Nesta semana, uma pequena notícia passou relativamente discreta. O
TikTok confirmou que não vai adotar a tecnologia de encriptação "End-to-End"
nas suas mensagens diretas, ao contrário do que já fazem Instagram, WhatsApp,
Facebook Messenger, entre outros. É relevante? Bastante.
A tecnologia "End-to-End" significa que apenas quem envia e
quem recebe as mensagens pode ler o conteúdo. Ora, o TikTok argumenta que se
implementar aquela medida impede que as autoridades policiais consigam aceder
às mensagens quando estão a investigar atividades ilegais. Se a própria
plataforma não pode consultar o conteúdo das mensagens, também não terá como
entregá-lo às autoridades, justifica.
Porém, a decisão da empresa, elogiada até por várias organizações de
proteção de menores, é vista como uma prova de que a China continua a querer
ter acesso aos dados dos utilizadores do TikTok, mesmo depois da empresa dona
da rede, a ByteDance, ter sido multada em 530 milhões de euros por enviar
informação para Pequim.
É esta guerra de dados que deixa o Ocidente muito desconfortável. Saber
que a China tem nas mãos o maior e mais poderoso algoritmo, que lhe permite
analisar o comportamento de milhões de pessoas, é a prova de que as batalhas de
hoje se disputam também nas aplicações que usamos diariamente.
Manuel Molinos – Jornal de Notícias - 6 de março, 2026
