
No ano passado, as multas rodoviárias renderam ao Estado quase 87
milhões de euros, que representaram uma subida de 23% em comparação com 2024. A
instalação de radares de controlo de velocidade foi um dos principais motores
deste aumento e tudo indica que o caminho é para prosseguir. Rui Rocha,
secretário de Estado da Proteção Civil, anunciou esta terça-feira que está em
estudo a localização de 12 novos radares para medir a velocidade média. O
investimento em segurança é sempre útil, sobretudo quando o objetivo é a
prevenção, com sinalização bem visível, e não a caça à multa. Pena é que a par
da fiscalização não haja uma estratégia ambiciosa com medidas multissetoriais.
Os dados de sinistralidade mostram bem a urgência de uma ação concertada. Até
23 de março, o Observatório de Segurança Rodoviária contabiliza já 95 vítimas
mortais de acidentes, mais 10 do que em igual período de 2025. E as
estatísticas são ainda mais dramáticas na análise de longo prazo: numa década,
temos estado a marcar passo e com taxas de sinistralidade que pouco recuaram em
relação a 2017.
Ao anunciar novos radares, o governante responsabilizou os próprios
automobilistas, recordando comportamentos como o excesso de velocidade e o uso
de telemóvel, causadores de uma elevada percentagem de acidentes. Acontece que
o Estado não pode demitir-se das suas competências nesta matéria, nomeadamente
na formação e na melhoria das infraestruturas. É incompreensível que a
Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária esteja por aprovar desde 2020. É
inaceitável que, mês após mês, continue a ser anunciada "para breve"
a sua consulta pública, sem que ninguém - incluindo na Oposição - pareça
preocupado com este atraso. Neste capítulo, falhamos com estrondo, mas
curiosamente sem alarido político.
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Inês Cardoso – Jornal de Notícias - 25 de março,
2026