14.2.26

NISA: Conheça os poetas do concelho (LXVI) - Maria Dinis Pereira

 


O RELÓGIO PARADO

O relógio da minha terra

De velho, não quer andar

Não pagam ao relojoeiro

Ele não o quer arranjar.


Já não sei às quantas ando

Trago a cabeça à roda

Estou como o relógio da torre

Já se lhe partiu a corda.

 

Trago a cabeça à roda

E o sentido desvairado

Estou como o relógio da torre

Está velhinho e cansado.

 

Se o viver do passado

Fossem os momentos de agora

Não fossem os relógios de pulso

Andávamos todos à nora.

 

Minha terra que tristeza

Tudo te vão tirando

O relógio não dá horas

Já nem sei às quantas ando…

 * Maria Dinis Pereira