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28.8.25

OPINIÃO: Para o ano logo se vê


Os fogos, sempre os fogos para nos atormentarem as férias de verão, nem que seja pelo incómodo passageiro das nuvens de fumo que ensombram os dias de praia. Há anos em que o problema parece estar resolvido, quase nem arde. Mas, na verdade, é só porque o lixo ainda está escondido debaixo do tapete. À espera do tempo certo, para nos lembrar que a destruição acontece por incúria geral.

A destruição é tanto consequência da incapacidade (ou incompetência) no combate ao fogo (numa definição lata, que começa muito antes de ser necessário mobilizar bombeiros e aviões), responsabilidade última do poder político de turno, seja ele qual for; como é consequência das alterações climáticas e do aquecimento global, responsabilidade de todos os que resistimos a prescindir de um consumismo desenfreado; como é consequência da catástrofe demográfica, económica e social que há décadas assola o país, com particular incidência no chamado interior, que na verdade corresponde a uns 80% do território, responsabilidade última de elites políticas provinciais e imperiais, que navegam ao sabor do cálculo político e não da vontade de reformar.

O que será melhor, um país multipolar, com poderes regionais que estão próximos das populações e dos seus problemas, que não sobreviverão politicamente se não forem capazes de garantir algum grau de sustentabilidade económica, social e ambiental aos seus territórios e gentes; ou um país unipolar, com o poder concentrado no Terreiro do Paço (tanto faz que no topo da pirâmide esteja um lisboeta como um espinhense), cujas políticas serão sempre orientadas para a faixa litoral entre Setúbal e Braga, porque é aí que vive a esmagadora maioria dos seus eleitores? A resposta é óbvia, mas não interessa para nada. O verão está a acabar, para o ano logo se vê.

·         Rafael Barbosa – Jornal de Notícias -23 de agosto, 2025