30.10.14
29.10.14
26.10.14
POEMA PARA UM DOMINGO
LIBERTAÇÃO
Menino doido, olhei em roda, e
vi-me
Fechado e só na grande sala escura
(Abrir a porta, além de ser um
crime,
Era impossível para a minha
altura...)
Como passar o tempo? E diverti-me
Desta maneira trágica e segura:
Pegando em mim, rasguei-me, abri.
parti-me,
Desfiz trapos, arame, serradura...
Ah, meu menino histérico e
precoce!
Tu, sim!, que tens mãos trágicas
de
posse
E tens a inquietação da
Descoberta!
O menino, por fim, tombou cansado;
O seu boneco aí jaz esfarelado...
E eu acho, nem sei como, a porta
aberta!
José Régio – “Poemas de Deus e do
Diabo”
24.10.14
POSTAIS DO CONCELHO: A Banda Municipal de Nisa em 1940
A foto fez a contracapa da edição nº
97 do “Jornal de Nisa” publicada no dia 12 de Dezembro de 2001 e representa a Banda
Municipal de Nisa – Fotografia tirada em 25 de Fevereiro de 1940 no quintal da
D. Adelina Ferreira Pinto, com a seguinte composição:
1º Plano (1ª Fila, em baixo) :
Abel Marques Figueiredo (bombo), Manuel Maria Sales (trompete), António Ramos
Charrinho (caixa), Carlos do Rosário Figueiredo Pação (requinta), António da
Graça Ribeirinho (caixa), Miguel Maria Póvoa (trompa) e Adelino Canatário
(pratos).
2º Plano – João Augusto da Piedade
Cebola (clarinete), José da Graça Macedo (clarinete) Adelino do Rosário Ramos
(clarinete), Mário Dinis Bicho, Dr. José Carvalhais de Barros Gouveia, Aníbal
Dinis Vieira e António da Graça Paralta (membros da drecção), António de
Oliveira Correia (clarinete), Luís do Rosário Matias (saxofone-soprano) e Abílio
Dinis Porto (barítono.
3º Plano – João Figueiredo Diogo
(contrabaixo), Luís Gonçalves Neves (barítono), João de Matos Bizarro
(trombone), João da Cruz Charrinho (contrabaixo), José da Cruz Esteves (saxofone
tenor), José Fernandes (maestro), José da Gama de Matos Serrano (saxofone-barítono),
Joaquim Maria Bicho (saxofone), Benjamim da Cruz Corga (trompete), e Joaquim da
Cruz Beato (trompete).
4º Plano (Última fila, em cima) –
José Figueiredo Reizinho (trombone), João Maria Cigano (trompete), Tomás Dias
Semedo (trompa), António Cardoso (saxofone), Teófilo Gomes Guerra (saxofone),
António do Rosário Louro (clarinete), Júlio Bento (trombone), Luís Filipe do
Rosário Marquês (clarinete), José Curado Amaro (trompete) e Ciríaco Alexandre
Dias (trombone).
23.10.14
AMIEIRA DO TEJO recebe no domingo, grupo de caminheiros de Castelo de Vide
No próximo Domingo dia 26 de
Outubro, o grupo de caminheiros Gatos Estafados, de Castelo de Vide, vai
caminhar na zona da Amieira do Tejo, e ainda "saborear a sopa de
peixe", conforme tinha sido planeado "já desde o inicio do ano".
"Esta caminhada é apenas para
membros dos Gatos Estafados, e o almoço não terá qualquer custo para os membros
habituais". Mas no entanto, os interessados membros "devem
inscrever-se até amanhã, dia 24 de manhã (Sexta feira), pois teremos que confirmar
o número exacto de comensais, pois com não há restaurante no local, as
refeições são asseguradas, numa associação da localidade"
22.10.14
POESIA - O que o meu coração sente
Morreu a minha mulher
Muito magoado estou
Por não saber se ela morreu
Ou se alguém a matou
I
Atenções nunca lhe deram
Era o que lhe fazia falta
E com a febre bem alta
Foi assim que me disseram
Tratar dela não quiseram
Cada um faz o que quer
Para o país saber
Que há falta de competência
E com falta de assistência
Morreu a minha mulher
II
Era uma infecção urinária
Que com um antibiótico passa
Depois era a febre da carraça
E as desculpas foram várias
Com as informações primárias
Que ao meu ouvido soou
Contei, ninguém acreditou
- Não acredites não vás nisso!
E digo é mesmo por isso
Que muito magoado estou.
III
Um médico até me disse
Para me manter em sossego
Que foi mordida por um morcego
Mas que grande vigarice
Mas se fosse só eu que ouvisse
Ainda bem que não fui só eu
Não sei o que aconteceu
Desesperado estou
Sei que alguém a matou
Não foi ela que morreu.
IV
Deixou um viúvo a cismar
Com falta dos seus carinhos
Sem avó, quatro netinhos
E dois filhos a chorar
Já não a vejo no meu lar
Sei que ninguém ma roubou
E quem tanto a guardou
Para nada lhe acontecer
Não sei se acabou por morrer
Ou se alguém a matou.
António Elias Estróia – Outubro 2014
MEMÓRIA: Banda de Niza: É symphonica...ou não é symphonica? (2)
O insigne maestro e sábio professor
e meu querido mestre Júlio Newparth diz: “Symphonica é toda aquela que tenha
elementos para executar as symphonias, suites-poemas, etc., etc.
Manuel Benjamim, o inspirado
maestro e sábio professor diz-me: “Symphonica é toda aquella que souber
executar bem as symphonias. A de Nisa, de que eu conheço a estructura é symphonica – lá tem os dois instrumentos
característicos e necessários para seu complemento, a flauta em dó e o oboé!”
O grande regente da Orchestra
Symphonica Portuguesa, Pedro Blanch, de há muito que tem como opinião que é
symphonico todo aquele conjunto que consiga executar todas as phases
symphonicas da distribuição musical. É claro que o Sol-e-Dó do Dafundo e a
Filarmónica da Moita não pode tocar a symphonia do Guaray de forma a poder ser
ouvida com agrado. A não ser em aleijão como já ouvi tocar a symphonia Fão de
G. Tell, essa gloria musical, esse génio que brilha no meio dos requintes
portugueses, que modificou a antiga Banda da Guarda Municipal para a explendida
Banda Symphonica que hoje tão proficientemente rege, teve precisamente a opinião
de Pedro Blanch. Eu, entre tão insignes companheiros, um ínfimo pygmeu entre
tais gigantes.”
Há-de haver um ano e tal, que este
assunto bem discutido foi, e d´essa discussão nasceu a luz de que symphonico é
todo aquele agregado de executantes musicais, onde os naipes tenham toda a
extensão dos timbres e onde possa ser
transcripto o colorido empregado pelo auctor do motivo symphonico.
F. Bahia, professor distincto e
Director do Conservatório de Lisboa, diz-me numa erudita carta de que vou
transcrever alguns períodos.
-“ Como V. sabe muito bem a
etymologia da palavra symphonica – sym – com e phône-sem é como vê toda a reunião
de vozes ou de sons que formem um conjuncto.
É adoptada para peças de música
com vários andamentos. Na Alemanha e nos grandes paizes musicais denominavam
Banda Symphonica ou Orchestra SYmphonica a todas aquelas que estavam habilitada
a executar os motivos symphonicos, sendo necessário para a sua constituição ter
em mira conseguir-lhe a maior extensão do som, para poder abranger toda a gama empregada
pelos motivos symphonicos dos auctores.
Nas melhores Orchestras há géneros
e qualidades de peças, para que é necessário o augmento dos seus executantes,
isto pela exigência das partituras; e no entanto essas Orchestras, não tendo
constantemente tal numero de instrumentistas, mesmo assim não deixam de ser symphonicas.
A sua banda composta como está, ou
como V. me dise a ia compor, é uma peque Banda Symphonica, disso não tenho a
menor duvida, como a Banda da Guarda Republicana é uma grande Banda Symphonica,
com que nós os portugueses muito nos devemos orgulhar, etc., etc.
Não sei meu caro amigo se disse o
bastante para poder explicar que quando qualifiquei de Banda Symphonica, a
Banda que me orgulho de reger, fundamentava em prévio conhecimento d´arte a sua
constituição.
Mesmo assim, faltando-lhe muito do
que esperava ela já tivesse, ainda lhe podemos afoitamente chamar Symphonica
deixando barafustar os ignorantes e rirmo-nos dos despeitados.
Disponha, meu amigo, sempre do
pequeno préstimo do que é com praser seu Admirador devotado,
António Pena
************* *********
*********
PS= Olhe, meu amigo, Phylarmonica é
que ela não é, como lhe vejo alguém chamar!
Ahi teem os Nizenses a resposta do
Regente da Banda Symphonica de Niza que, pelo que parece, sempre é Symphonica,
contra a má vontade dos despeitados, é claro, para que a Banda ainda é um
marmelo cru, atravessado nos gorgomilhos...
Tenham paciência!
Um amador de música.
21.10.14
Artesanato nisense inspira abertura de espaço em Lisboa
Inspirado na Herdade das Jans, localizada em
Amieira do Tejo, concelho de Nisa, na margem esquerda do Rio Tejo, a estilista
Isilda Pelicano inaugurou, no passado dia 16 de outubro, em Lisboa o espaço
Jans cujo conceito incide no artesanato nisense.
Com a presença da Presidente e do
Vice-presidente da Câmara Municipal de Nisa e do Reitor do IADE – Creative
University, foi inaugurado, na Rua da Rosa nº 212, em Lisboa, o espaço Jans
concept cujo projeto abrange várias vertentes: JANS studio contemporay craft
que constitui a criação de peças em cortiça, cerâmica e têxteis, de design
contemporâneo inspiradas em técnicas artesanais sendo as restantes áreas de
negócio a implementar faseadamente a JANS gourmet, JANS Nature e a JANS Country
House & Nature.
Para dar sequência ao projeto, a
marca JANS desenvolveu protocolos com o IADE- Creative University e com a
Câmara Municipal de Nisa (Museu do Bordado e do Barro), estabelecendo um
diálogo criativo entre as artesãs nisenses e aquela escola de design nacional
com objetivos assentes, a longo prazo, no campo da investigação,
desenvolvimento e inovação, pretendendo estabelecer mecanismos de cooperação
que tornem possível a participação conjunta em projetos, explorando novas
ideias e criando soluções inovadoras no que respeita ao trabalho desenvolvido
pelos artesãos de Nisa, potenciando a ligação institucional que vise a
divulgação deste património imaterial representativo das gentes de Nisa,
aplicado a uma realidade aberta a novos desafios no que respeita à continuidade
do artesanato nisense.
Naquele espaço há peças com
aplicações em feltro (arte típica de Nisa) e que constituem uma das mais
antigas formas de bordar, mas também peças em cortiça e em cerâmica, criadas
por artistas convidados, consagrados ou emergentes, e que contribuem para a
criação de coleções que recriam a tradição do concelho de Nisa.20.10.14
NISA - Um Ano de Mandato: O silêncio é (quase) de ouro!
AUTARQUIAS DE NISA: 1 ANO DE MANDATO
Completou-se no passado sábado, dia 18 de Outubro, um ano de
mandato autárquico no concelho de Nisa. Quisemos assinalar a data e “tomar o pulso”
às diversas sensibilidades políticas existentes tanto na Câmara como na
Assembleia Municipal e nas Juntas de Freguesia, julgando poder contribuir para
o debate político-autárquico e para tal elaborámos três questionários (um para
cada órgão autárquico), com perguntas simples e abertas, que, pensámos, não
constituiriam nenhum quebra-cabeças para os detentores dos cargos a quem as endereçámos:
presidente da Câmara, vereador Vítor Martins (CDU), vereador José Semedo (PSD),
eleito na AM, Amílcar Zacarias (MIMexer com Nisa) e presidentes das sete juntas
de freguesia do concelho.
Onze destinatários e eleitos do povo que, à excepção de uma
Junta de Freguesia (a União das Freguesias de Arez e Amieira do Tejo) não
quiseram responder, situação que aceito e respeito, lamentando, apenas, que os visitantes
do “Portal de Nisa” não tenham oportunidade de ouvir de viva e livre voz, os
responsáveis autárquicos, a diversos níveis, do território que habitamos e
ajudamos a sustentar com os nossos impostos.
Agradeço ao executivo da União das Juntas de Freguesia de
Arez e Amieira do Tejo, a disponibilidade e o respeito demonstrado tanto pelo
responsável deste blog como pelos eleitores e fregueses da sua área de
administração.
Aos restantes, resta-me pedir-lhes desculpa por ter
incomodado o justo e reparador descanso de Sªs Exªas.
Mário Mendes
Mensagem enviada à presidente e vereadores da Câmara Municipal de Nisa
Estando a completar-se um ano de
mandato (apontando a data de 18 de Outubro como a da posse dos órgãos
autárquicos do concelho) e para a elaboração de um trabalho sobre o poder local
no município de Nisa, agradecemos a sua colaboração, respondendo às perguntas
que por este meio (e-mail) lhe enviamos, solicitando que as respostas nos sejam
enviadas até ao final de 17 de Outubro.
1 – Que balanço (análise) faz deste primeiro ano de mandato?
2 – Quais as principais carências/problemas que detectou no
concelho e como pensa resolvê-las?
3 – Qual o seu maior/principal objectivo e quais as prioridades
enquanto presidente da Câmara?
4 – Que medidas são necessárias para o desenvolvimento do concelho
e a consequente implementação de uma melhor qualidade de vida?
5 – Quais as expectativas que tem em relação ao trabalho do
executivo municipal e as formas de cooperação que julga indispensáveis entre os
eleitos na Câmara, Juntas de Freguesia e a Assembleia Municipal de modo à
prossecução dos principais objectivos de administração e dinamização económica,
social e cultural do concelho?
6 – Que medidas de fundo seriam (serão) necessárias tomar para
retirar o município da letargia em que mergulhou?
Mensagem enviada ao Eleito
na Assembleia Municipal - Amílcar Zacarias
Estando a completar-se um ano de mandato (apontando a data
de 18 de Outubro como a da posse dos órgãos autárquicos do concelho) e para a elaboração
de um trabalho sobre o poder local no município de Nisa, agradecemos a sua
colaboração, respondendo às perguntas que por este meio (e-mail) lhe enviamos,
solicitando que as respostas nos sejam enviadas até ao final de 17 de Outubro.
1 – Que balanço (análise) faz deste primeiro ano de mandato?
2 – Quais as principais carências/problemas que detectou no
concelho e como pensa contribuir para a sua resolução?
3 – Qual o seu maior/principal objectivo e quais as
prioridades enquanto eleito na Assembleia Municipal?
4 – Que medidas são necessárias para o desenvolvimento do
concelho e a consequente implementação de uma melhor qualidade de vida?
5 – Quais as expectativas que tem em relação ao trabalho do
executivo municipal e as formas de cooperação que julga indispensáveis entre os
eleitos na Câmara, Juntas de Freguesia e a Assembleia Municipal de modo à
prossecução dos principais objectivos de administração e dinamização económica,
social e cultural do concelho?
6 – Que medidas de fundo seriam (serão) necessárias tomar
para retirar o município da letargia em que mergulhou?
Estando a completar-se um ano de mandato (apontando a data
de 18 de Outubro como a da posse dos órgãos autárquicos do concelho) e para a
elaboração de um trabalho sobre o poder local no município de Nisa, agradecemos
a sua colaboração, respondendo às perguntas que por este meio (e-mail) lhe
enviamos, solicitando que as respostas nos sejam enviadas até ao final de 17 de
Outubro.
1 – Que balanço (análise) faz deste primeiro ano de mandato?
2 – Quais as principais carências/problemas que detectou na
sua freguesia e como pensa resolvê-las?
3 – Qual o seu maior/principal objectivo e quais as
prioridades enquanto presidente da Junta?
4 – Que medidas são necessárias para o desenvolvimento do
concelho e a consequente implementação de uma melhor qualidade de vida?
5 – Quais as expectativas que tem em relação ao trabalho do
executivo municipal e as formas de cooperação entre as Juntas de Freguesia e a
Câmara?
União das Freguesias de Arez e Amieira do Tejo respondeu:
Vem o executivo desta União de freguesias enviar as
respostas ás perguntas que nos foram enviadas:
1 - Balanço e análise
sobre o primeiro mandato deste executivo: tendo em conta a situação actual do
País, é por nós considerado positivo. Contudo, pensamos ser pergunta a colocar
aos fregueses que servimos.
Brevemente, será emitido comunicado sobre a actividade do
primeiro mandato.
2 - Quais as carências: Umas das principais, reflecte-se na
herança do ex-executivo em Amieira do Tejo. Saldo praticamente negativo, com dívidas
à mistura. Todavia, os objectivos que traçamos, dentro das possibilidades
existentes, estão a ser cumpridos.
3 - Os principais objectivos: Em primeiro lugar; servir
todos em iguais circunstancias sem excepção. Segundo; rigor, honestidade no
desempenho da função. Prioridades: Baseiam-se no cumprimento do Plano de
actividades e orçamento anual. outras situações vão surgindo dia após dia, que
são tidas também com consideração.
4 - O desenvolvimento do Concelho faz-se com a criação de
Empresas que possam gerar emprego, creio que nos últimos anos a politica de
emprego adoptada no concelho foi nefasta para iniciativa do sector privado. Não
sendo aproveitadas as oportunidades surgidas.
5 - As expectativas em relação ao trabalho do executivo
municipal neste primeiro ano de mandato, dado a situação actual do município em
termos económicos que é de todos conhecido, no essencial, têm sido cumpridos os
protocolos existentes entre ambas as autarquias o que significa o bom
relacionamento e cooperação.
Com os melhores
cumprimentos
O executivo da união de Freguesia de Arez e Amieira do Tejo
19.10.14
MEMÓRIA - Banda de Niza: É symphonica...ou não é symphonica?
O artigo é uma verdadeira "pérola" e uma lição sobre a arte musical.Publicado na edição nº 9 do semanário nisense "As Férias" em 1 de Outubro de 1916, transcrevemos a primeira parte, como evocação dos 170 anos da Banda de Nisa cujas comemorações ontem se iniciaram.
Tendo já por algumas vezes ouvido
pôr em duvida a classificação de symphonica que a nossa Banda tem; mas,
especialmente por no arraial da Comenda, a que assisti, terem ferido os meus
ouvidos uns dichotes de alguns espectadores-ouvintes, que cheios de despeito,
com voz irónica, victoriavam com aquele cognome a nossa Banda, puz hoje em mim
a missão de vir trazer a publico a opinião de alguém que nos pudesse elucidar
sobre o assunto.
Sabemos também, sem querer
melindrar nenhum dos Nizense, que cá na terra não há um só com competência a
nos poder informar; e, por isso, nos dirigimos a quem reputamos apto a para nos
esclarecer.
Escrevemos um cartão ao maestro
Regente da nossa Banda, e ele com a gentileza que o caracterisa, responde-nos
assim:
“ Meu caro amigo, da minha maior
estima.
Pergunta-me V... a razão porque a
Banda de Niza se chama Symphonica.
Vou ver se com os meus fracos
conhecimentos, consigo esclarecer essa magna
questão, que tanto tem dado que falar ao indígena.
À guisa de espírito d´alguns,
tomei eu o remoque. D´outros, onde abunda a inqualificável ignorância, deixei
correr o dito, parelha com o seu atrevimento; mas, hoje, que V... tão
amavelmente se me dirige quebro o cofre onde tinha guardado o silencio do meu
dspreso, para gostosamente lhe vir dizer, não só o que sei sobre o assunto, mas
ainda o que professores distinctissimos, verdadeiras sumidades na arte musical,
dizem sobre a mesma questão.
A Orchestra – ou Banda, é
Symphonica quando se compõe de uma certa qualidade de instrumentos que possam
habilitar a symphonia.
Deve no naipe de pachetas ter:
Oboé – requinta – clarinetes –
saxofones e fagote (ad libitum) não
esquecendo a função especial da flauta em dó – também faz parte componente a
flauta em mi e o flautim e oitavino.
Em metais de bocal, seguindo pelos
agudos, deve estar enfeitada com trompetes, cornetins, feliscornios, trompas,
tenores, barythonos, baixos e c. baixos. É parte integrante o c. baixo de corda
– bateria completa e tímpanos.
Ora aqui tem o meu caro amigo a
composição de uma Banda Symphonica – que poderá ser classificada de grande ou
pequena Banda, segundo a quantidade dos seus executantes.
Estou vendo já que o meu amigo ao
acabar de ler o período transacto pensa e com razão que á Banda de Niza faltam
muitos dos instrumentos inumerados. Tive um sonho doirado que embalou o meu espírito
de bom, e julguei poder torná-lo em realidade. Tantos
pezares... chagas tão fundas deixaram o meu coração tão ferido que foi uma
loucura querer tornar em real a chimera do meu sonho, e por isso peço me
desculpe, em não lhe dizer os motivos porque à Banda de Niza faltam esses
instrumentos! Se um dia cicatrizar em mim esta ferida que me punge, mesmo de longe, é possível que
extreiorize, então essa lenda... lenda que para sempre habitará o seu paiz
ideal...
A falta, meu amigo, desses
instrumentos não são assaz sensíveis, pois que são substituídos por outros que
ainda que não dêem o verdadeiro efeito, suporta-se a substituição sem
desagrado, e não berra muito contra a arte.
Mas a principal razão porque a uma
Banda ou Orchestra cabe o nome de Symphonica, é quando ela tome para tema especial
das suas expansões o motivo symphonico, e por conseginte execute:
Symphonias – ouvertures – odes –
suites e poemas symphonicos. (continua)
14.10.14
OPINIÃO: Oração a Nossa Senhora da Graça
Senhora Minha, Senhora Nossa
Nossa Padroeira, Mãe do Senhor!
Somos nisenses, Senhora
Foram-se apagando por minha, por
nossa culpa
Todas as velas que jurámos manter
acesas
A da Paz esmaeceu por falta de
exercício continuado
A da Fé dizem-nos desconhecer Deus
A do Amor desperdiçámos-la,
substituímo-la
por coisas inúteis
Senhora, Nossa Mãe,
Nossa Protectora, socorrei-nos
E que na vela da ESPERANÇA QUE NOS
CONFIASTES
SE REACENDAM TODAS AS OUTRAS como
que EM MILAGRE
QUE REALIZASTES
À NOSSA terra, à NOSSA gente!
Pela Vossa Eterna Bondade!
Vosso, sempre
João Castanho
Romaria da Senhora da Graça
É dia de Romaria
É mais um dia que passa
Vamos lá com alegria
A Nossa Senhora da Graça
Eu sou um pobre emigrante
Que nunca esqueço este dia
E vim de terra distante
É dia de Romaria.
Vim a pé com devoção
Para te pedir a tua graça
E rezo minha oração
É mais um dia que passa.
Quero ir à procissão
Quero louvar este dia
Com amor e devoção
Vamos lá com alegria.
Abençoai os peregrinos
De humildes é nossa raça
Os velhos e os pequeninos
Nossa Senhora da Graça.
Vou a pé à Romaria
Rezando pelo caminho
Senhora dai-me alegria
Sou um pobre peregrino.
Fernando da Graça Pestana
13.10.14
OPINIÃO: Desabafo(s) e... nada mais!
Nesta foto estou eu e a minha Mãe
num lar em junho deste ano.
Quando construí a minha casa fiz
um quarto a pensar que um dia quando minha Mãe fosse velhinha terminaria aí os
seus dias.
Infelizmente em setembro do ano
passado tive que procurar um lar para minha Mãe, as circunstâncias da vida não
me permitiram cuidar Dela.
A minha Mãe trabalhou uma vida
inteira para patrões que nunca lhe fizeram descontos para a Segurança Social por
isso apenas tem uma reforma de 300 euros.
A minha Mãe é o exemplo de MÃE,
doente dos ossos desde nova criou dois filhos com muitos sacrifícios, sempre me
lembro do meu Pai doente e morreu com 54 anos.
A minha Mãe já não tem o aspeto
desta foto, foi definhado aos poucos naquele lar, hoje está amarrada a uma
cadeira de rodas ou numa cama, tanto gritava como gemia, queria vir para
Nisa…hoje só geme…continua a querer vir para o lar de Nisa mas perdeu a força e
a vontade de viver, está com demência isquémica e infeção renal ( no dia 5 de
outubro esteve todo dia nas urgências de um hospital, mas foi reencaminhada
para o lar, “já tem 82 anos”).
Em Nisa há dois lares; o dos ricos
(com vagas) e o dos menos ricos que sinceramente não sei se tem camas livres ou
não e também não sei muito bem como se lá entra…
A minha Mãe está inscrita no dos
menos ricos (antigo asilo para carenciados) há um ano, mas na altura da
inscrição disseram-me logo que havia mais de oitenta velhinhos a sua frente,
mas também me iam dizendo para falar com este e com aquele que ela entraria…
apenas sei que há tempos me disseram que ela ia entrar “dentro de dias” pela
segurança social, mais tarde disseram-me que já não entrava por já estava numa
instituição…mas se conhecesse bem o fulano da tal segurança social talvez…Nesse
dia tive vontade de por a minha Mãe num carrinho de supermercado e depositá-la
em frente a um qualquer lar de Nisa…
A minha Mãe já não tem muito mais
tempo de vida, continua a sonhar com o lar de Nisa, quando eu ou o meu irmão lá
vamos, pensa sempre que a vamos trazer e nós desfazemos-nos em desculpas
estúpidas…
Tirem as ilações que quiserem…um
dia deste vou-me inscrever no asilo de Nisa, para se lá chegar ter vaga…
Sinto revolta e desânimo, só
queria que a minha Mãe terminasse os seus dias na sua terra, próxima dos seus
amigos...
Graça Moura
12.10.14
NISA: Poetas do Concelho - Outono
Poesia de Outono
Termina o
Verão, começa o Outono
É tempo de secarem
as flores
É tempo de
o rei descer do trono
E pintar o
mundo de outras cores
É tempo das
andorinhas nos deixarem
E partirem
à procura de calor
É tempo de
os tordos cá voltarem
Para serem
exterminados sem pudor
É tempo de
limpar os nossos rios
Com a chuva
que cai do firmamento
É tempo de
encher corpos vazios
E mostrar
que somos gente por um momento
É tempo dos
rouxinóis se calarem
E deixar os
nossos campos sossegados
É tempo de
outros pássaros voltarem
E não
deixar que sejam apanhados
É tempo de
varrer toda a folhagem
Que o vento
agreste derrubou
É tempo de
mostrar nossa coragem
A lembrar o
tempo que passou.
É tempo de
cultivar nossas terras
Para depois
haver searas verdejantes
É tempo de
acabar com tantas guerras
E ver os
campos como a gente via dantes.
É tempo de
brincar com nossos filhos
Nos jardins
da prudência e do amor
É tempo de
evitar muitos sarilhos
Ensinando-os
a plantar uma flor!
Jorge Pires
11.10.14
8.10.14
Sociedade Phylarmonica Nizense nasceu há 170 anos
A Sociedade Phylarmonica Nizense, antecessora da actual Sociedade Musical Nisense e antes Banda Municipal de Nisa ou Banda Nisense, foi criada em 1844 conforme "rezam" as crónicas. Do final do século XIX e princípios do séc. XX há ainda diversa documentação sobre esta associação cultural percussora do ensino e da dinamização musical no concelho de Nisa.
A foto da banda é de 1909, obtida junto às ruínas de um templo religioso - julgamos tratar-se da capela de S. Pedro ou da capela de Santa Ana, ambas já demolidas, em diferentes épocas -, enquanto o "documento" de inventário remonta a Dezembro de 1903 e que publicamos como nota curiosa e histórica de uma colectividade que, com altos e baixos, atravessou todo o século XX e se apresenta, hoje, no seu mais alto valor exponencial.
6.10.14
NISA: Realiza-se no domingo a Feira de S. Miguel ou de Outubro
Câmara assegura transporte gratuito entre as
Freguesias e Nisa
As feiras e mercados são eventos
de inegável interesse público. Para além da importância na economia local e
regional, as feiras e mercados proporcionam a comunicação, o encontro e o
convívio entre pessoas de todas as freguesias do concelho e são o pretexto para
a visita de muitos conterrâneos residentes noutros pontos do país.
No próximo domingo, 12 de outubro,
realiza-se em Nisa a tradicional feira de São Miguel.
À semelhança do ocorrido em junho,
por ocasião da Feira das Cerejas, a Câmara Municipal proporciona o transporte
gratuito entre as freguesias e a sede do concelho.
Os autocarros municipais poderão
ser utilizados pelos habitantes das várias localidades para a deslocação a Nisa
(e regresso) de acordo com os circuitos e horários seguintes:5.10.14
1.10.14
Evocação da Banda Nizense no Dia Mundial da Música
Assinalando o Dia Mundial da Música evocamos, aqui, através de documentos antigos, a Banda Nizense ou banda da Sociedade Phylarmónica Nizense, nome com que foi criada em 1844, ou seja, há 170 anos.
A foto foi retirada de um dos números de 1913 da "Ilustração Portugueza".
Os recortes de jornal referem-se a uma notícia publicada no dia 27/8/1916 e a uma entrevista com o maestro da Banda, António Pena, com publicação em 3/9/1916, ambas no semanário nisense "As Férias".
Ontem como hoje, a Banda de Nisa continua a ser referência musical e cultural desta terra bordada de encantos.
Vivá Música!
Agosto partiu... a saudade ficou!
Agosto já lá vai; Setembro chegou ao fim; despediu-se o Verão e o Outono fez a sua aparição. Deste Verão frio e chuvoso, de festas e convívios, de abraços e saudades, ficaram algumas imagens. São imagens do reencontro e de confraternização onde a amizade e os afectos ganham a dimensão de um ano de espera.
As fotos são do convívio que juntou irmãos, primos e primas da família Marzia.
Agosto já lá vai, mas as fotos ficam a documentar a alegria, a festa e o (re)encontro. Para o ano há mais. Haja saúde!
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