Sabia
que…
… O linho
foi no passado a maior fonte de receita dos lavradores do Arneiro, Duque e
Pardo? No ano de 1855 “…os Montezinhos se adiantavam um pouco mais, por não
terem terras de safra , mas n´estes últimos tempos, como tem deixado bons
proventos, e é muito perguntado, todos em geral o semeiam, e em quantidade, que
n´este anno, houve lavrador, que semeou 40 alqueires de linhaça e mais e o
preço regulou por oitocentos réis a pedra (oito arráteis) (1), e produziu por
um cálculo aproximado sete a oito pedras por alqueire, e recolheram-se em todo
o concelho para mais de 10,000 pedras".(Motta e Moura, 1855).
Do linho
faziam-se as melhores peças do enxoval e as camisas domingueiras do vestuário
masculino. Mas antes de o tecer havia que o semear em fins de Outubro, que o
mondar pela Primavera, e que o arrancar ao princípio do Verão. Durante os cinco
dias seguintes dormia sobre a terra para perder o viço. Depois era vê-lo,
louro, atado em molhos que secavam ao alto para amadurecer a semente, a
linhaça. Alagava-se, mais tarde, no Tejo, junto aos Moinhos, aí permanecendo
cerca de nove dias, altura em que de novo se erguia em molhos para enxuga. A
seguir era colocado em cima de uma pedra e com um pau redondo era batido até
que a casca do linho ficasse moída. Enquanto os homens maçavam, as mulheres,
com gramas, limpavam-no de cascas e arestas. Em seguida era penteado no sedeiro
e finalmente, já separado da estopa, era enrolado numa roca, fiado e feito em
meadas que, depois de lavadas em água corrente, eram mergulhadas na barrela,
numa calda com água e cinza. Escorridas as meadas, eram estas levadas a um forno
tépido, sobre pedaços de cortiça, e tapadas com um pano embebido na mesma
calda. Tapavam-se bem todas as fissuras do forno (usando cinza e bosta de boi)
e aí ficavam durante três ou quatro dias. Uma vez retiradas do forno,
lavavam-se nos ribeiros e coravam-se em cima de junco ou palha e, depois,
fazia-se a barrela: metiam-se as meadas num cesto, e cada camada era aspergida
com cinza e água quente. Aí ficavam de um dia para o outro, até serem de novo
limpas pelas águas correntes dos ribeiros. Por fim eram dobadas e levadas a
tecer A cultura do linho foi das primeiras a ser abandonada quando começaram a
escassear os braços para a agricultura, e os seus tecidos frescos, de brancura
imaculada, tornaram-se luxos ciosamente guardados para os filhos e os netos.
(1) -
Arrátel, antiga medida de peso, equivalente a 459 gr .
Texto e
foto retirado de "O Montezinho" - Boletim da freguesia de Santana