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17.11.18

Espanha está a envenenar o Rio Tejo (é uma “indecência ecológica”)

É um “cocktail de desastre” que está a sufocar o rio Tejo. Análises efectuadas à água do rio, desde a nascente em Espanha, até à foz em Portugal, revelam uma situação preocupante, e do outro lado da fronteira fala-se de “uma indecência ecológica”.
Uma reportagem da revista Sábado mostra como Espanha “maltrata” o Tejo, com base em análises efectuadas desde a nascente até à foz do rio.
Os resultados apontam que o Tejo chega a Portugal com elevados índices de poluição, melhorando à medida que corre por território nacional.
Além de algas, entre as substâncias detectadas nas análises efectuadas pela Sábado, estão “oito vezes mais fósforo do que o máximo recomendado”, “azoto também acima do normal” e “um valor de oxigénio dissolvido na água a rondar os 2 mg/l, quando o mínimo para um rio saudável são 5 mg/l“, como refere a revista.
A contribuir para esta situação preocupante estão factores como os esgotos de Madrid, o desvio de água para a rega de campos agrícolas de Múrcia e as diversas barragens que se estendem pelo leito do rio.
Para gastarem menos dinheiro, as barragens espanholas de Alcantara e Cedillo fazem descargas de água no fundo, ao invés de à superfície, o que aumentaria o nível de oxigénio no rio.
“O pior que sobra da ditadura de Franco”
E até do outro lado da fronteira, se critica a forma como Espanha faz a gestão das águas do Tejo, com o Presidente da Junta de Comunidades de Castilla-La Mancha, Emiliano García-Page, a referir que estamos perante “uma indecência ecológica” e um “atropelo anti-ecológico”, conforme declarações divulgadas pelo Diário de Castilla-La Mancha.
García-Page critica em particular o transvase Tejo-Segura, um aqueduto que é definido como uma das maiores obras hidráulicas da engenharia espanhola e que leva água das barragens de Entrepeñas (Guadalajara) e Buendía (Cuenca) até ao rio Segura.
“O transvase Tejo-Segura é o pior que sobra da ditadura de Franco“, refere García-Page. O canal do aqueduto leva, actualmente, “50% mais de água do que hoje atravessa o rio Tejo”, acusa ainda. E sobre o Tejo diz que parece “um esgoto”.
O Presidente da Junta de Comunidades de Castilla-La Mancha apela ao Governo espanhol, e às regiões vizinhas de Murcia e Valência, que se alcance um acordo em matéria de gestão de água.
Também os ambientalistas da Associação Zero apelam à tomada de medidas para promover a melhoria da qualidade da água no Tejo.
“Os caudais mínimos são semanais e deviam ser diários, para haver uma continuidade de caudal e ajudar à diluição da carga poluidora”, refere ao Correio da Manhã a vice-presidente da Zero, Carla Graça.
Esta engenheira do ambiente explica, em declarações à Sábado, que as “flutuações” nos caudais “não permitem uma boa saúde do rio”. “Um dia pode haver um grande caudal libertado por Espanha e nos restantes só 600 litros, o que não é nada”, sublinha Carla Graça.
Assim, a Zero espera que o assunto seja abordado na cimeira ibérica entre Portugal e Espanha, na próxima semana. Mas até agora, não é certo que o tema faça parte da agenda.
in ZAP - 16 Novembro, 2018
Foto: Paulo Cunha / Lusa

13.11.17

Verdes pedem esclarecimentos sobre mortandade de peixes entre Vila Velha de Ródão e a Barragem de Fratel

O Deputado José Luís Ferreira, do Grupo Parlamentar Os Verdes, entregou na Assembleia da República uma pergunta em que questiona o Governo, através do Ministério do Ambiente, sobre mortandade de milhares de peixes entre Vila Velha de Ródão e a Barragem de Fratel tendo esta catástrofe sido associada às descargas de efluentes por parte de empresas localizadas nessa área, bem como à eutrofização das águas do Tejo.
Pergunta:
O Partido Ecologista Os Verdes tem, ao longo dos anos, denunciado a poluição a que o rio Tejo tem sido exposto, nomeadamente na Assembleia da República, e exigido a sua resolução e respetiva monitorização das águas por partes das entidades competentes.
Ainda no passado mês de outubro Os Verdes questionaram o governo, através da pergunta n.º 79/XIII/3ª sobre as causas da frequente mortandade de peixes no Rio Tejo, entre Vila Franca de Xira e Alhandra (a qual ainda não obteve resposta por parte do Ministério do Ambiente) e sobre as medidas a serem tomadas para minimizar os danos daí decorrentes.
Recentemente foi denunciada por ambientalistas uma nova mortandade de milhares de peixes entre Vila Velha de Ródão e a Barragem de Fratel tendo esta catástrofe sido associada às descargas de efluentes por parte de empresas localizadas nessa área, bem como à eutrofização das águas do Tejo.
A eutrofização é o crescimento excessivo de plantas aquáticas, nomeadamente de algas devido à maior concentração de nutrientes existentes nas águas sobretudo nitrogénio e fósforo, em resultado da poluição e da redução do caudal. Este processo é mais frequente em ambientes em que as águas estão mais contidas, como nas albufeiras, reduzindo os níveis de oxigénio da água e colocando em causa estes ecossistemas.
A eutrofização embora possa também levar à mortandade de peixes, não é a causa em si mesma, mas o resultado nítido do excesso de poluição a que o rio Tejo tem sido sujeito, tornando-se ainda mais evidentes os seus efeitos catastróficos na biodiversidade em períodos de seca como o que se está a verificar neste ano em Portugal. Considerando que é urgente atuar no sentido de identificar as causas e a sua resolução de forma a evitar estas catástrofes ambientais que comprometem a fauna e flora do rio Tejo, bem como a própria saúde pública.
Considerando por fim que o Grupo Parlamentar Os Verdes, tendo em conta a relevância do tema, já propôs uma audição sobre a poluição do rio Tejo com o Ministro do Ambiente, a realizar na Comissão de Ambiente, Ordenamento do Território, Descentralização, Poder Local e Habitação, e que, para a própria preparação dessa audição, é importante que nos dotemos de elementos relevantes,
Assim ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, solicito a S. Exª O Presidente da Assembleia da República que remeta ao Governo a seguinte pergunta para que o Ministério do Ambiente possa prestar os seguintes esclarecimentos:
1- O Ministério do Ambiente confirma que a mortandade de peixes que se tem verificado no rio Tejo, na zona de Vila Velha de Ródão é o resultado das descargas de efluentes de empresas que laboram nesse concelho?
2- Quantas licenças foram emitidas, na última década, para a rejeição de águas residuais diretamente no rio Tejo ou em afluentes entre a barragem do Fratel e Vila Velha de Ródão?
3- Que tipo de monitorização e fiscalização tem sido efetuado às águas do rio Tejo no sentido de identificar focos de poluição e a sua eliminação?
4- Que diligências foram tomadas para resolver esta situação que conduziu à morte de milhares de peixes na zona de Vila Velha de Ródão?
O Grupo Parlamentar “Os Verdes”