A concelhia do Bloco de Esquerda de Santa Maria da Feira apresentou
queixas junto da Comissão Nacional de Eleições (CNE), Entidade Reguladora para
a Comunicação (ERC) e Procuradoria Geral da República (PGR) sobre o que
considera ser “uma tentativa descarada de manipulação da opinião pública em
plena pré-campanha eleitoral”.
Em causa estão as entrevistas publicadas nas últimas semanas aos
candidatos do PSD às Juntas de Freguesia de Rio Meão, Escapães, Vila Maior,
Caldas de São Jorge, Mozelos, Fiães, Gião, Miheirós de Poiares, Vale e União de
Freguesias de Sta. Maria da Feira, Travanca, Sanfins e Espargo. Confrontada com
a sucessão de entrevistas a candidatos de apenas um partido, sem que tivesse
sido contactada para o mesmo efeito, a concelhia bloquista questionou o jornal
sobre a situação de evidente parcialidade na cobertura da pré-campanha
autárquica, solicitando o mesmo espaço para as suas candidaturas. Ao não obter
resposta, enviou queixa à Comissão Nacional de Eleições, a quem os responsáveis
do jornal, chamados a pronunciarem-se, não responderam.
A CNE concluiu que “no caso vertente, parece, pois, existir tratamento
desigual das candidaturas, com favorecimento aparente de uma única força
política”, pelo que encaminhou o processo para a ERC, que é a entidade
competente para apreciar e decidir sobre matérias de cobertura e tratamento das
candidaturas em período eleitoral.
Apesar de não ter respondido ao Bloco nem à CNE, quando foi conhecida a
decisão deste organismo eleitoral o diretor do jornal telefonou ao candidato
bloquista à autarquia, Eduardo Couto. E a explicação de Rui Leal, refere a
concelhia em comunicado, é que as referidas “entrevistas” foram pagas a 200
euros por página e que o Bloco não foi contactado com igual proposta por se
encontrar de férias. Após este contacto, Eduardo Couto apresentou uma queixa
junto da Procuradoria Geral da República com a exposição do sucedido.
O candidato bloquista quer que seja apurado se o PSD Santa Maria da
Feira financiou efetivamente a publicação destas entrevistas e se esse
financiamento se encontra devidamente declarado nos termos da lei. Eduardo
Couto exige também que o jornal esclareça qual a natureza dos conteúdos e,
tratando-se de publicidade paga, a razão pela qual isso não foi assinalado nas
respetivas “entrevistas”.
O mandatário da candidatura do Bloco à autarquia dirigiu uma nova
queixa à CNE sobre a publicação destas entrevistas políticas sem declarar que
se tratava de publicidade paga.
Jornal admite (e depois apaga) que as “entrevistas” eram
“publireportagens”
O jornal N veio entretanto a público na quarta-feira, através das suas
redes sociais, afirmando que “nunca se recusou a estar presente em qualquer
apresentação de candidaturas, independentemente do partido político” e que essa
cobertura depende da receção prévia sobre o dia, hora e local do evento.
Mas numa das versões da nota publicada no Facebook - visível no
histórico da publicação - o jornal admitiu que “as chamadas ‘entrevistas’ que
têm sido alvo de críticas correspondem, na verdade, a Publireportagens no
formato de entrevista”. E acrescenta que propôs esse formato a todos os partidos,
à exceção do PCP, Chega e IL, mas que nenhum se mostrou interessado.
In www.esquerda.net