Antes da madrugada romper
O vaqueiro se levantava
P´ra dar ao gado de comer
Já que o dever o obrigava
Quantas vezes a chover
De guarda-chuva e candeeiro
Ensonado e a tremer
Ao duro frio de Janeiro
Enquanto o outro pessoal
Dormia profundamente
Dirigia-se ele ao cabanal
Muito antes do sol nascente
Era então que espalhava
O feno na manjedoura
Já que a manhã anunciava
Um novo dia de lavoura
Depois do gado estar tratado
E caso a manhã tardasse
Ia dormir mais um bocado
Voltando de novo a deitar-se
Depois de manhã levava
Até à torna o gado
Quando começava
Para o prender ao arado
O mesmo lhe competia
Trazer o gado de volta
Quando era ao fim do dia
Depois de se dar solta
Vivia praticamente
Em especial nessa altura
Para o trabalho somente
Levando uma vida dura
* António dos Santos Sequeira