29.4.12
A PRECIOSIDADE DE UM CLUBE: Sport Nisa e Benfica
MENSAGEM: A MEMÓRIA E A
JUSTIÇA DE NÃO ESQUECER O HONROSO NOME DUMA INSTITUIÇÃO QUE SE PODE ORGULHAR DO
SEU PASSADO,DOS SEUS DIRIGENTES,DOS SEUS JOGADORES, DO SEU ESPÍRITO ASSOCIATIVO:
A PRECIOSIDADE DE UM CLUBE...O GRANDE SPORT NISA E BENFICA.
O ENFOQUE SOBRE UM COLECTIVO DE JOGADORES QUE DESLUMBRARAM O NOSSO OLHAR DE MENINOS....1955,1956,1957, O SEU CARÁCTER, CATEGORIA E MUITA QUALIDADE EXCEDEU, SUPLANTOU OS LIMITES NORMAIS EXIGÍVEIS, TORNANDO-SE NUMA EQUIPA DE EXTRAORDINÁRIA GRANDEZA, EXEMPLAR EM CAMPO, E ELEVANDO O CLUBE A EXIBIÇÕES DE ALTO NÍVEL.
NA BALIZA UM GUARDA REDES FORA DO COMUM....CARLOS QUEIMADO, UM SER HUMANO MAGNÍFICO...UM GUARDA REDES QUE ,COMO OUTROS COMPANHEIROS, BEM PODERIAM ABRAÇAR O PROFISSIONALISMO, DADA A SUA INVULGAR QUALIDADE.
QUANDO ESQUECER NESTA HORA DE FESTIVIDADE JOSÉ MARIA MOURA, NO SEU PROFUNDO AMOR PELO SPORT NISA E BENFICA, DEDICANDO-LHE, SERVINDO-O COM O SEU ALTO VALOR DE JOGADOR, DESDE AVANÇADO A DEFESA CENTRAL,JOGADOR-TREINADOR,TREINADOR, NUMA RELAÇÃO
ÍMPAR DE DEDICAÇÃO POR TANTOS ANOS, QUE SÓ O SEU GRANDE AMOR PELO CLUBE PODE
EXPLICAR, SERIA IMORAL, DESCULPEM-ME A OUSADIA.
OPORTUNIDADE PARA O ELEVAR COMO UM DOS MAIORES ATLETAS DO CLUBE, PARA NÓS O MAIOR , EM RAZÃO DA SUA INIGUALÁVEL DÁDIVA DE AMOR E ENTREGA AO SPORT NISA E BENFICA, QUE TANTO AMOU, REPARANDO-SE A INJUSTIÇA DE NÃO TERMOS RECONHECIDO OPORTUNAMENTE O SEU VALIOSO CONTRIBUTO.
A memória espelha-nos a justiça de nos alegrarmos com o valor do Sport Nisa e Benfica através do seu tempo de existência, e nesta hora de aniversário.
Seria imoral nesta hora de festa omitirmos os seus riquíssimos valores , os seus ilustres jogadores, dirigentes, treinadores.
Hão-de os nossos distintíssimos conterrâneos compreender que nos atravessemos mais a destacar, homenagear, recordar um grupo que conhecemos melhor...o grupo que representava o clube ao sair das nossas felizes vidas de meninos ,...espantados com tal grandeza do grupo, dos seus excelentes jogadores.... 1955, 1956, 1957, os nossos ídolos.
Tal grupo merece tal e tanta distinção.
Honra e muito valor na pronúncia do nome de tão insigne clube, dos nomes dos seus atletas, jogadores com carácter, empenho, perseverança, sentido de luta e muita qualidade técnica ...., as papoilas saltitantes do jardim florido das mossas infâncias,..adentrando o nosso gosto pelo futebol , honestidade, esforço em campo, trabalho desinteressado dos dirigentes, emocionados os nossos olhos de meninos perante a beleza e qualidade do jogo praticado pela equipa.
Um caminho de reciprocidades, a alegria da equipa e a cumplicidades dos nossos olhos de meninos , da nossa alegria nos anos ,se os registos da memória não falham, de 1955,1956,1957.
Espaço sagrado das nossas vidas, meninos crescemos emocionalmente com tal digna instituição, aprendemos ali a amar o futebol através de exemplos...tantos, tantos de tão grandes jogadores e gente extraordinária, na mais pura dedicação, o mesmo acontecendo com os dirigentes cujos nomes nesta ocasião as páginas do clube recordam.
Dirigentes como Isaac Araújo, Virgílio Pinheiro, José da Graça Sena, mais recentemente outros como Joaquim da Graça Zacarias e muitos outros ,servindo o clube com inusitado carinho ,tantos nomes colados à grandeza moral do Sport Nisa e Benfica, tenho porém o dever de ....destacar este grupo referido que nos adentrou no futebol, uma equipa consistente, sem pontos fracos: Carlos Queimado, João Francisco, Pedro, Ganhão, Fatan, João da Brígida António Semedo, Guitas, Luís Cebolais, Teófilo, Aníbal Marmanja, Zezoca, António Casimiro, o grande José Casimiro, perdoe-se-nos a não indicação dos demais, de valor equivalente, impõe-se-nos relevar este coletivo brilhante, pelas razões apontadas .
E sem que no espírito se me apresente uma menor oposição reflexiva ,a menor sombra de dúvida , por mais racionalidade que adote, vincula-se-me ,a título individual, como o maior nome do clube um ilustríssimo senhor do futebol nisense aparecido posteriormente , esse mesmo que o vosso espírito me induz: José Maria Pinheiro Moura de seu nome, ..um amor profundo e uma dedicação sem limites pelo Sport Nisa e Benfica, o que mais tempo serviu o clube ,a título de atleta, jogador desde o lugar de avançado a defesa central( como aconteceu com outro gigante do futebol, o José Torres), capitão muitos anos, jogador- treinador, e treinador do Sport Nisa e Benfica não só foi brilhante, como foi longa e admirável a sua relação com o clube, parecendo-me assim da mais elementar justiça prestar-lhe tributo a este título, elevando-o a uma das maiores e mais brilhantes figuras de sempre do Sport Nisa e Benfica.
Seria imoral ,qualificámos nós noutro ponto deste texto, mas aqui igualmente de modo incisivo registado, não elevar o nome de José Maria Moura como a maior figura individual do clube, porque existe a memória a dar-nos conta da sua longa ligação ao clube, do seu empenho, quer como jogador, capitão de equipa, jogador-treinador, treinador, atleta de raras qualidades, enorme capacidade e sentido de liderança, jogador treinador; treinador emérito, hábil no lançamento de jovens, mil olhos dentro do campo enquanto defesa central (lugar para que recuara com o peso dos anos, aconselhando, corrigindo, retificando... o humor com que dizia as coisas em campo à maneira de José Torres, também como este a terminar como jogador treinador no centro da defesa).
Seria pois imoral nesta hora de festividades esquecer a dedicação, o amor com que José Maria Moura serviu o Sport Nisa e Benfica.
Só um grande amor pelo clube pode explicar ...tão longa, forte e feliz entrega.
Apelando à memória e à Justiça seria pois reprovável, mesmo imoral como atrás dito , esquecer a dedicação sem limites de José Maria Moura para com o clube.
Tudo converge pois para a consensualidade de o elevarmos como um dos nossos melhores jogadores de sempre do Sport Nisa e Benfica.
Erguer o seu nome nesta hora de aniversário significa a oportunidade de repararmos a injustiça de o não termos reconhecido antes, e de expressarmos o respeito e o agradecimento que temos por ele, e de que na altura não demos conta.
Sem relativizar outros nomes, cabe porém erguer o seu nome como uma das maiores figuras do Sport Nisa e Benfica, homenageando-o pelas suas extraordinárias e únicas qualidades de jogador, capitão, jogador treinador e treinador, traduzidas num exemplar amor e ligação ao clube, a quem serviu e dedicou os muitos e melhores anos da sua vida, iluminando com a sua grandeza moral e desportiva o historial do Sport Nisa e Benfica.
As maiores felicidades e êxitos,
João Castanho
O ENFOQUE SOBRE UM COLECTIVO DE JOGADORES QUE DESLUMBRARAM O NOSSO OLHAR DE MENINOS....1955,1956,1957, O SEU CARÁCTER, CATEGORIA E MUITA QUALIDADE EXCEDEU, SUPLANTOU OS LIMITES NORMAIS EXIGÍVEIS, TORNANDO-SE NUMA EQUIPA DE EXTRAORDINÁRIA GRANDEZA, EXEMPLAR EM CAMPO, E ELEVANDO O CLUBE A EXIBIÇÕES DE ALTO NÍVEL.
NA BALIZA UM GUARDA REDES FORA DO COMUM....CARLOS QUEIMADO, UM SER HUMANO MAGNÍFICO...UM GUARDA REDES QUE ,COMO OUTROS COMPANHEIROS, BEM PODERIAM ABRAÇAR O PROFISSIONALISMO, DADA A SUA INVULGAR QUALIDADE.
QUANDO ESQUECER NESTA HORA DE FESTIVIDADE JOSÉ MARIA MOURA, NO SEU PROFUNDO AMOR PELO SPORT NISA E BENFICA, DEDICANDO-LHE, SERVINDO-O COM O SEU ALTO VALOR DE JOGADOR, DESDE AVANÇADO A DEFESA CENTRAL,JOGADOR-TREINADOR,
OPORTUNIDADE PARA O ELEVAR COMO UM DOS MAIORES ATLETAS DO CLUBE, PARA NÓS O MAIOR , EM RAZÃO DA SUA INIGUALÁVEL DÁDIVA DE AMOR E ENTREGA AO SPORT NISA E BENFICA, QUE TANTO AMOU, REPARANDO-SE A INJUSTIÇA DE NÃO TERMOS RECONHECIDO OPORTUNAMENTE O SEU VALIOSO CONTRIBUTO.
A memória espelha-nos a justiça de nos alegrarmos com o valor do Sport Nisa e Benfica através do seu tempo de existência, e nesta hora de aniversário.
Seria imoral nesta hora de festa omitirmos os seus riquíssimos valores , os seus ilustres jogadores, dirigentes, treinadores.
Hão-de os nossos distintíssimos conterrâneos compreender que nos atravessemos mais a destacar, homenagear, recordar um grupo que conhecemos melhor...o grupo que representava o clube ao sair das nossas felizes vidas de meninos ,...espantados com tal grandeza do grupo, dos seus excelentes jogadores.... 1955, 1956, 1957, os nossos ídolos.
Tal grupo merece tal e tanta distinção.
Honra e muito valor na pronúncia do nome de tão insigne clube, dos nomes dos seus atletas, jogadores com carácter, empenho, perseverança, sentido de luta e muita qualidade técnica ...., as papoilas saltitantes do jardim florido das mossas infâncias,..adentrando o nosso gosto pelo futebol , honestidade, esforço em campo, trabalho desinteressado dos dirigentes, emocionados os nossos olhos de meninos perante a beleza e qualidade do jogo praticado pela equipa.
Um caminho de reciprocidades, a alegria da equipa e a cumplicidades dos nossos olhos de meninos , da nossa alegria nos anos ,se os registos da memória não falham, de 1955,1956,1957.
Espaço sagrado das nossas vidas, meninos crescemos emocionalmente com tal digna instituição, aprendemos ali a amar o futebol através de exemplos...tantos, tantos de tão grandes jogadores e gente extraordinária, na mais pura dedicação, o mesmo acontecendo com os dirigentes cujos nomes nesta ocasião as páginas do clube recordam.
Dirigentes como Isaac Araújo, Virgílio Pinheiro, José da Graça Sena, mais recentemente outros como Joaquim da Graça Zacarias e muitos outros ,servindo o clube com inusitado carinho ,tantos nomes colados à grandeza moral do Sport Nisa e Benfica, tenho porém o dever de ....destacar este grupo referido que nos adentrou no futebol, uma equipa consistente, sem pontos fracos: Carlos Queimado, João Francisco, Pedro, Ganhão, Fatan, João da Brígida António Semedo, Guitas, Luís Cebolais, Teófilo, Aníbal Marmanja, Zezoca, António Casimiro, o grande José Casimiro, perdoe-se-nos a não indicação dos demais, de valor equivalente, impõe-se-nos relevar este coletivo brilhante, pelas razões apontadas .
E sem que no espírito se me apresente uma menor oposição reflexiva ,a menor sombra de dúvida , por mais racionalidade que adote, vincula-se-me ,a título individual, como o maior nome do clube um ilustríssimo senhor do futebol nisense aparecido posteriormente , esse mesmo que o vosso espírito me induz: José Maria Pinheiro Moura de seu nome, ..um amor profundo e uma dedicação sem limites pelo Sport Nisa e Benfica, o que mais tempo serviu o clube ,a título de atleta, jogador desde o lugar de avançado a defesa central( como aconteceu com outro gigante do futebol, o José Torres), capitão muitos anos, jogador- treinador, e treinador do Sport Nisa e Benfica não só foi brilhante, como foi longa e admirável a sua relação com o clube, parecendo-me assim da mais elementar justiça prestar-lhe tributo a este título, elevando-o a uma das maiores e mais brilhantes figuras de sempre do Sport Nisa e Benfica.
Seria imoral ,qualificámos nós noutro ponto deste texto, mas aqui igualmente de modo incisivo registado, não elevar o nome de José Maria Moura como a maior figura individual do clube, porque existe a memória a dar-nos conta da sua longa ligação ao clube, do seu empenho, quer como jogador, capitão de equipa, jogador-treinador, treinador, atleta de raras qualidades, enorme capacidade e sentido de liderança, jogador treinador; treinador emérito, hábil no lançamento de jovens, mil olhos dentro do campo enquanto defesa central (lugar para que recuara com o peso dos anos, aconselhando, corrigindo, retificando... o humor com que dizia as coisas em campo à maneira de José Torres, também como este a terminar como jogador treinador no centro da defesa).
Seria pois imoral nesta hora de festividades esquecer a dedicação, o amor com que José Maria Moura serviu o Sport Nisa e Benfica.
Só um grande amor pelo clube pode explicar ...tão longa, forte e feliz entrega.
Apelando à memória e à Justiça seria pois reprovável, mesmo imoral como atrás dito , esquecer a dedicação sem limites de José Maria Moura para com o clube.
Tudo converge pois para a consensualidade de o elevarmos como um dos nossos melhores jogadores de sempre do Sport Nisa e Benfica.
Erguer o seu nome nesta hora de aniversário significa a oportunidade de repararmos a injustiça de o não termos reconhecido antes, e de expressarmos o respeito e o agradecimento que temos por ele, e de que na altura não demos conta.
Sem relativizar outros nomes, cabe porém erguer o seu nome como uma das maiores figuras do Sport Nisa e Benfica, homenageando-o pelas suas extraordinárias e únicas qualidades de jogador, capitão, jogador treinador e treinador, traduzidas num exemplar amor e ligação ao clube, a quem serviu e dedicou os muitos e melhores anos da sua vida, iluminando com a sua grandeza moral e desportiva o historial do Sport Nisa e Benfica.
As maiores felicidades e êxitos,
João Castanho
28.4.12
Filhos de Nisa: Um regresso que se saúda
Está de
volta o blogue Filhos de Nisa, com autoria e administração da Margarida
Oliveira.
A autora de “Olho
Neles” regressa após uma “paragem” de cerca de dois anos. Mais madura,
Margarida, promete fazer do blog um espaço de debate de ideias e de luta por um
concelho de Nisa melhor, mais dinâmico e com mais oportunidades para os seus filhos.
Goste-se ou
critique-se o estilo, não é exagero afirmar que a ausência dos Filhos de Nisa foi
bastante sentida, pelo que este regresso se saúda.
Sê bem-vinda,
cachopa, a esta terra que queremos bordada de encantos e que, estou certo, com
o teu contributo e dos visitantes do blog, pode tornar-se diferente para
melhor.
É que para
pior, como cantou o Sérgio Godinho, “já basta assim!”.
Força e que
as mãos nunca te doam para escreveres em louvor da verdade e da justiça.
26.4.12
25.4.12
À FLOR DA PELE - Talvez, Abril...
1 – MAIO, MADURO MAIO
Sei de um
país onde há 30 anos se comemora de Maio o dia primeiro.
Sei de um
país onde há 50 anos se lutava pela conquista da jornada de trabalho de 8
horas.
Sei de um
país que teve “praças de jorna”, mercados de mão-de-obra, de gente que lutou
pelo direito ao trabalho e ao pão. Gente agredida, espezinhada, presa,
sufocada.
Sei de um
país que teve Catarina, mas também Caravela e Casquinha, Dias Coelho, Adriano,
Zeca Afonso, cantores, poetas, operários de enxadas e das minas; gente vivendo
e sonhando com essa doce palavra: liberdade.
Sei de um
país, de gente que descobriu mundos e fundos; desbravou caminhos e oceanos,
construiu um império de quimeras.
Sei de
outros países de extensas planícies e desertos, de terra vermelha, em brasa,
povoada de rios e tabancas, de bolanhas e sanzalas, onde viviam pessoas, meus
irmãos de pele mais escura, sentindo as grilhetas da opressão e da tirania.
Sei de
outros povos meus irmãos e de irmãos que não vejo há muito: Mondlane, Neto,
Samora, Amílcar, Xanana, que me ensinaram balanta, quimbundo, crioulo, maconde
e a rimar unidade com liberdade, consciência com independência.
Sei de
outras músicas, do Cobiana Jazz, do merengue e da coladeira, da morna e da
marrabenta, ritmos de paz e de guerra, de sofrimento e revolta, de dor e
esperança.
Sei de um
país que em Maio prolonga Abril e que no mês das flores e das maias, das searas
e das papoilas, nasce um cântico de liberdade que percorre o Gêba, o Zaire e o
Rovuma, levando até Dili a brisa da libertação.
2 – LEMBRANDO O TI ANTÓNIO BRANCO
Adeus Nisa, adeus riqueza
Tens coragem e não és mole
Para tu teres tanta grandeza
Está Montalvão sem pitról
Se tinhas
pouco dinheiro
Primeiro
devias pensar
Por que te
puseste a mandar
P´ra Montalvão
mais caqueiros
De que
servem os candeeiros
Sem ter uma
luz acesa
Andas
fugindo á despesa
De uma luz
que pouco presta
Guardas as
notas prá festa
Adeus Nisa,
adeus riqueza.
Essas águas
encanadas
Que tu tens
para teu regalo
Para estares
bem estou eu mal
Recebendo
águas encharcadas
Quando te
mando as mesadas
Com que vais
pagar teu rólo
É que me
queres tomar ao colo
Sem que
interesses p´ra mim puxe
Andas sempre
em alto luxe (o)
Tens coragem
e não és mole.
Do que
aquelas que não tens
Guardas para
ti todos os bens
E nós
vivemos às escuras
São umas
mágoas tão duras
Cá prá minha
natureza
Podes ter
bem a certeza
Que a poucos
estás a agradar
Porque somos
tantos a pagar
E só tu tens
tanta grandeza.
Só tu tens
lindas entradas
Em estrada
máquedame
Só tu tens
um Rossio de fama
Um teatro
obra apurada
Uma praça
para a tourada
Com lugares
de sombra e sol
Eu vivendo
na terra mole
Dou entrada
ao meu povo
Tu andas
sempre de novo
E Montalvão
sem pitról.
O ti António
Branco, o “Forneiro”, nasceu e morreu em Montalvão. Trabalhador do campo,
forneiro, analfabeto, produziu um importante conjunto de décimas, algumas de
grande beleza e que descrevem, na perfeição, o mundo campestre. Tinha uma forte
consciência social e uma acutilância rara para descrever as injustiças de que a
sua terra, Montalvão, era alvo.
As décimas
aqui apresentadas foram passadas de boca em boca, nos anos 40 do século
passado, numa época em que a repressão política e social mais se intensificou.
Voltaremos,
um dia destes, ao ti António Branco.
Mário Mendes - 25/4/2012
23.4.12
PONTÁ BITÉFES: A Biblioteca Municipal, outra vez...
A Biblioteca
Municipal de Nisa retomou a sua vocação inicial: estar ao serviço da leitura
pública e dos leitores. Retomou o horário que nunca deveria – por mais negras e
severas que fossem as “condições” – suprimido. Abre, agora e novamente aos
sábados, para alegria e satisfação dos seus leitores (digo leitores e não
utilizadores, para não haver confusão com utentes e a tentação de “inventarem”
taxas moderadoras). Foi dado um passo importante que “razões” financeiras não
justificavam.
Congratulemo-nos pelo horário da Biblioteca e uma vez mais lembramos: A Câmara de Nisa, quando quer, também sabe fazer bem.
Pena que utilize este saber tão poucas vezes...
Em Dezembro
de 1996, noutra ocasião e contexto político local, apresentei na Assembleia
Municipal a seguinte Tomada de Posição sobre o Horário da Biblioteca Municipal
de Nisa.
Vale a pena
lembrá-la.
Tomada de
Posição sobre o horário da Biblioteca Municipal de Nisa / Casa da Cultura
"A Biblioteca
Municipal de Nisa / casa da Cultura, instalada num edifício recuperado e dotado
de modernas infra-estruturas, vem desempenhando um papel insubstituível na
ocupação dos chamados “tempos livres” de crianças, jovens e adultos, promovendo
a leitura, o convívio e o conhecimento, colaborando dessa forma na formação integral
do homem, como bem a definiu Bento de Jesus Caraça.
As novas
condições de localização e funcionamento, trouxeram – como era, aliás,
previsível – um novo e importante contingente de utilizadores, que “mexeram”
com a organização dos serviços, a formação dos funcionários, proporcionando o
aumento e diversificação das iniciativas e ofertas culturais.
Num curto
espaço de tempo, a Biblioteca Municipal de Nisa granjeou – com justiça,
acrescente-se – um lugar de mérito e referência, destacando-se no medíocre
roteiro das realizações camarárias.
A esta casa
da cultura haveria de dar-se ainda maior projecção com novas e fortificantes
realizações que, ocupando o vazio existente em termos culturais, pudessem constituir
meio e razão que obstassem á proliferação de submundos onde a droga e a
delinquência parecem querer instalar-se.
No início do
corrente ano alertámos, criticamente, para os horários em vigor na Biblioteca
Municipal de Nisa que, não servindo os leitores, não respondendo às aspirações
dos seus utilizadores está, automaticamente, em contradição e antagonismo quer
com a natureza do verdadeiro serviço público que presta, quer com a qualidade e
projecção que alcançou.
Justificava-se
em nosso entender e como na altura defendemos, não só a manutenção do anterior
horário, mas o seu alargamento, estendendo-se à abertura nos fins de semana,
permitindo a leitura, o estudo, a preparação de trabalhos escolares e a
promoção de iniciativas nos variados campos do saber.
Ainda que
justo e amplamente sentido, o alerta não provocou qualquer reacção por parte
dos responsáveis municipais, que mantiveram o horário em vigor.
Um horário
que poderá servir os funcionários, poupar uns “cobres” à digníssima Câmara mas
que, indiscutivelmente, não serve, nem de longe os frequentadores da Biblioteca
Municipal /Casa da Cultura, muitos deles com horários de trabalho que colidem
com os existentes na Biblioteca.
Daqui se
apela, uma vez mais, para o bom senso.
E este manda
que se abra a Biblioteca, como casa da cultura que é, para aqueles que a amam,
que gostam de ler, de “viajar" pelo mundo, de construir em cada sonho, o “salto”
com que o universo pula e avança…
Nisa, 16 de
Dezembro de 1996
Mário Mendes
22.4.12
Quercus enumera 7 pecados ambientais de Portugal no Dia da Terra
A Quercus, Associação Nacional de Conservação
da Natureza, anunciou, no Dia da Terra, os 7 pecados ambientais com que
Portugal se depara.
Identificados
como pecados de insustentabilidade, estes são os principais problemas
relacionados com o ambiente que Portugal apresenta:
1. O Plano
Nacional de Desenvolvimento Sustentável caiu no esquecimento
A cimeira
das Nações Unidas sobre o Ambiente e Desenvolvimento realizou-se há 8 meses, e
o prometido Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável ainda não ganhou
forma. Mais uma vez as promessas do governo, continuam somente a ser promessas
e sem implicações práticas.
2. A
remodelação ao financiamento das autarquias não é o correcto
Numa fase em
que o Governo decidiu alterar as taxas do Imposto de Selo e a contribuição
autárquica é necessário ponderar o método de distribuição do financiamento
público. Não se deve construir inconscientemente, há que ter em conta valores
naturais e paisagísticos.
3. Portugal
consume cada vez mais energia
Vivendo em
tempo de crise, Portugal apresenta valores preocupantes, tendo em conta que
estamos em recessão económica e continuamos a aumentar a intensidade energética
do país. Isto significa que para além de estarmos a gastar muito mais energia
do que era suposto para a nossa face de desenvolvimento económico, estamos
também a desperdiçar, cada vez mais, energia e recursos.
4. Excesso
de tráfico em circulação
O excesso de
carros e transportes em circulação origina: mais gasto energético, mais
emissões, mais ruído e mais congestionamento.
Portugal é
um dos cinco países que está na rota para uma insustentabilidade no sector dos
transportes, tendo também concentrações de poluentes muito acima da média do
que é permitido pela legislação europeia.
5. Portugal
desperdiça por ano 3 100 000 000 000 litros de água
Portugal
consegue desperdiçar por ano vários milhões de litros de água. Apesar de
existir um Programa Nacional para o Uso Eficiente de Água, este só teve parte
teórico, pois nunca foi aplicado. É necessário que na agricultura, na indústria
e no consumo privado, se faça um uso eficiente e sustentável da água.
6. A
Conservação da Natureza ainda não passou à parte prática
Apesar de já
ter sido elaborada uma Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e da
Biodiversidade, muitos dos seus objectivos ainda continuam por concretizar. Os
Planos de Ordenamento do Território das áreas protegidas continuam por
implementar, bem como, ainda existem muitas áreas da Rede Natura 2000 por
ordenar.
7. Reciclagem
ainda longe dos hábitos portugueses
Reutiliza-se
menos que o desejável, recicla-se menos que o esperado e no final de contas
instalam-se mais incineradoras.
A
reutilização de embalagens com tara de retorno verifica-se menos, e a
reciclagem urbana ainda não apresenta valores significativos para o ambiente.
Por sua vez, a última opção desejável é aquele que se procura mais, a
incineração, ou seja, a queima de resíduos.
Posto isto,
é tempo de reflectir sobre o ambiente e aquilo que será o nosso futuro próximo.
Estas opções calham a todos, e todos temos que contribuir.
Tenha um
papel activo para uma vida mais verde.
20.4.12
NISA VIVA: Dez anos, a promover a cultura e o património
Prestes a completar dez anos de vida, a Nisa Viva –
Associação dos Naturais e Amigos do Município de Nisa, construiu ao longo deste
tempo, um percurso e um currículo feito de inúmeras iniciativas visando a
promoção do concelho de Nisa, dos seus naturais e da região.
Reforçar os laços de solidariedade entre os nisenses
ausentes e residentes, foi o motivo principal que levou à constituição desta
associação em Junho de 2002.
Desde então, a Nisa Viva tem procurado, através de uma
actividade constante, não só fortalecer esses laços como sensibilizar os sócios
da associação - muitos deles ausentes do concelho há anos e sem ligação às
terras de origem – a uma presença e intervenção em prol da região onde nasceram.
Essas continuam a ser, aliás, as linhas de força do programa
de actividades para o triénio 2012-2015 proposto pelos órgãos sociais eleitos
em Assembleia Geral no passado dia 24 de Março e aprovado na mesma reunião.
Uma reunião na qual foram passados em revista um decénio de
existência, com análise da acção desenvolvida, realçando-se as actividades que
mais contribuíram para a valorização do concelho e o prestigio da associação,
mas sem descurar a crítica a outras acções que, estando programadas, não foram
implementadas por dificuldades várias.
Divulgar o património histórico e cultural do concelho
Uma das áreas a que a Nisa Viva deu carácter prioritário
foi, incontestavelmente, a defesa e divulgação do património histórico e
cultural do concelho de Nisa, divulgação feita através de inúmeros passeios
pedestres temáticos, quer de âmbito rural ou de cariz urbano. Com o título “À
Descoberta do Património”, a Nisa Viva procurou dar a conhecer, com a ajuda de
historiadores e de outros especialistas, o vasto e diversificado acervo
patrimonial do concelho, com caminhadas, praticamente, em todas as freguesias
do município de Nisa.
A estas acções de divulgação do património, aliando-o à
prática da saúde e do contacto com a natureza, a Nisa Viva realizou inúmeras exposições,
algumas com carácter de pioneiras, divulgando modos de ser e fazer dos
nisenses, nomeadamente, no campo do artesanato.
Momentos de particular significado para a associação, foram
a promoção de dois cortejos etnográficos de âmbito concelhio, um trabalho de
grande envergadura e que movimentou centenas de figurantes, que desfilaram em
Nisa e mostraram os aspectos mais significativos da cultura e tradições das
suas terras.
Trajes, danças, cantares, instrumentos e artefactos de
trabalho, mostraram imagens de um tempo ainda não muito distante e que urge
salvaguardar para fruição e compreensão por parte das gerações actuais e vindouras.
Cultura promove conhecimento
A par da divulgação do património, a Nisa Viva promoveu ao
longo destes dez anos diversas conferências e colóquios, abordando um conjunto
de temas muito vasto e de interesse tanto regional como nacional, como a
preservação e a reabilitação dos centros históricos, os problemas da emigração,
a defesa das regiões administrativas ou sobre os problemas económicos e a
globalização, entre outros.
Conferências que trouxeram a Nisa figuras de incontestável
prestígio como o juiz conselheiro Guilherme de Oliveira Martins, presidente do
Tribunal de Contas e do Centro Nacional de Cultura - entidade com quem a Nisa
Viva se prepara para estabelecer um protocolo de colaboração, visando a
realização de actividades conjuntas -, António Simões Lopes, ex-bastonário da
Ordem dos Economistas, Jorge de Oliveira, professor da Universidade de Évora,
José Miguel Noras, ex- deputado e ex-presidente da Câmara de Santarém, José Mendes Bota, deputado, Carreira Marques,
ex-presidente da Câmara de Beja.
Revista fortalece ligação
Para estabelecer e manter a ligação entre nisenses,
residentes e ausentes, a Associação dos Naturais e Amigos do Município de Nisa
dispõe de uma revista, publicada de quatro em quatro meses. Uma revista que
representa um grande investimento para a associação, não só pela qualidade do
formato e conteúdo, o que obriga a despesas de algum vulto, mas principalmente
por que a mesma não teve ainda o reconhecimento e a difusão que os dirigentes
da Nisa Viva julgam ser possível. Este é, de resto, um dos problemas, que a
nova direcção quer ver resolvido com alguma premência, estando a estudar
algumas das propostas que foram sugeridas pelos sócios.
Um outro problema e que levou, inclusive, à alteração dos
estatutos, diz respeito á mudança da sede da associação, até aqui sedeada em
Lisboa. Os sócios foram unânimes em reconhecer que, ultrapassado o período de implantação
da Nisa Viva faz todo o sentido que a sede passe a localizar-se em Nisa,
estando a ser feitos contactos para esse fim.
Restauro da capela de Santo André
O programa de actividades da Nisa Viva para o triénio
2012-2015, aprovado pelos sócios, é ambicioso e revela a vontade dos corpos
sociais em recuperar algum do tempo perdido, nomeadamente, em algumas acções
práticas que não tiveram o devido desenvolvimento.
É o caso, por exemplo, do levantamento do Menir do Patalou,
processo em que a Nisa Viva se empenhou, principalmente na ultrapassagem de
alguns aspecto legais relacionados com a propriedade e que foram resolvidos,
sem que houvesse por parte da autarquia a necessária disponibilidade e
sequência.
A associação espera ver o problema resolvido, contando com o
apoio das autarquias interessadas e a orientação científica do prof. Jorge
Oliveira, para além de avançar com uma proposta para a celebração de um
protocolo com o Município de Nisa visando a realização de acções de valorização
e divulgação do património concelhio.
No mesmo sentido, será feita uma proposta ao Agrupamento de
Escolas do concelho de Nisa, para a realização de colóquios e palestras nas
escolas, sobre temas a definir em conjunto.
A Nisa Viva está particularmente interessada na organização
de iniciativas que se insiram nas comemorações dos 500 anos do forais
manuelinos de Nisa e Montalvão e em avançar com as obras de restauro da Capela
de Santo André, em cooperação com a Paróquia de Nisa.
Para o efeito, a associação tem previsto para este ano, no
seu orçamento uma verba de mil euros, dos cinco mil que foram angariados
através de subscrição pública que organizaram para esse fim, contando com a
disponibilidade manifestada pela Junta de Freguesia de Nossa Senhora da Graça
para apoiar este projecto.
Colóquio com o economista Simões Lopes
No próximo sábado, dia 21, pelas 15 horas, no auditório da
Biblioteca Municipal, a Nisa Viva promove uma conferência com o Prof. Dr.
António Simões Lopes, ex-bastonário da Ordem dos Economistas que falará sobre o
tema “ A crise e a austeridade: que mais nos irá acontecer?”.
O economista António Simões Lopes e o historiador Jorge
Oliveira foram distinguidos pela Nisa Viva com o título de “Sócios Honorários”,
como reconhecimento pelo trabalho desenvolvido em prol da associação.
Associação Nisa Viva - Órgãos Sociais para o triénio
2012 -2015
Assembleia Geral
Manuel Lopes Porto, presidente; José Manuel Basso e João
Gomes Esteves, secretários;
José Carmona Ribeiro e João Lopes Mourato, substitutos.
Direcção
António Rebordão Montalvo, presidente; João Rufino Temudo,
vice-presidente; Manuela Sales Bicho, secretária; Rui Correia de Sousa,
tesoureiro; Lúcia Bicho Temudo, Maria José de Almeida, Mário Carita Infante,
João Maria Pinheiro, Sara Mendes da Silva, vogais; João Francisco Lopes, José
Basso Reizinho, Joaquim Correia Bicho, substitutos.
Conselho Fiscal
Armando Fraústo Basso, presidente; Arménio Morais de Almeida
e Conceição Carita Morais, secretários; Emílio Rufino Reizinho e Tiago Bicho
Temudo, substitutos.
Mário Mendes in "Alto Alentejo" - 18 Abril2012
18.4.12
A (Des)propósito do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios
LÁGRIMAS DE CROCODILO(S) - A verdade da mentira
Debaixo daquela árvore, imponente e frondosa, trocaram-se mil promessas de amor, juras de fidelidade, sonhos e projectos para uma vida, muitas vidas.
Talvez, por isso, ficou conhecida como a Árvore da Verdade, na mentira que foram alguns dos episódios que testemunhou.
Por causa dela – da árvore – altiva e verdadeira, fizeram-se projectos de mentira. Destruíram-se recantos e paisagens, criados, de raiz, há mais de 70 anos.
Tudo em nome de um progresso e de uma nova “febre arquitectónica” que sustenta o ego dos políticos e destrói a memória dos sítios, das vilas e das cidades. Até aqui, a globalização urbanística chegou...
A Árvore, nascida há muitas dezenas de anos, tinha, também, de morrer, não de pé, como na pujante interpretação de Palmira Bastos, mas de uma morte triste, violenta, preparada. Diríamos, mesmo, premeditada.
Dilaceraram-lhe as raízes e a árvore, outrora plena de força, definha, agora, em cada dia que passa.
Matam-nos as memórias, as referências de um passado que vivemos, os suportes da ponte entre passado, presente e futuro.
Será que ninguém será, um dia, responsabilizado por tais crimes?
As lágrimas da fonte
Não falarei mais da retirada da fonte do Rossio, dos vários atropelos cometidos, num só. O poder manda, por isso é poder. Mas não é mais poder, sobretudo, não é melhor poder por mandar, mas sim por mandar com critério, bom senso e uso da razão.
Mudou-se a fonte, serviram-se as clientelas, apagou-se o fogo-fátuo dos protestos. Ao menos e se assumiram, politicamente, a transferência da fonte, que tratassem o monumento – que não tem culpa de nada – com a atenção, o carinho e o respeito que merecia. Desmontaram-na à pressa, sem cuidado e com a mesma força bruta a instalaram.
Era preciso mostrá-la, com urgência, mesmo desfigurada. Partiram-lhe apoios, artérias e membros de um mesmo corpo. Assim, debilitada, ferida e estropiada, a colocaram no sítio onde está.
Ali está, mostrando as suas mazelas e as do poder local que permitiu, sem as cautelas e o acompanhamento indispensável, uma mudança e instalação tão atribuladas.
Para fazerem tal serviço, melhor fora que a deixassem no exacto local onde foi inaugurada em 1932.
Mário Mendes – Jornal de Nisa - 1ª série – nº213 – 23/8/2006
NOTA: Assinala-se, hoje, dia 18 de Abril, o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios. Algumas associações e autarquias do país, lembram esta data com iniciativas dando a conhecer os patrimónios locais.
Em Nisa, estão agendadas visitas ao castelo de Amieira do Tejo e ao Conhal. Em dia de reunião do executivo, teria sido uma excelente ideia mostrar aos eleitos, não só da Câmara como da Assembleia Municipal, o estado calamitoso em que se encontra o designado Centro Histórico.
Seria também a oportunidade de os eleitos locais poderem apreciar as novas "tendências" da arquitectura e do urbanismo, entre estas, a "genial ideia" de tapar com pano de tijolo e cimento, as portas do que foram antigas moradias. Quem não souber, julgará que uma epidemia de "peste negra" tomou conta do "Centro Histórico" e que tais medidas de "emergência" visaram impedir o alastramento da doença....
Forma bizarra de lembrar um Dia Internacional ligado ao património.
Mário Mendes
17.4.12
TEXTOS DE ABRIL (4): Os "subversivos" de Tolosa
UM DOCUMENTO
Governo Civil de Portalegre
Portalegre, 12 de Dezembro de 1936
Senhor Ministro do Interior
Lisboa
Excelência
Pela Comissão Concelhia da União Nacional do Concelho de Niza, foi-me comunicado que na Freguezia de Tolosa, daquele concelho, se vêm passando alguns factos de gravidade, e, entre os quais, os seguintes:
a) Nas tabernas e em todos os locais julgados apropriados, realizam-se verdadeiras sessões de propaganda subversiva, e incita-se o Povo a fazer a divisão da propriedade;
b) No sentido de se conseguir essa divisão, muitas pessoas do Povo, com mulheres à frente desfraldando bandeiras, vermelhas, têem destruído as linhas do concelho ou arrancando os marcos das mesmas;
c) Chegaram mesmo a dividir os terrenos em glebas, semeando-as de feijoaria, que recolheram, e a tal ponto levaram esse abuso, que os respectivos proprietários tiveram que recorrer ao Ministério do Interior, que por intermédio da Guarda Nacional Republicana, mandou desapossar os detentores das ditas glebas;
d) Apedrejaram-se pessoas de responsabilidade, e fazem-se tentativas de fazer rebentar bombas nas casas de alguns dos mesmos proprietários;
e) Vários indivíduos, como eles próprios têem confessado têem tido bombas em seu poder;
f) Faz-se a peito a afirmação pública de que há cerca de cinquenta comunistas em Toloza; e
g) Incita-se o Povo a matar, fazendo-se ao mesmo promessas de impunidade.
Como a averiguação destes factos muito interessa à ordem social, pedi já ao Exmo Director da Polícia de Vigilância e Defesa do Estado que se dignasse mandar a Toloza, com urgência, um ou mais Agentes da Polícia que superiormente dirige, e, agora, tenho a honra de rogar a Vª Exª que se digne interferir no sentido de não fazer demorar o deferimento daquele meu pedido.
A Bem da Nação
O Governador Civil: Domingos Calado Branco
In “A repressão política e social no regime fascista” – Comissão do Livro Negro sobre o Fascismo
NR: a) O documento revela uma outra faceta da União Nacional - o partido único do regime fascista -, a de delator e de "extensão regional" da polícia política, a PIDE.
b) Os acontecimentos relatados inserem-se, na época, no movimento de contestação popular à atribuição de parcelas no "Baldio das Costas", uma situação que agitou aquela localidade durante alguns anos e não foi resolvida de modo satisfatório.
15.4.12
TEXTOS DE ABRIL (3): Tudo bem
O Ministro do Optimismo reuniu os repórteres e declarou:
- A situação não é tão grave como estão dizendo. Aliás, a situação não é nada grave. Quem foi que disse que a situação é grave?
- Ministro, os números...
- Nunca ouvi os números dizerem alguma coisa. Número não fala. Se falasse, reconheceria que tudo está sob controle.
- Perdão, sob controle de quem? Indaga um repórter.
- Quando as coisas estão sem controle, é porque estão sob controle de si mesmas, e esta é uma questão muito delicada, é um controle intestinal, entende? Se não entender, não faz mal.
- O custo de vida...
- O custo de vida é uma ilusão. Não há custo de vida. O Governo sustenta maternidades gratuitas. Ninguém paga para nascer. Além disto, para facilitar ainda mais, cogitamos de estabelecer o imposto de morte. Todos os mortos pagarão esse imposto. Assim, ninguém mais vai querer morrer, e está salva a pátria. Eu não disse?
Carlos Drumond de Andrade – 25 de Abril de 1980 – in “Jornal de Fundão”
À FLOR DA PELE: Evocação de José Miguéns, o Ti Vara
JOSÉ MIGUÉNS: Vida e memória de um resistente
José Lopes Valente Miguéns, o ti Vara, faleceu no passado dia 2 de Abril, numa instituição de Vila Velha de Ródão, onde se encontrava desde há algum tempo, após ter sido acometido de grave doença.
Morreu em Abril, o cidadão, o autarca, o militante comunista que mais fez pela sua terra e freguesia, S. Simão – Pé da Serra, após o 25 de Abril.
O povo da sua terra e do concelho de Nisa, que amou como poucos, tributou-lhe uma sentida e vibrante homenagem de despedida no dia seguinte, incorporando-se no seu funeral centenas e centenas de pessoas, amigos, autarcas, cidadãos anónimos de todo o concelho.
O seu percurso como cidadão, resistente e autarca foi devidamente assinalado pelo actual presidente da Junta de Freguesia de S. Simão, José Hilário, que destacou a dedicação, o dinamismo e o contributo de José Lopes Miguéns para o desenvolvimento da freguesia e na implantação de infra-estruturas básicas como a água, o saneamento básico e as vias de comunicação.
É este o “homem de Abril” que aqui evocamos, hoje, tendo como referência uma entrevista feita num fim de tarde de Verão, já lá vão uns anitos.
José Lopes Valente Miguéns, o Ti Vara, tinha 81 anos e um percurso de mais de 25 anos como autarca.
O Ti Vara, foi uma figura emblemática do Pé da Serra e de todo o extremo norte do concelho de Nisa, conversador nato, alegre, bem disposto, sempre disponível para trazer ao presente, histórias, relatos, memórias, que tanto podiam falar dos tempos difíceis da emigração e do salazarismo, como da "fama vermelha" do Pé da Serra.
Uma "fama" que, segundo alguns habitantes, sem razão de ser, apenas justificada pelo desejo de aprender de muitos jovens do seu tempo e pelo ostracismo a que a freguesia era votada pelos "senhores de Nisa".
Guardador de rebanhos
José Miguéns andou na escola no Pé da Serra onde fez a 4ª classe, tendo a D. Georgete como professora. Acabada a escola tomou o rumo de outros companheiros seus, fez-se à vida, que esta era dura e de poucos proventos. Foi para Cabeço de Vide, servir como empregado de balcão (caixeiro) numa mercearia e taberna. Esteve lá dois anos, em casa do senhor José Marcelino Malheiro, após o que voltou para o Pé da Serra. Aqui, aguardava-o o trabalho mais comum para uma criança feita homem em três tempos: a de guardador de vacas em Montes de Matos, função que desempenhou durante um ano. Na aldeia foi guardador de rebanhos, borregos, porcos, até completar a maioridade.
Era a vida de quase toda a gente nesse tempo e como se ganhava pouco, resolveu alistar-se como voluntário e assentar praça na vida militar, em Tomar. Andou na tropa um ano e alguns meses. Regressou ao ponto de partida, a sua aldeia encostada à serra de S. Miguel, onde continuou a trabalhar por conta de outrem, a cortar azinheiras e a fazer carvão.
Uma vida dura, a de carvoeiro, conforme teve ocasião de nos explicar.
"No Pé da Serra havia três ou quatro negociantes de carvão. Nós derrubávamos as azinheiras, cortávamos as pernadas e fazíamos os fornos, que eram feitos com terra. Depois eram desaterrados e tirávamos o carvão. Era um serviço de grande dureza. Nessa altura já estava casado. O carvão saía daqui com destino a vários sítios desde o Entroncamento, Lisboa, Castelo Branco e outras localidades. Havia muita procura desse material. Este trabalho era sazonal e no Inverno ia trabalhar para o lagar. Andei assim durante vários anos, até que meti na cabeça ir para França."
A "salto" rumo a França
Puxando pela memória, o "Ti Vara" conta as aventuras e desventuras da ida para a França, a salto.
"Demorámos 18 dias a chegar. Fomos abandonados pelo passador, durante três ou quatro dias, sem saber o que fazer, escondidos num barracão, a poucos quilómetros da fronteira espanhola, próximo de Medelim, mas, felizmente, não desesperámos e às tantas lá apareceu o homem com um camião que nos transportou Espanha adentro. No camião iam cento e tal pessoas, de várias terras do país, parecíamos sardinha em lata. Durante a viagem que demorou mais de 12 horas, nunca parámos nem para urinar, tínhamos que o fazer para dentro de um bidon. Quando chegámos a Hendaia, já na França, deram-nos um bilhete de comboio para irmos até Paris e que cada um se desenrascasse. Em Paris, numa grande cidade e sem perceber uma palavra de francês, lá consegui alugar um táxi que me foi pôr e ao outro camarada à região de Dijon, no departamento 21, onde havia malta do Pé da Serra. Um dos conterrâneos emprestou-me o dinheiro para pagar o táxi e o primeiro ordenado que recebi em França foi para lhe pagar a ele. Era assim que as coisas funcionavam. Lembro-me que paguei sete contos e quinhentos ao passador, o que era muito dinheiro naquela altura.
Comecei a trabalhar na agricultura, a tratar de gado. Depois fui para a construção civil como servente de pedreiro. Ali aprendi alguma coisa e comecei a desenrascar-me nalguns trabalhos nesta profissão".
Da França para a Alemanha
Estava dado o primeiro passo rumo à independência económica e a melhores condições de vida. Perdidas as reticências iniciais, José Miguéns ruma até à Alemanha.
"Na França não se ganhava mal, mas na Alemanha o ordenado e as condições ainda eram melhores. Arranjei um contrato de trabalho e fui para Colónia. As principais obras onde trabalhei eram as do Metropolitano. As dificuldades eram a língua, mas havia muitos portugueses e nós, uns com os outros, íamos desenrascando. Estive três anos na Alemanha, e gostava de trabalhar naquele país e depois tive de decidir porque a minha filha tinha saído professora e havia que escolher entre a Alemanha e Portugal, e assim regressei ao Pé da Serra, retomando a vida de pedreiro por conta própria.”
As ideias políticas
Próxima do Tejo e da raia, o Pé da Serra sempre foi uma terra de emigrantes e de contactos com outros povos, nomeadamente no período da guerra civil espanhola (1936-1939). Denominados como “montezinhos”, os seus habitantes não caíram nas boas graças do poder municipal de Nisa e daí a haver alguma discriminação e ostracização política foi um pequeno passo.
José Miguéns rejeita a ideia de a freguesia ter sido um centro de ideias revolucionárias, antes do 25 de Abril.
"Nós aqui não tínhamos, propriamente, ideias políticas. O que havia era uma malta que gostava de ler, de aprender, de se informar e depois começávamos a perguntar. Por outro lado, sentíamos que havia discriminação da Câmara de Nisa para com a freguesia de S. Simão. Até ao 25 de Abril, tínhamos uma estrada miserável, cheia de buracos, em terra batida. Não tínhamos praticamente mais nada e não se faziam aqui obras. Hoje, felizmente, é bem diferente..."
"O grande empurrão foi, sem dúvida, a campanha das eleições para a presidência do general Humberto Delgado. Aqui no Pé da Serra, o Humberto Delgado tinha muito apoio e estou convencido que perdemos as eleições, tanto aqui, como no país, porque houve "marosca". Eu andei a colar os cartazes da campanha, tinha montes deles em casa. Quando foi no dia das eleições, os elementos da mesa eleitoral, que vieram de Nisa não me deixaram entrar para fazer o meu trabalho de delegado. Eu sentei-me numa janela em frente à Junta e ia descarregando num papel, todas as pessoas que iam votar. Pelas minhas contas a vitória não falhava, mas as contas eram feitas de outra maneira...
Eu ia a Nisa buscar os cartazes que me dava o Dr. Chambel, um dos maiores democratas que Nisa tinha e foi tão injustamente esquecido, e um dia ele disse-me: " Ainda não foi desta vez que ganhámos, mas esteve quase. Para a próxima não falha, pois isto não pode assim continuar. Se todos fossem como tu, outro galo cantaria".
Havia alguma consciência política, de esquerda e em 1973, na Alemanha fui votar com a minha mulher na CDE, por correspondência, ao consulado de Dusseldorf.
Na Alemanha e antes do 25 de Abril estava já organizado, reuníamos na sede do DKP (Partido Comunista Alemão) e eu fazia a distribuição nos fins-de-semana ou após o trabalho, de exemplares do "Avante" aos nossos compatriotas."
O regresso e a eleição como autarca
Após o regresso da Alemanha, já com o "bichinho da política" e a liberdade alcançada, foi sem surpresa que José Miguéns se viu no papel de presidente da Junta de Freguesia.
"Quando vim para Portugal, foi engraçado porque um dos meus encarregados, alemão, dizia-me: "o que vais tu fazer para Portugal se já lá não há dinheiro, pois deram cabo dos bancos?", e eu respondi-lhe que sempre havia de haver alguma coisa para comer e repartir com a família.
Fui eleito presidente da Junta e estive 24 anos como presidente. As obras de que mais me orgulho? Fico muito contente com construção e instalação do Centro de Dia e das pessoas idosas terem um local para estarem, serem atendidas, conviver. Estou contente de quase todas as ruas estarem calcetadas, talvez pudesse ter feito mais alguma coisa, mas daquilo que foi feito sinto-me orgulhoso.
Confesso que tinha grandes problemas em deixar a Junta pois receava que quem viesse não tivesse as mesmas ideias e a mesma dedicação em prol da freguesia, mas felizmente a CDU arranjou uma pessoa que dá todas as garantias e de quem tenho o maior regozijo de ver à frente da Junta."
As “Escadinhas do Ti Vara”
Ainda em vida, que é quando as homenagens devem ser feitas, José Lopes Valente Miguéns foi alvo de significativa homenagem. Uma rua do Pé da Serra passou a ter o seu nome. Lá está gravada no granito, a designação “Escadinhas do Ti Vara”, ali a dois passos da sede da Junta.
Homenagem singela que fica a perpetuar pelos tempos fora, o nome de um pé-de-serrense que se dedicou de alma e coração a trabalhar e a engrandecer a sua freguesia.
"Fiquei muito contente e com grande orgulho porque representou o reconhecimento de ter lutado por uma causa e também pela minha terra. Foi uma bela iniciativa do Dr. José Manuel Basso, a qual agradeço bastante, bem como a todas as pessoas, de todas as forças políticas que vieram nesse dia ao Pé da Serra."
O futuro da freguesia
Na altura, o futuro das freguesias, enquanto órgãos de poder local mais próximos das populações não estava, como hoje está, a ser posto em causa.
José Lopes Miguéns falava da “sua” freguesia com carinho e enlevo. Recordou a luta travada para vencer inúmeras barreiras burocráticas que impediam a concretização de obras essenciais, não obstante, deixou uma mensagem de esperança
"S. Simão como freguesia não se pode queixar muito. Têm sido feitas obras nos últimos anos, mas nem todos os problemas estão resolvidos. O principal, para mim, é a falta da qualidade da água. Agora tem havido em quantidade. Outro problema que é preciso resolver com urgência é o da rede viária. A freguesia tem, neste momento, as piores estradas e nem falo na Estrada da Vinagra que é, de facto, uma vergonha. Falta-nos um lar para os idosos e muitas das pessoas que podiam vir de Lisboa e de outros sítios para o Pé da Serra, acabam por ir para outras localidades. Com um lar muitas das pessoas reformadas e idosos regressariam à terra. Lanço um apelo para que haja mais vontade para resolver este problema."
Lembrar e homenagear o Dr. Chambel
A nossa conversa estava a chegar ao fim e o ti Vara, detentor de boa memória, não esqueceu alguns democratas que pereceram na voragem do tempo e do esquecimento, por parte da comunidade.
"O Dr. Chambel era um grande lutador pela Democracia, pelos direitos humanos e sofreu muito com isso. Lutou praticamente sozinho no nosso concelho para mudar o rumo às coisas, para que tivéssemos um governo eleito pelo povo, liberdade de opinião e reunião, por melhores condições de vida para os portugueses. Depois do 25 de Abril ninguém se lembrou dele, deixaram que a sua luta e o seu exemplo não fosse lembrado e devidamente homenageado. É preciso libertar a memória deste Homem como grande lutador pela democracia que o concelho de Nisa teve. É um acto de justiça."
A esperança não morre
José Lopes Valente Miguéns, o Ti Vara, partiu, há dias, do nosso convívio. Não chegou a ver nascer o Lar da freguesia. É pouco provável que alguma vez ele seja erguido.
A estrada da Vinagra deixou, entretanto, de ser uma “vergonha”. Está transitável, o Pé da Serra tem já a sua ETAR, o lagar fechou e está ao abandono, a freguesia e o concelho têm cada vez menos habitantes.
As políticas centralizadoras e de abandono do interior, condenaram a nossa região a uma morte anunciada, não tão lenta como seria espectável. O deserto avança a passos largos, mas na memória dos homens e dos lugares, os exemplos como os do Ti Vara ficarão a marcar, de forma indelével, a história de um tempo que foi de esperança e de luta, por um futuro melhor.
Obrigado, Zé Lopes!
Mário Mendes in "À Flor da Pele" - "Alto Alentejo" 11/4/2012
13.4.12
NISA: Memória do Cine Teatro - Abril 1935
Em Abril de 1935, o Cine Teatro de Nisa promoveu cinco sessões de cinema, a que assistiram 1255 espectadores. Toureiro à Força foi o filme em destaque não só pela assistência de 455 espectadores, mas por ter sido exibido na segunda-feira de Páscoa, dia de romaria da Senhora da Graça.
Toureiro à Força, comédia musical, realizada por Leo McCarey e produzido em 1932 (EUA) teve estreia em Portugal em Fevereiro de 1934. No elenco sobressaiam os nomes de Eddie Cantor (o protagonista), Lyda Roberti e Robert Young.
Na noite anterior (Domingo de Páscoa) foi exibido o filme O Rei dos Nudistas, tendo assitido 306 espectadores. No cômputo geral do mês, houve uma afluência ao cinema de 1255 espectadores que deixaram uma receita de 3070 escudos.
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