31.12.24

OPINIÃO: Trancaram a porta da paz

O poder da palavra, na política e na religião, é tão mais eficaz quanto mais forem aqueles que nela creem. Só assim podemos esperar que as palavras se traduzam em atos e, num cenário idílico, inspirem mudança. Na mensagem Urbi et Orbi deste Natal, o Papa Francisco voltou a pedir paz. Não se lhe pode exigir outra coisa, por muito que a força dos seus apelos nos soe tão impraticável quanto as proclamações das candidatas a miss Universo. A porta da paz está “escancarada”, exortou Francisco. Mas só por ela passa quem alcançar uma reconciliação plena: primeiro consigo mesmo, depois com os inimigos. Ora, apenas uma elevada crença no divino nos permitirá acreditar que, em 2025, esse ódio cultivado pelas lideranças globais vai ser enterrado. Que as armas serão guardadas e as balas silenciadas. O Mundo que nos espera é um pecado em construção. A Europa hesita entre o que foi e o que quer ser e é hoje capitaneada por impulsos extremistas. Não por acaso, o influente jornal “Politico” acabou de eleger Giorgia Meloni, a primeira-ministra italiana que admira Mussolini, como a personalidade política mais poderosa, capaz de falar com todos - e em particular com o novo inquilino da Casa Branca. Trump é outro dos bloqueadores naturais dessa via aberta para a paz. A sua reencarnação presidencial será movida a vingança e a uma ainda maior impunidade. A mesma que vemos estampada nos rostos de Netanyahu e Putin. E depois a outra guerra, silenciosa, mas intensa, liderada pela China, que se agiganta sem filtros no terreno fértil da influência económica. O Papa Francisco sonha, mas o Mundo não vai nascer de novo. A porta da paz está trancada. • Pedro Ivo Carvalho – Jornal de Notícias - 28 dezembro, 2024

NISA: Memória Desportiva - Corrida de S. Silvestre

NISA: Memórias de Natal (2002) - Concerto com o Coral de S. Domingos

30.12.24

ATLETISMO: 40ª Corrida de S.Silvestre de Avis

No passado sábado, dia 28 de dezembro, disputou-se na vila de Avis, a corrida de S. Silvestre de Avis, uma das mais emblemáticas e antigas de Portugal que já vai na 40ª edição ininterrupta. Marcaram presença no evento 214 atletas oriundos dos mais variados pontos do país, sorrindo a vitória na prova absoluta masculina para o atleta Cristiano Borges do Clube Desportivo Areias de S. João, com um tempo total de 31 minutos e 43 segundo sendo que a vencedora feminina foi Emília Pisoeiro que percorreu os 10 km do traçado em 36 minutos e 14 segundos. Coletivamente a vitória foi para a Casa do Benfica de Abrantes, em segundo lugar ficou o Grupo Desportivo de Rio de Moinhos e o Clube Raquel Cabaço fechou o pódio. No que diz respeito às equipas do distrito de Portalegre a melhor classificada foi a equipa do Centro Vicentino da serra de Portalegre no 5ºlugar, seguida Associação Desportiva Ialbax no 6º lugar e o Atletismo Clube de Portalegre no 7o lugar. Esta competição que integra o circuito de corridas da Associação de Atletismo do Distrito de Portalegre, encerra o ano desportivo de 2024, que se irá iniciar em 2025 com o Triatlo Técnico Regional a disputar na pista de atletismo de Ponte de Sor.

29.12.24

NISA: A 1ª Capa de Natal do "Jornal de Nisa" - nº 23 - 23 Dezembro 1998

NISA: Memória do "Jornal de Nisa" - A visita do Embaixador de Timor-Leste (2007)

A edição nº 245 do "Jornal de Nisa", saída a público no dia 19 de Dezembro de 2007 deu particular destaque à visita do senhor Embaixador de Timor-Leste a Nisa, a convite do Município e da Etaproni, no âmbito do projecto "Escola Solidária". O embaixador Manuel Abrantes deu especial relevo ao gesto dos alunos de Nisa e das acções que desenvolveram com vista à angariação de fundos, materiais diversos e livros destinados à reconstrução de uma escola em Timor -Leste e à implantação de uma biblioteca. Um projecto que o "Jornal de Nisa" acompanhou a par e passo e ao qual deu a devida relevância. “Juventude de Timor expressa estima e gratidão pelo gesto solidário dos jovens de Nisa” - Manuel Abrantes, embaixador de Timor Leste em Portugal Gratidão, apreço, reconhecimento, foram as palavras mais vezes pronunciadas pelo Embaixador de Timor-Leste em Portugal, Manuel Abrantes, durante a sessão de boas vindas que decorreu no Cine Teatro de Nisa e inserida no programa “Dia Solidário com Timor-Leste”. A visita do diplomata timorense a Nisa, a convite dos alunos do curso de Animação Sócio-Cultural da Etaproni, decorreu no dia 5 de Dezembro e teve como objectivo, “marcar o apreço, a afectividade e um sentimento humano de gratidão”, face à iniciativa que está a ser desenvolvida pela Etaproni e outros parceiros, denominada “Escola Solidária”. A visita do representante timorense teve início cerca do meio-dia, sendo recebido nas instalações da Escola Tecnológica, Artística e Profissional de Nisa pelo seu director, Manuel Belo e pela vereadora do pelouro da Cultura da Câmara de Nisa, Fátima Moura, professores, alunos e funcionários. Após o almoço, teve lugar no Cine Teatro de Nisa, uma sessão de boas vindas e de contacto com a comunidade escolar, para além da apresentação e de um primeiro balanço sobre o projecto “Escola Solidária”. Fátima Moura em nome da Câmara Municipal de Nisa, numa curta mas incisiva intervenção, deu as boas vindas e regozijou-se com a visita do diplomata timorense, não deixando de saudar e de dar os parabéns aos alunos do curso de Animação Sócio-Cultural por tão bela iniciativa. “A minha geração, foi apelidada de “geração rasca”, mas o vosso gesto, o vosso trabalho e iniciativa, mostram que os jovens não são “rascas” e que têm bons sentimentos ao agarrarem este projecto e lembrarem-se de que há pessoas que precisam mais do que nós.” A vereadora da Cultura, disse ter abraçado este projecto também a título pessoal, disponibilizando-se para o que for necessário. “Não deixem de acreditar, nem deixem de olhar para aqueles que têm necessidades, continuem com o trabalho e com muita força”, disse a concluir, dirigindo-se aos estudantes. Manuel José Belo, disse ser uma grande honra receber o Embaixador de Timor-Leste e lembrou que a Etaproni foi uma das instituições que estenderam lençóis brancos aquando da campanha de solidariedade internacional pela paz e independência de Timor.
O director da Etaproni congratulou-se com a iniciativa dos alunos de Animação Sócio Cultural que levaram por diante o projecto “Escola Solidária” sublinhando que “em 20 anos de experiência em escolas, sei que os projectos começam com muita força e depois vão perdendo o interesse. Esta sessão é a prova de que este projecto não ficou a meio e estou certo, daqui para a frente ganhará ainda outro estímulo”. Acabou por agradecer aos alunos e coordenador do projecto pela forma determinada e de não terem desistido, reafirmando que os grandes protagonistas são os alunos e professores que tiveram a ideia e a levaram à prática. Manuel Belo explicou que estava ali a “escola toda” porque a escola forma valores e “há um valor, o da solidariedade, que está acima de qualquer outro. Este é um projecto de vitalidade e que reflecte a importância que a Escola dá ao valor da solidariedade”.
Finalizou, agradecendo a disponibilidade e apoio da Câmara e representante do Governo Civil, instituições bancárias que apoiaram o projecto, editora e comunicação social pela divulgação que têm feito desta iniciativa. Cecília Oliveira em representação do Governador Civil, disse ser um grande privilégio estar presente neste encontro e apelidou os alunos promotores do projecto como “os navegadores do século XXI”, navegadores que “vão à procura das nossas raízes”. Num tom emotivo, Cecília Oliveira, salientou que, com esta iniciativa “Timor saltou dos livros de História e Português e os alunos meteram-se por esse mar fora e foram à procura do que Timor tem de bom para nos dar”. Lançou, a finalizar, um apelo aos jovens estudantes. “Não percam estes laços, pois a vossa escola já é uma referência a nível nacional”. Manuel Abrantes explicou o motivo desta visita a Nisa, uma “visita que se insere na política de continuação dos laços de amizade com o povo português. Estou aqui para transmitir o sinal de que a juventude que está em Timor agradece com muita estima e gratidão, o gesto solidário dos jovens estudantes de Nisa”. Numa sala repleta de jovens, Manuel Abrantes começou por agradecer aos estudantes e promotores da iniciativa solidária por Timor-Leste, referindo que era “uma honra estar perante vós”. O embaixador timorense disse que neste dia projectado como Dia da Solidariedade com Timor, “o projecto é uma manifestação especial de carinho, por vossa iniciativa para com os jovens de Timor e o país”, convidando os jovens a pensarem não apenas na Europa, mas também em África e na Ásia, em particular em Timor.
O diplomata expressou a sua gratidão para com o povo português, “um povo com o qual Timor tem laços de amizade e apreço especial, não só pela História mas pela afirmação de quatro séculos de ligação a Portugal. “ Manuel Abrantes, numa lição de humildade, vincou os laços existentes entre Portugal e Timor-Leste, afirmando que “o que nos marca e nos une é a língua comum, materna, de Camões, o português. A nossa identidade nasceu na língua portuguesa e permanece na perenidade dos tempos, a afirmar a independência e a nossa soberania. A língua portuguesa faz a nossa identidade e nos faz entender a todo o mundo, fazendo de nós o oitavo país da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa).” O representante oficial de Timor realçou também o papel da ajuda portuguesa ao seu país, uma ajuda sempre crescente, não só a nível institucional, mas também da sociedade civil. “Tem havido por parte de Portugal, uma grande ajuda a Timor. Para o próximo ano, estão previstos 70 milhões de dólares para apoio bilateral, destinado a três áreas: educação, justiça e desenvolvimento da língua portuguesa. A solidariedade é uma mão amiga para consolidar a democracia num país carente”, disse, antes de concluir, com vibrantes “Vivas” aos jovens de Nisa, a Portugal e a Timor-Leste.

NISA: Memória Cultural – Os Atlas em Nisa - Dezembro de 1965

Várias foram as iniciativas de carácter cultural e beneficência concretizadas no mês de Dezembro de 1965, como nos dá conta uma das edições do “Correio de Nisa” desse mês. O Cine Teatro de Nisa esteve em franca actividade com a exibição de cinco filmes em seis dias. Dia 8 – O Herói do Regimento Dias 12 e 13 – Cleópatra Dia 19 – Barrabás Dia 25 – Búfalo Bill Dia 26 – O Melhor dos Inimigos No dia 21, realizou-se no Cine Teatro um espectáculo a favor da igreja e do Hospital da Misericórdia. Foi representada a peça em dois actos “O Barão de Marvila, da autoria de Artur Horta, por um Grupo de Jovens de Boa Vontade. Os actores foram muito aplaudidos, bem como “Os Atlas”, de Portalegre, que colaboraram na segunda parte. Uma noite de bondade e beleza, altamente construtiva para os homens e Deus. No dia 30, houve novamente teatro, desta vez por iniciativa do Rancho Típico das Cantarinhas de Nisa, dirigido pelo sr. Rodrigues Correia, apresentou mais um espectáculo a favor do Hospital. Subiu à cena o drama em dois actos “Milagre do Pescador” e a hilariante comédia “Não Quere… Mais Nada?

27.12.24

MONFORTE: Inaugurado monumento aos Dadores de Sangue

No dia 14 de Dezembro, teve lugar a comemoração do 17º aniversário do Grupo de Dadores de Monforte. O acontecimento mereceu da Câmara Municipal de Monforte a celebração da data e a inauguração de um memorial em homenagem aos Dadores de Sangue do concelho. Seguiu-se o já habitual almoço ofertado igualmente pela Município de Monforte, que mereceu uma palavra de apreço por parte da Associação dos Dadores Benévolos de Sangue do Distrito de Portalegre.

PORTALEGRE: Assinados Contratos da empreitada para reabilitação de fogos

ELH 2ª fase – Reabilitação de fogos na Rua Prof. Ângelo Monteiro e Rua Coronel Jorge Velez Caroço Foram assinados, a 27 de dezembro de 2024, entre a Câmara Municipal de Portalegre, representada por Laura Velez Galão e a Reerguer – Reconstrução e Construção de Imóveis, Lda., representada por Sergio Morato Mimoso, os contratos relativos às empreitadas “ELH 2ª fase – Reabilitação de um fogo – Rua Prof. Ângelo Monteiro, bloco 1 – 2º esq.” e “ELH 2ª fase – Reabilitação de um fogo – Rua Coronel Jorge Velez Caroço, bloco 4 – 3º dto.”. Enquadradas na Estratégia Local de Habitação – 2ª fase, estas intervenções assentam em dois pilares fundamentais: o melhoramento das condições térmicas e acústicas e das condições de habitabilidade e conforto, com a aplicação de novos materiais. Trata-se de um investimento total de € 223 603,87, com um prazo de execução de 180 dias.

26.12.24

OPINIÃO: Empatia no sapatinho

Na sua raiz, a palavra empatia descende de um vocábulo grego que significava paixão. Percebe-se que a nossa identificação intelectual ou afetiva com o outro seja simples quando ele nos desperta paixão. O mesmo acontece com uma determinada ideia: é fácil aderir ao que nos cativa, nos entusiasma e nos preenche a alma. O exercício de entender o outro e de nos colocarmos nos seus sapatos torna-se substancialmente mais exigente quando tudo nele grita diferença e nos causa estranheza. O espírito de Natal apela à compaixão e ao acolhimento de quem está em sofrimento e em perda. Convida a sentir as mais de 45 mil mortes em Gaza, ou a privação dos dois milhões de portugueses que vivem em risco de pobreza. Correndo o risco de simplificação, torna fácil o desafio a recordar os escombros que existem sempre sob o brilho das luzes. Mais difícil é transportar esse olhar atento e humano para o quotidiano, sem precisar que o Natal tente escavar o melhor que existe em nós. E mais difícil ainda perceber que não basta a empatia quando há confluência e concordância. Estamos profundamente carentes de abertura à divergência. Com as mudanças cada vez mais rápidas no Mundo e os sinais de tensão e polarização que contaminam o quotidiano, a tolerância efetiva seria uma epifania bem-vinda no plano coletivo. Permitiria que tivéssemos menos preconceitos e desconfianças relativamente aos imigrantes, que aceitássemos a diversidade em todas as suas variáveis, que nos empenhássemos em eliminar sucessivamente o ódio e os muros que erguemos entre nós. Obrigaria a abandonar a lógica de bolha e de rebanho para a qual os algoritmos tendem a empurrar-nos. A empatia que procura entender o outro não é uma mera evocação da quadra. É uma escolha de alcance pessoal, mas sobretudo social e político. Tem consequências na forma como nos ouvimos, como lideramos, como definimos ações e prioridades políticas. Faz toda a diferença entre ficarmos fechados na redoma das nossas certezas, ou ativamente de braços abertos para um mundo em que todos contam na sua singularidade. Pessoalmente, não vejo mais universal presente. Inês Cardoso - JOrnal de Notícias - 25 dezembro, 2024

24.12.24

SAÚDE: Monforte junta 35 dadores de sangue e inaugura monumento

Depois de termos chegado às 23 colheitas, um pouco pela maioria dos concelhos do distrito, eis que fechámos 2024. Mas temos já aprovado calendário para o próximo ano. E foi muito estimulante a brigada que empreendemos em Monforte e que pôs no terreno a Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Portalegre – ADBSP, o Grupo de Dadores de Sangue de Monforte e a Unidade Funcional de Imunohemoterapia da ULSAALE. O quartel dos bombeiros local recebeu 35 pessoas dispostas a doar sangue – pormenor que salientamos. Assim como interessante foi a participação do sexo feminino, com duas dezenas de inscrições (57,1 %). Avaliados os presentes, em termos clínicos, quatro deles não puderam concretizar a doação. Mas, em boa hora, saíram de Monforte 31 unidades de sangue total que irão equilibrar as reservas regionais. Quanto a novos dadores, compareceram três, dois dos quais mulheres. Nisa a 04 de Janeiro Temos novo encontro marcado a 04 de janeiro, no centro de saúde de Nisa. E a 11 de janeiro estaremos em Avis, também no edifício do centro de saúde. Sábados na parte da manhã. Aproveitamos para desejar a todos um Feliz Natal e um Ano Novo repleto de momentos benévolos. Não esquecer de visitar: https://www.facebook.com/AssociacaoDadoresBenevolosSanguePortalegre/ JR

22.12.24

OPINIÃO: A paz não tem ideologia

Aproxima-se o Natal, uma altura do ano marcada pela amizade e pelo amor, com a felicidade das crianças no epicentro da quadra. Infelizmente, não é assim em todo mundo e não o podemos esquecer. Nem todas as crianças e jovens têm essa oportunidade. Nem muitas outras oportunidades. O mais recente relatório anual do secretário-geral das Nações Unidas sobre as crianças e os conflitos armados revela um aumento de 21% das violações graves cometidas contra crianças em situações de conflito. É impossível ficar indiferente às 20 mil crianças que morreram desde 7 de outubro de 2023 em Gaza, resultado do conflito israelo-palestiniano, ou às cerca de 7 milhões de crianças e adolescentes que neste momento, na Ucrânia, estão sem acesso à educação devido à invasão russa. Mas infelizmente, tudo isto é ainda mais preocupante, com números elevados de violações graves contra crianças registados na Faixa de Gaza, no Burkina Faso, na República Democrática do Congo, no Myanmar, na Somália, no Sudão, na Síria, na Ucrânia e em muitas outras situações de conflito e guerra. A guerra é mesmo o lugar onde jovens que não se conhecem, nem se odeiam, se matam, e onde crianças morrem, por decisão de velhos que se conhecem e se odeiam. Neste Natal é preciso ficar claro: condenar a guerra e os conflitos não é ser de direita nuns casos ou ser de esquerda noutros. É ser a favor da Paz e da Humanidade. E não basta escrever, é preciso fazer. Portugal deve estar na linha da frente da humanidade, por exemplo, fazendo da educação de todas as crianças uma das suas prioridades a membro não permanente do conselho de segurança da ONU em 2027. Francisco Porto Fernandes - Presidente da Federação Académica do Porto Jornal de Notícias - 20 dezembro, 2024

21.12.24

Alpalhão celebra Natal com o «Presépio Alpalhoeiro”

Nos dias 21 e 22 de dezembro, a vila de Alpalhão, no concelho de Nisa, distrito de Portalegre, será palco do evento «Presépio Alpalhoeiro – Presépio do Povo», uma celebração que une tradição, arte e comunidade, no Mercado de Alpalhão. O «Presépio Alpalhoeiro» distingue-se como uma obra coletiva, elaborada pelos habitantes de Alpalhão, de várias idades, que contribuem com criatividade e técnicas artesanais. As figuras, feitas à mão, utilizam materiais e técnicas diversas, valorizando especialmente as artes tradicionais da região, como os bordados locais. Esta iniciativa reflete a riqueza cultural do Alto Alentejo, ao mesmo tempo que promove novas abordagens artísticas, ligando o passado ao futuro.Gastronomia alentejana Organizado pela Casa d`Alpalhão, sob a curadoria de Maria Pires da Silva, o evento tem como objetivo preservar e divulgar o património cultural local, celebrando a autenticidade e o talento das gerações que dão vida à tradição do presépio.

BOAS FESTAS para todos os Amigos/as e Visitantes deste Blog

18.12.24

TEXTOS DE AUTORES NISENSES (21): José Hilário - O Natal e o pardal

O Natal e o Pardal, que saudades ai! ai! 
O búzio tocou repetidas vezes. Meia hora mais tarde, na taberna do “ti Júlio”, em frente à sacristia, foi feita a contagem do pessoal e verificada a presença dos elementos chave. Pegámos em duas carretas de bois, mas puxadas e empurradas pela rapaziada, até ao Azinhal, em busca de duas azinheiras e um sobreiro, previamente pedidos ao dono, para o lume do Natal. Naquela época ainda não havia moto-serras. Toca a puxar pelo serrote e com machadadas desordenadas, lá fomos transformando as velhas árvores secas, em compridos toros que o lume havia de devorar. O lume foi feito, aliás como sempre, no pequeno largo em frente da igreja. Toda a tarde choveu e a noite previa-se ainda pior. Enquanto as mulheres e as moças em casa faziam as filhozes e as azevias, era tradição e ainda é, os rapazes nascidos no mesmo ano juntarem-se, para à volta do braseiro, assar qualquer coisa e aconchegar o estômago, pois as couves com o azeite por cima, em plena juventude, com tripa de pato, já tinham ido barroca abaixo e a noite era longa. Uma linguiça e um copo de três vinham mesmo a calhar. Na pequena taberna não se conseguia lá entrar, a chuva caía a cântaros, o lume ia-se apagando lentamente e a barriga a dar horas. Podia lá ser uma noite tão especial, depois de um esforço hercúleo, nem lume nem petisco. -Dê o mal para onde der, sem petisco é que não pode ser, disse o magricela do”Espiga”. -Ir à procura de uma galinha, ou melhor ainda, de um galo é que vinha mesmo a calhar. -Aqui bem perto está um na oliveira da Fonte da Bica, disse “Mangas”. O Pardal desapareceu, da taberna, voltando pouco depois com um enorme “galarous” debaixo do casaco. Entretanto o lume tinha-se apagado por completo. Pela cabeça de todos nós passou a mesma ideia. Só faltava mais esta! E agora? O “Galhofas” encontrou a solução. - "Calma rapaziada, na casinha semi-abandonada, onde a minha mãe guarda as velharias, talvez a gente se desenrasque" . Excelente ideia. Aprovada por unanimidade. Lá fomos mais ligeiros que um sargento de infantaria. Mas um galo assado, mesmo grande como era aquele, para tanta malta, com dezassete anos e cheios de apetite não chegava, só se o fizermos guisado, assim já chega. Essa é boa. As trempes, caçarola, lenha, batatas, cebolas, louro e alhos, há aqui, mas o azeite a estas horas da noite? -Desse assunto trato eu - disse o “Pardal” convictamente. Passado pouco tempo apareceu o bom do “Pardal” com uma almotolia quase cheia. Foi o delirio. Já com a barriguinha cheia, o “Clarinete” perguntou ao “Pardal”: -Onde diabo foste tu arranjar o azeite que tem um gosto esquisito? -À igreja. -Não tens raça de vergonha! Roubar a igreja vejam bem. -Estás enganado, não roubei nada. Com o lume do Natal apagado, vi que dentro da igreja havia uma luz muito fraquinha, quase a apagar-se. Resolvi entrar e por mais azeite nas lamparinas, para que os santos ficassem alumiados durante toda a noite. O S. Simão até sorriu e a Nossa Senhora do Rosário de Fátima, com o seu bondoso olhar, autorizou-me a trazer o resto, mas eu prometi-lhes que a minha avó amanhã manda repor o que se gastar hoje. Afinal não é ela quem lá põe o azeite durante todo o ano? E este sempre foi bom ser gasto, pois já tem alguns anos. Entretanto deixou de chover, a noite tornou-se mais acolhedora, cada um foi à procura do “vale de lençóis”, já a pensar no baile à noite, no salão do “ti Reizinho”.
 * José Hilário

17.12.24

BARRANCOS: Animação de Natal

NISA: Cancioneiro Popular (4)

NISA: A festa de Nossa Senhora do Pé da Cruz em 1905

No dia 9 (de Maio) teve logar n´esta villa a festa em honra de Nossa Senhora do Pé da Cruz, promovida este anno pelo nosso amigo Victorino d´Almeida, hábil regente da phylarmonica nizense. Já na véspera tinha havido arraial tocando alli até à meia noite a referida phylarmonica, que se houve à devida altura dos seus créditos, deliciando-nos com trechos de varias óperas, que foram muito aplaudidos pela numerosa assistencia. O nosso amigo Victorino executou com muito mimo e bom gosto uma valsa obrigada a cornetim, que foi, ao terminar, coberta por uma salva de palmas. No dia seguinte, pelas 10 horas da manhã sahiu o peditório acompanhado pela mesma musica e que percorreu a villa e arrabalde, sendo muito satisfatório o resultado. Pelas 11 horas foi levada processionalmente a imagem de Nossa Senhora, para a egreja Matriz, onde em seguida teve logar a missa cantada. Ao evangelho subiu ao púlpito o nosso amigo padre José Diniz, onde, num bem elaborado discurso, pôz em relevo a consagração que todos os povos ainda os mais longínquos, tributam à Mãe de Deus. Dotado de boa voz, e de boa figura, o senhor padre Diniz deixou-nos agradável impressão. Depois do acto religioso, voltou ao Calvário a procissão, onde iam incorporados quatro anjos muito bem vestidos, vários devotos com opas e grande quantidade de povo. Levava o pendão o senhor Guerra que mais tarde foi entregue ao festeiro que no próximo anno realiza esta solenidade. De tarde, na ocasião da venda de ramos, tocou no coreto a phylarmonica Nizense, com a correcção que lhe é peculiar. A comissão que no próximo anno faz esta festa, é composta dos seguintes cavalheiros: Victorino d´Almeida, Viriato da Conceição Carvalho, Augusto Chagas, António Maria e João Piçarra. • Noticias de Rodam – 4 de Junho 1905 FOTO: Capela da Senhora do Pé da Cruz (Caminha)

16.12.24

ALDINA DUARTE. Uma das Grandes vozes do Fado em Portalegre

21 DEZ. SÁB. 21.30H Aldina Duarte Fado | GA | 10€ | M/6 anos Aldina Duarte é reconhecida como uma das grandes vozes atuais do Fado, pela sua personalidade artística inconfundível e pela sua singular capacidade interpretativa. Tem uma intensa carreira de concertos nas principais salas de espetáculo portuguesas e em grandes festivais no país e no estrangeiro. Foi fadista residente durante 25 anos numa das mais relevantes casas de Fado de Lisboa, o “Senhor Vinho”, com direção artística de Maria da Fé. Em 2024, arrisca de novo com um disco todo escrito pela rapper Capicua, com uma nova linguagem poética e temática para o seu Fado. O concerto é um intenso elogio à vida, à música das palavras, ao silêncio, onde a melodia e o ritmo constroem sonoridades únicas que só o Fado tem, através dos instrumentos e arranjos que servem a história cantada e da voz da poesia e interpretação únicas de Aldina Duarte.

NISA. As capas das edições de Natal do "Jornal de Nisa" (2)

NISA: Cancioneiro Popular (3)

15.12.24

NISA: As capas das edições de Natal do "Jornal de Nisa" (1)

MEMÓRIA(S): Textos do "Jornal de Nisa" - O Cantinho do Emigrante

O SONHO Eu sonhei. Um sonho tão lindo, como se fosse uma luz brilhante a invadir-me a alma e me falava tão suavemente, com uma voz de bondade e de amor, pedindo-me que nas minhas orações rezasse pela paz no mundo. Ao mesmo tempo, esta luz movia-se, como se fosse uma estrela cadente a desaparecer no horizonte, como a querer ensinar-me o caminho a seguir. Nisto, estremeci e acordei assustado, como se fosse um pesadelo, encontrando-me lado a lado da minha esposa. Já não consegui adormecer, meditando naquelas palavras tão doces vindas do céu, e acorreu-me à memória as atrocidades das guerras e as tristes recordações que eu vivi na “guerra do Ultramar”, entre fomes e desgraças que temos vindo a acompanhar ao longo dos anos. Os conflitos, as catástrofes e outras calamidades não saíam da memória, chegando mesmo a pensar: será que estamos perto do fim do mundo? Será, este meu sonho, uma mensagem enviada pela providência divina? Se assim for, pedia a toda a humanidade que não tenham ódios e saibam perdoar aqueles que pecaram, porque “Deus é Amor e Bondade”, e Ele não quer que nós vivamos sem ter Paz e Alegria. Eu sei que sou filho do pecado e como pecador que sou, reconheço que traí a amizade de algumas pessoas, por isso, peço perdão àqueles que eu fiz sofrer. Não sou maldoso nem perverso e até tenho a impressão que não sou o homem que escreve estas palavras, tentando procurar explicações ao que me aconteceu. “Todos somos iguais e todos somos diferentes”. Questionando: Cristo foi o homem mais perfeito do mundo e também não agradou a todos, porque foi a opinião pública que o crucificou, por isso todos nós temos o dever de se arrepender para podermos sentar-nos a seu lado. Não estou aqui como profeta, nem para ensinar a doutrina, mas sim a ajudar-vos a preparar a vida que o destino nos traçou. Seja amigo do seu inimigo; ajude os mais necessitados e aconselhe os que andam mal guiados. A violência provoca a morte e a serenidade prolonga a vida. Evitem a vingança, porque esta é um pecado mortal, pois a justiça faz-se com as palavras e não com as acções, até porque são as boas palavras que conquistam os corações. Por esta razão eu nunca irei esquecer aquela luz que penetrou dentro de mim e que chocou a sensibilidade do meu coração, dizendo: “Jesus morreu para nos salvar…” Sejam prudentes e tenham consciência no momento da escolha. Não se deixem iludir, nem convencer com o blá. blá, blá desta gente, porque a religião verdadeira é só uma. Não é raro ver-se pessoas que recorrem aos adivinhadores (bruxos) quando a vida lhes corre mal, ou porque o bem amado os abandonou. Na realidade, deviam afastar-se dessas coisas, para não enriquecerem a “força do Diabo”. Que me perdoem, mas é a inspiração ou a força da vocação que me conduz a escrever estas linhas e deixo-vos com uma citação: “Para ser bem amado, seja amoroso, domine o orgulho e o rancor, e depois verá que viverá feliz.” • António Conicha - “Jornal de Nisa” nº 203 – 15 Março2006

OPINIÃO: A Questão da Palestina e a crise moral da indiferença

“Onde vocês estavam que deixaram isto acontecer?” Esta talvez seja uma das perguntas que as gerações futuras farão aos seus pais quando conhecerem a história do tempo presente e das investidas israelenses contra Gaza e contra o Líbano. Ao que os pais, encabulados, responderão: “o ‘conflito’ israelo-palestino é complicado demais” ou, ainda, se abrigarão sob uma estória de disputa que sempre existiu - mas que em verdade foi produzida apenas no século XX. A insustentabilidade da guerra presente nos oferece uma oportunidade urgente – talvez já vencida - de balanço sobre o que a civilização humana se dispõe a permitir que seja feito em seu nome – e por quê o autoriza. As guerras recentes estão inseridas em disputas de natureza estrutural. Disto decorre a impossibilidade da garantia da paz no Oriente Médio sem uma solução permanente para a Questão da Palestina, endereçando as causas fundantes da violência política dela resultante. A convivência pacífica somente poderá ser resgatada na medida em que sua autodeterminação seja garantida, assim como seu direito a um Estado livre, autônomo, democrático, inclusivo e soberano, assegurando o direito de retorno, memória, reparação e de reforma institucional equitativa. Com dezenas de milhares de vidas ceifadas, o esforço de reconstrução – material e institucional – somente poderá ser empreendido com um cessar-fogo negociado e imediato. A proteção de civis, suas instalações e direitos deve ser garantida sem restrições ou condicionantes. O mesmo vale para o respeito às leis humanitárias e ao direito internacional. Para tanto, se faz imperativa a suspensão imediata da venda de armas, seus componentes e munições – inclusive brasileiras - ao governo israelense. Completado um ano da guerra, somam-se dolos contra a humanidade e crimes de guerra denunciados por agências internacionais, em franca violação às Convenções de Genebra e ao direito internacional humanitário consuetudinário. Eles incluem o uso de força desproporcional contra civis e infraestrutura civil, ausência de distinção e/ou dano intencional aos chamados indivíduos protegidos, transferência populacional forçada, restrição à entrada de alimentos, remédios, eletricidade e água, resultando em emprego de punição coletiva, e o uso ilegal de munições incendiárias de implementação restrita a zonas não civis. Por fim, a não salvaguarda e preservação do patrimônio, propriedades e instituições culturais violam a Convenção de Haia para a Proteção de Propriedade Cultural. A permissão gratuita da morte indiscriminada nos coloca defronte à crise moral moderna e de valores humanos fundamentais. Pois se a própria sociedade internacional construiu, coletiva e democraticamente, os instrumentos multilaterais do direito internacional e suas convenções sob a égide da garantia dos direitos fundamentais dos homens e dos cidadãos, sua apatia quando estes mesmos direitos estão sendo francamente violados postula, no mínimo, um colapso institucional, moral e valorativo. É urgente que a humanidade, representada pelos diferentes países e seus governantes, passem a agir como se as gerações futuras estivessem aqui, como se estivessem observando atentos tudo o que herdarão. O futuro é agora. Que esta crise convide a comunidade internacional a abandonar o excepcionalismo reservado à Israel, renunciando a qualquer tipo de seletividade ao empenhar-se em garantir equidade quanto ao direito à vida, à liberdade e à humanidade. Talvez então possamos dizer aos nossos filhos, não encabulados ou cabisbaixos, mas orgulhosos, que tivemos a coragem – ainda que tardia - de estar do lado certo da história. Resta-nos questionar se ainda haverá tempo suficiente para tanto. --------------------------- Natalia Calfat (Doutora em Ciência Política e presidente do Instituto da Cultura Árabe); João Baptista Vargens (Professor Titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro e ex-vice-presidente do ICArabe); Soraya Smaili (Professora Titular da Universidade Federal de São Paulo e coordenadora do Centro de Estudos Sociedade, Universidade e Ciência) e Murched Taha (Professor Livre-Docente da Universidade Federal de São Paulo e ex-presidente do Instituto da Cultura Árabe).

NISA: Memórias de Dezembro - 1º Passeio TT "À Descoberta do Concelho de Nisa" - 9.Dez. 2006

14.12.24

OPINIÃO: Maria e Paulo, apenas uma história triste

Quantos de nós, que moramos nas grandes cidades, sabemos o nome dos nossos vizinhos, lhes falamos com frequência, lhes damos os bons dias e duas de conversa à janela ou à porta? Quantos de nós já paramos para pensar: já não vejo aquele vizinho há algum tempo... A resposta a estas perguntas é demasiado óbvia: somos poucos, assustadoramente poucos. As comunidades urbanas são casulos de egoísmo e de rotinas cegas. Não enxergamos o óbvio porque não paramos o suficiente. Os dias são vividos a grande velocidade, cada um encaixado no seu universo de prioridades. Como se tivessemos medo de chegar tarde a lugar nenhum. A história de Paulo Galvão e de Maria Emília é um desgosto recorrente: um filho e uma mãe foram abandonados à sua sorte na maior cidade do país. Morreram sozinhos, em casa, em pleno coração de Lisboa, no mais vergonhoso silêncio. Ele primeiro, supõe-se de causas naturais, a mãe, acamada e doente de Alzheimer, depois, pelas mesmas razões. Ao estranhar a quietude doméstica, a mulher, de 92 anos, levantou-se, caiu e fraturou uma perna. O filho, de 63 anos, já estaria morto há vários dias. Os vizinhos não deram por (quase) nada. Paulo deixou de ir ao pão, não atendia o telemóvel, já não era visto nos afazeres do costume. Mas foi o atraso no pagamento da renda que fez soar o alerta entre quem fazia a cobrança. Maria e Paulo não moravam na pobreza, viviam num bom prédio, numa zona nobre do Bairro de Santos, eram a típica família de classe média alta. Não há, por isso, nenhum complexo socioeconómico que possamos invocar na caraterização deste caso. Naquela zona de Lisboa, e podíamos extrapolar facilmente para outras geografias urbanas, os velhos empoleiram-se no beiral das janelas para amparar a solidão na agitação das ruas, num frenesim tão sonoro quanto o silêncio que forra as paredes de tantas casas. A história de Maria e de Paulo é só uma história triste. • Pedro Ivo Carvalho – Jornal de Notícias - 14 dezembro, 2024

13.12.24

OPINIÃO: Lembram-se do menino sírio morto na praia?

A guerra civil na Síria fez, desde 2011, meio milhão de mortes civis, sete milhões de deslocados internos e outros cinco milhões que fugiram para os países vizinhos. E mais de um milhão de refugiados na União Europeia, durante o êxodo de 2015. Talvez o leitor ainda retenha na memória o nome de Alan Kurdi. Não? E se lhe falar da foto de um menino sírio de três anos, de bruços na areia de uma praia da Turquia, morto na sequência do naufrágio do barco insuflável em que a sua família tentava chegar à terra prometida? Um tempo em que, numa Europa ainda solidária, se considerava uma ignomínia levantar uma cerca de arame farpado, para conter gente desesperada, como fez Viktor Orbán na Hungria. Um tempo em que Angela Merkel era chanceler da Alemanha e garantia que a Alemanha (e a Europa) tinha a capacidade e a vontade de acolher todos os deserdados que vinham a caminho. Nos dias que correm, o equilíbrio de forças mudou. Merkel deixou a chancelaria e Orbán alicerçou o seu poder autocrático em Budapeste. Foi a sua retórica anti-imigração, xenófoba e racista que prosperou no discurso político. Primeiro, nos partidos de direita radical e de extrema-direita. Depois, contaminando o discurso e políticos da direita à esquerda. Hoje, os governos atropelam-se para anunciar a sua indisponibilidade em acolher mais um sírio que seja. Se o regime caiu e o ditador se refugiou em Moscovo, a Síria passou a ser um lugar seguro. Mesmo que o grupo que tomou o poder em Damasco tenha raízes no terrorismo islâmico. Mesmo que a guerra perdure nos diferentes territórios e entre as diferentes etnias e grupos religiosos desse Estado falhado, mesmo que as infraestruturas, as casas e a economia estejam destruídas. Se não há Assad, não há refúgio, dizem os governos da Suécia, Itália, Grécia, França, Bélgica e até da Alemanha. Na Áustria, prepara-se um plano de deportação. A memória de Alan Kurdi dissolveu-se na areia de uma praia do Mediterrâneo. • Rafael Barbosa- Jornal de Notícias -12 dezembro, 2024

11.12.24

MUNDO: Assad caiu: Paz e liberdade para a Síria?

Ecologistas em Acção avalia o fim do regime autoritário de Assad na Síria e apela ao redobramento de esforços para desenvolver um internacionalismo que lute pela paz e pela libertação dos povos. Insta também ao boicote e à sanção internacional dos patrocinadores da guerra, sejam eles chamados Rússia, Israel, Turquia ou Estados Unidos. Depois de mais de uma década de guerra na Síria, o regime de Assad caiu em menos de dez dias de ofensiva de grupos de oposição. 54 anos de regime autoritário, sem direitos políticos e liberdades civis efectivas, apoiado por um aparelho policial e de segurança destinado a prevenir qualquer dissidência. O desgaste de Assad e a sua falta de apoio civil, militar e da administração estatal foram tais que a resistência à ofensiva militar da oposição tem sido inexistente. Só o apoio do Irão e da Rússia manteve um regime que provou ser um tigre de papel. A situação que se abre é claramente incerta, mas a queda do Regime abre possibilidades que até agora eram impossíveis e está a ser amplamente celebrada pela população. Não podemos saber se será aberto algum tipo de processo constituinte de uma nova Síria ou se, no pior dos cenários, a Síria terminará como a Líbia após a derrubada de Gaddafi: um território nas mãos da arbitrariedade da diversidade de forças armadas facções. A força do grupo islâmico Hayat Tahrir al-Sham (HTS), com ligações anteriores ao ISIS ou à Al Qaeda, e o Exército Nacional Sírio (SNA) pró-turco representam o maior perigo e incerteza para o futuro imediato da população síria. Mas a guerra não terminou com a queda de Assad. Embora os grupos de oposição do sul, o HTS e a Administração Autónoma do Norte e Leste da Síria (AANES) abram a porta à negociação, os grupos pró-turcos do SNA continuam, pressionados pela Turquia, a sua guerra colonial contra a população curda nas cidades. do norte e pela derrubada da AANES. Mais de 100.000 civis foram deslocados pela ofensiva pró-turca que continua a matar civis [1] e a atacar cidades e vilas. Além disso, Israel aumentou os seus ataques contra o território sírio nos últimos dias e aumentou o território que ocupa ilegalmente nas Colinas de Golã. A situação na Síria é inseparável da ordem internacional do século XXI: o crescente compromisso com a guerra e o desaparecimento prático de todas as instituições mediadoras internacionais que trabalharam pela paz. O genocídio na Palestina, a invasão da Ucrânia ou a ocupação de Afrin fazem parte do mesmo projecto político reaccionário que descarta a paz e a resolução política dos conflitos, para construir um mundo militarizado tanto económica como politicamente. Da Ecologistas em Acção apelamos a redobrar esforços para desenvolver um internacionalismo que lute pela paz e pela libertação dos povos, bem como para boicotar e sancionar internacionalmente os patrocinadores da guerra, sejam eles chamados Rússia, Israel, Turquia ou Estados Unidos . Mesmo com a complexidade da situação, só uma solução que coloque a paz, a democratização e a participação popular no centro poderá constituir uma Síria livre. In Ecologista en Acción - 12/10/2024 [1] https://anfespanol.com/rojava-norte-de-siria/ataque-armado-con-drones-en-ayn-issa-12-muertos-5133

10.12.24

OPINIÃO: Imigrantes, sim, obrigado

Por mais raides junto das comunidades imigrantes, aparentemente com o objetivo de fazer com que os cidadãos acreditem numa evidência que os registos de criminalidade comprovam, porque Portugal é um dos países mais seguros do Mundo, o Governo acaba de reconhecer a necessidade de facilitar a entrada de trabalhadores estrangeiros. Não deixa de ser irónico, porque os primeiros meses deste Executivo, ainda com vida curta, têm sido acompanhados por uma aproximação ao discurso mais à direita no que concerne às políticas de imigração, eventualmente tendo como objetivo captar a simpatia do eleitorado do Chega. Um país envelhecido como o nosso, cujo crescimento demográfico depende cada vez mais dos filhos de estrangeiros, terá de dar condições a quem chega à procura de uma vida melhor se quiser crescer e cumprir com as metas europeias. Os alarmes soaram face ao perigo de derrapagem nos prazos de execução do Programa de Recuperação e Resiliência (PRR), obrigando o Governo a rever o regime de acesso de estrangeiros de forma a preencher carências em vários setores. Como escrevia há um par de dias o jornalista Delfim Machado no “Jornal de Notícias”, só na construção estão em falta 80 mil trabalhadores, de que o país precisa como de pão para a boca se quiser concluir a tempo as obras do PRR e outras. Sem querer reconhecer o óbvio, a extrema-direita insiste no discurso xenófobo, aproveitando e inventando oportunidades para cavalgar a onda anti-imigração. Não é só em Portugal que acontece, é verdade, mas no caso do nosso país é ainda mais incompreensível e intelectualmente desonesto, perante as dificuldades enunciadas. • Vítor Santos – Jornal de Notícias - 08 dezembro, 2024

NISA: Concerto de Natal na Igreja do Espírito Santo

10 DE DEZEMBRO - Dia Internacional dos Direitos Humanos

O Dia Internacional dos Direitos Humanos é comemorado anualmente a 10 de dezembro, a data em que a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi adotada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1948. O Dia Internacional dos Direitos Humanos é celebrado anualmente a 10 de dezembro, honrando o dia em que a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou, em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, onde se enumerava os direitos básicos que devem assistir a todos/as os/as cidadãos/ãs.A data visa homenagear o empenho e dedicação de todas as pessoas que defendem os direitos humanos e erradicar todos os tipos de discriminação, promovendo a igualdade entre todos/as os/as cidadãos/ãs. Fonte: “CNC – Centro Nacional de Cultura”