13.2.26

OPINIÃO: A lição do Rodrigo, o menino herói


O Rodrigo é um menino de nove anos. Nove! É um dos protagonistas de uma história que nos obriga a parar. Uma história com final feliz e a prova de que a educação, em casa, na escola e na comunidade, não serve apenas para formar profissionais. É decisiva também para dotar os cidadãos de qualquer idade de ferramentas de sobrevivência. Não se trata de lugares-comuns. O Rodrigo deu-nos uma lição.

O aluno do 4.° ano da Escola E.B. João Roiz, em Castelo Branco, vive em Malpica do Tejo, a 18 quilómetros de Castelo Branco, e viajava de carro com a mãe, acompanhado pelos dois irmãos gémeos, de seis anos, quando a progenitora se sentiu mal e desmaiou ao volante. Com um telefonema para o 112 salvou a vida da mãe. A chamada não foi apenas uma demonstração de coragem. Foi, sobretudo, um ato de maturidade extraordinária. O menino reconheceu a emergência, percebeu a importância de pedir ajuda, sabia o número certo para onde deveria ligar, respondeu com exatidão às perguntas e ainda manteve a calma para não assustar os dois irmãos.

Mas há outra pessoa incrível nesta história que aconteceu a 5 de dezembro de 2025 e que foi divulgada na terça-feira passada, no âmbito do Dia Europeu do 112. A interação do operador do INEM com a criança revela um profissionalismo excecional. E num tempo em que se acumulam relatos de insuficiências no socorro, o caso "ilustra de forma clara o papel fundamental do 112 como porta de entrada no sistema de emergência", como refere a própria instituição. João Dias, natural de Viana do Castelo, soube fazer as perguntas certas, no tom certo, ao ritmo certo, num momento crítico de extrema tensão.

Parabéns ao João e ao INEM. Parabéns ao Rodrigo. Parabéns aos pais dos três meninos. Parabéns à escola e aos seus profissionais. Todos provaram que o principal objetivo da educação é preparar as pessoas para a vida.

Manuel Molinos – Jornal de Notícias - 13 de fevereiro, 2026