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9.4.17

OPINIÃO: Tejo - Hotel Portas de Ródão em Nisa e muita propaganda

Fica-se incrédulo, mesmo após parecer negativo da Agência Portuguesa de Ambiente e CCDR Alentejo, irá arrancar importante projeto nas Portas de Rodão, concelho de Nisa, um Hotel. E quem o anuncia?  Personalidades importantes, visões que extravasam limites. Os senhores presidentes das câmaras ribeirinhas do Alto Tejo e o presidente da região de turismo do Alentejo e Ribatejo! Investidor, vice presidente da Tecnicelpa, um senhor responsável, uma ligação ás industrias das celuloses, promotor do eucaliptal (Celtejo, Navigator, Renova, Caima...).
Tudo dentro da legalidade, claro. Bem vindos projetos para as margens ribeirinhas Tejo, valorize-se tão importante recurso. Mas se tivermos um rio poluído, esgoto das industrias da pasta de, papel de Vila Velha de Rodão, de que servem os investimentos? Falta o essencial, um rio e não um esgoto.
Ai o nosso Tejo tão bonito, tanta água! Charcos enormes de água parada, salobra sem vida, entre Vila Velha de Rodão e a Barragem do Fratel. Não é verdade, amigos pescadores do Arneiro (Nisa), centenas de quilómetros para sobreviver? Não têm que pescar nas barragens do Alqueva e do Maranhão!
Esta é que é verdade, isto ou vamos todos trabalhar para Celtejo, Navigator com alojamento subsidiado pela autarquia local.
Bem-haja ideias para dar vida ao rio que passa na nossa aldeia, mas é para desconfiar, então um projeto, assim desta forma! Com estes intervenientes, precisamente os que têm contribuído, ou que não se têm erguido, para que se chegasse a esta situação calamitosa. Parece que se anda a brincar.
José Maria Moura (AZU)

19.1.16

IN MEMORIAN: Prof. Moura faleceu há 10 anos

Se ainda estivesse entre nós, o professor Moura completaria hoje, dia 19, setenta e dois anos de vida. Faleceu há 10 anos, a 11 de Janeiro de 2006. Partiu do nosso convívio um cidadão multifacetado, dinâmico, interveniente, dedicado à sua comunidade, à elevação dos padrões de qualidade de vida dos seus concidadãos e que nos deixou um raro exemplo de participação cívica e de trabalho em prol da dignificação do concelho e que hoje, aqui lembramos, na notícia que publicámos na edição de 18 de Janeiro do "Jornal de Nisa".
Desportista, professor, cidadão íntegro
José Maria Pinheiro Moura, 61 anos, professor aposentado, faleceu na passada quarta-feira, dia 11 de Janeiro, na sua casa em Alpalhão.
A notícia da sua morte inesperada colheu toda a gente de surpresa e passou a ser o tema de todas as conversas entre pessoas de todas as idades que se interrogavam, incrédulas, com o falecimento de uma figura popular, não só de Nisa, sua terra natal, como em Alpalhão onde residia há 40 anos e um pouco por todo o distrito e região, onde a sua acção como professor, desportista, dirigente associativo e autarca era conhecida.

Não constituiu, por isso, um acontecimento inesperado, os milhares de pessoas que de todas as partes do país vieram até Nisa na manhã do dia seguinte, quinta-feira, despedir-se do amigo, do antigo professor, do treinador, do colega de equipa ou de profissão, numa impressionante manifestação de dor e despedida que ficou assinalada como das maiores que se fizeram na terra que o viu nascer.
Crianças, jovens, adultos e idosos, gente de todas as condições e profissões, integraram o extenso e compacto cortejo fúnebre que desde a Igreja da Misericórdia, numa imensa mole humana que inundou, como se fosse um mar de gente, as ruas Direita, Porta da Vila, da Fonte e da Fonte Nova até ao cemitério municipal, acompanhando os restos mortais de professor José Moura, numa derradeira, comovente e dolorosa despedida.

José Maria Pinheiro Moura partiu e deixa muita saudade.
Pelo seu carácter, pelo seu empenhamento, pelo seu dinamismo, pela sua postura de homem vertical e democrata.
Na simplicidade de um adeus, dir-lhe-ei apenas: repousa em paz!
Mário Mendes

13.10.14

OPINIÃO: Desabafo(s) e... nada mais!

Nesta foto estou eu e a minha Mãe num lar em junho deste ano.
Quando construí a minha casa fiz um quarto a pensar que um dia quando minha Mãe fosse velhinha terminaria aí os seus dias.
Infelizmente em setembro do ano passado tive que procurar um lar para minha Mãe, as circunstâncias da vida não me permitiram cuidar Dela.
A minha Mãe trabalhou uma vida inteira para patrões que nunca lhe fizeram descontos para a Segurança Social por isso apenas tem uma reforma de 300 euros.
A minha Mãe é o exemplo de MÃE, doente dos ossos desde nova criou dois filhos com muitos sacrifícios, sempre me lembro do meu Pai doente e morreu com 54 anos.
A minha Mãe já não tem o aspeto desta foto, foi definhado aos poucos naquele lar, hoje está amarrada a uma cadeira de rodas ou numa cama, tanto gritava como gemia, queria vir para Nisa…hoje só geme…continua a querer vir para o lar de Nisa mas perdeu a força e a vontade de viver, está com demência isquémica e infeção renal ( no dia 5 de outubro esteve todo dia nas urgências de um hospital, mas foi reencaminhada para o lar, “já tem 82 anos”).
Em Nisa há dois lares; o dos ricos (com vagas) e o dos menos ricos que sinceramente não sei se tem camas livres ou não e também não sei muito bem como se lá entra…
A minha Mãe está inscrita no dos menos ricos (antigo asilo para carenciados) há um ano, mas na altura da inscrição disseram-me logo que havia mais de oitenta velhinhos a sua frente, mas também me iam dizendo para falar com este e com aquele que ela entraria… apenas sei que há tempos me disseram que ela ia entrar “dentro de dias” pela segurança social, mais tarde disseram-me que já não entrava por já estava numa instituição…mas se conhecesse bem o fulano da tal segurança social talvez…Nesse dia tive vontade de por a minha Mãe num carrinho de supermercado e depositá-la em frente a um qualquer lar de Nisa…
A minha Mãe já não tem muito mais tempo de vida, continua a sonhar com o lar de Nisa, quando eu ou o meu irmão lá vamos, pensa sempre que a vamos trazer e nós desfazemos-nos em desculpas estúpidas…
Tirem as ilações que quiserem…um dia deste vou-me inscrever no asilo de Nisa, para se lá chegar ter vaga…
Sinto revolta e desânimo, só queria que a minha Mãe terminasse os seus dias na sua terra, próxima dos seus amigos...
Graça Moura