Mais importante que retirar os telemóveis dos estabelecimentos de ensino é saber o que os estudantes mais novos fazem com eles, especialmente fora do ambiente escolar. A maior parte de nós, diga-se, não faz a mínima ideia. Nem sequer falamos a mesma linguagem.
Nas
últimas semanas, na sequência da série de sucesso “Adolescência”, o debate
sobre bullying, ódio online, radicalismo e mau uso das redes sociais entre
jovens e adolescentes ganhou um lugar que nunca teve. Infelizmente, à custa do
medo. Do receio de que a notícia de que três jovens se filmaram a violar, em
Loures, uma rapariga de 16 anos e partilharam imagens online seja sobre a nossa
família, sobre os nossos filhos.
O
papel da escola no combate ao bullying não tem sido ativo nem efetivo. A prova
é que grande parte da comunidade educativa descobre agora expressões como
“nonce” ou “incel”, pedófilo e homem que culpa as mulheres pela sua dificuldade
em estabelecer relações íntimas, respetivamente.
A
nossa “emojipedia” também se alargou. Ficamos a conhecer símbolos que
representam órgãos sexuais, conteúdos eróticos e drogas. Uma aprendizagem que
chegou aos ecrãs dos smartphones via PSP, que tem feito um excelente trabalho
nas redes sociais. Um verdadeiro serviço público que devia servir de exemplo a
quem define políticas educativas e pedagógicas.
Numa
altura em que se partilham violações, em que a delinquência juvenil volta a
subir e em que há menores a ganhar dinheiro com pornografia digital, o tema já
não é proibir os telefones nas escolas. Isso é apenas deslocar o problema para
outros ambientes.
• Manuel Molinos – Jornal de Notícias - 28
março, 2025