Mostrando postagens com marcador património arqueológico. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador património arqueológico. Mostrar todas as postagens

16.9.15

NISA: Abertura ao público do Menhir do Patalou

No dia 26 de Setembro, pelas 21:00, em cerimónia pública, será formalmente aberto à fruição dos interessados e turistas o acesso ao Menhir do Patalou, situado junto à estrada que liga Nisa à Barragem da Póvoa. A cerimónia que decorrerá junto ao menhir contará, para além das intervenções protocolares das entidades envolvidas, com uma breve conferência sobre Megalitismo a proferir por Jorge de Oliveira, Arqueólogo e docente da Universidade de Évora, a que se seguirá um concerto pela Orquestra Filarmónica da Banda de Nisa.
Foto: Jorge Oliveira (Facebook) 
O Menhir do Patalou que a partir do dia 27 de Setembro pode ser livremente visitado foi objeto de estudo e reabilitação por parte duma equipa de Arqueologia da Universidade de Évora no âmbito dum protocolo estabelecido com a Câmara Municipal de Nisa.
Segundo Jorge Oliveira, o Menhir do Patalou é um dos mais volumosos menhires explicitamente fálicos da Península Ibérica. Os trabalhos arqueológicos efectuados em Julho de 2015, promovidos pela Câmara Municipal de Nisa e pelo Laboratório de Arqueologia da Universidade de Évora, conducentes ao seu estudo e reabilitação, permitiram recolher carvões nas terras da sua base que submetidos a datação por radiocarbono informam que terá sido erguido em meados do 5º milénio antes de Cristo.
Com um comprimento de 4 metros e um peso a rondar as 7 toneladas foi talhado, transportado e erguido pelas primeiras comunidades neolíticas no contexto de ancestrais cultos à fertilidade. Da profunda decoração gravada que este menhir possuía originalmente preservam-se ainda vestígios de linhas serpentiformes, assim como algumas enigmáticas covinhas abertas em épocas posteriores.
Por forma a preservar integralmente a sua fossa de implantação e o sobreiro que junto se encontra, o menhir do Patalou foi agora reerguido seis metros para norte. Um pequeno marco de granito assinala o local original de implantação.
Os trabalhos arqueológicos que permitiram a reabilitação deste menhir inscrevem-se num projeto de investigação intitulado MEGANISA, aprovado pela Direção Geral do Património Cultural a desenvolver pela Universidade de Évora e apoiado pela C.M. de Nisa, através do qual estão autorizadas outras ações de valorização e divulgação de monumentos megalíticos do concelho de Nisa. Depois do levantamento do Menhir do Patalou vão iniciar-se trabalhos de estudo e valorização no Menhir e Dólmenes dos Sarangonheiros que, conjuntamente com os monumentos megalíticos de S. Gens e Srª. da Redonda se constituem como um singular roteiro megalítico deste concelho. 
in ueonline - jornal online da universidade de évora -14.09.2015

17.9.13

NISA: Vamos reabilitar o nosso património?

 Se em Castelo de Vide e noutros municípios tem havido uma aposta no património, o mesmo não tem acontecido em Nisa. O nosso concelho dispõe de um acervo patrimonial de grande extensão e valor, muito dele ainda não catalogado, reabilitado, divulgado, dado a conhecer (nem sequer aos próprios naturais e residentes), numa palavra, posto a “render” em termos de constituir uma mais valia turística e de atracção de visitantes.
O que se fez nos últimos anos neste campo – não criticando, evidentemente, o que se fez de positivo – foi “brincar ao património”.
Dou um exemplo. As placas de sinalização, em madeira, bonitas e que alguém executou por encomenda, indicando a existência de antas não servem para coisa nenhuma. Algumas, como a da anta da “Senhora da Redonda” e que José Dinis Murta, há muito, demonstrou ter a designação errada, remetem, indicam no sentido de uma propriedade privada. Quem se atrever a passar o portão, geralmente aberto, pode ter a surpresa de encontrar alguns cães, nada amistosos e se puder prosseguir o caminho, terá ainda de galgar uma parede, antes de entrar, finalmente, no terreno, onde se situa a dita anta, popularmente designada por “Vale Joaninho” ou Vale Janinho”. Era este e não outro o nome a colocar na placa informativa.
Antes, porém, havia todo um trabalho a fazer: garantir a concordância dos proprietários dos terrenos no atravessamento das suas propriedades e estabelecer uma via, um caminho devidamente sinalizado, limpo e livre de obstáculos. Julgo que estas diligências, estes trabalhos de natureza simples, não custariam assim tanto à Câmara e valorizariam bastante o património de Alpalhão e do concelho, numa zona, aliás, com outros motivos de interesse e com potencial para atrair visitantes e ser foco de estudo para os alunos das nossas escolas.
E que dizer das antas, na tapada dos Saragonheiros? Se a de S. Gens é monumento nacional, então, a principal dos Saragonheiros, como seria classificada?


Não como está, certamente, votada ao abandono, a necessitar de ser limpa e reconstruída (há elementos caídos e que são parte integrante de toda a estrutura). Tal como na do Vale Janinho, a placa colocada na EN18 remete para lugar nenhum. Quem se aventurar em seguir adiante esbarra num caminho cheio de buracos, pó ou lama, ramos de eucalipto e fica sem perceber qual o rumo a tomar.
E quão fácil era resolver o problema, até por caminho alternativo. Necessário e indispensável, seria uma conversa com o proprietário, a definição de objectivos e a consequente delimitação das áreas dignas de visita. Como fez a edilidade de Castelo de Vide, aliás, no Menir da Meada.
E porque voltamos ao menir, referimos, agora que, há anos foi descoberto no concelho de Nisa, o Menir do Patalou e a partir desse momento foram desenvolvidas diversas diligências junto da Câmara Municipal de Nisa visando a sua erecção (por meios naturais, sem Viagra ou “pau de Cabinda”).
Tem sido uma luta persistente e infrutífera, uma tentativa de valorizar um monumento concelhio em favor do concelho, a que a Câmara se foi opondo, talvez por que os proponentes não fossem das “boas graças” dos detentores da cadeira presidencial da Praça do Pelourinho.
Tudo serviu, ao longo destes anos, como desculpa e entrave para o levantamento do Menir,
Primeiro eram questões de propriedade, havia muitos herdeiros e difíceis de contactar, chegou-se ao ponto da argumentação invocar um “herdeiro” agente da PJ no Funchal, certo é que a Associação Nisa Viva desbloqueou a situação em dois tempos, os proprietários vieram a Nisa, foram ao local e ficaram sensibilizados para a questão do Menir do Patalou não colocando qualquer entrave para o seu levantamento e delimitação das áreas de acesso e de implantação do monumento.
A Câmara deixou, uma vez mais, “correr o marfim”. Percebia-se, nitidamente, porquê. Em vez de duas “personas non gratas”, passava a haver uma associação pouco “gratia” e a repartição dos “louros” da iniciativa. Dé, podia lá sê, uma pedra tam grande e ê sim vê!
Preconceituosa, lhe chamou, à actual gestão camarária, um dos seus próprios eleitos.
O preconceito, impediu que o Menir do Patalou fosse erguido no local onde desde há muitos, muitos anos, dorme um sono reparador e profundo.


Devia estar de pé, como o seu “irmão” da Meada, visto e admirado pelos nisenses, pelos nacionais e estrangeiros – mais de uma milhar – que demandaram a região, no início do ano, aquando do Norte Alentejano O Meeting.
Levantar o Menir do Patalou não é, nunca foi, uma questão de dinheiro. É uma questão de brio, de vontade, de amor pátrio, de afecto e sensibilidade. De respeito pelos traços da nossa memória e identidade.
E, quando se perdem os afectos, a vida deixa de ter qualquer sentido.
Espero, dentro de meses, estar a regozijar-me com o levantamento do Menir do Patalou.
Com sincero orgulho de nisense, sem remoques pelo passado recente e com a suprema satisfação de verificar, com o saber de experiência feito, que “não há mal que sempre dure!”.
Mário Mendes