Só regresso
ao papel em branco
quando
imagino sensações, emoções e dores
que há no
corpo dos poemas...
ou quando os
meus olhos ficam doentes
por não
verem para além do imediato
sem saberem
discernir com lucidez
fico então
impassível e ferido...
qualquer
coisa febril que me põe sonâmbulo
há um
movimento invisível, uma vibração que...
despoleta as
coisas...
oh a delícia
de ser, um ser pensante...humanamente pensante...
que tem no
rosto a fluidez do sonho e no olhar
alguma
alegria...tinta de sangue...
e, não podes
fugir de ti mesmo, nem dessa voz que te grita aos ouvidos...dia e noite...
serão os
anjos que tentam salvar-me a alma?
desses que
me falavas em criança?
(até tinha
um anjo da guarda que tu Mãe, me pedias para rezar)
depois,
instalou-se este frio que, até dilata a íris...
e, esta
doida gargalhada que se entrava na garganta
ser este
ser, que à força de sofrer...ainda ri...
este riso
que reboa como um trovão...
naquela
eterna busca...quem sou eu afinal?...
sabes Mãe?
vou rindo,
fingindo e mentindo...enquanto eles dizem...
vamos ficar
todos bem
vivos? nem
todos, nem todos...
felizmente
um grito do passado, por vezes acorda-me...
por aqui
ando, impossível de aturar...
e à míngua
de versos...a mente já me prega partidas...
a falta de
inspiração ou motivo
remete-me
para uma pasmaceira sem precedentes
continuo à
espera que este vazio sentido
comece a
ser...definitivamente puro...
a paz
foge...cheia de pressa...
o anjo da
infância continua oculto
nunca mais
senti a presença ilusória dele...
hoje não te
consigo falar das rosas brancas que tanto gostavas
daquelas que
nunca te dei...
e se alguém
as merecia...eras tu Mãe.
A.B. 2022.
