17.2.10

NISA: Retratos Pequenos e Breves do Património Cultural e Natural (4)

Continuação da divulgação do original
Retratos Pequenos e Breves do Património Cultural e Natural do Concelho de Nisa” – 4/17
José Dinis Murta, in Nisa Viva – Revista de Cultura e Desenvolvimento Local, n.º 17, Dezembro 2009, págs. 3/14.

E o que é que está definido para a protecção e valorização do património cultural?

Pormenor da capela-mor da Capela do Calvário – Amieira do Tejo
(Fotografia não incluída no texto original de “Retratos …”)
As bases da política e do regime de protecção e valorização do património cultural estão estabelecidas na Lei 107/2001, de 8 de Setembro, que substituiu a Lei n.º 13/85, de 6 de Julho, por esta nunca ter sido regulamentada.
Desta nova, actual e extensa lei (tem 115 artigos) respigamos, do articulado no artigo 2.º (“Conceito e âmbito do património cultural”), do título I (“Dos princípios basilares”), alguns números:
“Para os efeitos da presente lei integram o património cultural todos os bens que, sendo testemunhos com valor de civilização ou de cultura portadores de interesse cultural relevante, devam ser objecto de especial protecção e valorização.” (n.º 1)
“A língua portuguesa, enquanto fundamento da soberania nacional, é um elemento essencial do património cultural português.” (n.º 2)
No interesse cultural relevante dos bens que integram o património cultural este normativo designa o “histórico, paleontológico, arqueológico, arquitectónico, linguístico, documental, artístico, etnográfico, científico, social, industrial ou técnico”. (n.º 3)
E diz-nos que este interesse cultural dos bens que integram o património cultural “reflectirá valores de memória, antiguidade, autenticidade, originalidade, raridade, singularidade ou exemplaridade”. (n.º 3)
“Integram, igualmente, o património cultural aqueles bens imateriais que constituem parcelas estruturantes da identidade e da memória colectiva portuguesas.” (n.º 4)
“Integram o património cultural não só o conjunto de bens materiais e imateriais de interesse cultural relevante, mas também, quando for caso disso, os respectivos contextos que, pelo seu valor de testemunho, possuam com aqueles uma relação interpretativa e informativa.” (n.º 6)
“A cultura tradicional popular (…) constitui objecto de legislação própria.” (n.º 8)
Ora, em linhas gerais, parece que estamos definidos, mas voltemos à Lei:
Artigo 3.º (“Tarefa fundamental do Estado”)
“1 - Através da salvaguarda e valorização do património cultural, deve o Estado assegurar a transmissão de uma herança nacional cuja continuidade e enriquecimento unirá as gerações num percurso civilizacional singular
2 – O Estado protege e valoriza o património cultural como instrumento primacial de realização da dignidade humana, objecto de direitos fundamentais, meio ao serviço da democratização da cultura e esteio da independência e da identidade nacionais.
3 - O conhecimento, estudo, protecção, valorização e divulgação do património cultural constituem um dever do Estado, das Regiões Autónomas e das autarquias locais.”
E da Constituição da República Portuguesa do seu artigo 78.º transcrevemos:
“1. Todos têm direito à fruição e criação cultural, bem como o dever de preservar, defender e valorizar o património cultural.
2. Incumbe ao Estado, em colaboração com todos os agentes culturais:
c) Promover a salvaguarda e a valorização do património cultural, tornando-o elemento vivificador da identidade cultural comum;”
Mas quais são concretamente os bens que fazem parte do património cultural do concelho de Nisa?
(continua em 5/17) - José Dinis Murta

14.2.10

NISA: Retratos Pequenos e Breves do Património Cultural e Natural (3)

Continuação da divulgação do original
“Retratos Pequenos e Breves do Património Cultural e Natural do Concelho de Nisa” – 3/17
José Dinis Murta, in Nisa Viva – Revista de Cultura e Desenvolvimento Local, n.º 17, Dezembro 2009, págs. 3/14.
Foi a teoria. Concretizemos: O menir do Patalou é um bloco granítico que o homem retirou da natureza (onde e como?), afeiçoou, ergueu (como?) há 4.000/5.000 anos e utilizou como marco territorial, calendário ou relógio astral, santuário, símbolo da fecundidade/fertilidade, ou sabe-se lá! Depois deixou de se servir dele (quando e porquê?) e a natureza ou o próprio homem derribou-o (quando e porquê?). Sem préstimo ficou esquecido e perdido, um simples pedregulho que até poderia ter sido fragmentado e utilizado na construção dos muros da propriedade onde se encontra. Há poucos anos o monólito pela sua forma fálica chamou a atenção a quem tinha conhecimentos na matéria, um feliz acaso.
Um menir - disse a voz científica/arqueológica. Agora será usado para ajudar a conhecer o passado – um bem arqueológico e histórico -, mas também para efeitos turísticos - turismo cultural.
A Associação Nisa Viva estabeleceu os contactos necessários – científicos, humanos, económicos - para o estudo e erecção do monumento e para possibilitar futuras visitas – proprietário do terreno, Universidade de Évora e Câmara Municipal de Nisa. Tudo foi concertado, porém está tudo parado, o poder político, que tem o poder económico para financiar os trabalhos calou a sua vontade (porquê?), contrariamente à comunicação social, que de vez em quando o traz às primeiras páginas. O menir continua a ser um bem cultural, porém pretende-se a sua utilização com funções/objectivos distintos daqueles para os quais foi feito (Figura 3).
Figura 3 - Menir do Patalou (Dezembro de 2009)

Como nem todos os bens poderão ser protegidos e valorizados, no momento de decidir o que deve ser protegido há que estabelecer critérios de valor e de prioridade, tomar opções e sacrificar uns em favor de outros. É aqui que se geram, por vezes, acesas discussões e se clarifica, ou não, a valorização do bem. Interesses económicos, a marcha impiedosa do progresso, a comunidade científica, o poder político ditam soluções – a arte rupestre do vale do Tejo ficou submersa na albufeira da Barragem do Fratel, mas a de Foz Côa encontrou uma solução diferente.
A protecção e valorização dos bens de particulares dependem do seu proprietário (pode fazer dele o que entender – doá-lo, vendê-lo, até destruí-lo – adentro de determinadas limitações impostas pelas normas legais, concelhias, regionais, nacionais, europeias e universais, escritas ou consuetudinárias, pelos costumes e pela moral ou religião). Há património privado que recai na alçada da protecção definida para os bens estatais e públicos.
E o que é que está definido para a protecção e valorização do património cultural?
(continua em 4/17)
José Dinis Murta

11.2.10

NISA: Retratos Pequenos e Breves do Património Cultural e Natural (2)

Continuação da divulgação do original
“Retratos Pequenos e Breves do Património Cultural e Natural do Concelho de Nisa” – 2/17
José Dinis Murta, in Nisa Viva – Revista de Cultura e Desenvolvimento Local, n.º 17, Dezembro 2009, págs. 3/14.

Anta de S. Gens
(Monumento Nacional – ex-libris do património concelhio)
(Fotografia não incluída no texto original de “Retratos …”)


O que se entende por património, por cultura, por património cultural, mas também por património natural? O que é que faz parte do património cultural e natural?
O vocábulo património tem origem no étimo latino patrimonium, ii, com o significado de património, bens de família, herança. Património é, assim, em primeira instância, os bens que recebemos do nosso pai (padre, patre, pater), é a herança paterna, é constituído por bens pessoais, privados.
Hoje fala-se muito no património genético, nos genes que nos informam das nossas origens mais longínquas e nos colocam e identificam em determinados grupos com determinadas características físicas e morfológicas localizados e/ou originários de determinadas regiões geográficas. O património genético é uma marca identitária.
E o património cultural também é uma marca identitária? Caberá ao leitor responder.
Em sentido lato, alargado, património é tudo aquilo (bens) que nos foi legado pelos nossos antepassados, faz parte do domínio público, pertence à comunidade.
E o que é que nos deixaram os nossos antepassados, os homens que nos antecederam?
Legaram-nos antas, igrejas, palácios, castelos, casas, moinhos, fontes, barragens … os chamados bens imóveis, e mobiliário, moedas, objectos de barro, fotografias, armas, documentos escritos, ferramentas, vestuário, bordados … os denominados bens móveis, mas também a língua, religião, tradições, usos e costumes, festas, contos, lendas, instituições … bens incorpóreos, sem corpo, sem matéria, ditos bens imateriais.
Todos estes bens (móveis, imóveis e imateriais) têm a marca do homem, foram feitos ou utilizados pelo homem e como tal são bens culturais (o vocábulo cultura pode ser tomado em inúmeras acepções. Nós tomamo-lo aqui no sentido antropológico). O homem, e só o homem (assim se distingue dos animais) produz cultura, é produtor e portador de cultura, de bens culturais, e, ao mesmo tempo, utilizador desses mesmos bens, dessa mesma cultura. Há uma permanente dinâmica e interacção, que não se dissocia do tempo histórico em que o homem vive - mentalidade, política, economia, sociedade, religião, conhecimentos técnicos e tecnológicos - e do lugar geográfico com a componente clima, fauna, flora, materiais… (na era da globalização as coisas são um pouco diferentes).
Há, assim, culturas diferentes, ainda que num mesmo tempo cronológico, mas não superiores, inferiores, melhores e piores (é a pretensa superioridade de cultura que alimenta guerras).
Existem outros bens que o homem utiliza e nos quais introduziu ou não a sua marca, mas que são fruto directo da mãe-natureza (da qual o próprio homem faz parte), são os bens naturais – paisagens, florestas, fauna, flora, rios, minerais … é o património natural.
Tem o homem, considerado quer no sentido individual quer no colectivo, um vasto património de bens culturais e naturais. Muitos deixaram de ser utilizados, deixaram de ser úteis, já não satisfazem os objectivos para os quais foram produzidos, perderam o valor, deixaram de ser um bem, porém outros, apesar de não cumprirem a sua missão inicial, são usados de outra forma, são reutilizados, modificados, continuam a ter valor, continuam a ser um bem. Há ainda os que, depois de anos e anos abandonados e/ou esquecidos e/ou desconhecidos, voltam, fruto de circunstâncias várias – políticas, sociais, científicas … - a ser valorizados e protegidos, e muitos outros o poderão ser se o homem dispuser, na altura, de condições humanas, económicas, técnicas, científicas … e vontade política.
(continua em 3/17)
José Dinis Murta

OPINIÃO: Quem governa o Município de Nisa?

Sempre que a CDU perdeu a maioria na Câmara Municipal de Nisa para uma oposição informada, utilizou sempre a mesma estratégia: passou o poder para a rua, procurando assim legitimar uma minoria na arruaça e na intimidação.
Foi assim no mandato de 1994 a 97. Para os que quiseram acreditar, a explicação daquele período resumiu-se ao confronto constante e à falta de funcionamento. Mas a razão era evidentemente mais simples, havia um deficit de democracia, as decisões da Câmara não eram respeitadas, os tiques de uma governação há demasiado tempo em maioria absoluta cegavam as regras básicas que qualquer democrata deve aceitar. Mas os que acreditaram na explicação do regime estavam em maioria, o timoneiro era inteligente, detinha o poder e os favores eram muitos (alguns ainda hoje estão por pagar). Os homens do Presidente e alguma população intoxicada pela informação deturpada cometiam ousadias que iam dos insultos na sala de reuniões às ameaças à integridade física dos vereadores da oposição na rua. Lamentavelmente, ainda existem alguns incautos de diversos quadrantes políticos, da esquerda à direita, que evocam esse passado como “oposição turbulenta”. Para esses só há uma resposta: desconhecem o que é lutar sem vacilar.
Hoje em dia parece querer repetir-se a história. A CDU está em minoria, a oposição, que ainda não alcançou o brilho de outrora (desculpem a imodéstia), já patenteou algumas posições incómodas que marcaram a agenda, e a agitação transferiu-se de fora para dentro da sala de reuniões sempre que o executivo não decidiu em conformidade com as expectativas criadas por uma força politica que insiste em sobreviver no poder autárquico do Concelho por força da teia de dependências e influências que vai criando. Não quero com isto dizer que as pessoas não tenham o direito de se reunir, manifestar ou reivindicar. Poderão não merecer o que reivindicam mas isso é uma outra história que só diz respeito a quem avalia e a quem é avaliado no momento próprio, de uma forma isenta, e nunca com bloqueios institucionais por parte dos dirigentes políticos como aconteceu com os trabalhadores da Câmara de Nisa para quem foram estabelecidos limites na avaliação respectiva, prejudicando seriamente a evolução na carreira daqueles que não reclamaram ou que não o puderam fazer.
Contudo não podemos permitir que o poder se instale na rua só porque o desagrado de alguns combina com forças politicas interessadas em lançar a confusão. Só existe uma situação na qual o poder deve ser confrontado na rua e essa é a ditadura. Mas nisso os países comunistas, há semelhança de outros regimes totalitários, deram um lição histórica sobre como decidir com mão pesada, mantendo salários baixos e sem liberdade sindical.
Não abordarei aqui a atitude do nacional-porreirismo porque essa é uma via de sentido único para quem entrar nela. É fácil de usar quando se está no poder, na oposição ou quando não se tem nada a perder, mas será sempre irresponsável e mais tarde ou mais cedo atingir-se-á o ponto limite quando não se puder agradar a todos ou seja quando houver opções a fazer. Mas de uma coisa podemos ter a certeza, quando ninguém se preocupa com o bolso dos contribuintes fazendo uma gestão desequilibrada dos dinheiros públicos o desgoverno entranha-se até esgotar todos os seus recursos.
Finalmente, e no meio deste burburinho reivindicativo, gostaria de saber em termos de direitos dos trabalhadores do Município de Nisa quem defende os que têm os salários mais baixos? Quem defende os que não se encontram nas listas de promoção deste e de outros anos, umas publicadas outras não, e cujos salários são muito inferiores? Quem promove todos estes trabalhadores? Quem se lembra que os que vivem com menos recursos são aqueles que as crises mais afectam? Ou será que aqueles que mais têm se tiverem um pouco mais esgotam os que têm capacidade para reivindicar? E por fim, quem defende os que foram e hão-de continuar a ser preteridos nos concursos de acesso aos empregos municipais e que comprovadamente são mais competentes?
Cegueira ou tolice? Nem uma nem outra, apenas timidez na capacidade de decidir ou discriminação na hora de optar.
António Franco in "O Distrito de Portalegre"

7.2.10

NISA: Beneficiação de estradas e caminhos municipais

EM entre Montalvão e o S. Silvestre finalmente vai ser arranjada
Estão a decorrer obras de requalificação da rede viária do concelho de Nisa que contemplam a pavimentação betuminosa de estradas e caminhos municipais.
Nestas obras são objecto de beneficiação as seguintes vias:
- Caminho Municipal 1176 que faz a ligação de Arês ao cruzamento com o cruzamento de Tolosa;
- Caminho Municipal 1005 que faz a ligação de Pé da Serra à Casa de Cantoneiros de Montalvão;
- “Estrada do Patalou” que faz a ligação de Nisa ao concelho de Castelo de Vide;
- Estrada Municipal 525, ligação de Montalvão ao concelho de Castelo de Vide.
Na reunião de 20 de Janeiro a Câmara Municipal aprovou o Plano de Trabalhos e o Cronograma Financeiro apresentados pela firma adjudicatária - Construções JJR&Filhos, S.A. O valor global da empreitada é de 709.106, 49 euros e o prazo de execução é de 150 dias.

22.1.10

PORTUGAL NOTÁVEL: O Castelo de Amieira do Tejo

Continuando a vaguear por terras hospitalárias com o apoio da Casa Covão da Abitureira descobrimos este belo castelo fundado no século XIV por D. Frei Álvaro Gonçalves Pereira, prior da Ordem do Hospital, filho bastardo do Bispo D. Gonçalo Pereira, e pai do futuro Condestável, D. Nuno Álvares Pereira, para servir de defesa da Linha do Tejo.
Repare-se que esta fortaleza foi construída, a meio caminho entre o castelo de Belver (**) e o Mosteiro Flor de Rosa (**) numa das onze vilas que a Ordem dos Hospitalários (as Terras de Guinditesta) detinha na região.
Um dos melhores castelos góticos de Portugal
No contexto das lutas pela Reconquista cristã da península Ibérica e da formação do reino de Portugal, o rei D. Sancho II (1223-1248) fez uma expressiva doação de terras à Ordem de São João do Hospital de Jerusalém, incluindo as vilas de Amieira, Belver (Gavião) e Crato (1232).
O castelo da Amieira foi construído sob o reinado de Afonso IV (1325-1357). A sua edificação é atribuída a Álvaro Gonçalves Pereira, tendo sido concluído pelo seu filho, D. Pedro Pereira, que herdou o priorado, em 1362. O castelo teve até ao século XVI uma função residencial para o Prior de Crato.
Durante a Crise de 1383-1385, o então Prior do Hospital, D. Pedro Pereira, no início de 1384 reconheceu a autoridade de D. Beatriz, filha de D. Fernando, e, como tal, herdeira legítima do trono português. O Castelo da Amieira, juntamente com outros da Ordem, prestou obediência à Rainha, situação modificada poucos meses mais tarde, por influência do Condestável D. Nuno Álvares Pereira, irmão do Prior, tendo este partido para Castela.
O único episódio militar em que o castelo esteve envolvido ocorreu em 1440. Tendo D. Leonor de Aragão, se desentendido com o infante D. Pedro, retirou-se, com a cumplicidade do prior, D. Nuno de Góis, para o Crato, tendo invocado em seu auxílio as forças de Castela, que cercaram a Amieira. Diante dessa insubordinação, D. Pedro determinou a ocupação dos castelos do priorado do Hospital nessa região fronteiriça, ordenando a D. Álvaro Vaz de Almada, conde de Abranches, acometer o Castelo da Amieira. Sem oferecer resistência os castelos renderam-se, o prior do Crato e D. Leonor puseram-se em fuga para Castela e a paz foi restabelecida.
Nos séculos seguintes, foram procedidas pequenas obras de modernização sob o reinado de D. João II (1481-1495) e de D. Manuel I (1495-1521).
Situado em zona baixa e rodeado pela povoação, depois do século XVI o castelo da Amieira, sem função bélica entrou em abandono e degradação. É sabido que em 1846 foi instalado no interior do castelo o cemitério da aldeia. Nos séculos XX e XXI o castelo foi restaurado e está muito bem conservado.
Características do castelo da Amieira do Tejo
Com planta no formato rectangular, é considerado um dos mais belos castelos góticos portugueses.
As muralhas, ameadas, são reforçadas nos ângulos por quatro sólidas torres e pela Torre de Menagem, de maiores proporções, com planta quadrangular, defendendo a porta da barbacã. Esta torre possui janelas, sendo uma geminada e outra com arco gótico. No interior, abre-se a praça de armas. No seu centro está uma bem conservada cisterna do século XV, embora tenha existido no mesmo local outra mais antiga. No exterior, o conjunto é completado por fosso (hoje aterrado) e uma muralha barbacã de planta quadrangular, de muros ameados.
A Capela de São João Baptista
Fora dos muros, mas adossada a uma das torres, ergue-se a Capela de São João Baptista com portão em arco de volta perfeita com aduelas almofadadas. No interior, apresenta abóbada de caixotões grafitados decorada por grotescos de inspiração maneirista, com motivos vegetalistas, animais fantásticos, geométricos, antropomórficos e híbridos, datados de 1566.
Mais dois motivos de interesse em Amieira do Tejo
Amieira do Tejo tem mais dois motivos de interesse que não pode perder: o passeio até ao Rio Tejo ao lugar das Barcas da Amieira (*) e a capela do Calvário que tem um raro retábulo barroco, construído não em madeira, como todos em Portugal, mas em granito, eu não conheço outro igual, e o leitor conhece?
Adaptado ligeiramente da Wikipedia. Parabéns ao autor.
in "Portugal Notável"

21.1.10

NISA: Trabalhadores da Câmara Municipal em protesto

Cerca de 50 trabalhadores da Câmara de Nisa concentraram-se quarta-feira em frente aos Paços do Concelho para exigir o direito à sua valorização profissional e estabilidade, numa iniciativa apoiada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL).De acordo com António Carreiras, dirigente do STAL, o protesto surgiu na sequência de uma tomada de posição “contrária” dos vereadores da oposição (PS e PSD) naquele município alentejano, liderado em minoria pela CDU.
De acordo com o sindicalista, os vereadores da oposição “opõem-se à dotação das verbas necessárias, no orçamento da câmara para este ano, para a mudança de posicionamento remuneratório, por via da opção gestionária, de 49 trabalhadores".
António Carreiras explicou ainda que os vereadores do PS e do PSD "recusam também a criação de postos de trabalho" no Mapa de Pessoal para o ano de 2010 referentes a contratos de trabalhadores, cuja duração ultrapasse os cinco anos.
Os trabalhadores estiveram concentrados em frente ao edifício da autarquia, deslocando-se depois para a reunião pública de câmara, onde discutiram a matéria com o executivo camarário, porém as dúvidas e incertezas persistem.
Durante a reunião, os trabalhadores entregaram ao executivo camarário uma resolução na qual exigem que lhes sejam reconhecidos os seus direitos.
Na mesma resolução, os trabalhadores ameaçam ainda, caso a situação não seja invertida, "adoptar outras formas de luta que considerem necessárias ao cumprimento dos seus direitos".
in "Rádio Portalegre"

17.1.10

POESIA: Sátira ao prometido aumento de vencimento em Janeiro de 1959

Soneto (quase) inédito de José Régio
- Em memória de Aurélio Cunha Bengala

Surge Janeiro frio e pardacento,
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento
E o Decreto da fome é publicado.

Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo parlamento
Usufruem seis contos de ordenado.

E enquanto à fome o povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e de vilão,

Também faz o pequeno “sacrifício”
De trinta contos – só! – por seu ofício
Receber, a bem dele... e da nação.
(Em 1969 no dia de uma reunião de antigos alunos)
José Régio

30.12.09

POSTAL DE BOAS FESTAS


Para o Mário Mendes, obreiro desta tribuna de comunicação, para os seus leitores e colaboradores os desejos de BOAS FESTAS e que 2010 lhes traga tudo o que mais desejarem.
Outro desejo, se já não for pedir muito, é que o novo Ano traga a quem nos governa, a capacidade de tornar real, aquilo que há muito vêem anunciando. Salvo melhor opinião, e se assim continuarmos, estamos a perder o que temos de melhor na nossa região em termos de desenvolvimento. Claro que estou a falar, das Pessoas, do Ambiente e da Beleza Natural.
Abraço
Jorge Nunes

17.12.09

Onde pára o espírito de Natal?

Longe vão os tempos em que o Natal era a espera do menino Jesus. Hoje não, hoje esperasse a chegada do Pai Natal. Que pena!
O que é feito do espírito de Natal? Onde pára essa magia que nos acalentava a alma e o coração? Penso que já não existe, já se perdeu! E a culpa, é de todos nós!
Vejam só no que tornamos o Natal: Tornamo-lo em grandes correrias com entradas e saídas de centro comercial em centro comercial, criamos uma grande “dor de cabeça” a pensar no que dar uns aos outros, e toda esta azafama e angustia se arrasta muitas vezes até ao último dia antes do Natal.
Como se o Natal se resumi-se a bens materiais… não, não podemos continuar a viver Natais assim, ano após ano, enganando-nos a nós próprios e aos outros, porque é isso que acontece, é isso que vejo no olhar triste e aflito das pessoas, que correm de um lado para o outro á procura do presente ideal, e tudo isto, porque não sabem, ou simplesmente se esqueceram do verdadeiro sentido do Natal.
Quem não se lembra, quando outrora esperávamos ansiosos a chegada da meia-noite, para que pudéssemos colocar o menino Jesus no presépio… hoje espera-se apenas a chegada do Pai Natal, para vermos o que esconde cada prenda.
Será isto o espírito de Natal?
Não!!!
O Natal é feito sim, de afectos, calor humano, e acima de tudo feito de fé e esperança. É estarmos em família reunidos á volta de uma mesa em plena comunhão, esperando a chegada do menino Jesus “O Salvador”, para que este torne o nosso mundo melhor!
P.S: A todas as famílias, votos de um Santo Natal, recheado de Paz, saúde e Amor!
Ana Paula Mendes Nunes Da Conceição Horta

28.11.09

PORTAL DE NISA: 250 mil visitas

Estamos na internet, em forma de blog, desde Junho de 2007. Em 17 de Julho de 2008 assinalámos a presença de 50 mil visitantes. Depois disso, não parámos de crescer no número de visitantes e hoje atingimos as 250 mil visitas ao blog, não obstante o esforço de alguns para que saíssemos de "cena".
Estão incomodados com a nossa presença e isso para nós é um estímulo, reforçado com a crescente participação de leitores/visitantes.
Este é um blog do concelho de Nisa e da região, uma voz livre que não se verga aos poderes instituídos, apenas obedecendo aos ditames da verdade e do rigor.
Não fazemos "pactos de sangue" nem de compadrios com quem quer que seja. Estaremos por aqui, nesta morada que é nossa e que não usurpámos a ninguém, enquanto a saúde nos permitir e a confiança dos nossos leitores/visitantes se mantiver.
A cidadania activa, vive-se, não se mitiga.
Mário Mendes
Para descontrair e tal como fizemos em Julho de 2008, deixamo-vos um texto de Woody Allen*:
"Na minha próxima vida quero vivê-la de trás para a frente. Começar morto para despachar logo esse assunto. Depois acordar num lar de idosos e sentir-me melhor a cada dia que passa. Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a pensão e começar a trabalhar, receber logo um relógio de ouro no primeiro dia. Trabalhar 40 anos até ser novo o suficiente para gozar a reforma. Divertir-me, embebedar-me e ser de uma forma geral promíscuo, e depois estar pronto para o liceu. Em seguida a primária, fica-se criança e brinca-se. Não temos responsabilidades e ficamos um bébé até nascermos. Por fim, passamos 9 meses a flutuar num spa de luxo com aquecimento central, serviço de quartos à descrição e um quarto maior de dia para dia e depois Voilá! Acaba como um orgasmo! I rest my case."
* A minha próxima vida - Woody Allen


5.11.09

NISA: Eleitos municipais foram empossados

Mesa da nova Assembleia Municipal
O novo executivo municipal
Assistência à sessão de tomada de posse
Na tarde do dia 30 de Outubro, tomaram posse os eleitos do executivo da Câmara e da Assembleia Municipal de Nisa. A cerimónia decorreu no auditório da Biblioteca Municipal, um espaço que se mostrou acanhado para o número de pessoas que pretenderam assistir a esta cerimónia.
Presidiu à sessão, que contou com a presença do senhor Governador Civil, Jaime Estorninho, o presidente da Assembleia Municipal cessante, José Polido, que empossou em primeiro lugar, os eleitos da Câmara, a começar pela reeleita presidente, Gabriela Tsukamoto (CDU), seguindo-se-lhe Idalina Trindade (PS), Fernanda Policarpo (PSD) Manuel Bichardo (CDU) e Francisco Cardoso (PS).
Depois coube a vez aos quinze eleitos da Assembleia Municipal, mais os dez presidentes de Junta que por inerência do cargo integram este órgão autárquico, numa sessão que se prolongou por três horas, chegando a tornar-se enfadonha e que por ter demorado, impediu que os cabeças de lista de cada partido representado na Câmara pudessem proferir algumas palavras alusivas à importância do acto.
José Polido, após ter concluído a maratona de leituras do juramento e de assinaturas, agradeceu a colaboração de todos os eleitos da anterior Câmara e Assembleia Municipal e desejou os maiores êxitos à vereação e aos eleitos municipais, cedendo o seu lugar na mesa a João Santana, cabeça de lista do PS, a mais votada para a Assembleia Municipal, que por sua vez, chamou para a mesa Teresa Almeida (CDU) e Francisco Toco (PSD) .
Acto contínuo teve lugar a primeira votação, por braço no ar, para escolha do método de eleição dos membros da Mesa da Assembleia Municipal, tendo sido adoptado o método de eleição através de listas.
O PS e a CDU apresentaram listas próprias, enquanto o PSD optou por não apresentar lista, tendo a votação, por voto secreto, ditado a escolha da Mesa da Assembleia Municipal, que ficou formada por João José Esteves Santana (presidente), Jorge Manuel Barreiros da Graça (1º secretário) e José Pedro de Almeida Polido (2º secretário) todos do PS.
Concluído o protocolo, discursaram o Presidente da Assembleia Municipal e o Presidente da edilidade.
O Presidente da Assembleia Municipal afirmou, “candidatei-me como uma forma de ligação à minha terra. Sou militante do PS há muitos anos e entendo que as autarquias e os eleitos devem ter um conjunto de valores e devem bater-se pelo melhor para as suas terras.
A Assembleia Municipal não é nem mais nem menos importante que os outros órgãos. Cada um deve desempenhar o seu papel e nós queremos cumprir o nosso.
A Assembleia Municipal não vai ser uma caixa de ressonância da Câmara, mas iremos assumir uma postura crítica construtiva, visando o melhor para o concelho. Vamos ser exigentes, mas a presidente da Câmara pode contar com a nossa solidariedade institucional.
Defendemos uma Assembleia Municipal como um espaço para discutir outros problemas e não só aqueles que a Câmara nos trouxer”.
Gabriela Tsukamoto considerou a sessão “anormalmente demorada”, saudou o presidente e os eleitos da Assembleia cessante, os presidentes de Junta e os novos eleitos nas autarquias do concelho.
Disse que “sempre tratei todos por igual, nunca fiz discriminações”. Agradeceu a todos os elementos que fizeram parte de outros executivos e disse que “ é sempre possível melhorar.
“Na Câmara houve sempre rigor e transparência no que se refere à gestão da coisa pública.
Este é o último mandato que vou cumprir. A lei manda e eu estou de acordo com a lei. Congratulo-me em termos um estatuto. Tenho uma forma de trabalhar diferente e uma coisa que é fundamental na política, a dignidade.”
Sobre as prioridades para o próximo mandato, a presidente da Câmara referiu que “há uma coisa que faz falta no nosso concelho, o conceito de cidadania. O presidente terá que saber trabalhar com humildade, em equipa, mesmo que possa haver diferenças políticas e de concepções. É necessário um conceito de estratégia, a noção do serviço público para podermos estar ao serviço das populações e com as populações”.
Mário Mendes in "O Distrito de Portalegre" - 5/11/09

1.11.09

...Onde se fala do Queijo de Nisa

Considerado por uma revista norte-americana como um dos melhores do mundo, o Queijo de Nisa é dos mais reconhecidos e apreciados queijos do Alentejo.
Curado, de pasta semi-dura e cor entre o branco e o amarelado, é produzido artesanalmente com leite cru de ovelhas da raça regional Merina Branca, coagulado com cardo vegetal, a que se segue um processo de esgotamento lento da coalhada e posterior maturação durante 45 dias. Tem a forma de um cilindro baixo e apresenta-se em dois tamanhos: merendeira, com um diâmetro de 10 a 12 centímetros e peso entre 200 e 400 gramas, e normal, com diâmetro de 13 a 16 centímetros e peso compreendido entre 800 e 1300 gramas. De aroma pronunciado e sabor ligeiramente acidulado. É reconhecida a sua especial afinidade com vinhos, uma das características que levou a revista norte-americana "Wine Spectator" a considerá-lo um dos 100 melhores queijos do mundo.
É produzido nos concelhos de Nisa, Crato, Castelo de Vide, Marvão, Portalegre, Monforte, Arronches e Alter do Chão.
Trata-se de um queijo DOP, que é além de ser consumido a nível nacional é igualmente exportado para França, Luxemburgo, Dinamarca, Brasil, Japão e E.U.A.
in http://passosdegourmet.blogspot.com

29.10.09

CURIOSIDADES: O Castelo de Azay le Rideau




Quarto no 1º andar do castelo



Pátio do castelo
O Château de Azay-le-Rideau é um palácio da França localizado na comuna de Azay-le-Rideau, no departamento de Indre-et-Loire. Foi construido entre 1518 e 1527, sendo um exemplo do Renascimento francês. Edificado sobre uma pequena ilha do rio Indre, a sua estrutura eleva-se directamente a partr do rio.
História
Gilles Berthelot, o tesoureiro estatal de Francisco I e alcalde de Tours, começou a construir neste sítio já fortificado, que era parte da herança da sua esposa. No entanto, foi ela, Philippe Lesbahy, quem dirigiu o curso dos trabalhos, incluindo a ideia nova de uma escadaria central (escalier d'honneur), que é a maior inovação de Azay. Em 1528, quando Berthelot foi suspeito de conivência numa fraude, teve que fugir de Azay-le-Rideau, deixando-o incompleto; nunca voltaria a ver o palácio. Em troca, o Rei confiscou a propriedade e deu-a como recompensa a um dos seus soldados de alta patente.
No decorrer dos séculos, o palácio mudou várias vezes de mãos, até princípios do século XX, quando foi adquirido pelo governo francês e restaurado. O interior foi completamente restaurado, contando com uma colecção de várias peças do Renascimento. Actualmente, o palácio está aberto ao público
Arquitectura
As dimensões, longas e baixas, e as decorações escultóricas do Château d'Azay-le-Rideau são italianas, no novo gosto antigo, mas as esquinas do bastião cobertas por cones pontiagudos, o empilhamento vertical de grupos de janelas separadas por enfáricas linhas de cordas horizontais, e o alto tecto de lousa inclinado, são inequivocamente franceses. As fortificações fingidas e as torres de menagem medievais deram um ar de nobreza tradicional ao recém-enobrecido tesoureiro do Rei.
Pátio do Château d'Azay-le-Rideau. A escadaria central é o principal elemento que os visitantes encontram depois de entrar. Esta está incorporada no interior do edifício, em vez de erguer-se helicoidalmente, parcialmente encravada na parede e visivel do exterior à maneira francesa, uma característica que é familiar no Château de Blois.
Os detalhes escultóricos em Azay são particularmente notáveis. No piso térreo, pilastras caneladas, em altas bases, suportam a salamandra e arminho, emblemas de Francisco I e de Cláudia de França.
A geração romântica redescobriu o encanto do Château de Azay-le-Rideau. Honoré de Balzac referiu-se a ele como "um diamante facetado colocado no Indre" ("Un diamant taillé à facettes, serti par l'Indre"). Actualmente o palácio está rodeado por um distinto parque oitocentista, arranjado como um jardim paisagístico à inglesa, com muitas espécies de árvores, especialmente coníferas exóticas: cedros-do-líbano, ciprestes dos pântanos e sequoias do Novo Mundo.
in "Wikipédia"











26.10.09

AREZ: Lar da 3ª Idade: um caminho “pedregoso”

A construção de um lar para idosos em Arez é um sonho com muitos anos. As actuais instalações do Centro de Dia, edifício onde funcionou durante muitos anos, a Junta de Freguesia, tiveram de ser adaptadas e hoje só a muito custo conseguem dar resposta às necessidades da freguesia.
De fora, ficam muitas das pessoas idosas, que reclamam por um lar, a tempo inteiro, que lhes permita, com conforto, apoio e carinho, viverem os últimos anos das suas vidas.
Foi a pensar nesta carência que em 2002 foi lançada a ideia de construção de um Lar em Arez.
A Comissão de Festas deu o apoio possível e de imediato avançou-se para a aquisição de um terreno.
“Andou-se, na altura, com “a carreta à frente dos bois” - começa por referir José Fazendas, actual Provedor da Misericórdia.
“O terreno não estava registado, os proprietários estavam no Brasil e foi um “oceano” de burocracias que nos consumiu vários anos. Em 2005 quando entrei como Provedor para a Santa Casa da Misericórdia, esta situação estava resolvida e tentei que o processo avançasse, seguindo os trâmites legais, tendo sido feito o registo do prédio na Conservatória, em Setembro de 2006 e iniciado o processo de obras em Janeiro de 2007.”
Parecia que estavam reunidas todas as condições para a obra “física” se iniciar, mas não era bem assim.
“Em Março ou Abril desse ano, a Câmara informa-nos que parte do terreno estava fora do perímetro urbano. Foi um “balde de água fria” e perante esta situação restava-nos duas hipóteses: construir dentro da área permitida ou esperar pelo alargamento do perímetro urbano e pela revisão do PDM.
Decidimo-nos pela primeira hipótese, pois tinham-se já perdido alguns anos, avançamos para a construção de um edifício com rés-do-chão e 1º andar, cujo orçamento inicial estava em 62.500 euros e, face às alterações, rondará os 100 mil euros.”
O projecto do Lar da Santa Casa da Misericórdia de Arez e Centro de Dia prevê a instalação de 30 camas em 10 quartos duplos e 10 individuais, ambos com casas de banho privativa.
O Provedor da Misericórdia espera que, depois desta “maratona burocrática”, haja condições para avançar com as obras no princípio do próximo ano.
Quanto aos apoios, vai adiantando que “ contamos com a Segurança Social, os lucros das festas de Arez e outras iniciativas que sejam promovidas, bem como a Câmara Municipal de Nisa e a Junta de Freguesia que não deixarão de nos ajudar dentro das suas possibilidades.”
Actualmente, o Centro de Dia e Apoio Domiciliário da S.C. da Misericórdia de Arez, presta relevante ajuda e apoio social a 42 pessoas através de 11 funcionários.
“Funcionamos com uma verdadeira equipa e só a extrema dedicação de todo o pessoal, permitem gerir com eficiência esta Casa, uma vez que os utentes pagam entre 176 e 200 euros mensais, o que obriga a algum rigor e contenção para que as pessoas usufruam da Santa Casa com o carinho e a qualidade que merecem”.
A finalizar, José Fazendas, alerta para as datas da realização da Nisartes que coincidem com as das festas de Arez.
“As festas de Arez são muito antigas e realizam-se, sempre, no primeiro fim-de-semana de Agosto. Julgo que era possível conciliar os interesses das duas entidades (Câmara e Comissão de Festas) para não sermos sempre prejudicados.”
Mário Mendes - in "O Distrito de Portalegre" - 22/10/09

16.10.09

SOLIDARIEDADE PARA COM OS TRABALHADORES DAS PEDREIRAS DE GRANITOS (II)

Alpalhão, Nisa e Gáfete (concelhos de Nisa e Crato)
Pretende o seguinte texto denunciar e, de algum modo, tentar arregimentar vontades solidárias em torno da questão, salários em atraso nas empresas de exploração de granitos em Alpalhão e Nisa, juntar forças e vontades que de alguma forma exerçam pressão pública e movam influências que levem os responsáveis a corrigir a aberrante situação. O problema é vasto e grave pelo que me foi dado saber, por isso repiso o assunto, insistindo em apelar a todos que encontrem formas de expressar a sua solidariedade para com estes trabalhadores, quer divulgando o texto através dos vossos contactos de e-mail, quer comentando o texto, ou ainda publicando-o nos vossos blogues. Não esqueçam o famoso poema de Bertold Brecht sobre a ascensão repressiva do nazismo, hoje são os trabalhadores das pedreiras, amanhã serei eu e depois de amanhã sereis vós.
Consegui recolher informações sobre as seguintes empresas, "Granitos Maceira, SA" e "Singranova", ambas pertença da família do Comendador Francisco Ramos, e "Granisan", de Nisa, da qual são principais accionistas os senhores Tsukamoto e Armando Crespo, e pelo que me foi dado a conhecer as situações devem-se não há conjuntura de crise internacional mas a gestão danoso que não terá pago os impostos em devido tempo.
Não podendo ser branqueado, muito menos ignorado, porque o povo tem memória, o deplorável comportamento destes senhores, algo no entanto me preocupa mais que dois ou três empresários sem ética nem moral: a perfeita inoperância das instituições públicas e sindicatos na resolução da triste situação, na aplicação da legislação laboral em vigor, na regulação das relações e contratos de trabalho, enfim, no apoio a estes trabalhadores que além de explorados, enganados, ameaçados, além de não receberem os salários ainda vivem sob um instalado império do medo que lhes foi imposto e vivem autêntico pesadelo bem acordados, para que a ferida doa mais e sintam que a sua dignidade lhes foi cobardemente subtraída.
De facto, os senhores Comendador Francisco Ramos, Tsukamoto e Crespo só aparentemente são os vilões desta história, como bons oportunistas limitam-se a aproveitar a falência quer dos serviços públicos competentes para resolverem o problema, sejam a Inspecção Geral do Trabalho delegação de Portalegre, seja a Câmara Municipal de Nisa que tem por obrigação ajudar todos os seus munícipes, sem excepção, podendo ainda disponibilizar, se o quisesse e fosse do seu interesse os serviços jurídicos da autarquia na defesa dos trabalhadores e em última instância o Ministério do Trabalho e Solidariedade Social que pura e simplesmente ignora o problema, pois este ainda não foi denunciado na comunicação social e o que não aparece na comunicação social, para esta gente, não existe.
Aliás, o assunto só não foi denunciado porque à equipa da SIC que se deslocou ao local para recolher depoimentos dos trabalhadores se deparou com um muro de silêncio, provocado pelo medo, e não puderam fazer reportagem.
Daí que também os trabalhadores não passem incólumes na situação que vivem, quem tem medo compra um cão e quem despreza a defesa dos seus direitos, depois não se venha queixar. Se querem aquilo a que têm direito, têm primeiro que saber vencer a barreira do medo!
Mas se o comportamento deplorável dos patrões, o medo e subserviência dos trabalhadores, a ineficácia dos nossos bur(r)ocratas eu posso fazer um esforço e além de compreender poder justificá-los à luz da grandeza, e neste caso, das misérias humanas, já me é mais difícil compreender a timidez e os cuidados de luva branca com que os sindicatos (não) têm tratado do assunto. De facto tirando a tímida iniciativa sindical por mim relatada no anterior artigo, o que os sindicatos têm feito é nada!
Bem sei que nas empresas em causa o número de trabalhadores sindicalizados é mínimo, outra preocupação que devia estar na agenda diária dos dirigentes sindicais: porquê os trabalhadores deixaram de confiar neles? Mas nem que fosse apenas um trabalhador sindicalizado era obrigação de qualquer sindicato, que existem para organizar e defender os trabalhadores na reivindicação e cumprimento dos seus direitos, repito, era obrigação desses sindicalistas estarem lá ao lado dos trabalhadores e procurarem por todos os meios ao seu alcance resolver o problema.
Mas não o fizeram, não o têm feito.
Nos telejornais e jornais somos bombardeados sobre a importância que os empresários e as suas grandes empresas têm no desenvolvimento da economia e na riqueza da região em que se implanta a empresa. Mas quando a maçã apodrece e em vez de riqueza gera miséria todos desaparecem e se escondem no conforto dos gabinetes deixando os trabalhadores à mercê da sorte (ou seria mais adequado dizer azar).
Apelo aqui ao futuro Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda que logo que a nova Assembleia da República, para a qual o povo reforçou a sua voz, que no local próprio da representatividade popular, denuncie esta lamentável situação que está a estrangular parte das populações dos concelhos de Nisa e de Crato.
Jaime Crespo - in http://fongsoi.blogspot.com

5.10.09

AMIEIRA DO TEJO: Retábulo-mor barroco na capela do Calvário (*)

A capela do calvário, em Amieira do Tejo, está classificada como Imóvel de Interesse Público porque tem no seu interior uma obra de arte original em Portugal. Sobranceira a pequena povoação tem belas vistas para a localidade com o seu notável castelo (**) mandado construir pelo prior da ordem do Hospital, que também aqui morreu, e pai do condestável Dom Nuno Álvaro Pereira.
“A capela do Calvário foi edificada entre 1729 e 1740, a mando de Pedro Vaz Caldeira sargento-mor da Amieira. Apresenta na fachada principal cunhais de granito aparelhado. O pórtico é encimado por um frontão com mísulas, coruchéus e cruz, e ladeado por duas janelas de balcão com frontões. Na parte superior da fachada existe outro frontão com volutas”1.
Todo o conjunto irradia uma serena harmonia bem integrado na paisagem. Mas o que faz com a capela do Calvário faça parte do Portugal Notável, é no interior de nave única, aquele magnífico retábulo-mor de granito a imitar madeira entalhada, a que não falta as habituais colunas vigorosamente trabalhadas, em numero de três tendo como cenário de fundo, o céu com a pedra almofadada irregularmente a imitar nuvens. Fecha o único retábulo-mor barroco de pedra em Portugal um escudo. O enquadramento cénico serve de cenário a um belo cristo crucificado em madeira, com Maria e Maria Madalena, enlevar o olhar para o ente que sofre e morre.
O meu muito obrigado ao Senhor Carlos que foi nosso cicerone.
A fotografia foi retirada do sítio do www.monumentos.pt.
Nota biográfica-(1) Inventário do Património classificado -IPPAR, volume II, 1993

in www.portugalnotavel.com

19.9.09

ESCRITOR DE NISA: Pequena Evocação de Cruz Malpique


Este fim-de-semana passei-o, em grande parte, na companhia de Cruz Malpique, lendo a obra «O Homem, Centro do Mundo», um dos três seus livros que tenho aqui comigo e que periodicamente releio.
Os outros dois são «Higiene Intelectual e Moral do Estudante» e «Ensaio sobre o Homem de Ciência», todos livros escritos na década de 30 do século passado.
Recordo que o primeiro livro que dele li foi «Higiene Intelectual e Moral do Estudante», espécie de manual de orientação juvenil, elaborado no desejo de guiar a Mocidade de então para ideais sãos, elevados, numa fase em que os idealismos podem atrair as suas mentes, ao mesmo tempo que outras solicitações mais rasteiras, mas sedutoras, as podem vir a desencaminhar.
Comprei-o numa barraca livreira que existia ali à entrada do antigo Parque Mayer, em que se vendiam livros, restos de edições, julgo que a vinte e cinco tostões e a cinco escudos cada, montantes modestos, acessíveis, na minha adolescência, cerca de um quarto a metade do preço de um 2º balcão, para uma matinée, ali ao lado, no imponente S. Jorge dos grandes filmes em écran gigante, no final da década de 60, início da de 70, em plena primavera marcelista, então deveras esperançosa.
Lembro-me que o homem que lá se encontrava anunciava o preço dos livros, em voz alta, terminando sempre com uma frase típica, para sublinhar a oportunidade da aquisição : «… Não paga o papel !».
Este autor, Cruz Malpique, então para mim completamente desconhecido, era Professor de Filosofia, na altura, já do Liceu Alexandre Herculano, no Porto, depois de ter passado pelos de Gil Vicente e de Pedro Nunes, em Lisboa e pelos Liceus de Faro, Angra do Heroísmo e Salvador Correia de Sá, em
Luanda, tendo chegado deste último a ser seu Reitor.
Escreveu bastante Cruz Malpique, mas hoje nenhum dos seus livros se encontra disponível no Mercado, apesar do interesse das matérias que neles tratava, sempre de forma elevada, altiva, exigente com o leitor, puxando por ele, apelando ao que de mais nobre ele possa encerrar dentro de si, para o motivar a qualquer actividade útil, para si e para a colectividade em que vive.
Definia-se como um escritor de forte personalidade humanística, crente na boa índole humana, desde que oportunamente suscitada com exemplos adequados e depois convenientemente orientada e exercitada.
Havendo regressado a Portugal em 1947, radicou-se no Porto, aí continuando a leccionar até 1984, vindo a morrer, com 90 anos, nesta mesma cidade, em 1992, longe da sua terra natal, Nisa, que o soube honrar, ainda em vida, em 1987, atribuindo-lhe a Medalha de Mérito Municipal e promovendo uma sessão de evocação da sua vida e obra em 1993, com a presença de suas duas filhas.
No Liceu Alexandre Herculano, a que doou a sua biblioteca pessoal, existe uma sala com o seu nome, como reconhecimento do seu largo e profícuo desempenho como Professor de Filosofia ali exercido.
Na fosse a existência de um blogue com o nome do Concelho de Nisa e nem uma pequena nota hoje existiria da sua passagem pela Terra, apesar do vasto labor nela produzido, em significativa obra literária deixada, com mais de 200 títulos publicados, infelizmente nenhum deles, como referi, actualmente no Mercado.
Em contrapartida, não faltam, neste aparentemente próspero Mercado, porque tão altamente produtivo, toneladas de publicações, na maior parte, historietas da mais vulgar banalidade, consumidas por públicos ávidos de leitura, mas, surpreendentemente, pouco escrupulosos nas suas escolhas.


Liceu Alexandre Herculano (Porto)
Nenhum editor se lembrou ainda de repescar do esquecimento este excelso e afinal prolífico autor, além de nobre cidadão, dedicado à causa da participação democrática esclarecida.
Por ele, na minha adolescência, conheci muitos outros autores nacionais e estrangeiros, abundantemente citados em qualquer das suas obras, por vezes com extensas citações e comentários, para elucidação dos seus pontos de vista.
Dada a sua vasta formação intelectual, licenciado em Direito e em Letras, era largo o espectro das citações, nas letras pátrias, Fernão Lopes, Gil Vicente, Camões, Vieira, Bernardes, Herculano, Garrett, Antero, Eça, O. Martins, Raul Brandão, Aquilino Ribeiro, Egas Moniz, dominavam as suas referências; nas outras, desde os pré-Socráticos, aos clássicos greco-latinos, como Sócrates, Platão, Diógenes, Ésquilo, Sófocles, Pitágoras, Arquimedes, a Cícero, Virgílio, Marcial, Séneca, aos medievos Santo Agostinho, Tomás de Aquino, aos renascentistas Petrarca, Dante, Bocaccio, Erasmo, Da Vinci, Kepler, Galileu, aos modernos Newton, Leibniz, Montaigne, Descartes, Pascal, aos romancistas Stendhal, Hugo, Balzac, Zola, aos enciclopedistas franceses D’Alembert, Diderot, Voltaire, Rosseau, aos escritores ingleses Shakespeare, Defoe, Dickens, aos alemães Gothe, Schiller, Mann, com especial atenção para os filósofos, Kant e Nietzsche, aos espanhóis Cervantes, Ortega y Gasset, Maranon, Unamuno, toda uma plêiade de pensadores que fizeram avançar a Humanidade, achavam lugar destacado nas suas obras de profunda reflexão, traço típico do grande escritor humanista que Cruz Malpique foi.
Como se explica que certos nomes tão ilustres como este permaneçam praticamente desconhecidos da esmagadora maioria do povo português?
Que fazemos para os divulgar entre os nossos distraídos compatriotas?
Aqui deixo estas toscas notas, na expectativa de que outros as multipliquem com mais elementos relativos à vida e obra deste insigne português, em risco de não se libertar da lei da morte, segundo o famoso critério de Camões, apesar das muitas «obras valerosas» que foi capaz de nos legar.

Lisboa, 11 de Janeiro de 2009
António Viriato

23.8.09

OPINIÃO: Solidariedade com os trabalhadores da "Granitos Maceira, SA" e "Singranova", de Alpalhão

“Navegando a Alma” Kemal Tufan (Turquia) -Esta obra situa-se entre a vila de Alpalhão e a Igreja de Nª Srª da Redonda
É uma vergonha o que o Senhor Comendador Francisco Ramos e respectiva família estão a fazer, com a cobertura do governo, nas suas empresas de exploração de granito, vulgo pedreiras, em Alpalhão, ao não pagarem alguns subsídios e mantendo alguns meses de salários em atraso que só não atingem maiores proporções devido à intervenção do sindicato. As empresas são a "Granitos Maceira, SA" e a Singranova.
São mais duas empresas em que tudo está a ser feito para abrir falência. Apesar de não pagarem os salários a quem trabalha, Comendador e filho sempre que se deslocam às instalações da empresa fazem-no em luxuosos veículos topo de gama e lá vão mantendo o seu iatezito para uns passeios marítimos.
Os políticos que compareceram nas cerimónias de inauguração das empresas que foram apresentadas ao país como salvadoras da economia da região e nas bienais da pedra e que clamavam belos discursos prenhes de loas ao Senhor Comendador, agora esquecem-se de defender os trabalhadores que trabalham e não recebem.
Entretanto, o Estado fez o senhor Francisco Ramos, Comendador; a Câmara Municipal de Nisa homenageou-o com o nome e monumento numa rotunda da vila alpalhoense e o povo trabalhador, simples e humilde guardou-lhe o respeito que sempre revela para com aqueles que lhe dão trabalho e salário.
Senhor Comendador, respeite este povo e cumpra para com ele as suas obrigações: pague-lhes o que deve.
Se não o pode fazer e como parece que até há muito trabalho e a produção tem saída, abandone as empresas e deixe a gerência aos trabalhadores.
Afinal já o Zeca cantava: "dêem as pipas ao povo / só ele sabe guardá-las".
Jaime Crespo

9.8.09

A triste entrada norte no Alentejo




A PEN(HA) DO TEJO
Albergaria Penha do Tejo, com vista panorâmica para a Barragem do Fratel, foi inaugurada, numa primeira fase, em 1997, como forma de dinamizar uma das gargantas do Rio Tejo. Apesar de, em tempos já ter tido uma "grande adesão" e de ter sido um complexo turístico, actualmente encontra-se perdida no tempo e é caracterizada por um ambiente degradado e ignorado pelos olhares dos que lá passam.
Onde o Alentejo dá lugar à Beira Baixa, centenas de viaturas percorrem os quilómetros do IP2 à procura de um destino. Do outro lado da via, as águas da Barragem do Fratel, uma das gargantas do Rio Tejo, assumem uma calmaria e serenidade que confrontam o movimento agitado da estrada. As colinas verdejantes e as aves que voam no ar lá ao longe pintam o quadro da paisagem. O sol e o céu azul chamam por descanso e sossego.
Situada entre o IP2 e a Barragem do Fratel está contemplada a Albergaria Penha do Tejo. Uma infra-estrutura que partiu da iniciativa da Comissão Coordenadora Regional (CCR), que foi criada, numa primeira fase em 1997, pela Câmara Municipal de Nisa, com José Manuel Basso no Executivo e inaugurada por Victor Cabrita Neto, secretário de Estado do Turismo, no XIII governo constitucional, em que António Guterres assumia o cargo de primeiro-ministro.
Naquele ano, o empreendimento teve um financiamento de cerca de 250 mil contos e foi apoiado pelo Segundo Quadro Comunitário de Apoio (FEDER), através da Acção Integrada do Norte Alentejano (AINA). 10 era o número total de funcionários que possuía.
Em entrevista ao DP, José Manuel Basso, antigo presidente da Câmara Municipal de Nisa, explicou que “inicialmente, o projecto, que se considerava interessante, foi aprovado para a dinamização da Barragem do Fratel”, acrescentando que este era “um negócio concorrencial”.
De acordo com o antigo presidente da Câmara Municipal de Nisa, depois da primeira infra-estrutura estar inaugurada, avançou-se imediatamente com uma segunda fase, terminada em 2001 e apetrechada com a área de alojamento e uma piscina, para dar resposta a “muitas procuras”. Contudo, a segunda fase da obra nunca entrou em funcionamento. O total do empreendimento contava com cerca de 50 quartos.
Ainda na segunda fase do projecto estava prevista a implementação de equipamentos relacionados com actividades desportivas e náuticas, elo de ligação entre a Albergaria e a Barragem da Penha do Tejo.
"O programa de trabalhos foi apresentado à União Europeia e se o empreendimento tivesse sido continuado nesta fase já estariam implementados os desportos náuticos e o rio já estaria completamente dinamizado", afirmou o médico.
A beleza circundante choca com o cenário de degradação da Albergaria Penha do Tejo. Uma infra-estrutura deixada ao abandono.
Degradação da estalagem
O ambiente de sossego e de conforto da hospedaria deu lugar à degradação e a um cenário deplorável e sombrio.
Cá dentro, as suites, distribuídas em fila indiana, sem portas, deixaram de ter a sua privacidade, só restando, em cada uma delas, um armário, uma banheira e um lavatório. No corredor onde se encontram as suites, o chão é ornamentado por vidros estilhaçados. Das paredes brancas interiores do edifício, saem fios de electricidade danificados. O Hall de entrada que dá acesso ao mini bar é caracterizado por lixeira e por actos de vandalismo. Junto ao restaurante panorâmico e ao bar, transformado em retalhos, restam pinturas de paisagens que guardam lembranças e recordações. A sala de reuniões e de festas resumiu-se ao nada.
Lá fora a serenidade da Barragem do Fratel contrasta com o abandono e a renúncia de piscina, rodeada por mato que teima em trepar cada vez mais os céus alentejanos, esquecendo o relvado fresco de outrora. Ainda lá fora, um parque de diversões, colocado ao abandono, guarda momentos de divertimento que, noutro tempo, faziam as delícias dos mais novos.
O campo gimnodesportivo, destinado a actividades ao ar livre, ainda se encontra intacto à espera que façam uso das funções para que foi construído.
O vandalismo a que a estalagem começou a estar habituada destruiu uma das realidades que poderia vir a ser um marco para o desenvolvimento turístico da região.
"Fiquei preocupado e horrorizado como cidadão." Foi desta forma que José Manuel Basso se sentiu quando confrontado com o estado de abandono e de degradação da Albergaria. Segundo disse, este era "um projecto da Região de Turismo, do município e das gentes do Alentejo e da Beira", lamentando que "quando um processo é parado obviamente que deixa de ter sentido".
Aquando se encontrava ainda no Executivo, José Manuel Basso e a Câmara de Nisa abriram um concurso público para a concessão da exploração do projecto. "Enquanto fui presidente da autarquia, a porta da Albergaria abria todos os dias e eu próprio a frequentava com alguma assiduidade, acompanhando as propostas que haviam para o futuro daquele empreendimento".
Para o antigo presidente, a actual Câmara "tratou o empreendimento como um enteado enjeitado. Quem está no cargo deve ter a responsabilidade de zelar pelo seu património". José Manuel Basso referiu ainda que "há uma concepção que foi desprezada por aquilo que foi abandonado que, sob o ponto de vista político e civil, é condenável".
Esperança
Ao que o DP conseguiu apurar, um grupo de pessoas defensoras da Albergaria está a ultimar uma acção judicial contra a Câmara que se encontra actualmente no Executivo de Nisa, por delação de património.
O DP tentou contactar a presidente da Câmara Municipal de Nisa, Maria Gabriela Tsukamoto, mas até ao momento não foi possível.
José Manuel Basso tem esperança no renascer de um empreendimento que foi morrendo aos poucos. "Sinto-me triste. Precisa-se de um investimento público e de vontade". Contudo, o antigo presidente da autarquia de Nisa tem esperança "que surjam mecanismos por parte dos cidadãos, pois nessa via de intervenção será uma questão de tempo para que hajam formas de gestão para que a infra-estrutura volte a funcionar eficazmente", concluiu.
A Albergaria Penha do Tejo é actualmente local de passeio para animais e caracterizada por um ambiente esquecido, perdido no tempo e ignorado pelos olhares dos que lá passam, à espera que alguém lhe dê um novo rumo.
Ana Pires "O Distrito de Portalegre", 06/08/2009

27.7.09

NISA: Cegonhas passeiam e vão ao restaurante



Fotos retiradas de http://valkirio.blogspot.com
O atrevimento das cegonhas de Nisa, no distrito de Portalegre, não pára de surpreender a população local. Primeiro, começaram por tomar de assalto o jardim público. Agora, para comer, já fazem fila à porta do restaurante.
"Passeiam-se entre as pessoas com naturalidade, partilhando os mesmos espaços, sem medo. Os turistas que passam por aqui fartam-se de tirar fotografias. É engraçado, invulgar", contou ao JN uma funcionária da Junta de Freguesia local, acrescentando que, em Nisa, sempre houve muitas cegonhas, mas raramente se afastavam dos ninhos.
Não há memória de alguma vez ter havido tamanha proximidade entre este bicho e os humanos. Parecem animais domésticos, disputando o mesmo espaço a cães e a gatos. "Será fome? Não encontro explicação", refere a mulher. Certo é que as cegonhas já conquistaram a simpatia das pessoas.
O "fenómeno" começou há cerca de duas semanas, quando uma cegonha passou a estar mais tempo no jardim público do que no ninho. Os alentejanos acharam graça à ousadia da cegonha - que até posa para as máquinas fotográficas" - e baptizaram a ave com o nome de "Maria".
Dias depois, outras cegonhas passaram a acompanhar a Maria, nos passeios pelo centro de Nisa, que inclui uma paragem para refeições. Quando não é o povo a oferecer comida, as cegonhas vão até ao restaurante mais próximo.
É à porta do "As Três Marias" que as cegonhas vão pedinchar comida. "Por vezes, andam entre as pessoas, mas geralmente ficam à porta e esperam. Já sabem que alguém lhes dará comida", revelou ao JN Tiago Carriça, um dos proprietários do restaurante.
Não é que sejam exigentes com o repasto, até porque saem sempre sem pagar a conta. No entanto, o JN soube que o prato favorito da Maria e das suas companheiras é carapau. Pouco interessa o modo como é confeccionado. São de boa boca..
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Telma Roque - in "Jornal de Notícias"
Cegonhas na Praça da República
Em Nisa dois jovens filhotes de Cegonhas já quase adultos, abandonam o ninho com fome e sede e procuram na Praça da Republica de Nisa a sobrevivência.
Parece que um dos progenitores se encontra morto no ninho junto ao edifício dos Correios, ontem um dos filhos atirou-se “ás quedas de água” onde era o antigo “repuxo” com sede e sem forças tendo permanecido durante a noite encharcado de água.
Fernando Bizarro deu com a ave logo pela manhã de domingo, encharcada e sem forças, “somente com a cabeça fora de água” palavras dele e levou-a para o sol junto ao Calvário, no inicio da manhã deste domingo.
Contactado Nuno Sequeira do Núcleo da Quercus Castelo Branco, foi-nos dito que o Centro de Estudos e Recuperação de Animais Selvagens de Castelo Branco (CERAS) já estava a par da situação, assim como a GNR de Nisa. Procedendo-se de seguida á entrega da cegonha na Guarda que fará a entrega ao centro de estudos em Castelo Branco.
Quanto ao outro jovem "Cegonho", que também desce ao espaço público principal da Vila de Nisa onde é alimentada e vai sobrevivendo, parece que se encontra bem, com a "muleta" humana.

17.7.09

À DESCOBERTA DO PATRIMÓNIO DE NISA (II)

Banda da Sociedade Musical Nisense em França - 1989
- As Bandas Filarmónicas: O Festival
Aconteceu em Nisa e teve lugar a 4 de Julho de 2009, aquele que foi o 1º Encontro de Bandas Filarmónicas sob a égide da recém nascida associação Além Tejo Música.
Perfeição, é o termo adequado para nos referirmos às bandas participantes, de bom nível, e que no encerramento nos deliciaram com actuação conjunta sob a direcção do maestro António Maria Charrinho.
Na ocasião foi distribuído um livrinho/programa informativo sobre o historial das bandas presentes e dos respectivos maestros, bem como de algumas instituições organizadoras do evento, casos das Juntas de Freguesia de Nª Srª da Graça e do Espírito Santo e também da Sociedade Musical Nisense.
Se no conteúdo musical nada há a opor, bem pelo contrário, já o mesmo não diremos da informação prestada no pequeno opúsculo distribuído, em referência às duas freguesias da sede do concelho e à Sociedade Musical Nisense.
De uma vez por todas, tenham os copistas mais cuidado e “coragem” de expurgar as inverdades no que escrevem, pois não cremos serem elas filhas da falta de conhecimento ou da ingratidão cultivada.
Um conselho, nos permitimos dar: se o que escrevem não é “fruta” produzida no vosso quintal, por favor citem, que só vos fica bem, porque é mau, muito mau mesmo, pegar num texto escrito vão precisamente 20 anos e acrescentar-lhe à partes... insinuando ou ignorando propositadamente a verdade.
Se cada um de nós assumir e exigir unicamente o que seu é, não procurando furtar “bens alheios”, võ ver que todos lucrarão, inclusive o concelho de Nisa, a precisar cada vez menos de “ver passar navios” ao largo, a desaparecerem no horizonte.
Muito do que está errado, por excesso ou por defeito, nos textos escritos sobre as duas freguesias da sede (Nisa) e inseridos no programa do festival, acontece porque o mal vem detrás, está lá escrito de há muito tempo nos sites oficiais e não oficiais da nossa Câmara, que se recopiam uns aos outros.
E quando assim é, quando a “fonte” da notícia não jorra informação coerente, todos os que bebem nela erram, o que não é nada bom, mas assim sendo, limpe-se a fonte e torne-se mais pura, não a água, mas a informação oferecida.
Quando atrás nos referimos a um texto escrito vão já passados 20 anos e incluído agora no livrinho/programa, amputado aqui e ampliado ali, obviamente que aludimos aos desdobráveis turísticos editados, mil exemplares, em 1989, levados connosco e distribuídos em França, aquando da primeira deslocação da Sociedade Musical Nisense àquele país, deslocação essa que esteve na génese da geminação Nisa – Azay le Rideau e já “desaparecida” vítima de maus tratos.
Para bem da saúde desta última instituição e de quem a dirige, seguem os votos para que a espinha vertical se mantenha, não se curvando perante quem nunca nada de seu legou à “nossa” Sociedade Musical Nisense.
João Francisco Lopes in "O Distrito de Portalegre"

5.7.09

NISA: Quando o culto da personalidade e a teimosia se sobrepõem aos interesses dos Munícipes


Democracia é participar não só em voto mas em qualquer momento fora do período eleitoral
(...) O culto da personalidade é um fenómeno negativo que comporta inevitavelmente pesadas consequências no partido em que se verifique.

(...) É a prática da direcção individual e da sobreposição da opinião individual (mesmo que errada) à do colectivo. É a aceitação sistemática, cega, sem reflexão crítica, das opiniões e decisões do dirigente.
Álvaro Cunhal - O partido com paredes de vidro
Não podemos deixar de ouvir considerações que se tecem na praça pública sobre a actuação dos nossos órgãos representativos a nível de poder local.
Algumas foram as obras que se fizeram de grande impacto, como o arranjo da Praça da Republica, a substituição da rede de distribuição da água e consequente repavimentação, também consequente estudo rodoviário com colocação de sinalização. Não falando nas grandes termas de sonho e outras mais, muito dinheiro se gastou em benefício da nossa terra. Bem-haja o esforço!
Não encarem este texto como só parte de uma critica destrutiva, ouvimos as pessoas no dia, participamos no debate e acreditem que há quem vos defenda. Estamos todos na vossa mão, porque temos a filha, filho ou genro que depende da "fábrica" Câmara, e ela não vai fechar tão depressa!
Façam as obras que fizerem, não conseguem mudar nada de substancial, não promoveram o emprego. Os nossos jovens continuam a ter que partir deixando cada vez mais definhado este concelho abandonado. Vão sempre arranjando tachinho alguns amiguinhos da linha dura desta ditadura estalinista que de momento já controla quase tudo e todos. Quando muitos dos nossos jovens têm que emigrar para arranjar trabalho, ter um carrito, arrendar casa, constituir família. Muitos destes já conseguiram subir na vida, ter o trabalho nem que seja temporário, mal pago e a recibos verdes.
Alguns deles aparecem só na altura da época festiva, bem formados e qualificados. Basta ir aos bares existentes junto ao jardim nestas alturas, muito álcool jorra por estas alturas convivendo com os colegas de escola, embora alguns a trabalhar em qualquer coisa que dependa da Câmara, directa ou indirectamente! Planos de formação, associações geridas pelos amigos, etc. etc. Porque o afastamento dos pais é difícil, mas também o é daqueles com quem crescemos, na cumplicidade da descoberta, da partilha, de construção da personalidade.
De início começam por vir quase todos os meses, depois nas festas, no verão, e um dia já não fazem parte do nosso imaginário…
Qualquer obra que se fizesse na Praça da República seria boa, independentemente do que fosse. Parabéns finalmente.
Desgosta-nos a solução adoptada. Em primeiro lugar patrimónios não são só os aglomerados e prédios urbanos, também o são os jardins, mesmo as árvores! A tão emblemática “arvore da mentira” morreu, e quase todas as tílias, que pena! Onde nos escondíamos para dar o primeiro beijo perto dos pais na pastelaria jardim. Onde fumamos o tão mal fadado primeiro cigarro. A sua copa era enorme, chegava até ao chão, linda mesmo. O nosso jardim tinha cheiro, tinha peixes no “repuxo”, era enorme! Tinha buganvílias que se entrelaçavam nas grades de protecção e a ornamentavam em todo o seu comprimento do lado nascente. Estas já tinham muitos anos pois pareciam as latadas das parreiras, magnífico. Quanto brincamos naquele jardim, vinha o verão e com ele centenas de emigrantes, era o auge da vivência do jardim. Os moçoilos com fisgas de arame atiravam umas bolinhas que caíam das arvores ás moças de mini saia, as meninas “francesas”.
O nosso jardim também tinha muita vida na Páscoa, não só por ser uma época da família, mas porque passavam centenas de autocarros para a Serra da Estrela e era na praça que estacionavam os autocarros para dar inicio ao piquenique, á festa!
Nada disto foi tido em conta, faz-se uma obra sem pressupostos do cliente, sem o conhecer, sem dialogar, que bom exemplo nos dão os nossos representantes. Pior, e por birra muda-se a emblemática fonte contra um abaixo-assinado, a decorrer. Outra lacuna em como foi um projecto de brincadeira de estirador, brincando com o compasso tal menino na aula de desenho, algures bem longe de Nisa. É quando pretendemos atravessar de uma maneira rápida o jardim, tal não é possível. Não houve estudo da saída das ruas para o jardim, foi pensado no que estava a dar, uma pequena expo das muitas que se têm feito pelo País. A quantidade de candeeiros plantados nas superfícies bem impermeabilizadas junto com os sinais enterrados já com bom porte parecem crescer na paisagem da linda praça tal e qual centro urbano de muito tráfego.
A destruição do jardim público de Nisa, continua a ser um crime sem castigo. O povo tem memória e um dia vai despertar...
Gema