A destruição é tanto consequência da incapacidade (ou incompetência) no
combate ao fogo (numa definição lata, que começa muito antes de ser necessário
mobilizar bombeiros e aviões), responsabilidade última do poder político de
turno, seja ele qual for; como é consequência das alterações climáticas e do
aquecimento global, responsabilidade de todos os que resistimos a prescindir de
um consumismo desenfreado; como é consequência da catástrofe demográfica,
económica e social que há décadas assola o país, com particular incidência no
chamado interior, que na verdade corresponde a uns 80% do território,
responsabilidade última de elites políticas provinciais e imperiais, que
navegam ao sabor do cálculo político e não da vontade de reformar.
O que será melhor, um país multipolar, com poderes regionais que estão
próximos das populações e dos seus problemas, que não sobreviverão politicamente
se não forem capazes de garantir algum grau de sustentabilidade económica,
social e ambiental aos seus territórios e gentes; ou um país unipolar, com o
poder concentrado no Terreiro do Paço (tanto faz que no topo da pirâmide esteja
um lisboeta como um espinhense), cujas políticas serão sempre orientadas para a
faixa litoral entre Setúbal e Braga, porque é aí que vive a esmagadora maioria
dos seus eleitores? A resposta é óbvia, mas não interessa para nada. O verão
está a acabar, para o ano logo se vê.
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Rafael Barbosa – Jornal de Notícias -23 de
agosto, 2025