25.6.11

2012 - 500 Anos dos Forais de Nisa e Montalvão

2012 é ano de comemorações dos 500 anos dos Forais de Nisa e de Montalvão. No caso de Montalvão, o processo de comemorações a realizar no próximo ano foi já iniciado através de duas associações daquela freguesia que marcaram para sábado, dia 25, sessões de esclarecimento, procurando envolver a população nas celebrações de tão importante acontecimento.
Assim, por iniciativa da Associação Salavessa Viva realiza-se uma sessão pelas 15 horas, no edifício da ex-Escola Primária em Salavessa.
Mais tarde, pelas 17,30 h na antiga Escola de Montalvão, organizada pela Associação Vamos à Vila terá lugar nova reunião, tendo por objectivo elucidar a população sobre a importância do documento, assinado em 1512 pelo rei D. Manuel I.
Ambas as sessões (em Salavessa e Montalvão) serão conduzidas por Carla Sequeira do Museu do Bordado e do Barro de Nisa.
A Carta de Foral de Montalvão foi concedida pelo rei D. Manuel I em 22 de Novembro de 1512, reconhecendo, assim, a importância desta vila.

21.6.11

MONTALVÃO: Roubo de sino da ermida da Senhora dos Remédios

Um sino em bronze foi furtado da ermida de Nossa Senhora dos Remédios, nas proximidades de Montalvão.
Alertado por um amigo sobre os roubos de sinos no concelho de Marvão, Joaquim Maria da Costa, da Comissão de Festas, dirigiu-se à ermida da Senhora dos Remédios e constatou que também aquele templo tinha sido “visitado” pelos amigos do alheio e que o sino da ermida havia desaparecido.
Os ladrões tiveram como único objectivo levar o metal do sino, uma vez que deixaram quase intacta, a estrutura de madeira que o suporta.
É um prejuízo enorme, segundo Joaquim Costa, tanto para a Comissão de Festas da Senhora dos Remédios, celebrada anualmente no dia 9 de Setembro como também para o património de Montalvão.
Foi apresentada queixa no posto da GNR de Nisa.

17.6.11

POETAS POPULARES DO CONCELHO

Vergonha de ser Português
Estou farto de o dizer
E há muita gente que diz
Tenho vergonha de ser
Cidadão do meu país
I
Nos tempos que já lá vão
Tínhamos tanta riqueza
Hoje só temos pobreza
E tínhamos tudo na mão
O ouro que tínhamos então
Começou a desaparecer
E sem lucros obter
Já se acabou a matéria
Vivemos nesta miséria
Estou farto de o dizer
II
O homem foi criticado
E tanto ouro cá deixou
O tempo em que governou
Deixou o país abastado
Mas tudo já foi roubado
Quem roubou seja feliz
O destino assim o quis
E rodeado de ladrões
Eu digo prós meus botões
E há muita gente que o diz
III
É uma vergonha afinal
Viver nestes desesperos
Terem que vir os Estrangeiros
Para mandar em Portugal
Presidente que nada vale
Mas que tudo quer vencer
Acreditem, podem crer
Não se compõe outra vez
Sou cidadão Português
Mas tenho vergonha de o ser.
IV
Agora para terminar
Temos o momento oportuno
Vai para lá outro gatuno
Para o povo não estranhar
Este vai mais devagar
É ele mesmo que o diz
Não vou meter o nariz
P´ra ninguém se aperceber
Tenho vergonha de ser
Cidadão do meu país.
António Elias Estróia

15.6.11

GENTE DA MINHA TERRA: Joaquim Maria da Costa

“ Construção do Lar da Terceira Idade foi a obra que mais orgulho me deu”
Tem 80 anos e mantém ainda uma energia que surpreende e contagia. Recorda a sua vida, realça o contacto com o país e a cidade de Portalegre, sua terra adoptiva, os amigos que fez, desde a escola e no calcorrear das suas andanças profissionais, na labuta diária pela modernização das redes de telecomunicações.
De permeio, foi sindicalista e político, como quem acredita que, não podendo transformar o mundo, pode melhorá-lo com a sua acção. Acabou por regressar às origens, a Montalvão, fez-se Provedor da Misericórdia um pouco a contragosto e quinze anos passados, olha para trás com um sorriso aberto e satisfeito pela obra realizada.
Caros leitores, apresento-vos Joaquim Maria da Costa, um montalvanense, na primeira pessoa.
“ Nasci em Montalvão no início de 1931. Andei na Escola Primária e fiz exame da 4ª classe na Escola do Rossio em Nisa. Depois fui estudar para Portalegre onde frequentei durante 5 anos o Curso Industrial de Mecânica e Desenho de Máquinas. Saia-se de lá com grandes conhecimentos técnicos e de projectos e muitos tiveram as bases para a vida de trabalho. Foi um erro muito grande acabar com as Escolas Industriais e Comerciais. Nós no 4º ano já tínhamos procura do mercado de trabalho. Fiquei a trabalhar em Portalegre numa oficina de mecânica até ir para a tropa para o Curso de Milicianos. Ainda na tropa concorri às Telecomunicações dos CTT e fui aceite. Frequentei um curso de seis meses e entrei para o sector das Telecomunicações. Mas surgiu um problema, pois fui mobilizado para ir para a Índia em 1952. No vai e vem entre Portalegre e Abrantes, o tempo foi decorrendo e acabaram por mobilizar outra Companhia.
Nos CTT fui colocado primeiro em Évora, onde estive 2 anos. Pedi a transferência para Portalegre e mandaram-me estagiar para Torres Vedras. Andei requisitado pelos Serviços Técnicos durante 12 anos e pouco vinha a Portalegre. Fiz trabalhos desde o Algarve ao Minho e na Madeira e praticamente só vinha passar umas curtas férias.
Estive 37 anos no sector das Telecomunicações dos CTT. Foi a minha equipa que automatizou o grupo de redes de Portalegre e lembro-me que a primeira estação a ser automatizada foi a de Castelo de Vide. Com algumas poucas excepções, fiz a automatização da maior parte das estações de telecomunicações do distrito.
O meu trabalho foi reconhecido e fui convidado pelo Director da Área de Telecomunicações de Évora, que abarcava todo o Alto Alentejo, para ser o SD Técnico (Chefe do Sector Automático). Estive 17 anos nesse cargo e do qual me reformei.”
Regresso às origens e o apelo da Misericórdia
O tempo da reforma, tantas vezes sonhada e aguardada. Para uns, o concretizar de alguns sonhos, o tempo para ter tempo, para a família, os amigos e o lazer.
Não para todos. Há apelos, fortes, da terra e das instituições, apelos que se aceitam ou recusam. Joaquim Costa aceitou o convite e de um momento para outro entrou na “reforma activa”.
“ Morei sempre em Portalegre, mesmo quando andava por fora e quando me reformei aos 61 anos, o meu irmão tinha falecido e com os meus pais estavam já com uma certa idade, entendi que devia olhar por eles e regressei a Montalvão.
A ideia inicial era tratar da horta, ir à pesca, fingir que caçava, ou seja, passar tranquilamente os anos de reforma. Mas o “tiro” saiu-me pela culatra.
Estava há pouco tempo em Montalvão quando o senhor Mourato, Provedor da Misericórdia veio ter comigo e pedir-me para eu o substituir. Disse-lhe que estava disponível para ajudar mas não para esse lugar, pois sabia que era um cargo muito trabalhoso. Fiquei como tesoureiro da Comissão da Senhora dos Remédios e durante cinco meses fui presidente da Assembleia-Geral.
Durante o mandato e por diversas vezes propus a compra de uma propriedade com casa, na Corredoura, já que tinha a garantia de entidades de comparticipação. Nessa altura já se fazia sentir a necessidade de novas instalações para o Centro de Dia, mas nunca aceitaram a proposta, o que me desiludiu um pouco.
Em Novembro de 1998 participei na reunião da Assembleia Geral, sem vontade de aceitar qualquer cargo, mas houve uma votação esmagadora que me fez pensar e acabei por aceitar ser Provedor.
Quando entrei para Provedor, a SC Misericórdia de Montalvão funcionava com 20 utentes e 4 funcionárias, sendo uma administrativa, 1 cozinheira e 2 auxiliares.
As condições não eram as melhores, pois o espaço era reduzido. Havia 50 pessoas em Montalvão e 20 na Salavessa em lista de espera, porque não havia condições para as admitir.
A primeira decisão que tomei foi conhecer a situação financeira e a regularização da contabilidade. Incomodava-me o facto de o Centro de Dia abrir às segundas e fechar às sextas-feiras. Durante o fim-de-semana os utentes ficavam entregues a si próprios. Era preciso inverter a situação e com a compreensão dos funcionários o Centro de Dia entrou em regime permanente, no dia 25 de Abril de 1999, o que obrigou a recrutar mais 5 trabalhadoras. Os utentes passaram a ter mais duas refeições quentes e a serem acompanhados mais duas vezes pelos funcionários.
A lista de espera não deixava de me preocupar, mas o pessoal dizia-me que não havia capacidade de resposta. Fui à Segurança Social falei com o Director fiz-lhe sentir a realidade de Montalvão e da sua parte houve sensibilidade para fazermos um protocolo que abrangeu 35 pessoas em centro de Dia e 60 em Apoio Domiciliário. Isso originou uma pequena “revolução”. Foi preciso adquirir novos equipamentos, utensílios de cozinha, remodelação de instalações, e aumentar o número de funcionários que passou de 9 para 17. Com esta “operação” ainda conseguimos manter mais 3 utentes fora do protocolo.
Fomos a primeira instituição a ter serviços médicos, porque o médico estava muito tempo sem ir a Montalvão e criámos um espaço para o Gabinete Médico, fazendo um protocolo com a ARS para que o mesmo fosse oficializado para os nossos utentes.”
Sonho e luta: a construção do Lar
Situada junto à fronteira, a freguesia de Montalvão sofreu como poucas o êxodo da população activa para o estrangeiro e para a Grande Lisboa. Os que ficaram, agarrados à ocupação do trabalho rural, envelheceram e necessitam de cuidados especiais. Os filhos e os familiares mais chegados estão longe, a solidão tomou conta das horas e dos dias.
O Centro de Dia preenchia um espaço, mas não chegava para todos. Joaquim Costa, também ele, idoso, pôs-se na “pele” dos seus conterrâneos e não parou de pensar e... agir.
“O primeiro passo estava dado, antes de mim. Havia um terreno adquirido pela Câmara presidida pelo Dr. José Manuel Basso e para o qual só faltava a escritura de doação. Foi assinada por mim e pelo presidente da Câmara e de imediato começámos a tratar do projecto do Lar. Quando as coisas pareciam encaminhadas para que o mesmo fosse apresentado como candidatura, verifiquei que, afinal, contemplava um Centro de Dia.
Deixámos passar o prazo para integrar o PIDDAC desse ano, mas no ano seguinte e com o projecto devidamente elaborado, “chateei” muitas pessoas que eu conhecia, bati a muitas portas e o certo é que entre 56 candidaturas, apenas duas foram aprovadas e uma delas era a do Lar de Montalvão.
Tinha a garantia da aprovação do projecto e em 29 de Agosto de 1999 a obra arrancou em força. Mesmo com alguns acidentes de percurso, que me escuso de referir, a obra nunca parou. Assim que tivemos oportunidade, antes da obra concluída, transferimos o Centro de Dia para as novas instalações. A construção do Lar e logradouros porque houve dificuldades, a partir de certa altura, na cedência de pedreiros da Câmara, optou-se por um empreiteiro (Armando Barrento), o que foi uma decisão acertada, tendo a obra sido concluída.”
Um sonho de muitos anos fora concretizado. Joaquim Costa podia, enfim, dormir descansado, mas o seu espírito activo “falou” mais alto.
“Inicialmente, estavam previstas 22 camas no piso de cima e pus-me a pensar porque não se aproveitava a parte de baixo. Falámos com a Câmara que aceitou a ideia e fez o projecto e conseguimos instalar mais 16 camas e dispensas. E ainda ponho a hipótese de arranjar mais camas, pois as necessidades são muitas.”
As condições modelares e de funcionamento do Lar da Santa Casa da Misericórdia de Montalvão tem recebido elogios de muitas entidades. Louros que Joaquim Costa diz serem fruto do trabalho de equipa.
“É certo que todos os dias vou ao lar e acompanho a par e passo o funcionamento da Instituição, mas temos que dar valor aos funcionários e à encarregada que é uma pessoa competente e zelosa. Por outro lado, temos uma boa situação e estabilidade financeira. Não damos o passo maior que a perna e com a responsabilidade de todos temos conseguido realizar todas as metas a que nos propusemos.”
No aspecto patrimonial tem um grande significado a obra levada a cabo, sob os auspícios do Provedor, a restauração e remodelação da Igreja da Misericórdia de Montalvão.
“A igreja serve como Casa Mortuária e eu sentia-me incomodado cada vez que ia a um funeral. Achava indecente o aspecto do edifício religioso. Metemos mãos à obra, falei com um restaurador que conhecia de Portalegre, o senhor Joaquim Martins, ele entendeu o que pretendíamos e fez uma trabalho de restauro de altares e arte sacra, a todos os títulos notável. Para além disso, o edifício foi todo reparado. Substituímos os bancos, colocámos um piso novo, rebocaram-se as paredes, recuperaram-se os sobrados, instalaram-se sanitários, enfim, a igreja ficou com a dignidade que merecia e hoje pode ser visitada por quem o desejar.”
Joaquim Costa fala da Misericórdia e do Lar como da “menina dos seus olhos”.
Na extensa vida de 80 anos, este homem, fumador inveterado e de longas barbas como imagem de marca, pisou os palcos do sindicalismo, sendo um dos fundadores do Sindicato das Telecomunicações (SINTEL), e da política. Foi vereador durante dois mandatos na Câmara de Portalegre, eleito na Assembleia Municipal em Portalegre e Nisa, membro das Comissões Concelhias do Partido Socialista em Portalegre e Nisa.
Na sua terra, Montalvão, recusou, sempre, ser candidato e hoje é notório, que a freguesia e o concelho só ficaram a ganhar com essa decisão.
“ Não se pode ser duas coisas ao mesmo tempo. Dediquei-me à Santa Casa da Misericórdia. Foram 15 anos de esforço e muita luta para conseguir que a obra nascesse e se consolidasse. Ser Provedor exige muita dedicação e trabalho. Sempre gostei de resolver os problemas e nunca tive nada que me metesse medo, embora a idade já seja um pouco avançada, nunca digo que é o último mandato, pois todos somos substituíveis. Eu gostava e desejo que apareça alguém que possa tomar conta deste empreendimento, com a mesma força e determinação que eu tenho tido.”
* Mário Mendes in "Fonte Nova" - 14/6/2011

14.6.11

OPINIÃO: Notas sobre as eleições no concelho ( 2 )

1. As eleições de 5 de Junho, pela sua própria natureza, em Nisa como em todo o país, foram predominantemente influenciadas por motivações de ordem nacional.
No caso concreto, neste último acto de exercício do voto, os eleitores fizeram a sua apreciação (fortemente negativa) da acção governativa de Sócrates e seus pares. Os instrumentos dominantemente influenciadores do voto foram o acompanhamento continuado do que as TVs transmitiam, particularmente na recta final, com a revelação do estado a que o país chegou e as orientações contrárias aos direitos dos trabalhadores e reformados, em afronta a significativa parte da sociedade. Como remate de influência, naturalmente de ter em conta os caminhos seguidos na campanha eleitoral pelos diversos concorrentes.
2. Não se pode, porém, à escala de cada território, desprezar o efeito mobilizador para a captação de voto que constitui a capacidade dos activistas locais dos partidos em chegar junto dos cidadãos eleitores.Com muito maior efeito em meios pequenos com centenas ou escassos milhares de votantes.
Com expressões diferentes, o factor local tem efeito em eleições gerais e vice-versa.
3. Duas semanas antes os espanhóis foram a votos para escolha de representantes municipais e regionais. Vejamos o que se passou aqui ao lado em Cedillo. A votação foi praticamente a mesma para os dois níveis de escolhas em jogo. Era visível o empenho dos aderentes da força localmente dominante (o PSOE, correspondente ao nosso PS), com entusiástica acção de esclarecimento de todos os vizinhos, assegurando um contacto de proximidade quase total.
Recordamo-nos de os ver com igual procedimento e entusiasmo nas últimas eleições legislativas espanholas.
4. É nessa atitude que nos parece residir a abismal diferença de empenho dos aderentes e (mesmo) militantes no processo eleitoral português de há dias.
No nosso concelho é notável o envolvimento de candidatos (e famílias, mais ao nível de aldeias) na operação de «pedir o voto» quando se está à conquista da câmara ou da freguesia. Que contrasta completamente com o que se viu nesta campanha. Onde foram feitas sessões de esclarecimento? Onde aconteceram os contactos com a população nos seus espaços habituais de convívio e de trabalho?
5. Tristemente temos que concluir que, genericamente, num caso se intervém, independentemente do tipo de eleição, por motivação do ideal que se defende e, no caso português, os representantes locais dos partidos (com óbvias excepções, que seria injusto não ressalvar) se movem essencialmente pela busca dos lugarzitos na junta ou na câmara.
6. Isto é particularmente grave, no caso de Nisa, onde a influência militante dominadora deveria pertencer aos comunistas e seus aliados.
Primeiro porque continua a proclamar se um partido de massas. Que deveria ser imagem de marca a fazer a diferença em relação aos demais. Se isso ainda tivesse alguma coisa de verdade... Depois (não menos importante) porque tem responsabilidades políticas (pelo menos formalmente) ao nível da gestão do poder local no concelho. Onde o exemplo da maneira como os comunistas vêem a sociedade e a querem transformar deveria ser para todos visível com a maior das naturalidades. E é-o cada vez menos para cada vez mais nisenses...
7. Exercendo poder, em doses tão importantes a nível local, isso deveria ser uma alavanca para envolver e entusiasmar redobradamente os militantes a agir, em todas as circunstâncias, por valores e construção de um projecto democrático, participativo, plural, inovador.
Não é isso possível porque, em vez da lógica do envolvimento de todos, um pequeno punhado de «chefes» e «chefas» acha-se no direito (?!) de pôr e dispor, com práticas abusivas e burocratizadas cada vez mais distantes do povo, a quem se deveria estar permanentemente ligado.
Os comunistas no poder não podem ser «dirigidos» no seu mais duro e apertado núcleo de comando institucional por um qualquer G3 no feminino (Gabi2 / Gisa), limitando-se a levar (e trazer) o recado aos burocratas que se situam no nível partidário seguinte.
Este é, porém, pela sua gravidade e afronta aos genuínos comunistas e seus aparentados que fazem o percurso desinteressadamente desde pelo menos 1974, motivo para escrito posterior, específico e mais esclarecedor...
DINIS DE SÁ

11.6.11

Joaquim Maria da Costa homenageado em Montalvão




QUANDO O SONHO É DO TAMANHO DO HOMEM
Joaquim Maria da Costa, 80 anos, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Montalvão desde 1998, foi alvo de uma singular homenagem no passado dia 31 de Maio – Dia das Misericórdias – na sua terra natal, Montalvão.
A iniciativa partiu de uma proposta apresentada e aprovada na Assembleia Geral daquela instituição, visando, entre outros, tributar em vida e publicamente, o agradecimento ao trabalho desenvolvido por este Irmão da Misericórdia, nomeadamente, o seu decisivo contributo para a construção do lar da Terceira Idade de Montalvão, uma unidade modelar na prestação de cuidados e assistência aos idosos da freguesia.
José Roberto, presidente da Assembleia Geral da Santa Casa da Misericórdia de Montalvão, explicou os motivos da homenagem e agradeceu às pessoas e entidades presentes, enquanto José Leandro, da Comissão de Honra, salientou os principais traços da obra solidária e do empenhamento que Joaquim Costa dedicou à realização de um grande sonho tido como quase impossível: a construção do Lar.
O presidente da Junta de Freguesia de Montalvão, realçou as qualidades do provedor, disse ser um orgulho da autarquia ter entre si um cidadão e uma obra a todos os títulos exemplar e mostrou disponibilidade para ajudar a instituição.
O representante da União das Misericórdia Portuguesas, destacou a “obra magnífica de um homem que dedicou a vida à causa social, apaixonado pela sua terra, pela qual tem demonstrado grande dedicação”.
Manuel Bichardo, vereador da Câmara de Nisa, disse que o Município estava ali para homenagear o senhor Joaquim Costa e também o relevante papel social e de empregabilidade desempenhado pelas Misericórdia, informando que a autarquia nisense iria propor a atribuição da medalha de Honra ao provedor da Misericórdia de Montalvão.
Jaime Estorninho, Governador Civil e amigo pessoal do homenageado, felicitou os voluntários das Misericórdias do distrito de Portalegre, “centenas de homens e mulheres que em cada Misericórdia trabalham em prol dos outros, dando-lhes um pouco de amor, carinho e dedicação”
Quanto ao homenageado disse estar “habituado a vê-lo sempre metido em actividades e a concretizar os sonhos mais difíceis”. Agradeceu ainda à Câmara de Nisa e ao Dr. Basso, que muito ajudou à construção deste Lar.
Joaquim Maria da Costa, visivelmente comovido, não foi de muitas palavras.
“Tenho fracos dotes oratórios, estou muito sensibilizado por ver aqui tantas pessoas amigas. Penso que não fiz nada de especial para merecer esta homenagem. Limitei-me a dar o meu melhor em prol de Montalvão, não fiz nada sozinho, a obra erguida e que continua, só foi possível com a ajuda de muita gente, com o apoio dos funcionários que são inexcedíveis no trabalho e carinho para os utentes.”
Após o acto de homenagem foi descerrada uma placa que juntou ao nome da instituição, o de Joaquim Maria da Costa. A Câmara Municipal de Nisa aprovou no dia seguinte (1 de Junho), por unanimidade, a atribuição da Medalha de Honra e a União das Misericórdia Portuguesas atribuiu-lhe uma condecoração.
Seguiram-se os abraços e parabéns de muitas pessoas, entidades, amigos, familiares, utentes e funcionários da Misericórdia, antes do almoço oferecido pela Instituição a todos os convidados.
A homenagem a Joaquim Maria da Costa teve ainda a especial contribuição de dois filhos da terra, José Roberto e António Sereno, que à viola e à guitarra acompanharam Rita Inácio num momento dedicado ao fado e à expressão da alma portuguesa.
Mário Mendes in "Alto Alentejo" - 8/6/11

7.6.11

OPINIÃO: NOTAS SOBRE AS ELEIÇÕES NO CONCELHO ( 1 )

1. À escala nacional, as eleições de domingo passado saldaram-se por rotunda derrota das esquerdas. Confirmou-se a expectativa decorrente do derrube do governo de Sócrates, com o caminho inexoravelmente aberto a uma maioria da direita, a apresentar-se com o programa mais conservador e liberal de sempre.
Sócrates, num assomo de dignidade elementar, apresentou a demissão da chefia do PS. No mínimo, Louçã deveria seguir-lhe o exemplo, face a uma perda de metade dos votos e do número de deputados...
O grave, na perspectiva de construção contínua de uma perspectiva real e ganhadora, é que, na noite de um desastre eleitoral globalmente terrível para as esquerdas, as «justificações» e até triunfalismos não auguram reflexão próxima séria que encaminhe, a prazo, as coisas para uma alternativa que (de vez sem aspas) seja patriótica e de esquerda. . .
2. Também no distrito de Portalegre o PSD foi o partido mais votado.Com a agravante de o CDS já se aproximar dos votos obtidos pelo PCP.
Com perdas brutais do PS e BE é preocupante que as deslocações de votos se encaminhem para a direita, já que, num quadro altamente favorável para tal, não há qualquer crescimento no voto comunista.
Quando Jerónimo de Sousa valorizou a recuperação de um deputado no círculo de Faro, é importante lembrar que as coligações integradas pelo PCP, neste distrito claramente de esquerda, já estiveram na disputa pela condição de força mais votada. Quando havia (mesmo) sentido unitário na intervenção eleitoral e não uma «CDU» que, além da «importação» da cabeça de lista (para fazer igual ao PS ), desta vez apresentava como candidatos praticamente só funcionários do partido.
Longe vão os tempos de intervenção genuinamente distrital e de abertura política de outras campanhas...
3. No concelho de Nisa a votação é globalmente negativa, mas particularmente escandalosa (no que respeita ao PCP) nalgumas mesas de votos.
Até o concelho vizinho de Gavião conseguiu um score eleitoral concelhio superior. Na vila sede do concelho o CDS teve uma votação superior, com a votação na lista comunista a ter pouco mais de 100 votos, numa percentagem inferior à que foi obtida a nível nacional.
Histórica e tradicionalmente, durante anos, duas freguesias (Montalvão e São Simão) tinham grandes votações nas (verdadeiras) coligações (FEPU e APU) que antecederam a actual.
4. Impressiona, por exemplo, olhar os resultados de dia 5 na Salavessa, com a «CDU» recolher a preferência de pouco mais de uma dúzia de eleitores em quase 70 votantes.
No conjunto da freguesia de Montalvão, só 1/4 do somatório dos votos obtidos pelos 3 partidos da troika. Como é possível?
Em Pé da Serra 20 «heróis» ainda resistiram, votando «CDU». Com o carinho e admiração que merecem os que desde sempre estiveram por ideal como comunistas na aldeia, é caso para glosar a derrocada (não fosse a coisa tão tristemente séria e grave!), dizendo que já nem as famílias de Júlio Pires e Zé Lopes, por inteiro, põem a cruzinha no sítio de sempre...
5. Esta eleição era de características nacionais, evidentemente. Seria injusto e demagógico atribuir excessivamente aos actuais protagonistas locais do PCP a responsabilidade destas votações que entristecem certamente todos aqueles que, no concelho, abraçam o ideal comunista, sem qualquer sentido de interesses pessoais e oportunismo.
Contudo, há sempre alguma influência (e grande) que não deve (não pode) ser iludida. Pelo menos em aldeias de pequena dimensão a intervenção política local de proximidade é tão decisiva como os debates televisivos ou os tempos de antena. Esta leitura fica para próximo escrito, dentro de dias...
DINIS DE SÁ

5.6.11

Eleições Legislativas 2011 - Resultados



No Rasto da Memória : A Imprensa em Nisa (1)

O 1º número da 2ª série do “Notícias de Nisa” saiu a público no dia 16 de Abril de 1997.
Com 10 páginas e a duas cores, o quinzenário regionalista e independente, seguia a linha de rumo do título criado e mantido desde 1995, por Francisco Narciso.
No primeiro número, dois artigos faziam a capa da notícia, o Editorial da autoria de Mário Mendes, o novo director do jornal e o destaque para um tema que na altura, assumiu especial importância: Barroca do Salgueiro – O Caminho da Discórdia.
No Editorial, explicavam-se as razões do ressurgimento do jornal, “um projecto que se retoma com os leitores, anunciantes e colaboradores que ao longo deste tempo nos fizeram chegar anseios, temores, a vontade de verem surgir uma voz própria, regionalista, não enfeudada a doutrinas e ideologias, pugnando pelo bem comum, com a verdade, o distanciamento e o sentido crítico que a prática da escrita jornalística impõem”.
O “Notícias de Nisa” com um reduzido número de colaboradores e nenhum deles a trabalhar, simultaneamente, na Câmara Municipal, manteve o contacto com os leitores ao longo de 19 edições e foi a semente embrionária do “Jornal de Nisa” , um quinzenário regionalista e não dependente da autarquia, que ao longo de 265 edições e quase 11 anos, levou a informação do concelho e região aos leitores e assinantes que o apoiaram.
O “Notícias de Nisa” acompanhou, deu voz a todas as candidaturas e pôs em debate os grandes temas do desenvolvimento concelhio nas Autárquicas 97; trouxe a público e denunciou muitas situações que lesavam as populações do concelho, contribuindo com o seu alerta e atenção para que muitos problemas fossem resolvidos.
Um deles, o da capa da primeira edição. O caminho público da Barroca do Salgueiro, o primeiro caso de usurpação de um bem de utilização colectiva foi julgado em Tribunal e a razão dada a quem a tinha: o povo do concelho e os proprietários rurais que mais utilizavam o caminho, desde o tempo dos seu antepassados.
Não deixa de ser preocupante verificar que, 14 anos passados e muitos abusos e esbulhos de caminhos públicos cometidos, não haja uma única denúncia dessas situações, algumas delas nas “barbas” dos próprios autarcas de freguesia, que preferem o silêncio e a cumplicidade, em troca de um voto na “hora certa”.
Claro que, com as novas “doutrinas” os jornais não servem para isso. Têm que noticiar o que acontece, as festas, os discursos, fotos a rodos, escrita feita na secretária, que isto de perguntar e tentar perceber o que não se mostra é coisa de polícia e de detectives.
Além de (poder) trazer incómodos, aborrecimentos, “abertura de olhos” quando os visados são o poder que tão bem nos (des)governa.
Em democracia, diz-se, não há intocáveis e a imprensa (comunicação social, parvo!) é um dos garantes do “estado de direito”. Adiante.
No 1º número – 2ª série - do “Notícia de Nisa”mantínhamos uma “coluna nobre” denominada “Canto do Saco” (no “Jornal de Nisa” passou a chamar-se “Pontá Bitéfes”) que, justamente, alertava para muitas situações anómalas que urgia corrigir.
Quantas e quantas, não foram resolvidas, muitas vezes após sistemáticas e persistentes denúncias do jornal? Algumas demoraram anos, não porque fossem obras de elevado gasto, mas que esbarravam na teimosia do poder instalado. (O poder, todo o poder – apesar de dizer o contrário – não gosta que os cidadãos chamem a atenção para o que está mal e pode ser resolvido).
Nesta primeira edição do NN o “Canto do Saco” denunciava os actos de vandalismo cometidos na Fonte da Tigela e que impedia o normal funcionamento da torneira (bica) existente, os problemas de circulação e trânsito na vila de Nisa e o horário desajustado do Cemitério Municipal.
Problemas que levaram o seu tempo, mas que foram resolvidos a contento das populações.
O jornal, cumpria o seu papel e quem nele colaborava sentia-se satisfeito por a sua voz ser ouvida, mesmo apesar de escreverem “de forma pouco séria, não isenta e apenas procurar protagonismo”.
Agora, felizmente, nada disso acontece. A seriedade caiu de pára-quedas na associação que se diz de “desenvolvimento” mas que na prática não é mais do que uma extensão do aparatchik instalado na Praça do Pelourinho.
Haja Deus!
Mário Mendes

2.6.11

JOAQUIM MARIA DA COSTA: Um homem de causas

Texto de José Leandro Lopes Semedo, a propósito da Homenagem prestada no dia 31 de Maio, a Joaquim Maria da Costa, Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Montalvão.
"Boa tarde, Exmo. Senhor Provedor, todas as entidades convidadas e minhas Senhoras e meus senhores!
Estamos hoje aqui todos reunidos nesta jornada e neste convívio fraternal em torno de uma causa sempre nobre que é a solidariedade.
E a solidariedade só faz sentido quanto aplicada no terreno, isto é, quanto deixa de ser teórica e passa a ser um acto concreto, expresso de forma singular através das acções das pessoas na entreajuda no seio de uma comunidade.
E nestes dias que correm, com a constante perda de valores culturais e sociais a que estamos a assistir nesta sociedade globalizada em que o respeito pelo ser humano é mínimo, somos levados a questionar para onde caminhamos e o que pretendemos deixar como legado aos nossos filhos, que conceitos e que tipo de sociedade devemos construir e em que bases devem estar assentes?
Nunca como agora foi tão importante o chamado terceiro sector (ou economia social) como alguns especialistas falam, ou ainda IPSS, apesar de estar á muito tempo contemplada na Constituição da República Portuguesa, como forma de estrutura económica, parece estar agora a ter o merecido reconhecimento de toda a sociedade, perante esta grave crise económico-financeira. E é no aconchego destas instituições de solidariedade social que muitos portugueses encontram o seu verdadeiro “porto de abrigo”. É a elas que muitos recorrem e sentem o verdadeiro sentimento que é a mão amiga da solidariedade.
Mas como todos sabemos continua a ser na velhice que as necessidades mais básicas ficam por cumprir, fruto de um conjunto de situações que levam erradamente a considerar estas pessoas como sendo o elo mais fracos e desvalorizado no seio das famílias e das comunidades, e que por vezes são de tal forma esquecidos pelos familiares mais próximos que ficamos estupefactos perante certas e determinadas situações que são relatadas nos meios de comunicação social. Mas os idosos são apenas as pessoas com mais idade. Portanto, com mágoas de um passado nem sempre luzidio mas com mais vitórias, com mais experiência, com mais doação à família, à comunidade, ao mundo e a Deus. Provavelmente mais do que noutras fases da vida, são eles quem melhor sabe saborear e valorizar a vida. Quando a oportunidade lhes é dada, com espírito e com coração, como eles sabem dar vida à Vida! Até por isso, como eles são preciosos em dinâmicas favorecedoras da vida, como a família. Com a ciência feita na vida e com a serenidade que a idade muitas vezes favorece, ainda têm muito para dar. Certamente de um modo diferente, que não menos importante. Merecem ser ouvidos e são credores de atenção, de respeito e de gratidão. Carecem de seguimento e de acompanhamento. E como dizia o Padre Américo que “pior que não ter onde viver era não ter onde morrer”.
E isto tudo para vos falar da obra que tem vindo a ser construída à alguns anos nesta terra, de uma forma singular e com reconhecido mérito, pela Santa Casa de Misericórdia de Montalvão e na qual destacamos a figura de um homem, que pela sua capacidade superior em organizar, e delinear uma estratégia de planeamento para concretizar a obra final, que é este lar de idosos – reconhecido em todo o distrito de Portalegre, como um modelo a seguir, com a prestação de vários serviços de qualidade, onde se pode destacar o apoio domiciliário de estrema importância que serve mais de uma centena de utentes e é a maior entidade empregadora desta freguesia, desenvolvendo também nesta área um papel de estrema importância na economia local. E esse grande homem chama-se Joaquim Maria da Costa, Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Montalvão.
E como representante da população nesta comissão de honra, quero aqui expressar o meu forte reconhecimento, pela sua constante e valorizada obra social em prol dos mais necessitados e dos mais idosos desta freguesia. Sei que o caminho não foi fácil para construir toda esta imensa obra, por isso estamos hoje aqui!
E termino louvando a iniciativa sempre difícil, de em Portugal homenagear uma pessoa ainda em vida, quando o mesmo ainda pode sentir todo este reconhecimento que a população lhe presta. A todos o meu mais sincero bem-haja. Em especial ao Sr. Provedor pela sua coragem e determinação em lutar pelas causas em que acredita.
Montalvão, 31 de Maio de 2011
José Leandro L. Semedo

25.5.11

MEMÓRIA: Amália Rodrigues em Nisa

Passam neste ano de 2011, trinta e cinco anos que uma das mais importantes artistas portuguesas e mundiais do século XX, veio a Nisa cantar pela primeira e única vez.
Amália Rodrigues, a grande Diva do fado cantou na nossa vila, no dia 13 de Agosto de 1976 integrada nas “Festas do Povo”, como eram então chamadas e ainda hoje são recordadas, na Alameda, em pleno coração da Praça da República.
Amália Rodrigues era a grande figura de cartaz das festas desse ano, em que figuravam outros artistas de renome, como: Lenita Gentil, Artur Garcia, Fernanda Baptista, Eugénia Lima, o Trio Harmonia, Moniz Trindade, Tucha de Mascarenhas, Gina do Carmo, Trio Guadiana, entre outros. Quatro dias de festa, música e muita animação, cujas receitas revertiam para melhoramentos e obras de beneficência.
As “Festas do Povo” eram um dos eventos culturais que se realizavam em Nisa durante o ano, mais aguardados e ansiados pela população. Era a oportunidade de ver e ouvir ao vivo, alguns dos mais conhecidos e reputados artistas do nosso país. Ponto e local de encontro privilegiado de todos os cidadãos residentes na vila e no concelho e dos emigrantes que viviam no estrangeiro e que nos visitavam nas férias.
Nessa altura, Nisa tinha igualmente para oferecer aos cidadãos os memoráveis bailes na Sociedade Artística Nisense e no Sport Nisa e Benfica; as inesquecíveis sessões de cinema e de teatro no decadente Cine Teatro, programadas pelo saudoso Sr. Vilela Mendes; as festas do Mártir Santo; as procissões e as romarias á Srª da Graça e Srª dos Prazeres; as actuações dos Ranchos Folclóricos; as diversas actividades culturais realizadas na Casa do Povo e pelo Centro Recreativo e Cultural de Nisa; as grandes exibições de futebol por aquela que foi uma das melhores equipas que o Sport Nisa e Benfica teve em toda a sua história; os animados dias de feira com os seus carrosséis e os diversos circos que assentavam arraiais durante o ano, no coração da vila; entre outros.
Nisa recebeu Amália Rodrigues com enorme entusiasmo e júbilo. Recorde-se que a fadista, aos 56 anos de idade, estava ainda nessa altura no auge da carreira, em que a sua presença e voz, arrastavam multidões atrás de si para a contemplar e ouvir. No inicio dessa década, em 1970, tinha sido editado “Com que voz” um dos discos mais importantes da sua carreira e que é considerado por muitos como o melhor jamais gravado em Portugal, em que a artista canta alguns dos grandes poetas portugueses, com música do compositor Alain Oulman. Depois da sua passagem por Nisa haveria de gravar, nos anos oitenta, dois belíssimos Lp com poemas seus “Gostava de Ser Quem Era” e “Lágrima”.
Registe-se que 1976 e o ano seguinte, foram dos mais intensos da carreira de Amália Rodrigues em Portugal e no estrangeiro. No ano em que esteve em Nisa, Amália Rodrigues cantou no Théatre des Champs Elysées (Paris), na Roménia, Itália, Japão, Brasil e Espanha. Foram editados os Lp “Amália no Canecão”, “No Café Luso” e “Cantigas da Boa Gente” e surge ao lado de Maria Callas, John Lennon, Yehudin Menuhin, Gilbert Bécaud, Salvatore Adamo, entre outros, no disco “Le Cadeau de la Vie”, publicado pela UNESCO.
A sua passagem pelo concelho de Nisa, no período pós 25 de Abril, coincidiu com uma das fases mais difíceis e conturbadas da vida pessoal e da carreira da fadista e está infelizmente referenciada num dos capítulos daquela que é a sua mais importante biografia publicada em 1987, “Amália: Uma Biografia” da autoria de Vitor Pavão dos Santos, um dos seus mais devotos admiradores, fundador do Museu Nacional do Teatro.
Numa localidade do nosso concelho, que é referida no livro, um homem numa esplanada, chamou á Amália Rodrigues «a pior coisa que se podia chamar a um português depois do 25 de Abril», como escreveu Miguel Esteves Cardoso em “A Causa das Coisas”. Depois de ter ouvido tal impropério, Amália abordou o homem e perguntou-lhe porquê, tendo ele dito, muito atrapalhado, que a artista tinha uma casa em Versalhes (França).
Recorde-se que nesta época da vida portuguesa, após o 25 de Abril de 1974, no fervor revolucionário, o fado foi denegrido, hostilizado, quase excluído da comunicação social escrita e das emissões de rádio e televisão estatais. Natália Correia escreverá em Janeiro de 1976 que o fado «foi atirado para o cesto dos papéis rasgados» pela «pedagogia cantante esquerdista». Amália Rodrigues é a vítima e alvo preferencial deste clima de hostilidade, com a circulação de boatos que atravessam Portugal inteiro e que a colocam como suspeita de ter estado ligada ao antigo regime e de ter colaborado com a ex-polícia política, a PIDE.
Amália Rodrigues dirá na sua biografia «Como é que eles sabiam que eu era contra eles, quando aconteceu o 25 de Abril? Eles não sabem nada! Houve pessoas que tomaram conta dos jornais e de mim não se falava. Tomaram conta da rádio e os meus discos não se tocavam. Na televisão eu não podia aparecer. Só o público é que não conseguiram pôr contra mim. O público nunca me abandonou.»
Nunca se provou o seu comprometimento com o antigo regime. Amália Rodrigues foi uma das vítimas de algumas injustiças que se cometeram no período revolucionário.
O único e o mais importante documento existente, que atesta e perpetua a passagem da genial artista portuguesa pela vila de Nisa, é o precioso Cartaz das Festas, editado e imprimido pela Tipografia Nisense. Não se conhece actualmente nenhum documento fotográfico, da actuação de Amália nessa noite em Nisa. Seria importante para dar a conhecer às gerações vindouras, que fosse depositado um exemplar do cartaz na Biblioteca Nacional (B.N.), que é a instituição em Portugal que melhor preserva e salvaguarda todos os documentos que são editados no nosso país.
Para conhecer melhor a vida e obra da mais importante artista portuguesa do século XX, sugiro a audição dos discos que gravou, nomeadamente de “Busto”, “No Café Luso”, “Fado Português”, “Vou dar de beber à dor”, “Com que Voz”, “Cantigas numa língua antiga”, “Gostava de ser quem era” e “Lágrima”; a leitura de alguns dos livros que estão editados, nomeadamente a imprescindível e incontornável biografia de Vítor Pavão dos Santos, no dizer de Estrela Carvas, uma das secretárias de Amália, mais autobiografia da Diva do que biografia do autor, “Versos” de Amália Rodrigues, “Amália, um coração independente” (catálogo da exposição do Museu Berardo), “Amália no mundo: o mundo de Amália” (catálogo da exposição do Panteão Nacional), “Amália Rodrigues, retratos fotográficos Silva Nogueira” (catálogo da exposição do Museu Nacional do Teatro), “Os meus 30 anos com Amália” de Estrela Carvas, “Amália Rodrigues” de Cristina Faria (Fotobiografias Século XX. Direcção de Joaquim Vieira), “Pensar Amália” de Rui Vieira Nery; a visão de alguns dos filmes que interpretou, como: “Capas Negras” de Armando Miranda, “Fado, história de uma cantadeira” de Perdigão Queiroga ou o pouco conhecido “As Ilhas Encantadas” de Carlos Villardebó, a sua melhor interpretação no cinema. É igualmente de visão obrigatória o documentário, “The Art of Amália” de Bruno de Almeida.
Aconselho vivamente a visita em Lisboa, á Casa Museu Amália Rodrigues, na Rua de São Bento; ao Museu do Fado, no Largo de Chafariz de Dentro em pleno Bairro de Alfama e ao Panteão Nacional, no Campo de Santa Clara, onde estão depositados os restos mortais de uma das maiores artistas que Portugal já viu nascer.
José Manuel Rufino Lopes

15.5.11

ALBERGARIA PENHA DO TEJO: História de um crime continuado

É o mais famoso "elefante branco" do concelho de Nisa e, talvez, do sul do país. Projectado para constituir uma mais valia turística e económica para a região, o Complexo "Turístico" da Barragem do Fratel, localizado numa colina estratégica e com uma vista monumental e soberba sobre o rio Tejo, nasceu torto e foi agonizando lentamente, perante o desleixo e a incompetência de executivos municipais, que não quiseram ou souberam, travar-lhe a morte prematura.
Hoje, de um conjunto de estruturas que anunciavam progresso e desenvolvimento, restam as marcas do abandono, dos roubos e do vandalismo a que tem sido sujeito, perante a indiferença de quem, em primeiro lugar, competiria zelar por um bem que custou muitos milhares de euros, ao erário público.
Para que não fossem acusados de integrarem a "estratégia do silêncio" que se abateu sobre esta situação, os vereadores Idalina Trindade e Francisco Cardoso apresentaram na sessão da Câmara de 17 de Novembro, um documento no qual fazem a história do empreendimento e apresentam propostas para a resolução de tão delicado problema. Curiosamente - ou, talvez não - esta proposta foi a última a ser incluída em actas publicadas no site da Internet do Municipio de Nisa. Depois disso e violando a lei, o silêncio absoluto. Percebe-se porquê...
PROPOSTA - Reunião de Câmara de 17 de Novembro de 2010
ASSUNTO: Albergaria Penha do Tejo – Recuperação e Concessão da Exploração
a) - A infra-estrutura denominada Albergaria Penha do Tejo exibe um cenário de completa degradação que envergonha o concelho e as suas gentes, tendo sido deixada ao abandono pela Presidente da Câmara Municipal de Nisa, Maria Gabriela Tsukamoto, desde o dia 16 de Junho de 2005;
b) - Na verdade, através da AINA (Acção Integrada do Norte Alentejano) a edificação da Primeira Fase/Bloco1 e respectivo equipamento foram apoiados pelo III Quadro Comunitário de Apoio (FEDER), tendo o Município obtido um financiamento equivalente a 250.000 contos;
c) - A Segunda Fase de construção, Bloco 2, que incluiu a edificação de uma área de alojamento de cerca de 50 quartos, apetrechada com 2 piscinas, 2 balneários e 1 campo de jogos, nunca foi inaugurada depois de concluída e entregue ao Município no ano de 2001. Esta fase de construção previa ainda a implementação de equipamentos relacionados com actividades desportivas e náuticas que nunca foram implementados;
d) - Não dispomos de informação sobre o montante dispendido na execução da supra referida 2ª Fase nem dos quantitativos que a Câmara de Nisa recebeu a título de fundo perdido, quer a nível de comparticipações nacionais quer europeias;
e) - Em 20 de Abril de 2005 e conforme proposta apresentada pela Presidente da Câmara, o Executivo aprovou por unanimidade que fosse efectuado o sequestro da concessão da Albergaria Penha do Tejo notificando o respectivo arrendatário “António Martins Nunes, Lda.” (DOC. nº 1 – Deliberação nº 235/2005);
f) - No mesmo dia 20 de Abril de 2005, mediante proposta do Adjunto da Presidente da Câmara, o Executivo aprovou igualmente por unanimidade, que a Empresa Municipal TERNISA, por si ou em parceria com um privado, assegure a gestão/exploração do referido Complexo, enquanto durar o sequestro da concessão aprovado na deliberação anterior e até à rescisão. (DOC. nº 2 – Deliberação nº 236/2005);
g) -De acordo com o teor da Acta datada de 5 de Maio de 2005, do Tribunal Judicial da Comarca de Nisa, (cuja cópia foi entregue à signatária Maria Idalina Trindade, em reunião do Executivo Camarário realizada em 19 de Maio de 2010, na sequência do pedido de esclarecimento por si formulado em reunião de Câmara de 5 de Maio do mesmo ano (DOC. nº 3)), a Câmara Municipal, na qualidade de Autora da Acção de Despejo Ordinária nº 8/03-6 TNNIS e a Ré “António Martins Nunes, Actividades Hoteleiras, Lda.” acordam entre si a rescisão do contrato, obrigando-se a Ré a entregar à Autora/Câmara Municipal, a Albergaria, livre de pessoas e bens, até ao dia 15 de Junho de 2005,
h) - Tal Acta foi homologada por sentença do Meritíssimo Juiz da Comarca de Nisa condenando ambas as partes a cumpri-lo nos seus precisos termos que foram os seguintes: (Junta-se cópia da Acta sob a forma de DOC. nº 4)
- a quantia de 10.774,03 € que esta depositou na conta bancária do Câmara a título de caução quando iniciou o contrato, fica propriedade do Município,
- para pagar à Câmara as rendas em atraso, a “António Marques Nunes – Actividades Hoteleiras, Lda.” dá à Câmara os seguintes bens: (NR:segue-se a lista dos bens que de tão extensa nos escusamos reproduzir)
i) - No dia 16 de Junho de 2005, cf. documentos de cujo teor a signatária igualmente só tomou conhecimento em 19 de Maio de 2010, na sequência de pedido que formulou em reunião de 5 de Maio, a Câmara tomou posse efectiva da Albergaria Penha do Tejo, tendo a Presidente da Câmara perfeito conhecimento da entrega das respectivas chaves ao seu Vice Presidente. (DOCS. nº5, 6 e 7)
j) - No dia 24 de Junho de 2005, em reunião da Assembleia Municipal, um dos eleitos declarou “achar grave que a Câmara tivesse “dado” a exploração do Complexo Turístico do Rio Tejo à Ternisa”. (DOC. nº 8)
l) - Em 6 de Julho de 2005 a Presidente da Câmara através do seu Gabinete de Apoio Pessoal agenda para a reunião do Executivo um Ponto subordinado ao tema “Complexo Turístico do Rio Tejo – Exploração e Gestão” para verbalmente propor a retirada deste Ponto da Ordem de Trabalhos “por se verificar a falta de um parecer jurídico sobre o mesmo”. (DOC. nº 9)
m) - Até 16 de Novembro de 2005, não mais a Presidente da Câmara apresentou o referido parecer jurídico alegadamente em falta ou agendou o assunto para as reuniões do Executivo.
Na verdade, em reunião de Câmara de 16 de Novembro de 2005, um dos Vereadores disse que “gostava de saber em que ponto se encontra a situação do Complexo Turístico do Fratel” ao que lhe foi respondido pelo Vice Presidente da Câmara que “estava tudo na mesma, estando-se à espera que apareçam propostas, até porque aquilo assim como está, é contraproducente, até porque já foi alvo de assalto, embora não tenham levado nada”. (DOC. nº 10)
n) - Em reunião de Câmara de 18 de Janeiro de 2006, a Presidente da Câmara informou o Executivo que “relativamente à Albergaria, está-se a preparar o programa para se avançar com o concurso”. (DOC. nº 11)
o) - Em 7 de Junho de 2006, volvido um ano sobre a retoma da posse da Albergaria pela Câmara, em reunião do Executivo, um dos Vereadores, declarou ter passado pela Albergaria antes de ir para a reunião, descrevendo desta forma o que por lá encontrou:
“Andou por ali sem ver vivalma durante todo o tempo que lá esteve. Qualquer pessoa pode lá ir e destruir e roubar tudo o que quiser sem ser incomodada. A forma como encontrou aquele Complexo, totalmente ao abandono e vandalizado, deixou-o perplexo, perguntando o que é que a Câmara está a pensar fazer. Pensa que a solução passa pela contratação de alguém que esteja lá em permanência a guardar o Complexo e já se poderia ter poupado muito dinheiro, em comparação com o que dali desapareceu.”
A Presidente da Câmara, em resposta disse “que houve realmente uma falha na segurança do Complexo do Fratel e uma descoordenação dos serviços no sentido de se fazer a vigilância do local. Informou que há negociações para a revitalização do mesmo Complexo, tendo já chegado algumas propostas à Câmara que estão a ser alvo de apreciação". Informou que foi aberto concurso para a vigilância e protecção de todo aquele espaço, através do sistema de videovigilância. Disse que lamentava que todo aquele espaço tivesse chegado à situação em que se encontra actualmente e tem pena que a Câmara não possa proceder à sua venda, pelo que terá de se pensar numa forma de rentabilizar o Complexo.” (DOC. nº 12)
p) - No dia 19 de Julho de 2006, a Presidente da Câmara, através do seu GAP agendou para a reunião do Executivo realizada nesse dia o assunto: “Abertura de Concurso Público para a concessão da Albergaria Penha do Tejo”, disponibilizando a Informação/Proposta imediatamente antes da reunião e tendo proposto, ela própria, que o assunto fosse retirado para melhor análise.
Em todo o caso, o Executivo aprovou por unanimidade, conceder autorização à Presidente da Câmara para efectuar as diligências que se mostrem necessárias, tendo em vista a elaboração do caderno de encargos e respectivo programa de concurso, de acordo com o objecto a submeter ao mesmo. (DOC. nº 13)
q) - Em reunião de Câmara realizada a 6 de Setembro de 2006, a Presidente da Câmara submete e o Executivo aprova por unanimidade, o Programa de Concurso e respectivo Caderno de Encargos para abertura de Concurso Público para celebração de contrato para fins de exploração na área da restauração do Bloco 1 da denominada Albergaria Penha do Tejo, propriedade da Câmara Municipal de Nisa. (DOC. nº 14)
r) - Note-se que a dita Albergaria é composta por dois Blocos de cave e rés-do-chão, anexos, parque de estacionamento, duas piscinas, dois balneários e um campo de jogos sendo que o antes aludido Concurso apenas teve por objecto o Bloco da 1ª fase, constituído por cave, rés-do-chão e um anexo que esteve arrendado desde Junho de 1997 até 15 de Junho de 2005.
Para a outra parte do Complexo, nada propôs a Presidente da Câmara. (DOC. nº 14)
s) - Em sessão da Assembleia Municipal realizada em 29 de Setembro de 2006, um dos respectivos membros lançou a questão:
“E quanto à Albergaria Penha do Tejo, onde está quase tudo partido, qual o futuro para aquelas instalações?”
Tendo-lhe respondido o vice presidente da Câmara que “foram feitas consultas a várias empresas de segurança para que apresentassem propostas para o efeito e que o processo está a decorrer e que foram estabelecidos contactos para o aluguer da parte de baixo das instalações, ou seja, a exploração do restaurante”. (DCO. Nº 15)
t) - Em 15 de Dezembro de 2006, perante a Assembleia Municipal reunida, a Presidente da Câmara declarou que “na próxima 2ª feira iria receber informações sobre qual o tipo de concurso e os procedimentos a seguir em termos legais, de modo a que se consiga dar uma solução viável para o Complexo, deu conhecimento dos assaltos que ali foram praticados e informou que foi aberto concurso para a contratação dos serviços de uma empresa de vigilância”.
Mais referiu que “aquela estrutura quando foi alugada, foi sem o material, pelo que, o antigo concessionário, ao abalar, levou o que lá estava e que era dele.”
No mesmo dia e após tais declarações, o Vice-presidente da Câmara, “lamentou que até agora e face aos inúmeros assaltos de que aquele Complexo tem sido vítima, ainda não se tenha ali procedido à instalação de um sistema de vídeo vigilância”. (DOC. nº 16)
u) - Em 7 de Março de 2007, o executivo aprovou por unanimidade que fosse desencadeado o processo para abertura de um Concurso Público tendo em vista a celebração de Contrato para fins de exploração na área da restauração, do Bloco 1 da Albergaria penha do Tejo e a constituição do respectivo júri bem como a remessa do processo à Assembleia Municipal. (DOC. nº 17)
v) - Reafirma-se aqui que a Presidente da Câmara da Câmara havia agendado tal proposta em 6 de Julho de 2005……e retirou da Ordem de Trabalhos invocando a falta de um parecer jurídico. (Reveja-se o DOC. nº 9)
x) - Em 21 de Março de 2007, a Presidente da Câmara, perante o pedido de esclarecimento de um munícipe formulado em reunião do Executivo Camarário realizada na Freguesia de Amieira do Tejo, referiu-se à Albergaria como sendo uma “situação muito complicada, embora já tenha sido aberto concurso público para a adjudicação da sua exploração referindo que têm de ser ali executadas algumas obras a fim de que a Direcção Geral do Turismo possa proceder ao seu licenciamento”. Na mesma reunião, o Vice-presidente mencionou que “é notório o seu grau de degradação, falou sobre os roubos que ali têm sido praticados mas salientou o facto de tal estado já vir do tempo em que o Complexo estava a funcionar” DOC. Nº 18)
z) - Em sessão da Assembleia Municipal de30 de Março de 2007, foi aprovada por unanimidade a abertura do Concurso Público antes mencionado. (DOC. nº 19)
aa) - O eleito Arménio Morais declarou nesta Assembleia Municipal que “o assunto se arrasta há demasiado tempo e que não se pode deixar cair no esquecimento que foi feito com dinheiros dos contribuintes, de modo a que a culpa seja de quem for, não morra solteira, achando estranho que só agora se esteja a tentar encontrar uma solução e perguntou porque é que o Complexo não reúne as condições necessárias para que possa ser considerado uma Unidade Hoteleira e quem é que deixou chegar aquilo à situação degradante em que se encontra.” E declarou ainda que “sempre que haja delapidação de dinheiros públicos tem que haver responsáveis e que o que está em causa não é tanto pela falta de segurança mas sim o desinteresse manifestado por algo e algum desleixo” e que “o Complexo não é só aquilo que ali está, pois fazia parte de algo mais vasto e que poderia ser aproveitado em vez de chegar ao que chegou.”
A Presidente da Câmara afirmou “que neste momento há condições viáveis para se resolver o problema daquele Complexo num contexto mais alargado” e referiu também que “há interesse por parte de vários investidores privados em apostar no Complexo”. (DOC. nº 19)
bb) - O Presidente da mesa da Assembleia Municipal, Sr. Polido, referiu-se ao assunto declarando que “sobre o apuramento de responsabilidades acha que tem que se apurar datas e factos e não estar sempre a culpar este ou aquele Executivo”. (DOC. nº 19)
cc) - Em 18 de Abril de 2007, a Câmara reunida aprovou por maioria o caderno de Encargos e o programa de Concurso Público para concessão do Complexo Turístico do Rio Tejo. (DOC. nº 20)
dd) - Em 6 de Junho de 2007, a Câmara ratificou o Despacho da Presidente de 17 de Maio/2007, através do qual foi autorizada a alteração à composição do Júri do referido concurso. (DOC. nº 21)
ee) - Em 19 de Setembro de 2007, através de Deliberação nº 380/2007, a Câmara aprova por unanimidade não considerar o relatório do Júri do Concurso que excluía a única proposta apresentada pela Firma”UNISELF – Gestão e Exploração de Restaurantes, Lda.” e admiti-la para exploração do empreendimento e remeter o processo `a Assembleia Municipal. (DOC. nº 22)
ff) - Em sua reunião extraordinária de 26 de Setembro de 2007, a Câmara Municipal aprovou por unanimidade cf. Deliberação nº 394/2007, adjudicar a única proposta apresentada a concurso e supra identificada á igualmente supra mencionada Firma, para fins de Restauração, Hotelaria e Similares, de um espaço, sito junto á Barragem do Fratel, freguesia de Amieira do Tejo, concelho de Nisa, condicionada a que se solicite, de imediato, parecer jurídico sobre o assunto, tendo em conta o conteúdo da Acta da reunião do Júri daquele Concurso, datada de 21 de Setembro de 2007, a qual excluía a dita proposta. (DOC. nº 23)
gg) - Na sessão Ordinária da Assembleia Municipal realizada em 7 de Dezembro de 2007, faz-se referência a um parecer jurídico emitido pela Sociedade de Advogados “Gonçalves Pereira, castelo Branco”, com data de 29 de Outubro de 2007, sobre o concurso para a adjudicação da Albergaria.
Um dos eleitos no referido órgão refere a propósito da exploração do Complexo Termal, que “espera que não se caia nas mesmas asneiras em que já se caiu anteriormente (caso da Albergaria)”. DOC. Nº 24)
hh) - Na mesma sessão de7 de Dezembro de 2007, constava na respectiva Ordem de Trabalhos, Ponto 10, o assunto “Concurso público para Exploração, para fins de Restauração, Hotelaria, Lazer e Similares, de um espaço junto à Barragem do Fratel” que a Presidente da Câmara, invocando que a proposta apresentava alguns erros nomeadamente “porque mesma diz respeito a um desdobramento de encargos e não à aprovação de uma adjudicação” solicitou que fosse retirada da Ordem de Trabalhos, o que veio a suceder com a concordância de todos os eleitos presentes na sessão. (DOC. nº 25)
ii) - Em 20 de Fevereiro de 2008, a Câmara aprovou por unanimidade não adjudicar o que havia adjudicado (e que havia proposto à Assembleia como se referiu supra e que a Presidente resolveu retirar invocando o igualmente supra-exposto….) em reunião extraordinária de 26 de Setembro de 2007, revogando as Deliberações nº 380/2007 e nº 394/2007. (DOC. nº 26)
jj) - Na sessão da Assembleia Municipal de 22 de Fevereiro de 2008, em resposta ao eleito Adelino Temudo sobre o ponto de situação da Albergaria Penha do Tejo, a Presidente da Câmara referiu que “vai ser aberto novo concurso por sugestão do Tribunal de Contas que disse não à proposta concorrente, uma vez que no novo Programa de Concurso e Caderno de Encargos terá de vir contemplada a possibilidade de fornecimento de refeições, tendo em vista os refeitórios municipais” (DOC. nº 26-A)
ll) - Em 12 de Maio de 2008, em resposta a um dos Vereadores do Executivo que solicitou esclarecimentos sobre como se encontra o assunto da Albergaria, a Presidente respondeu que “tem de se proceder à alteração do Programa de Concurso uma vez que o Tribunal de Contas não aceitou o actual” (DOC. nº 27)
mm) - Na sessão extraordinária da Câmara Municipal realizada em 10 de Dezembro de 2008, um dos Vereadores em Declaração de Voto, refere que “o futuro do Complexo Turístico da Albergaria penha do Tejo não se vislumbra nada risonho, continuará a sua acelerada degradação, um complexo que se perspectivava gerador de desenvolvimento para o concelho, continuará a ser uma permanente dor de cabeça para quem gere os destinos do Município”. (DOC. nº 28)
nn) - No decurso do ano de 2009, a Presidente da Câmara parece ter-se esquecido do que declarou no ano de 2008, 2007, 2006 e 2005, e na qualidade de coordenadora da actividade municipal, de acordo com o disposto no artº 68º, nº 1, alínea b) da Lei nº 169/99, de 18 de Setembro, na sua redacção actual, e a quem também compete, nos termos do consignado no mesmo artigo e diploma legal, na sua alínea h), promover todas as acções necessárias à administração corrente do património municipal e à sua conservação, nada promoveu ou propôs para a resolução do problema da deplorável degradação da infra-estrutura a que nos vimos reportando.
oo) - No dia 20 de Outubro de 2010, resolveu a Presidente da Câmara apresentar Proposta de Concurso de Ideias e Concessão e recuperação do Complexo Turístico da Albergaria Penha do Tejo, mais uma vez afirmando que existem interessados mas não revelando quem são….
Por deliberação maioritária, o Executivo deliberou a retirada da Ordem de Trabalhos tal Concurso de Ideias. (DOC. nº 29)
CONSIDERANDO que após a entrega judicial da Infra-estrutura e dos bens móveis descritos no Ponto da presente proposta, à Câmara Municipal, em 16 de Junho de 2005, na sequência de Acção de Despejo proposta contra a Firma arrendatária, a Presidente da Câmara não pugnou pela segurança dos referidos bens instalando sistema de vídeo vigilância ou guarda física do espaço, ou até, a instalação de vedação de protecção, evitando assaltos e actos de vandalismo,
Não tendo igualmente promovido e concretizado a respectiva manutenção e conservação e o acautelamento dos bens móveis recebidos;
CONSIDERANDO que desde a tomada da posse das instalações da Albergaria Penha do Tejo, não promoveu com a eficácia e o zelo exigíveis a uma gestão racional da coisa pública, as diligências necessárias e adequadas à concretização da concessão do Complexo da Albergaria Penha do Tejo para actividades de Hotelaria, Restauração e Similares, respeitando assim os fins para os quais o mesmo foi financiado e edificado;
CONSIDERANDO que as vicissitudes dos procedimentos concursais relatados e comprovados, são reveladoras de desleixo e de desnorte na administração do património municipal porque para além de terem resultado inócuos, revelaram-se parciais por abrangerem apenas o Bloco 1 da Albergaria, bem sabendo a Presidente da Câmara da debilidade do território concelhio em termos de alojamento, mormente no âmbito da sua inserção no Geopark-Naturtejo e numa estratégia de necessária resposta ao vector da exploração integrada da actividade termal num contexto em que se impunha a obtenção do licenciamento da infra-estrutura como unidade hoteleira e a concessão da sua exploração;
CONSIDERANDO que face à gravidade da omissão de actos e de procedimentos que entendemos terem já provocado avultados danos ao município em termos de lucros cessantes decorrentes da inactividade do Complexo e do consequente não recebimento de rendas, bem como a sua não conservação, delapidação e parcial destruição, relativamente aos quais NÃO SOMOS CONIVENTES E AO INVÈS NOS DEMARCAMOS COM OBJECTIVIDADE E VEEMÊNCIA,
CONSIDERANDO que a Presidente da Câmara tem afirmado que existe interesse por parte de investidores privados em apostar no Complexo sem nunca ter revelado quem são, – afirmou-o pelo menos em 30 de Março de 2007 e em 7 de Junho de 2006 afirmou “terem chegado propostas à Câmara que estão a ser alvo de apreciação”
CONSIDERANDO que os eleitos locais, nos termos do respectivo Estatuto estão vinculados ao dever de salvaguardar e defender os interesses públicos da Autarquia bem como ao dever de cumprir e fazer cumprir as normas legais e constitucionais relativas à defesa dos interesses e direitos dos cidadãos, não se compadecendo a situação com mais delongas ou desleixos que continuem a prejudicar e a envergonhar o Município e os munícipes;
No respeito pelo fim público em que estamos investidos, PROPOMOS:
1 – Que a Presidente da Câmara informe, no prazo de 10 dias, o Executivo sobre o destino que deu aos bens móveis identificados na alínea h) do corpo da presente Proposta, seu paradeiro e estado de conservação.
2 – A realização de uma visita conjunta do Executivo a todas as instalações do Complexo da Albergaria Penha do Tejo, nomeadamente ao seu interior, na manhã do próximo dia 24 de Novembro (quarta-feira), pelas 11.00 horas, acompanhados do Sr. Eng.º Charneco, responsável pela DOEM e pelo Sr. Vítor Reizinho, fiscal, que constituíram a equipa designada pela Presidente da Câmara mediante seu Despacho de 14 de Junho de 2005 (DOC. nº 5) para a tomada de posse efectiva do Edifício da Albergaria Penha do Tejo, devendo fazer-se acompanhar de todas as chaves necessárias, utilizando os eleitos as respectivas viaturas particulares para não onerar o Município.
3 – Que se proceda a um levantamento exaustivo, através da DOEM, do tipo de obras de conservação, manutenção e requalificação consideradas necessárias no imóvel e seu espaço envolvente e respectiva quantificação parcelar e total em termos de estimativa, tendo em vista a elaboração de Caderno de Encargos para o lançamento de Concurso Público para a realização das obras da sua recuperação (caso a sua envergadura, complexidade e/ou dimensão não permitam a respectiva realização por administração directa, situação que o Executivo ponderará mediante análise Relatório circunstanciado que a DOEM deverá elaborar após conclusão do levantamento) e subsequente oferta pública de Exploração à concorrência de mercado, para fins de actividades Hoteleiras, Restauração e Similares, nos termos do Código da Contratação Pública.
4 – As acções descritas supram, devem assumir carácter prioritário durante o primeiro trimestre do ano de 2011, devendo o Orçamento e Plano de Actividades da Câmara Municipal para 2011 contemplar a verba considerada necessária, por estimativa realista, para a realização das obras.
5 – O valor estimado da necessária intervenção de obra deve servir como critério de aferição do valor dos danos materiais sofridos pelo Município, decorrentes da omissão do dever boa gestão, e de administração do património municipal e da sua conservação previstos no artº 68º, nº 2, alínea h) e alíneas j) e f) da Lei nº 169/99, de 18 de Setembro, na sua actual redacção, que salvo melhor e mais fundamentada opinião, a Sra. Presidente não terá observado.
6 – O levantamento do tipo de intervenção de obra a realizar, deverá ser coadjuvado e acompanhado pela jurista da Câmara Municipal e pela Divisão de Desenvolvimento e Turismo para salvaguarda da sua melhor adequação ao fim para que o Complexo Turístico Albergaria Penha do Tejo foi concebido e para o qual será adjudicada a sua exploração.
7 – Que do teor integral da presente proposta, documentos e fotos a ela anexas, para efeitos de fiscalização da aplicação de fundos comunitários e nacionais, manutenção dos equipamentos colectivos objecto de investimento público financiado a fundo perdido, e ainda para efeitos de apuramento de responsabilidade civil e criminal que os factos descritos sejam susceptíveis de configurar, seja dado conhecimento imediato às seguintes Entidades Públicas:
- Ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional; - Ministro da Economia e da Inovação;- Ministro da Justiça;- Presidente do Instituto de Turismo de Portugal;- Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo;- Direcção Regional da Economia do Alentejo;
- Procuradoria-Geral da República;- Representante do Procurador da República do Tribunal Judicial da Comarca de Nisa; - Presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo;Tribunal de Contas;- Inspecção-Geral da Administração do Território; Inspecção-Geral de Finanças;- Direcção Geral das Autarquias Locais
8 – Que as cópias dos ofícios que acompanharão a presente proposta e respectivos anexos sejam entregues aos Vereadores da Câmara Municipal e que das respostas dadas por estes organismos seja a Câmara igualmente informada, através da entrega das respectivas cópias.
ANEXAM-SE: 29 documentos numerados e rubricados
ANEXAM-SE: 3 fotos do actual Complexo e 1 cópia do folheto promocional que circulava à altura do seu efectivo funcionamento
OS VEREADORES DA CÂMARA MUNICIPAL DE NISA
Maria Idalina Trindade e Francisco de Sena Cardoso
Nisa, 17 de Novembro de 2010