10.5.15

ALPALHÃO: Postais do Concelho

Frustração

Foi bonito 
O meu sonho de amor. 
Floriram em redor 
Todos os campos em pousio. 
Um sol de Abril brilhou em pleno estio, 
Lavado e promissor. 
Só que não houve frutos 
Dessa primavera. 
A vida disse que era 
Tarde demais. 
E que as paixões tardias 
São ironias 
Dos deuses desleais. 

Miguel Torga, in 'Diário XV' 

9.5.15

BOMBEIROS DE NISA: A notícia da sua fundação

O semanário nisense "As Férias" noticiava, na edição de 17 de Setembro de 1916 e como acima se mostra, a criação dos Bombeiros Voluntários de Niza. Há muito que tínhamos conhecimento deste jornal que, supomos, ter sido o primeiro a ser publicado em Nisa. Foram publicados vinte números nos anos de 1916 e 1917 e só em Setembro do ano passado (2014) tivemos acesso ao conjunto de exemplares de "As Férias".
Por sua vez, o 1º número do  "Jornal de Nisa" saiu a público em 21 de Janeiro de 1998, ou seja, sete anos depois da data em que foi criada a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Nisa que substituiu a Corporação de Bombeiros Voluntários e Municipais até aí existente.
Não se conhecia e só muito mais tarde veio a saber-se da existência de inúmeros documentos - em grande parte depositados nos arquivos da Câmara Municipal - que atestavam a criação dos Bombeiros de Nisa, em 1916, ou seja 21 anos antes da data até então tomada como a "oficial" (1937).
Os elementos da Comissão Instaladora, que eu próprio integrei, não podiam conhecer o que não era do conhecimento público (nem privado) logo, não podiam tomar de ânimo leve, uma decisão respeitante à data de fundação que, a ser tomada, com conhecimento de causa, seria, forçosamente, de ânimo pesado, pensada e reflectida.
O actual presidente da direcção dos Bombeiros Voluntários de Nisa, sabe isso, mas, usando de má fé, vem responder em local impróprio e diferente dos sítios (internet e jornais como o "Jornal de Nisa" e Alto Alentejo") onde os mesmo têm sido dados à luz, desde há mais de dez anos, sentindo-se incomodado com textos que não visam nem nunca visaram a sua pessoa (basta dizer que é presidente da direcção dos Bombeiros apenas desde Janeiro de 2015), antes procuram apenas e tão só que seja reposta a verdade e a justiça.
Os Bombeiros Voluntários de Nisa vão fazer 100 anos de vida! Já o escrevi e comprovei vezes sem conta; já o escreveu e comprovou por A+B o Dr. José Dinis Murta; igualmente apresentou nos serviços dos Bombeiros, há já alguns anos, um dossier com os documentos disponíveis, o senhor Tomás Mariano, entretanto falecido, solicitando, do mesmo modo, o reconhecimento de um acto que é de toda a justiça. E, acrescente-se, o senhor Tomás Mariano, não pertencia à Comissão Instaladora que de "animo leve"  aceitou a data de 1937 como a da criação dos Bombeiros.
Não pretendemos qualquer polémica acerca deste assunto. Queremos apenas e tão só a verdade e o reconhecimento da idade dos nossos Bombeiros. Aliás, nem sequer e ao contrário do que afirma o presidente da direcção da AHBVN temos dado demasiada ênfase ao assunto. O texto publicado no dia 7/5/2015  no "Portal de Nisa" remonta a Maio de 2007. Há um outro, mais completo e recente, publicado o ano passado no semanário "Alto Alentejo" (À Flor da Pele - Bombeiros de Nisa: Honrar a história ou apagar a memória?) a que os seguidores do blog podem aceder clicando na figura colocada na coluna do  lado direito e no qual com diversos detalhes se faz mais luz sobre os primeiros anos de existência dos Bombeiros de Nisa. O título, tal como foi publicado era bem mais "provocante" e exigia uma resposta ou uma tomada de posição dos responsáveis dos Bombeiros, que nunca aconteceram.
Tal como nada disseram ao longo destes anos sobre os artigos que foram sendo publicados sobre o assunto.
Temo que, do mesmo modo, em mais de dez anos, nunca tivessem "mexido uma palha" sobre uma questão tão importante na vida da instituição.
Mas, escreve-se e publica-se que " todos os contributos para repor a história dos Bombeiros de Nisa é sempre de acarinhar". Como? Pedindo licença a Suas Excelências, a quem de direito. 
E, por que não divulga, publicamente,  a direcção dos Bombeiros, todas as diligências feitas ao longo destes anos para repor, junto das entidades competentes,  a verdade histórica, o reconhecimento da data de fundação da Corporação?
Por mim, continuarei a escrever sobre este tema, com verdade e sem má fé, sem atribuir a outros, actos e atitudes que não tiveram, visando, única e exclusivamente, que a justiça seja reposta e os nossos Bombeiros possam, legítima e publicamente, comemorar no próximo ano o 1º CENTENÁRIO DA SUA FUNDAÇÃO.
Mário Mendes

Músicos nisenses dão espectáculos em Castelo Branco

Dois músicos nisenses, com projectos musicais distintos, estarão em palco, em dois espectáculos a realizar no Cine Teatro Avenida em Castelo Branco.
Carlos Alves, o consagrado clarinetista, sobe ao palco no dia 20 de Maio, pelas 21 horas, acompanhado do pianista Constantin Sandu, enquanto Miguel Figueiredo, baixista e fundador do grupo Ar de Bluesy têm espectáculo agendado para o dia 16 de Maio. 
Dois concertos a não perder e que prometem espectáculos de qualidade.
Carlos Alves e Constantin Sandu
Data: 20 de Maio

Cine-Teatro Avenida - Castelo Branco
Programa:
Primeira Parte
Sonata no2 em Mib M para clarinete e piano op. 120 de Johannes Brahms
Primeira Rapsódia para Clarinete e Piano de Claude Debussy
Segunda Parte
Fantasie-Stucke para clarinete e piano op.73 de Robert Schumann
Sonata para clarinete e piano de Francis Poulenc
Entrada: €5,00; Ciclo completo €6,00
Ar de Bluesy
16 de Maio
Cine-Teatro Avenida
O projeto “Ar de Bluesy”, nasceu em Setembro de 2010, tendo a ideia original surgido do músico (Baixista / Guitarrista) fundador Miguel Curvelo Figueiredo, sendo que o objetivo primordial teve o propósito de prestar uma digna e merecida homenagem a dois vultos da música e cultura portuguesa contemporânea, Carlos Tê e Rui Veloso. O Rui constitui, ainda hoje, uma das maiores e mais marcantes influências e referências musicais transversal a várias gerações de músicos. Falar de Carlos Tê! Somos unânimes em considerá-lo um poeta atual que escreve de forma simples mas pensa como os sábios, como atesta, de forma inequívoca, o teor sublime e as mensagens profundas das histórias extraordinárias de suas letras, a quem o Ar de Bluesy faz a devida vénia.
Músicos
Ana Paula Gonçalves – Voz feminina; Carlos Bagina – Bateria; David Capão – Guitarra solista; José Manuel Ourives – Piano / Órgão Hammond; Mário João – Guitarra Ritmo (harmonias); Miguel Curvelo Figueiredo – Guitarra Baixo; Nuno Lança Mota - Voz Principal; Moisés Santos – Percussões.
Entrada: €3,00

CRIME AMBIENTAL: Rio Tejo cheio de espuma

 O Rio Tejo está cheio de espuma e ninguém faz nada. Quando os caudais são baixos aumenta a espuma no Tejo. Que se saiba ninguém investiga ou analisa as águas. 
A imagem desta fotografia é de um amigo e foi tirada esta quarta-feira, 6 de Maio. Poderiam ser duas fotos de dois amigos ou uma dúzia de outros tantos amigos ou um milhar de fotos feitas por um milhar de amigos. É um cenário que se repete a cada dia e em vários pontos do percurso nacional do rio Tejo. Há muitas teorias sobre as causas destes mantos brancos que deslizam nas águas do rio.
Este caso regista-se no açude insuflável de Abrantes mas há registos de que o mesmo acontece na barragem de Belver. Pode até haver desculpas de que a queda de água provoca a espuma. Mas a grande pergunta é se a queda de água provoca uma espuma que teima em não desaparecer e flutua por vários quilómetros empurrada pelas águas do rio, sabe-se lá por quantos quilómetros.
Ontem, 5 de Maio, um amigo alertava-me para o facto de o rio ter um caudal muito baixo, talvez abaixo dos níveis ecológicos, mesmo que ninguém o diga formalmente. O rio Tejo parece um ribeiro de colina e não um rio internacional, tão pouca é a água que leva. Nalguns pontos poderá mesmo atravessar-se a pé. Ora esse amigo dizia-me que se fala muito no cheiro e na cor das águas do rio. Pode ser por estarem mais paradas. Ou não. Como o caudal é menor, os focos de poluição aumentam exponencialmente. Num exercício puramente de senso comum, ora se em dez litros de água colocar um centilitro de corante vermelho fica uma tonalidade. Se juntar mais 90 litros de água a esta mistura a tonalidade passará de rosa a vermelha. Isto é senso comum. Como no rio Tejo poderá estar a passar-se a mesma coisa.

Quanto menor é o caudal mais se notam os níveis de espuma que correm rio abaixo. E o que observo do meu canto, pelo menos que se saiba no domínio público, é que nenhuma instituição política ou ambientalista anda a investigar ou a analisar as águas. Ou tão pouco a falar no assunto. Ou, tão somente, a mostrarem-se preocupados com os caudais, com os cheiros da água ou então com os "litros" de espuma que flutuam pelas águas, pouco, correntes do rio.
Ou então, como o caso não é novo, já estão tão habituados a ver a espuma e a não ligar ao nosso rio internacional que não ligam patavina ao assunto. E estamos na primavera. Como não chove em quantidades que aumentem os caudais estaremos dependentes das descargas das barragens espanholas. Logo, e meramente no senso comum, a coisa vai piorar um pouco mais. A espuma vai continuar a verificar-se. Cada um de nós vai habituar-se a este cenário. As instituições não vão fazer nada.

Se aparecerem duas dúzias de peixes mortos ali num canto qualquer, daqui a umas semanas, aí sim temos as instituições ambientalistas e de inspecção de volta do rio. Enquanto isso não acontece resta-nos olhar a espuma que o rio nos mostra.
Jerónimo Belo Jorge - in www.blackstingnews.com

7.5.15

BOMBEIROS DE NISA: Quase a perfazerem um SÉCULO de existência

Bombeiros de Nisa - 27 de Março de 1922
Não sei se incomodo alguém ou não: é-me indiferente, mas a verdade histórica, baseada em inúmeros documentos, não deixará de vingar, de fazer luz e acordar as (in)sensibilidades adormecidas que teimam em não querer ver o que é óbvio e salta à vista. Os Bombeiros Voluntários de Nisa têm quase UM SÉCULO (100 anos) de existência. Foram fundados em Outubro de 1916. Uma vez mais - e, serão tantas as vezes, quantas as necessárias -  aqui estarei, neste e noutros locais, a proclamar e a exigir o que é de direito para a nossa terra, principalmente para os familiares daqueles que há cem anos formaram o Corpo de Bombeiros Voluntários de Nisa.
Não apaguem a MEMÓRIA! Não destruam a HISTÓRIA de uma das mais prestigiadas instituições de Nisa e do concelho. Comemoremos, com a dignidade, o orgulho e a justiça que merecem, no próximo ano (2016) o CENTENÁRIO da fundação dos BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE NISA.
Mário Mendes
Teor do ofício ao Governador Civil (9 de Novembro de 1916)

Exmo Senhor Governador Civil no Districto de Portalegre
O abaixo assignado communica a Vª Exª para os devidos effeitos que está constituida uma Associação de Bombeiros Voluntarios, que tem por fim socorrer e prover tudo quanto respeita a incendios e outras calamidades e que a sua séde é no largo Heliodoro Salgado.
Junto um exemplar dos nossos Estatutos e regulamento.
Saúde e Fraternidade
Niza, 9 de Novembro de 1916
O 1º Commandante
Anibal Dinis da Graça Vieira

Bombeiros de Nisa foram fundados há 90 anos
Na história das colectividades, principalmente daquelas criadas pela vontade dos homens há muitos anos, existem sempre campos por preencher, lapsos de tempo, em que a memória colectiva, já sem o suporte dos elementos humanos que lhe deram origem, pode vacilar. O que não significa, de modo algum, que se deva, pura e simplesmente, apagar. O caso da fundação dos Bombeiros Voluntários de Nisa é uma daquelas situações que, por tão evidente, não conseguem justificar.
Os Bombeiros de Nisa foram fundados há 90 anos, em 1916. Os documentos que aqui apresentamos, por amável cedência do Dr. José Dinis Murta, apagam qualquer dúvida que, por hipótese, ainda houvesse sobre a criação dos nossos Bombeiros, uma das Corporações mais antigas do distrito. Os dois documentos - e muitos outros que existem sobre o assunto - atestam-no, de forma insofismável.

Há documentos escritos, actas de reuniões, listagem de pessoas que serviram nos Bombeiros, regulamentos e, pasme-se, até fotografias, como aquela que mostramos, tirada em 1922.
A direcção e o comando do Bombeiros de Nisa sabem, conhecem, a existência destes documentos, como sabem que a Corporação de Nisa, dentro de nove anos, será centenária. Pelo bom senso, justiça e razão, apenas por isso e porque a história não pode ser destruída.
Sócios da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Nisa, alguns bastante antigos e ex-bombeiros, têm procurado sensibilizar os corpos directivos para que seja reposta a verdade e a justiça.
Têm deparado com uma barreira e mutismo quase intransponível, num tempo em que, julgavam, não deveriam existir mais verdades absolutas e inquestionáveis.
Nos Bombeiros, parece que não é assim. Em 1937 é que é, é que foi e ponto final.
Tudo isto, dias depois de, em discursos oficiais, se criticar o passado, a repressão e a clausura da liberdade. É irónico, no mínimo.
O que está em causa não é, apenas, uma data e vinte anos de actividade, esquecidos. É mais, muito mais do que isso e, parece, ninguém ainda o entendeu.
O que está, verdadeiramente, em questão, é o esforço, o trabalho, a dedicação de uma geração de homens a uma causa, a dos Bombeiros e esses homens de Nisa, da primeira vintena do século passado, foram os nossos primeiros Bombeiros. Querem nomes? Eles aí vão: Aníbal Diniz da Graça Vieira, 1º comandante; Albano da Cruz Curado Biscaia, 2º Comandante; Júlio Pires Bento, chefe de viatura; Leandro Dinis Melato, chefe de viatura; José Diniz da Graça Vieira, chefe do corpo de salvados; João da Graça Reizinho, chefe de ambulância; Leonardo Alvega de Matos, José Alves Mouzinho Almadanim, Francisco da Graça Zacarias, José Araújo Baptista e muitos mais, Bombeiros.
Esquecê-los, apagar vinte e um anos da História dos Bombeiros de Nisa é um duplo “crime”: contra Nisa e os próprios Bombeiros, e contra os familiares destes homens abnegados que, no início do século passado, abraçaram, como poucos, a causa do voluntariado.
Os Bombeiros de Nisa, actuais, ficarão mais ricos, mais fortes e nobres, honrando a memória daqueles que, há 90 anos os precederam e escreveram uma brilhante página do associativismo nisense.
É tempo, mais do que tempo, de lhes fazermos justiça!
Mário Mendes - 
(Texto de Opinião publicado no "Jornal de Nisa" - nº 231 - 9/5/2007)

Câmara lança concurso de cartaz para a iniciativa "Nisa em Festa" 2015





5.5.15

Início da época termal nas Termas de Nisa a 15 de maio

Programas de Saúde, Lazer e Bem-estar
- Preços sem alteração e inscrição gratuita -
A época termal das Termas de Nisa inicia-se no próximo dia 15 de Maio.  Os preços dos tratamentos termais não sofreram alteração em relação aos praticados no ano anterior e, este ano, a inscrição dos utentes é gratuita, não havendo lugar a qualquer pagamento para iniciar os tratamentos. O Município disponibiliza diariamente transporte entre Nisa e o Complexo Termal.
As águas termais da Fadagosa de Nisa, de natureza sulfurosa, são adequadas para o tratamento de problemas músculo-esqueléticos, respiratórios, metabólicos e dermatológicos. O Complexo Termal dispõem de modernas instalações e equipamentos que proporcionam a aplicação de variadas técnicas, designadamente, hidromassagem-bolha de ar, duche subaquático, duche circular, duche geral de agulheta, duche filiforme para asma, bronquite, sinusite e rinite, duche Vichy, irrigação nasal, aerossol e nebulização. Os tratamentos são ministrados com acompanhamento médico de especialidade e de técnicos de enfermagem e balneoterapia.
As Termas de Nisa dispõem também de uma unidade de SPA que possibilita tratamentos complementares aos aquistas e oferece programas para as vertentes de lazer, bem-estar, preparação e manutenção da boa forma física, proporcionando sessões de hidromassagem, jacuzzi, sauna e passagem parcial relaxante.

3.5.15

OPINIÃO: Despedida a um amigo que partiu

MANUEL
Não pude acompanhar-te, prestar-te como amigo, desculpa-me, família, pois nascendo na Rua da Fonte da Pipa, era assim que se designava, deslumbrava-me… ficava encantado a ouvir-te com tua linda voz a acompanhar a concertina cujo sons, música e canto mal passava a garagem do Senhor Carrilho, ou a loja do Senhor  António Tigelinha, ou do Senhor Correia… se ouvia claramente, depois de passar a casa  dos teus avós maternos, a Senhora Ana e o Senhor Abel, quási em frente da casa onde nasci.
Não pude prestar-te a homenagem que merecias, acompanhar a tua última viagem física.
Que linda voz a tua Manuel!
Disseste-me a mim perante o sorriso de meu padrinho, com quem costumavas passar o tempo numa boa  suecada ou num disputado dominó.
A uma pergunta brejeira…..E a gaita Manuel?....
Que não tocavas há muito e de insistindo eu na brincadeira , veremos se me é capaz de dizer não num certo acto em dia a combinar uns acordes ou músicas que lembrem a nossa meninice
Manuel com o teu desaparecimento físico esvai-se um pouco da glória, da sã alegria  da nossa rua que tu com tua música e voz mantinhas em nível elevado.
Ainda me lembro da figura do teu que partiu tão cedo, apesar de menino vi-te em sofrimento  e da luta impressionante para saber de ti, prisioneiro na Índia, das tuas querida mãe, tua sogra, tua querida mulher… Num desespero enorme!
Como se não bastasse teres perdido o teu pai tão cedo!
Manuel, não tenhas medo…!
Apesar das nossas, permite-me também as minhas lágrimas, não mais desesperos, não mais dores, não  mais medos, desesperos ou aflições, ou gritos porque a tua bondade, a tua presença entre nós foi exemplo, que foste um exemplo, justifica, meu bom, meu distinto amigo este enorme respeito pela tua pessoa e pelo grande artista que desaparece.
Manuel, e voltas a precisar da música que nunca esqueceste para celebrar com tantos amigos que reencontraste… Não digas que não precisas da tua concertina meu amigo!
A tua enorme alegria que retomas! Há-de celebrar-se à volta do canto e da alegria com tantos amigos que começam a chegar nesse comboio cheio de pessoas amigas que te espera,.
Adeus e obrigado meu bom amigo!... Empobrece-se  a minha Rua sem ti, mas olha por ela, para que se arranje como  antes no nosso tempo que se esfuma.
Abraço Fraterno a toda a tua família do sempre amigo,
João Castanho

MAIO. Mês das flores






Minha Mãe - Dedicatória

Quem meus filhos beija, minha boca adoça.
Dia da Mãe, são todos os dias. Sem comércio, nem convenções. Ainda me lembro – antes desta verdadeira “febre” de arranjar datas e significados para justificar tudo e mais alguma coisa, principalmente, a corrida ao consumo - que um dos poucos, quase raros, “Dias”, dedicados a pessoas ou acontecimentos, era precisamente o Dia da Mãe. 
Celebrava-se a 8 de Dezembro, Feriado Nacional e dia de Nossa Senhora da Conceição, que diziam ser a “Padroeira de Portugal”.
Nesses anos já distantes, o Dia da Mãe não provocava “corrida” ao comércio (que não havia) nem à compra de prendas. A mais valiosa prenda e lembrança, consistia num terno beijo e num afectuoso abraço, no reconhecimento da ternura e do amor com que a Mãe nos presenteava todos os dias.

2.5.15

MEMÓRIA(S): A Repressão à la carte

O recorte foi retirado do boletim clandestino "A Verdade" e respeitante a Junho de 1933, o ano da famigerada Constituição Política que deu poderes leoninos ao ditador Salazar. A uns dias do 25 de Abril e um dia após o 1º de Maio, em que as grandes superfícies comerciais (Pingo Doce, Intermarché, Continente, etc.) desafiaram, uma vez mais, as leis da República, fazendo "tábua rasa" sobre o direito ao descanso (Feriado Nacional) no Dia do Trabalhador, trazemos à lembrança, em forma de documento, os tempos de repressão "à la carte" que se abateram sobre a população portuguesa. "Quem não é por nós, é contra nós", era o slogan da Dictadura, derrubada em 1974 pela gesta heróica dos "Capitães de Abril".
É bom que a memória não esqueça!