Era ali, atrás do balcão, exibindo o
seu sorriso de eleição, ou servindo os clientes no interior do estabelecimento e
na esplanada, que a encontrávamos, todos os dias, desde bem cedo, com uma
postura corajosa e resiliente de “bradar aos céus”.
Agora, hoje mesmo, a Mari Baraça,
despede-se de nós, numa das esquinas da Praça da República. Vai deixar a
pastelaria que foi a sua casa e modo de vida durante quinzena e meia. Os tempos
obrigam. A saúde do marido, a dificuldade de arranjar empregados, o esforço e
desgaste que foi acumulando desde que começou a trabalhar, há mais de 40 anos,
obrigam-na a cessar funções e a procurar um meio alternativo de vida, pois esta
não para e as despesas ainda menos.
Nós, os seus clientes, habituais ou de
tempos a tempos, vamos ter saudades dela, Das brincadeiras, dos ditos à moda de
Nisa, das “picardias” clubísticas” com o
marido, da sua simpatia e disponibilidade permanente, mesmo quando os dias se
lhe adivinhavam pouco “simpáticos”.
A Maria Baraça suplantava isso com uma
estoicidade admirável, vendo a família a aumentar e sentindo, como todas as
mulheres de Nisa, o dever de os ajudar.
Vou ter saudades da Mari Baraça e do “mourrento”
do marido, amigo e camarada José Cebola.
E, prometo: doravante, em estabelecimento algum
pedirei um chá verde.
Mário Mendes
