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3.2.26

SAÚDE: Como é que o consumo de álcool ao longo da vida afeta o risco de cancro colorretal?


Os resultados de um estudo de rastreio do cancro indicam que o consumo excessivo e consistente de álcool e uma média de consumo mais elevada ao longo da vida estão associados a um risco acrescido de cancro colorretal.

Estudos demonstraram uma associação entre o consumo de álcool e um risco elevado de cancro colorretal. Uma nova investigação revela agora que um maior consumo de álcool ao longo da vida está também associado a um maior risco, sobretudo para o cancro do reto, e que deixar de beber pode reduzir esse risco. As conclusões foram publicadas pela Wiley na revista CANCER, uma revista com revisão por pares da Sociedade Americana do Cancro.

Quando os investigadores analisaram dados de 88.092 participantes do Estudo de Rastreio do Cancro da Próstata, Células Estaminais, Colorretal e Ovário (PLCO) do Instituto Nacional do Cancro (NCI), acompanhados ao longo de 20 anos, observaram que ocorreram 1.679 casos de cancro colorretal neste grupo.

E os consumidores atuais com uma ingestão média de álcool ao longo da vida de 14 ou mais doses por semana (bebedores pesados) apresentaram um risco 25% maior de desenvolver cancro colorretal e um risco 95% maior de desenvolver cancro do reto em comparação com aqueles com uma ingestão média de álcool ao longo da vida de menos de uma dose por semana (bebedores ligeiros).

Quando se considera a consistência do consumo de álcool, o consumo excessivo ao longo da vida adulta foi associado a um risco 91% mais elevado de cancro colorretal em comparação com o consumo ligeiro e consistente.

Em contrapartida, não foram observadas evidências sobre um aumento do risco de cancro colorretal entre os ex-bebedores, e estes apresentaram menor probabilidade de desenvolver tumores colorretais não cancerígenos ou adenomas (que podem tornar-se cancro) do que os consumidores atuais com uma média de menos de uma dose por semana, sugerindo que a cessação do consumo de álcool pode reduzir os riscos individuais.

A associação entre o consumo de álcool e o aumento dos riscos observado neste e noutros estudos pode ser explicado por carcinógenos produzidos pelo metabolismo do álcool ou pelos efeitos do álcool sobre a microbiota intestinal. No entanto, são necessários estudos adicionais para verificar se estes mecanismos estão envolvidos.

“O nosso estudo é um dos primeiros a explorar a forma como o consumo de álcool ao longo da vida se relaciona com o risco de adenoma colorretal e cancro colorretal. Embora os dados sobre os ex-bebedores fossem escassos, ficámos encorajados por ver que o seu risco pode voltar ao nível de quem bebe de forma ligeira”, refere a coautora sénior Erikka Loftfield.

In www.noticiassaude.pt

 

18.11.21

SAÚDE: APEF alerta para o elevado consumo de bebidas alcoólicas entre os jovens

Consumo excessivo de álcool pode ser causa de doenças graves do fígado
A Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF) está a assinalar a Semana de Consciencialização para os Danos Relacionados com o Álcool, que decorre até dia 19 de novembro. A APEF alerta para o facto de os portugueses consumirem anualmente, em média, 12 litros de álcool, um dos registos mais elevados dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), assim como para as consequências que daí advém em termos de saúde, nomeadamente do fígado: fígado gordo, hepatite alcoólica e cirrose hepática,
Segundo dados do relatório do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), de 2019, que considera indivíduos a partir dos 15 anos, o consumo de álcool por parte dos jovens portugueses é elevado, uma vez que, em 2019, 84,5 por cento dos inquiridos, com 18 anos, 70,1 por cento, com 16 anos, e 37 por cento, com 14 anos, afirmou ter ingerido bebidas alcoólicas nos últimos 12 meses. O estudo demonstra também que o consumo de álcool é mais elevado por parte dos homens, com 19,4 litros de puro álcool per capita por ano, do que das mulheres, que consomem 5,6 litros.
“O elevado consumo de álcool traz consequências graves em termos de saúde, nomeadamente, do fígado, e os números do estudo do SICAD também o demonstram, uma vez que indicam que, em 2019, foram registados 38.122 internamentos hospitalares, com diagnóstico principal e/ou secundário atribuíveis ao consumo de álcool, envolvendo 28.245 indivíduos em Portugal. O mesmo estudo refere ainda que, em 2018, morreram 2.493 pessoas por doenças atribuíveis ao álcool, 26 por cento das quais por doenças atribuíveis a doença alcoólica do fígado. O consumo de bebidas alcoólicas por parte dos jovens, sobretudo relacionado com a vida noturna e social, é também preocupante e motivo de intervenção por parte das autoridades reguladoras”, afirma José Presa, presidente da APEF.
E continua: “É importante que a população adulta pense nos seus comportamentos a nível social e nas consequências que os mesmos trazem para a saúde; e que alerte os seus jovens para os riscos do consumo de bebidas alcoólicas. A ingestão excessiva e continuada de álcool pode conduzir a doença hepática alcoólica ou a consequências indiretas como as resultantes dos acidentes de viação. Estas situações, quando não tratadas ou prevenidas, trazem consequências graves para a saúde e podem, até, levar à morte. Neste sentido, a nossa recomendação é de tolerância ZERO para o consumo de álcool.”