28.12.25

NISA: Vamos ter saudades da Mari Baraça!


O nome de Maria da Piedade Marquês Mendes, dirá pouco, quase nada, a muita gente. Mas, se falarmos da Mari Baraça, o caso muda de figura. Casada há mais de 40 anos com José da Graça Cebola, camarada da “velha” escola e indefectível e, por vezes, “mourrento”, adepto do Sporting, a Maria Baraça conquistou o apreço e simpatia de grande parte da população de Nisa e arredores, incluindo muitos visitantes  que,  durante 15 anos demandaram o espaço comercial designado por Pastelaria Jardim.

Era ali, atrás do balcão, exibindo o seu sorriso de eleição, ou servindo os clientes no interior do estabelecimento e na esplanada, que a encontrávamos, todos os dias, desde bem cedo, com uma postura corajosa e resiliente de “bradar aos céus”.

Agora, hoje mesmo, a Mari Baraça, despede-se de nós, numa das esquinas da Praça da República. Vai deixar a pastelaria que foi a sua casa e modo de vida durante quinzena e meia. Os tempos obrigam. A saúde do marido, a dificuldade de arranjar empregados, o esforço e desgaste que foi acumulando desde que começou a trabalhar, há mais de 40 anos, obrigam-na a cessar funções e a procurar um meio alternativo de vida, pois esta não para e as despesas ainda menos.

Nós, os seus clientes, habituais ou de tempos a tempos, vamos ter saudades dela, Das brincadeiras, dos ditos à moda de Nisa,  das “picardias” clubísticas” com o marido, da sua simpatia e disponibilidade permanente, mesmo quando os dias se lhe adivinhavam pouco “simpáticos”.

A Maria Baraça suplantava isso com uma estoicidade admirável, vendo a família a aumentar e sentindo, como todas as mulheres de Nisa, o dever de os ajudar.

Vou ter saudades da Mari Baraça e do “mourrento” do marido, amigo e camarada José Cebola.

E, prometo:  doravante, em estabelecimento algum pedirei  um chá verde.

Mário Mendes