14.10.18

AMIEIRA DO TEJO: Progresso ou desencanto?

Quem visitar hoje Amieira do Tejo, poderá pensar que a nossa terra atravessa uma grande onda de progresso devido à acumulação de obras públicas que estão em curso na Praça Nun´Álvares, na rua do Arrabalde e Lar de Acolhimento.
No sector privado foi inaugurado há pouco tempo o Turismo Rural no Chão do Prior, único no concelho.
De facto e embora não queira tomar uma posição de derrotismo, o que é verdade é que o desencanto está hoje, mais do que nunca, na mente daqueles que preferem enfrentar a realidade futura, cada vez com menos soluções humanas para fazer face a eventuais tempestades que nos possam atormentar.
No entanto, uma luz ao fundo do túnel parece agora trazer nova esperança a este burgo, com a criação de uma nova associação com um projecto único em Portugal e que dá pelo nome de RURAT.
Trata-se de uma organização composta por gente idónea e responsável, será, pois, importante para a nossa terra que este projecto não siga o exemplo de muitos outros que acabaram, pura e simplesmente, por abortar. É nosso dever como amieirenses, apoiar estes homens que apesar da crise tiveram a coragem de, voluntariamente, abraçar este projecto cujo objectivo é valorizar o património dos seus associados, através de intervenções de beneficiação (obras, cultivos, criação de actividades) arrendamento ou venda.
Esperemos agora que o povo de Amieira entenda a palavra associação e não comece a inventar adjectivos, muitas vezes com a costumada intenção destrutiva.
É preciso pensarmos que Amieira, como a maior parte das terras do interior, está cada vez mais deserta e a grande responsabilidade de tudo isto é das cegonhas que antigamente traziam meninos às carradas e agora, nem vê-los...
Se calhar já estão ricas ou, então, é por causa dos combustíveis!...
Jorge Pires in "Jornal de Nisa" nº 263 – Set. 2008