18.2.26

Comunicado do Núcleo Regional de Portalegre sobre os efeitos da tempestade em Portalegre


O Núcleo Regional da Quercus - ANCN expressa a sua solidariedade para com todas as vítimas das tempestades.

Face ao fluxo de detritos que chegou à cidade de Portalegre na passada semana, na madrugada de 5 de fevereiro, assinalamos que é importante que a Câmara Municipal de Portalegre tenha solicitado uma peritagem ao sucedido.

Ainda sem termos acesso aos dados preliminares da peritagem, e considerando o que consta na documentação citada pela ANPC, Portalegre sofreu um fluxo de detritos.

Nos fatores desencadeantes mais evidentes deve ser salientado:

- o declive existente na zona de que isso resultou.

- a chuva intensa

Há outros fatores que constam na documentação e que podem contribuir para a ocorrência de fluxo de detritos:

Ação humana

·         Destruição da cobertura vegetal

·         Remoção de terrenos: estradas, construção, agricultura

É necessário com fundamentação na ciência tirar as devidas ilações.

Para a zona afetada, poderão ser indicadas algumas medidas de estabilização, como uma cobertura vegetal e muros de suporte e canais de drenagem, como consta no documento citado:

Salientamos que a Reserva Ecológica Nacional (REN) inclui as zonas de elevado declive.

A legislação da REN (Decreto-Lei n.º 124/2019) define as áreas de instabilidade de vertentes: “são as áreas que, devido às suas características de solo e subsolo, declive, dimensão e forma da vertente ou escarpa e condições hidrogeológicas, estão sujeitas à ocorrência de movimentos de massa em vertentes, incluindo os deslizamentos, os desabamentos e a queda de blocos”. Indica que “na delimitação de áreas de instabilidade de vertentes devem considerar -se as suas características geológicas, morfológicas e climáticas”.

As alterações climáticas em Portalegre

A versão preliminar do Plano Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas de Portalegre, que esteve em discussão pública em 2024, indicava que nos “ principais impactos negativos para Portalegre estarão associados às seguintes vulnerabilidades climáticas” tem em primeiro lugar:

“• Precipitação intensa | apesar da redução generalizada da precipitação média anual, todos os cenários analisados apontam para um aumento provável dos períodos de precipitação intensa (menores períodos de precipitação, mas com maior intensidade); “

E como impactos negativos:

“• Condicionamentos de tráfego/ encerramento de vias

• Danos em edificios e infraestruturas

• Abatimento/ rotura de pavimentos

• Deslizamento de terras

• Acidentes de viação

• Degradação de sistemas de escoamento

• Interrupção ou redução do fornecimento de água e/ou redução da sua qualidade

• Inundações em estabelecimentos, habitações e estradas

• Resgate e realojamento de pessoas”

Alguns desses impactos verificaram-se no passado dia 5 de fevereiro.

Será necessário ter isso em conta e seguir as indicações constantes neste projeto de plano: “Esta avaliação de risco sugere a necessidade de adaptação relativa aos eventos

que apresentam riscos de maior magnitude no futuro, nomeadamente: Seca, Precipitação intensa, Aumento da temperatura média, Ondas de calor, Partículas e Poeiras.”

Apela-se também que se aprove o Plano Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas de Portalegre, dando cumprimento à Lei do Clima.

13 de fevereiro de 2026

A direção do Núcleo Regional de Portalegre da Quercus - ANCN