A Sociedade Musical Nisense associou-se à romaria de Nossa Senhora Graça abrilhantando as cerimónias religiosas, entre estas, a procissão e depois colaborando na animação musical ao longo da tarde, através da actuação da Orquestra Ligeira.
10.4.12
NISA: Animação na Romaria da Senhora da Graça
Do sagrado e do profano se faz a Romaria da Senhora da Graça. São alguns desses momentos de alegria e de convívio que aqui mostramos num trabalho do amigo Jorge Nunes, feito com a qualidade de sempre. Os nossos agradecimentos.
NISA: A caminho da Senhora da Graça
Segunda-feira de Páscoa é dia de Nossa Senhora da Graça, Padroeira de Nisa. Muitas são as pessoas que, ao conforto e rapidez do automóvel, preferem o caminhar a pé, cumprir a tradição, num ritual que já entrou nos seus hábitos. Jovens e menos jovens, fazem-se ao caminho, partilham as conversas, sentem os odores e perfumes da natureza e chegam ao "Cabecinho" contentes e orgulhosos do trajecto percorrido.
Outros, animados do mesmo espírito e simbolismo, vão parando em locais estratégicos, e, no "sabor da erva", provam as iguarias que cada um leva na sacola, onde não pode faltar o bom o tinto alentejano.
É dia de Romaria, de devoção, mas um homem, mesmo o mais santo, não rejeita uma pinguinha, que a garganta não pode ficar seca, muito menos em dia de festa.
9.4.12
PARABENISAR, NO DIA DA FESTIVIDADE DE NOSSA SENHORA DA GRAÇA
QUE A PÁSCOA DO SENHOR QUE VENCEU A MORTE SEJA O PARADIGMA CATALISADOR PARA QUE A NOSSA GENTE, QUER A TITULO PESSOAL QUER COLECTIVO, GANHE FORÇAS PARA ULTRAPASSAR TODAS AS DIFICULDADES, MESMO A ESCURA E OBSCURA CRISE ECONÓMICA ACTUAL.
Por vicissitudes várias alterou-se a oportunidade de poder estar hoje nessa corrente forte de Veneração a Nossa Senhora da Graça, mas prometo unir-me em espírito recolhido quer na missa na Vila quer no Santuário, nos soleníssimos momentos das missas das 9 e das 11 horas.
Igualmente procurarei situar-me, comportar-me como se num dia de peregrinação se tratasse, na meditação e oração a Nossa Senhora da Graça.
Ritmados ainda por este espírito da Páscoa estaremos mais fortes para perceber o mistério da presença de Nossa Senhora da Graça, Nossa Excelsa Padroeira, num dia santíssimo em que todos santos e espíritos de luz com alma nisense farão coro conosco numa onda emocional forte, envolvente ao lugar da Ermida de Nossa Senhora da Graça.
Tal festa e homenagem fortificará com certeza os ânimos para enfrentar as grandes dificuldades do presente e do porvir, reatará toda a esperança, e será corrente de abraço aos mais pobres, doentes, pessoas em dificuldades várias ,aos jovens aflitos com a escolha e a dureza do caminho a escolher , do trabalho certo...Ajudai-os Senhora da Graça.
Este encantamento de Nossa Senhora da Graça por eles à luz do trajeto da Páscoa significa apenas não a consagração da pobreza, da dor, da doença, mas antes o contrário, elevar os que sofrem, consolar, abris brechas de esperança onde a mesma começa a faltar, não permitir a pobreza, acentuar a solidariedade fraterna, suavizar todas as dores.
Temos o dever de ser felizes, mesmo sem motivo para tal.
A Senhora da Graça atenta à nossa gente a todos providenciará.
Desejos Afetuosos do
João Castanho
7.4.12
NISA: Poetas Populares do Concelho
REIS E RAINHAS
O alecrim é o rei das ervas
O ouro rei dos metais
Rosa rainha das flores
O leão rei dos animais
Deus é rei universal
Rei de toda a criação
Rei dos sábios Salomão
Rei do sabor o sal
Rei das matas o pinhal
Capitão rei das catervas
Virem rainha das servas
A romã rainha do fruto
O trigo rei do produto
O alecrim rei das ervas.
O amor é o rei das fontes
Cruz das armas a rainha
O bastardo rei da vinha
O pinheiro rei dos montes
O navio rei das pontes
Cló rei dos animais
Adão é rei dos pais
Rei dos poetas foi Dante
Rei das pedras o diamante
O ouro rei dos metais.
O vento rei dos nortes
O sol rei da claridade
Rei da pobreza a caridade
Rei do pranto a morte
O rei da ternura é a sorte
Oliveira rainha dos olivais
O melão rei dos meloais
A pêra rainha da fruta
Rei dos peixes a truta
O leão rei dos animais.
Rei da riqueza o trabalho
Rei dos fiadores o dinheiro
Rei dos paus o castanheiro
Rei dos dentes o alho
O rei dos martelos é o malho
O vinho rei dos licores
Coração rei dos amores
Rei dos amargos o fel
Rosa rainha das flores.
JMV
5.4.12
4.4.12
PONTÁ BITÉFES (2) – Câmara sabe fazer bem
A Câmara de Nisa, aqui bastas vezes criticada, também sabe fazer bem. Escusava era de demorar um tempo infinito a resolver questões simples e menores, como dar corda ao relógio da torre ou reparar uma boca de rega, que, neste caso, até julgou oportuno mudar de sítio. Fez bem. Fizeram bem os trabalhadores que resolveram estas e outras situações. Estou em crer, até, que só não fazem mais vezes bem porque não os mandam.
E nisto a responsabilidade é dos serviços ou melhor da hierarquia, desatenta e insensível, tantas vezes, às razões dos munícipes.
Ontem, dia 3 de Abril, o relógio retomou a sua função, de assinalar o tempo e as rotinas dos nisenses. Bastou meia hora para que o problema fosse resolvido, sem invocação da troika, dos cortes do governo às autarquias e tantas outras desculpas de mau pagador que se trazem à baila quando a burocracia não quer ou não deixa resolver o que é pertinente.
Por de tão simples estas questões, escusava a autarquia de ser visada constantemente, neste e noutros locais, por não cumprir, a tempo e horas, o seu papel.
Os autarcas – é bom lembrar – são eleitos para trabalhar, para resolver os problemas das populações. É isso que dizem e garantem aos quatro ventos, aliás, quando estão em campanha eleitoral.
Fazer o bem sem olhar a quem, devia ser a “regra de ouro” dos eleitos nas autarquias. E, já agora, pagar a tempo e horas, não só por ser uma obrigação moral, mas acima de tudo porque, em época de crise, fica mal ao poder municipal ser subsidiado, financeiramente, por um comércio local já de si pobre e subsistindo com extremas dificuldades.
Lanço, daqui, um apelo e sugestão: comemorem o 25 de Abril, liquidando as dívidas que a Câmara tem para com prestadores de serviços, o comércio e indústria locais.
As boas contas são o sinal mais claro da transparência democrática.
Mário Mendes
CRÓNICAS DE LISBOA: A Minha Escola Primária
Na década de 50/60, o nosso país assistiu a um “baby boom”, principalmente no meio rural e, apesar das carências de toda a ordem, a média de filhos, por casal, situava-se entre os cinco e os dez. O regime “defendia” um certo analfabetismo da população, como estratégia, mas lentamente foi alargando a obrigatorieade do ensino primário e com o DL n.º 42 994 de 28 de Maio de1960 (não terá sido por acaso esta data que assinalava mais um ano comemorativo da “revolução” de 1926) que: “Declara obrigatória a frequência da 4.ª classe para ambos os sexos. Há um só ciclo de 4 anos que termina com a aprovação de um exame na 4.ª classe. O período etário da escolaridade obrigatória é entre os sete e os doze anos, feitos até 31 de Dezembro do ano a que respeita a matrícula.” Quer pela medida em si quer pelo grande número de crianças em idade escolar, deu-se início a um programa de construção de escolas novas de modelo único cuja diferença residia apenas se tinham uma ou duas salas de aulas. Por exemplo, na minha freguesia beirã foram construídas quatro escolas novas e hoje apenas uma se mantém activa, aquela que eu frequentei nos meus quatro anos de instrução primária! Naquele meio rural, apesar de distar apenas uma dezena de quilómetros da capital do distrito, o universo dos alunos tinha alguma heterogeneidade, dependendo menos do QI de cada um e mais da iliteracia familiar, influenciando a “vocação” das crianças perante a escola. Por exemplo, se o meu pai já tinha a 4ª classe, a minha mãe era analfabeta, discriminação muito comum nas mulheres da época. Era um ensino muito exigente e rigoroso, com o poder incontestado dos mestres e que tinha coisas boas, mas sem qualquer tipo de benefícios. As matérias de português, história, cálculo, geografia, etc, eram ministradas com profundidade, embora o maior defeito assentasse numa certa memorização. Tínhamos que saber, na “ponta da língua”, os réis/reinados, os rios e seus afluentes, vias férreas, etc e a tabuada era aprendida em canto colectivo pela turma - “dois vezes um, dois; dois vezes dois, quatro....nove vezes nove, oitenta e um...”.
Aquele ciclo terminava com o exame da 4ª classe e, na província, era efectuado na capital do distrito e a aprovação era um importante marco na vida de uma criança. Ao conclui-lo, o jovem saía com um bom manancial de conhecimentos para a vida, caso não prosseguisse os estudos, o que acontecia aos mais pobres. Infelizmente e para muitos, tal como hoje se verifica também, iniciava-se um apagão e começava um certo tipo de analfabetismo, por falta de contactos com os saberes.
Quanto ao meu exame final, lembro-me, como se fosse hoje, e também recordo o carinho e a ajuda que a minha professora, que vivia na cidade, me deu por me ter levado para a sua própria casa, alojando-me da véspera, pois eu teria dificuldades em estar na prova de exame à hora marcada. Tratou, como um príncipe, um menino pobre da aldeia. No final do exame, tinha a minha mãe à espera e o seu analfabetismo e pragmatismo, na dura luta pela sobrevivência, qual mãe coragem que tinha a seu cargo cinco filhos e com o marido em internamento hospitalar há muito, incitou-me, mais tarde, a emigrar em vez de optar (aos quinze anos) por prosseguir os estudos, como trabalhador-estudante. Mas não lhe fiz a vontade e até compreendia que os “marcos e os francos” que os meus ex-colegas emigrantes traziam nas férias, fazendo vida de rico e eu, já empregado em Lisboa e trabalhador-estudante, fazia figura de pobretana, a confundissem. Nesse longo percurso (dos quinze aos trinta e dois anos) e com as duas tarefas, trabalhar e estudar, foi muito o sofrimento, os sacrifícios e tristeza, esta a começar no dia em que fiquei aprovado com o diploma da instrução primária. Em vez de alegria, apoderou-se de mim uma certa tristeza, por saber que a minha vida escolar terminaria nesse dia, ao contrário de três colegas da minha turma que iriam prosseguir os estudos na cidade. Para mim e muitos outros, apesar dos meus onze anos, iria começar uma vida de trabalho, para não lhe chamar de escravatura. Era a luta pela sobrevivência e sem subsídios, como há hoje! Aliás, eram muitas as vezes que eu faltava às aulas para ajudar a minha mãe, na vida do campo, e que eu compensava com a minha aptidão para aprender. Cheguei onde os privilegiados chegaram e, apesar da minha longa vida escolar, reconheço que a instrução primária me marcou, porque ocorre numa idade muito importante da nossa formação e porque estamos ávidos de aprender.
Face á decisão do actual Governo em voltar a instituir o exame da 4ª classe, agora não como etapa final, logo os defensores da “igualdade” no ensino e que tem levado á perda de qualidade, se insurgiram contra esta medida, alegando que vai favorecer um certo elitismo. Para eles, aqui deixo o meu testemunho, embora decorridos mais de cinquenta anos. Pobres daqueles (crianças, jovens, etc) a quem o facilitísmo é servido desde a escola primária, porque a vida é dura e se não soubermos prepará-los, teremos um enorme “exército de indignados”, mesmo que tenham altos diplomas escolares, o que não significa terem boa formação e preparação para a vida.
Serafim Marques - Economista
3.4.12
PÉ DA SERRA: Morreu o Ti Vara!
Faleceu ontem, dia 2 de Abril, em Vila Velha de Ródão, o ti Vara.
José Lopes Valente Miguéns, natural do Pé da Serra, foi pedreiro, emigrante, homem de muitos ofícios, militante antifascista, comunista, presidente da Junta de Freguesia de S. Simão durante vários mandatos.
Foi, inquestionavelmente, um "Homem de Abril" e um devotado servidor da sua terra e freguesia.
Era, para além de tudo, um amigo. Um amigo daqueles a quem custa escrever umas palavras, mesmo para dizer-lhe, em jeito de despedida, que a sua vida, a sua luta por um mundo melhor, valeu a pena.
No lugar etéreo onde irá repousar bem orgulhar-se e dizer, como Pablo Neruda: "Confesso que Vivi!
Obrigado, camarada Vara pelo teu exemplo!
Mário Mendes
NR: O funeral realiza-se hoje, dia 3 de Abril, às 14,30h para o cemitério de Pé da Serra.
2.4.12
NISA: Memória do Cine Teatro
Em Abril de 1936, o Cine Teatro de Nisa promoveu cinco sessões de cinema, a que assistiram 1231 espectadores. Realce para a afluência (452 entradas) ao filme português "As Pupilas do Senhor Reitor" e para a assistência (337 espectadores) registada no dia 12 - Domingo de Páscoa.
Em 1965, no dia 4 de Abril, o Cine Teatro de Nisa exibiu "O Prémio" com o famoso actor Paul Newman numa das melhores interpretações da sua brilhante carreira cinematográfica.
1.4.12
NISA: 27 milhões de euros para revitalizar o concelho
O governo decidiu a atribuição de uma verba de 27 milhões de euros para obras de revitalização do concelho de Nisa, no âmbito do programa MUNPRIO – Intervenção Radical em Municípios Prioritários.
A decisão foi tomada na reunião do Conselho de Ministros realizada última sexta-feira e esta tranche de 27 milhões de euros respeita apenas à 1ª fase do programa de intervenção, que contempla diversas obras de requalificação nas áreas do ambiente, urbanismo, vias de comunicação e turismo.
No programa de intervenção para o concelho de Nisa, dado a conhecer aos órgãos de comunicação social, sobressaem, na área do ambiente, as obras de requalificação da Ribeira do Figueiró com o consequente tratamento de águas residuais da zona da Fonte da Pipa, em Nisa, a requalificação ambiental das minas de urânio de Nisa e Tolosa, a reabilitação e remodelação das ETARs (para quem não está habituado a estas siglas, trata-se de Estações de Tratamentos de Esgotos) de Nisa e de Tolosa, nesta com a implantação de um parque de campismo e uma piscina.
No que respeita ao urbanismo, a prioridade vai para a intervenção no designado Centro Histórico de Nisa, com obras de requalificação de diversos imóveis e monumentos, a implementação de um programa de iniciativas culturais e recreativas ao longo do ano e a inserção desta zona nobre da vila na rede mundial de cidades com centro históricos e bastides. A ideia é tornar a zona antiga de Nisa num verdadeiro centro de actividade comercial e de preservação das artes tradicionais do concelho.
De igual modo, está prevista uma grande intervenção na zona central da vila, apontando um dos projectos para a requalificação do Rossio de Nisa como a recuperação do antigo jardim público e a implantação de zonas verdes e arborizadas em contraponto à extensa “eira” actualmente existente.
A fatia mais “grossa” desta tranche de 27 milhões de euros vai, no entanto, para o projecto de requalificação do Complexo Turístico e Ambiental “Despenhadeiro do Tejo”. Está prevista uma intervenção radical em toda a área já intervencionada e até o aumento substancial da mesma, de modo a poderem ser ali implantadas várias estruturas desportivas e de lazer.
De acordo com os dados que nos foram fornecidos, as obras e a futura administração e gestão do complexo “Despenhadeiro do Tejo” será feita por um consórcio que integra grandes empresas alemãs, chinesas, italianas, francesas, árabes e paquistanesas.
O projecto do Complexo Turístico e Ambiental contempla a construção de 3 campos de futebol relvados, 2 campos de treino, 2 pavilhões gimnodesportivos, 1 campo de golfe, 1 carreira de tiro com fosso olímpico, 1 piscina olímpica, 2 piscinas de aprendizagem, 1 hipódromo dotado de pista para corridas de competição, uma pista de canoagem olímpica, um parque de campismo e caravanismo, 8 ginásios, 2 hotéis, 4 restaurantes, 1 centro de pesquisa e investigação arqueológica, um centro de requalificação e controle de qualidade do caudal do Tejo e ainda um centro de investigação sobre a pesca da lampreia e do lagostim de água doce.
Quando estiver em funcionamento, o “Despenhadeiro do Tejo” será o mais importante centro de lazer, de desporto e investigação fluvial do país, estando os promotores desde já a trabalhar no sentido de assegurarem algumas parcerias, que consideram fundamentais para a rentabilização do projecto, com empresas, agências de viagens, clubes desportivos e federações de todo o mundo.
Anunciado foi já a formalização de um protocolo com Federações de Futebol de países como a China, Paquistão, Israel, Arábia Saudita, Coreia do Norte, Oman, Somália, Afeganistão e Guiné Equatorial para que as suas selecções nacionais possam realizar no Despenhadeiro do Tejo, os seus estágios de preparação para as competições internacionais.
A concretizar-se este programa de Intervenção Radical em Municípios Prioritários e se não houver atrasos na aplicação das verbas, estamos em crer que a médio prazo, o concelho de Nisa irá sofrer uma notável transformação, gerando emprego, desenvolvimento e atraindo mais pessoas que possam inverter o actual ciclo de envelhecimento da população e de desertificação humana.
Foi, aliás, a pensar neste problema do abandono do interior, que o Governo tomou em mãos uma tão ousada e invulgar iniciativa de investimento que irá ser comparticipada com fundos do FMI, BEI e Fundação Luso-Americana.
Como hoje é dia 1 de Abril e a esperança nunca morre, não fiquem sentados/as à espera que o futuro aconteça.
Levantem-se, vão beber um cafezinho ou um copo do tinto alentejano e agradeçam a Deus por o Governo ainda não vos ter sugado os cêntimos que têm no bolso.
É semana de Páscoa: Aleluia!
Mário Mendes
Opinião: A EXTINÇÃO DA MEMÓRIA
Este sábado, 31 de Março de 2012, as freguesias desceram e encheram, com as suas gentes as avenidas largas da capital, mais de 200 mil pessoas, numa manifestação como nunca foi vista por esta paragens, um autêntico desfile da nossa cultura e raízes, para “provar” ao sr. Relvas e ao seu governo (PSD/CDS), que a Proposta de Lei nº 44/XII referente à Reorganização Administrativa Territorial Autárquica, não pode ser concretizada desta forma autoritária e centralista, sem o mínimo de respeito pelos valores fundamentais da democracia e do poder local.
Identidade, autonomia, proximidade, soluções, democracia, enfim tudo isto pode estar reunida numa única palavra que é: freguesia.
O que ainda me incomoda, é saber que existem pessoas convictas que esta lei ainda podia ir mais longe, tal como ouvia à dias numa conferência sobre o poder local, um jovem universitário, dos seus vinte e poucos anos, a defender a extinção de todas as freguesias, todas mesmo sem exceção, porque na sua visão economicista as mesmas não eram “rentáveis”, como se uma freguesia fosse uma empresa privada, que tem com fim o lucro! Não queria acreditar no que estava a ouvir, ainda perguntei a uma pessoa que estava sentada ao meu lado, se estava na conferência certa, mas não, era mesmo sobre o poder local! E mais, acrescentava que isso das freguesias terem identidade era “coisa” do passado, e que agora com a “troika” nem esse argumento era válido, porque o mais importante eram as finanças publicas, portanto os números, porque isso das pessoas estarem primeiro, é slogan para eleições.
Tive pena deste jovem, que ali estava, tão convictamente, a defender as suas ideias neoliberais a “roçar” um ideal de poder centralizador e quase único - onde é que já vi este cenário? Talvez não soubesse ou não quisesse saber, como era o poder local antes do 25 de Abril, e como funcionavam as estruturas administrativas locais, com os seus representantes nomeados pelo governo central. Coitado, pensei, tão jovem e a defender ideias tão bolarentas e tão cheias de mofo, mas enfim! Tal como, não saiba que foi graças ao poder local democrático e a sua autonomia que, hoje temos uma país com saneamento básico (água, esgotos, eletricidade e vias de comunicação) e todo um conjunto de infraestruturas para o bem-estar das populações. Portanto, poder local é desenvolvimento.
Mas não termino esta minha reflexão, sem vos falar da memória, da memória do povo e da sua identidade, e de uma freguesia que se chama Memória (concelho de Leiria), que segundo os critérios (régua e esquadro) desta Lei, vai ser extinta, vão extinguir simplesmente a Memória, onde em 2001, 33% da população (dados INE) não sabia ler nem escrever. Só espero que depois de lhes tirarem a Memória, não lhes tirem Amor e Milagres (também freguesias do Concelho de Leiria).
José Leandro Lopes Semedo
30.3.12
PONTÁ BITÉFES (1): Relógio está como a Câmara: PARADO!
Primeiro, deixaram de se ouvir as badaladas no sino, correspondentes aos "quartos". Depois, deixaram de ouvir as badaladas que assinalavam as horas. Há uns dias a esta parte, o relógio da Torre na Porta da Vila deixou de se ouvir e, pior do que isso, mandou parar o tempo, fazendo ele próprio, greve às horas. Há quem diga que o relógio parou, emudeceu, porque deixou de haver corda orçamental para pôr o mecanismo a trabalhar. Uma situação que se arrasta há cinco meses e que a Câmara não quis ou não soube, em devido tempo, acautelar. A população é que não tem culpa das "crises internas" que impedem o funcionamento daquilo de que mais gosta: ouvir o som dos sinos do relógio da nossa Vila. Nem no tempo da "outra senhora", onde a crise financeira era permanente se chegou a tal estado de desolação. Dêem corda ao relógio! Ponham-no a trabalhar e deixem-se de cantigas!
Mário Mendes
NR - Este texto tem dois anos, mas mantém actualidade. Há dois meses que o relógio da torre não dá sinais de vida. Está parado, inerte, silencioso, como a própria Câmara que devia providenciar ao seu regular funcionamento. O relógio é o mostruário, real, do estado a que chegou a vila e concelho de Nisa.
Falta-lhe "corda", vida, um projecto dinâmico que acabe com a letargia e ponha este concelho na senda do desenvolvimento e do futuro.
DÊEM CORDA AO RELÓGIO, CARAMBA!
28.3.12
AMIGOS DE AREZ: Caminhada "Sentir a Primavera"
A Associação Socio-Cultural “Os Amigos de Arez” organizou mais uma Caminhada, desta vez com o tema “Sentir a Primavera”. A actividade realizou-se no Sábado, dia 24 de Março e contou com a participação de cerca de 30 pessoas. O excelente convívio foi a marca desta actividade, assim como a oportunidade de explorar e conhecer o património da freguesia, desta vez a Ponte Medieval sobre a Ribeira do Figueiró foi o ponto de chegada. O habitual contacto com a Natureza e o início da Primavera foi o mote de partida. A Direcção da ASAA pretende, como sempre, agradecer a todos a crescente adesão e apoio às suas actividades.
Dádivas de Sangue: boa participação em Alpalhão
Em dia de Feira dos Enchidos, as instalações do antigo Hospital de Alpalhão no Largo do Terreiro receberam a visita da brigada de recolha de sangue da Associação de Dadores Benévolos de Sangue do Distrito de Portalegre para mais uma colheita integrada no calendário anual da associação.
Compareceram ao apelo 36 dadores de sangue, tendo sido recolhidas 33 dádivas, registando-se a presença, pela primeira vez, de quatro jovens que também se inscreveram no banco nacional de dadores de medula óssea.
António Eustáquio, presidente da ADBSDP, considerou a colheita realizada como boa, atendendo, como nos explicou, ao facto de haver entre os organizadores e colaboradores da Feira dos Enchidos um número significativo de dadores de sangue e que por estarem de serviço na Feira não puderam, desta vez, comparecer.
Ramiro Valente, 57 anos, natural de Alpalhão, mostrou-se satisfeito por colaborar nesta recolha de sangue e disse-nos que colabora “desde há 8 anos porque me sinto bem e sei que o pouco de cada um pode fazer a diferença na ajuda de muitos que precisem de sangue”. Enquanto puder, garantiu, “irei estar sempre presente porque me sinto bem a fazer isto”.
É o espírito de solidariedade, de ajuda, que leva os dadores de sangue a participarem nas acções de recolha promovidas pela Associação de Dadores.
Ana Maria Mourato, 49 anos, alpalhoense, partilha das mesmas intenções desde há 6 anos. “Dar sangue não custa nada e há tanta gente que pode precisar dele..., se todos derem um pouco do seu sangue podem contribuir para minorar o sofrimento de outras pessoas”.
A próxima acção de recolha de sangue realiza-se no dia 31 de Março, nas instalações dos Bombeiros Voluntários de Sousel.
27.3.12
NISA: Convívio onomástico juntou 45 José(s)
É das mais antigas festas de confraternização de grupos onomásticos e mais uma vez os indivíduos de nome José, naturais ou residentes no concelho de Nisa, aprimoraram-se na festa de confraternização que juntou 45 Zés no passado sábado na horta do senhor José Perfeito.
Uma jornada de convívio e confraternização que decorreu com grande alegria e animação como mostram as imagens.
25.3.12
HISTÓRIA: Brasão do Cardeal Cerejeira foi desenhado por um nisense
João Deniz Fragoso, nascido na Herdade do Azinhal (Nisa), em 1901 e pai de Rui de Freitas Martins Fragoso, foi um grande artista plástico, desenhador e cartunista, colaborando com as suas ilustrações para os principais jornais portugueses. Os seus desenhos com motivos de Nisa e que ilustraram alguns números do Álbum Alentejano e outras publicações regionalistas, são de uma beleza extraordinária, como temos, aliás, mostrado.
O que poucos sabem é que João Deniz Fragoso é o autor do brasão heráldico de D. Manuel Gonçalves Cerejeira, elevado à dignidade cardinalícia em Novembro de 1929, conforme nos dá conta um jornal da época, cujo texto transcrevemos:
O brasão do Patriarca
"Tratando-se de uma signa, através de cuja composição se revelam os sentimentos pessoais e as preferências religiosas do seu autor, foi o próprio sr. D. Manuel Gonçalves Cerejeira quem fez a escolha, parece-nos interessante saber quais os atributos simbólicos por ele preferidos nas suas armas distintivas.
O brasão do novo purpurado é assim constituído: Assente sobre uma cruz firmada rectangular e um báculo em aspa, um escudo carregado com uma cruz de negro, orlada de prata.
Esta cruz é carregada, por sua vez, dum coração vermelho, cercado por uma coroa de espinhos e envolto num esplendor de ouro.
A encimá-lo, uma coroa de nobreza, em ouro também.
No ângulo direito da ponta do escudo uma estrela de sete raios em prata.Em cima, sobre a cruz central, um triângulo: o símbolo da Santíssima Trindade.
Na ponta do escudo, três rosas: as rosas de Santa Teresinha do Menino Jesus, a jovem francesa canonizada há quatro anos, quando da grande peregrinação dos portugueses a Roma, em 1925.
A encimar todo o brasão, uma tiara. A divisa diz: “Adveniat regnum tuum”, que dá na tradução portuguesa: “Venha a nós o teu reino”.
A realização artística foi confiada ao distinto desenhista sr. João Deniz Fragoso, que em trabalhos da especialidade se tem afirmado uma das maiores competências portuguesas dos últimos tempos."
O CARDEAL CEREJEIRA
Manuel Gonçalves Cerejeira (Vila Nova de Famalicão, Lousado, Santa Marinha, 29 de Novembro de 1888 - Lisboa, Amadora, Buraca, 2 de Agosto de 1977), cardeal da Igreja Católica, foi o décimo-quarto Patriarca de Lisboa com o nome de D. Manuel II (nomeado em 18 de Novembro de 1929).
Eleito arcebispo de Mitilene em 1928, foi elevado ao cardinalato em 16 de Dezembro de 1929, pelo Papa Pio XI, com o título de Santos Marcelino e Pedro
Biografia
Era filho de Avelino Gonçalves Cerejeira (Vila Nova de Famalicão, Lousado, 14 de Abril de 1857 - Vila Nova de Famalicão, Lousado, 13 de Junho de 1927) e de sua primeira mulher Joaquina Gonçalves Rebelo (Fafe, Vila Cova, 30 de Maio de 1864 - Vila Nova de Famalicão, Vila Nova de Famalicão, 30 de Setembro de 1918).Diplomado em Teologia e em Ciências Histórico-Geográficas pela Universidade de Coimbra, na respectiva Faculdade de Letras obteve em 1919 o grau de doutor em Ciências Históricas, com a tese «Clenardo e a Sociedade Portuguesa do seu tempo». Desse ano a 1928 foi professor da Escola onde se graduara.
Foi o Patriarca que dirigiu a Igreja Católica Portuguesa durante o Estado Novo; íntimo de Salazar (conheceram-se no Centro Académico de Democracia Cristã e viveram juntos cerca de 11 anos), procurou salvaguardar e restaurar a condição que o Catolicismo perdera durante o regime republicano (I República). Como tal, e a fim de apaziguar as tensas relações entre o Estado e a Igreja, foi um dos principais concorrentes e apoiantes para a assinatura da Concordata com a Santa Sé em 1940.
Era apoiante do Estado Novo, fundado pelo seu amigo universitário Oliveira Salazar. Apesar dessa ligação houve grandes tensões na defesa de cada uma das suas posições: os interesses do Estado, por parte de Salazar e os da Igreja, por Cerejeira.
Participou nos conclaves que elegeram os Papas Pio XII (1939), João XXIII (1958) e Paulo VI (1963), bem como no Concílio Vaticano II (1962-1965).
Outro importante dado do governo deste Patriarca foi a criação do Seminário dos Olivais e da Universidade Católica Portuguesa.
Resignou ao governo do Patriarcado em 10 de Maio de 1971, sendo substituído por D. António Ribeiro.
24.3.12
Nisa: Memória Desportiva – Março 2000
Estágio da Selecção Nacional de Cadetes - Grande Jornada de Basquetebol
De 5 a 8 de Março de 2000, Nisa acolheu o estágio da selecção nacional de basquetebol (cadetes) tendo a ocasião sido aproveitada para a realização de um torneio internacional com a participação da equipa nacional, Cáceres Clube de Baloncesto, Caja Rural "Circulo de Badajoz e da Portugal Telecom, na altura a principal equipa sénior portuguesa e que viria, aliás, a ganhar o torneio.
Foi uma grande jornada de divulgação da modalidade, que continua a praticar-se a nível escolar mas sem uma aposta séria e determinada a nível de clubes, com excepção do trabalho, excelente, que a esse nível vem sendo desenvolvido em Ponte de Sor através do Eléctrico FC.
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