaram, sofreram na pele e na alma, torturas, sevícias, espancamentos e até a morte. Não se renderam.
São estes, a par de tantos outros, os nossos heróis contemporâneos.
Respeitemos a morte de um grande português. Prestemos-lhe as honras, a homenagem, a gratidão e o respeito que merece. Mas, por favor, não façam de Soares um mito e muito menos um Deus ou um Rei.
A Democracia é o governo do Povo, escolhido pelo Povo. Mário Soares foi um, de entre tantos, que se dedicaram à causa pública.                                                                                                     
Deixo-lhe o meu tributo e homenagem com uma canção do José Carlos Shwartz, cantor guineense e falecido prematuramente, que a guerra não deixou ser meu amigo...
Mário Mendes

MONTALVÃO: Livro sobre Martins Barata apresentado a 25 de Março

25 de Março é a data marcada para o lançamento do livro "Nordeste Alentejano – Etnografia, Literatura, Oralidades, Arqueologia e História–Montalvão, Póvoa e Meadas e Castelo de Vide”, da autoria de J.P. Martins Barata.
A informação foi divulgada pela Associação Vamos à Vila, de Montalvão.
A obra reúne os artigos do Dr. Martins Barata que se encontravam dispersos por publicações e revistas científicas de difícil acesso ao grande público.
Este distinto alentejano que viveu na Póvoa e Meadas e casou com uma senhora de Montalvão realizou numerosos trabalhos de recolha e investigação na área das tradições, da Literatura Oral Tradicional, da Linguística, da História, toponímia e Arqueologia.
A associação promete “mais pormenores dentro em breve”, mas para dar "um cheirinho", publicou uma fotografia de “uma paisagem tão cara aos montalvaneneses” e que foi tirada, precisamente, pelo Dr. Martins Barata”.

ALPALHÃO: Beleza e tradição num traje que fascina
















Este traje de Alpalhão
É um traje muito nobre
Usado por toda a gente
Do mais rico ao mais pobre

É usado com orgulho
Nos dias de romaria
Juntando-lhe as peças d´oiro
Para nos dar mais alegria.

Todas os mandam fazer
Com muitas dificuldades
Mas é um traje que se sente
E dos nossos antepassados

Parecemos umas roseiras
Das rosas que os trajes têm
Com nossas saias bordadas
E nos lenços também

São umas mulheres de arte
As nossas alpalhoeiras
Dando assim os parabéns
A todas as bordadeiras

Alpalhão é nossa terra
Nascida com esperança
Desejo que nós temos
Desde o adulto à criança.

8.1.17

Debate Público - Que modelo de gestão para uma escola democrática?

Lisboa 14 de Janeiro
Os subscritores do Manifesto pela Democracia nas Escolas, convidam-vos a participar no debate público sobre Que modelo de gestão para uma escola democrática? a realizar no auditório da Escola Secundária Rainha Dona Leonor, sábado, dia 14 de janeiro, entre as 15h30 e as 18horas.
Apelamos assim à mobilização da comunidade educativa para este debate tão importante para a escola pública.
Evento no facebook: https://www.facebook.com/events/1817660161785940/
MANIFESTO PELA DEMOCRACIA NAS ESCOLAS
Este ano comemoramos quarenta anos da aprovação da Constituição da República Portuguesa e trinta anos da Lei de Bases do Sistema Educativo, documentos estruturantes da nossa Democracia.
Com o 25 de Abril, em todo o território nacional, as escolas foram, com dinâmicas e especificidades várias, um dos espaços onde de forma mais expressiva e alargada se aprendeu e viveu a experiência da participação democrática. Esse caminho de aprendizagem envolveu todos os seus atores – docentes, alunos, pais e encarregados de educação, funcionários, cidadãs e cidadãos empenhados – e teve os seus momentos altos, oscilações e também desencantos.
Depois de uma inovadora e inédita experiência de autogestão, o modelo de gestão democrática das escolas foi adquirindo maturidade, designadamente através da eleição dos Conselhos Diretivos e do envolvimento dos diferentes atores educativos.
Apesar dos princípios consagrados na Lei de Bases dos Sistema Educativo, assistimos a uma crescente desvalorização da cultura democrática nas escolas e à anulação da participação coletiva dos professores, dos alunos e da comunidade educativa. Verifica-se, pelo contrário, uma tendência para a sobrevalorização da figura do(a) diretor(a) de escola ou de agrupamento de escolas, sendo, ao mesmo tempo, subalternizado o papel de todos os outros órgãos pedagógicos, e desencorajada a participação de outros elementos da comunidade escolar. Esta situação é igualmente reveladora da erosão da identidade de cada escola quando esmagada pelo peso da estrutura de direção unipessoal de governo dos agrupamentos.
Quatro décadas passadas, vale a pena continuar a lutar pela Escola Pública, enquanto lugar de aprendizagem para todas e todos e paradigma de construção de uma cidadania democrática. A Democracia é o pulmão do nosso Estado de Direito, não deve ser apenas ensinada pelos manuais, mas exercida e vivida em cada espaço coletivo, a começar pelo trabalho quotidiano das turmas de cada escola.
Quanto mais democrática, participativa e inclusiva for a Escola, melhor será o futuro da Democracia. Neste sentido, lançamos um apelo para um amplo debate por um modelo de direção e gestão alternativo, condição de uma Escola Pública com qualidade democrática, científica e pedagógica, capaz de compatibilizar os desafios da aprendizagem para todos e todas com práticas inovadoras de cidadania crítica e emancipatória.
Os/As subscritores/as:


Alexandra Lucas Coelho - Escritora;
Almerindo Janela Afonso – Professor Associado na Universidade do Minho. Presidente da Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação. Membro do C.N.E.;
Ana Benavente – Socióloga. Professora Catedrática. Ex-Secretária de Estado da Educação;
António Teodoro – Professor Catedrático na Universidade Lusófona. Ex-Secretário-geral da FENPROF ;
Bárbara Bulhosa – Diretora da editora Tinta da China;
David Rodrigues – Presidente da Pró - Inclusão - Associação Nacional de Docentes de Educação Especial. Conselheiro Nacional de Educação;
Fátima Antunes – Professora Associada do Instituto de Educação da Universidade do Minho;
Dulce Maria Cardoso - Escritora;
Inês Pedrosa – Escritora;
Jacinto Lucas Pires - Escritor;
João Cortes – Diretor do Agrupamento de Escolas Gil Vicente, Lisboa;
João Jaime Pires – Diretor da Escola Secundária de Camões, Lisboa;
Joana Mortágua – Deputada;
Licínio Lima – Professor Catedrático do Instituto de Educação da Universidade do Minho;
Lurdes Figueiral – Presidente da Associação de Professores de Matemática (A.P.M.);
Manuel Sarmento – Professor Associado com Agregação no Instituto de Educação da Universidade do Minho;
Maria do Rosário Gama – Professora do ensino secundário aposentada, Ex- Diretora da Escola Secundária da Infanta D. Maria;
Maria Emília Brederode dos Santos – Pedagoga. Ex-Presidente do Instituto de Inovação Educacional (I.I.E.). Membro do C.N.E.;
Maria Emília Vilarinho – Professora Auxiliar no Instituto de Educação da Universidade do Minho;
Paulo Peixoto – Sociólogo. Investigador. Coordenador do "Observatório das Políticas de Educação e Formação" do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra;
Sérgio Niza – Pedagogo, fundador Movimento Escola Moderna, membro do C.N.E.;

4.1.17

POETAS DA NOSSA TERRA (II): Maria Sampaio Freire Temudo (1)

POEMA DO AMOR  
É com os pobres repartir
E sabermos definir
O que é um grande amor:
É dos pobres não fugir
É dar um pouco de si,
Cumprir a lei do Senhor!

Visitar um doentinho,
Dar-lhe um pouco de carinho,
À criança dar a mão:
É proteger um amigo,
E livrá-lo do perigo,
Quando tem uma aflição.

É procurar a pobreza,
E sentar à nossa mesa,
Aquele que nada tem:
É ensinar quem não sabe,
P´ra não ser um desgraçado,
É praticar sempre o bem.

É tratar com indulgência,
Quando temos uma ofensa,
E sabermos perdoar:
Não atirar com pedras aos ninhos
Dar liberdade aos passarinhos
Para poderem voar.

É tratarmos dum velhinho
Acalentar um menino,
Quando tiver de dormir:
Dar a mão a um ceguinho,
Ampará-lo no caminho,
P´ra não chegar a cair.

Não esquecer que há Deus,
E uma alma p´ra salvar.
Ter que amá-lo com fervor:
É não parar de rezar,
E mesmo sacrificar,
Cumprindo as leis do Senhor! 
Desenho de Manuel Ribeiro de Pavia

2.1.17

NISA: "O Alentejo de Miguel Torga" em exposição na Biblioteca Municipal


Bruno Paixão e Micaela Lopes vencem S. Silvestre de Avis




Realizou-se no sábado a 34ª Corrida de S.Silvestre de Avis,numa manhã solarenga, 169 atletas terminaram uma das corridas de São Silvestre mais antigas do país.
Sagraram-se vencedores da prova rainha em femininos a atleta da Juventude Vidigalense Micaela Lopes que correu 3.300 m em 10.52', no sector masculino venceu o Portalegrense Bruno Paixão do Beja Atlético Clube que correu 6600 m em 19.53'.
Para mais informações consulte os resultados em:

http://www.aadp.pt/2016_17/Resultados/SS%20AVISf.pdf

1.1.17

NISA: Feira de Janeiro no próximo domingo


HISTÓRIA(S) SEM SENTIDO (1): A ponte de S. Francisco e os maranhos de Nisa

Há uns bons anos atrás conheci uma figura singular, um homem de Leste, refugiado político e que poisou ou aportou em Portugal. Veio da Hungria, após a invasão soviética de 1956 e em Portalegre nos conhecemos, num dos cursos de formação do CENJOR, para mim a melhor instituição de formação de jornalistas.
O curso decorria aos sábados e domingos numa das salas do Colégio de Santo António, instalações disponibilizadas através de “O Distrito de Portalegre”, órgão da diocese e entidade promotora da acção formativa.
Nos intervalos, ficávamos à conversa, eu, ele e a Patrícia Porto, também participante nesse curso.
José Lechner, assim se chamava o nosso formador, era um homem culto, de muitas viagens e saberes. Jornalista de banca, formado nas redacções dos jornais por onde passou e que me escuso de mencionar, foi um dos precursores do ensino do Jornalismo em Portugal, e da qualificação dos seus profissionais, um dos objectivos por que se bateu e a que se entregou com denodo e entusiasmo. Formou-se na Escola Superior de Jornalismo de Lille, uma das mais reputadas escolas francesas de formação de jornalistas e estranhava o facto de nosso país não haver uma instituição semelhante que formasse e dignificasse a profissão. Amava e admirava Portugal, país que o acolheu. Estávamos em 1998 e lembro-me disso porque senti na sua fala, a emoção e orgulho com que nos mencionava e enaltecia dois “feitos”, portugueses, desse ano: a Expo 98 e a atribuição do Prémio Nobel da Literatura a José Saramago.
Falava nisso com inusitada alegria, sincera e espontânea. Socialista e conhecendo as minhas convicções políticas, mais à esquerda, nunca as diferenças de opinião constituíram óbice para conversas francas sobre o mundo, a cultura, a política e... a gastronomia.
José Lechner, para além da sua grande paixão pelo jornalismo - tinha uma forma muito peculiar, distinta e prática de ensinar – adorava conhecer novos sabores gastronómicos e um dia, com a Patrícia, falámos-lhe nos maranhos de Nisa. A própria palavra, “maranhos”, causou-lhe estranheza e curiosidade. Nunca a tinha ouvido. Perguntou o que era, à nossa maneira explicámos-lhe como se fazia e ele ficou com “água na boca”.
No final do curso e como tinha que fazer a viagem para Lisboa, convidámo-lo a um “desvio” por Nisa. Assim aconteceu e na antiga sede do Núcleo Sportinguista, sentou-se à mesa connosco e provou (e repetiu) os maranhos de Nisa.
 “Nunca comi nada igual”, disse-nos, visivelmente satisfeito. Terminado o repasto, cada um foi à sua vida, José Lechner a caminho de Lisboa e nunca mais ouvi falar dele, até que...
- Mário, tens ali um postal da América!, disse-me a minha esposa. Era do José Lechner. Cumprira, finalmente, o sonho de visitar os States e a filha, de que nos falava amiúde, com muito carinho e saudade. Estudava, graças a uma Bolsa de Estudos, numa das mais prestigiadas universidades americanas.
No postal, com a foto da ponte de S. Francisco, as palavras de José Lechner eram de grande entusiasmo e rematava o texto, assim: Mário, isto aqui é tudo em grande, fabuloso. Mas, nada que se compare aos maranhos de Nisa! Um grande abraço.
..................................
Nunca mais soube do José Lechner, até ao momento de pesquisar na net pelo seu nome.
Fiquei a saber que foi professor na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal e que morrera em 2012. A filha, pelo que apurei, é professora na Universidade de Coimbra.
Não conhece esta história, mas faço questão de lha dar a conhecer, como forma de singela homenagem a seu pai, jornalista, professor de jornalismo, cidadão que muito contribuiu para a qualificação dos jornalistas portugueses e o prestígio desta profissão, tão desconsiderada por muitos.
Mário Mendes