Mostrando postagens com marcador lusofonia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador lusofonia. Mostrar todas as postagens

5.5.25

POETAS AFRICANOS DE ONTEM E DE HOJE (I) – Mário Pinto de Andrade

 


CANÇÃO DE SALABU

Nosso filho caçula

Mandaram-no pra S. Tomé

Não tinha documentos

Aiué!

 

Nosso filho chorou

Mamã enlouqueceu

Aiué!

 

Mandaram-no pra S. Tomé

Nosso filho partiu

Partiu no porão deles

Aiué!

 

Mandaram-no pra S. Tomé

Cortaram-lhe os cabelos

Não puderam amarrá-lo

Aiué!

 

Mandaram-no pra S. Tomé

Nosso filho está a pensar

Na sua terra, na sua casa

Mandaram-no trabalhar

Estão a mirá-lo, a mirá-lo

—Mamã, ele há-de voltar

Ah! A nossa sorte há-de virar

Aiué!

 

Mandaram-no pra S. Tomé

Nosso filho não voltou

A morte levou-o

Aiué!

 

MÁRIO PINTO DE ANDRADE (1928-1990) Nasceu em Ngolungo Alto (Angola). - 1929/1947: Estudos primário e secundário em Angola. - 1948: Viaja para Portugal; matricula-se no curso de Filologia Clássica da Faculdade de Letras de Lisboa. - 1949/52: Juntamente com Amílcar Cabral, Agostinho Neto, Francisco José Tenreiro e Alda Espírito Santo, na Casa dos Estudantes do Império, no Clube Marítimo e no Centro de Estudos Africanos promove atividades culturais visando a redescoberta de África. - 1953: Com Francisco José Tenreiro organiza o Caderno de Poesia Negra de Expressão Portuguesa. - 1954:

Vai viver em Paris. - 1955: Redactor da revista Présence Africaine, é também o responsável pela organização do I Congresso de Escritores e Artistas Negros; acabará por se formar em Sociologia, na Sorbonne. - 1960: Com a prisão de Agostinho Neto pela PIDE, Mário assume a presidência do recém fundado MOVIMENTO POPULAR DE LIBERTAÇÃO DE ANGOLA (MPLA); Mário como presidente e Viriato da Cruz como secretário-geral transferem a direcção do MPLA de Luanda para Conakry. - 1961: Após a independência do Congo Belga, Mário e Viriato transferem a direcção do MPLA para Leopoldville. - 1962: Mário entrega a presidência do MPLA a Agostinho Neto, que acabara de fugir de Portugal. - 1965/67: Mário coordena a Conferência das Organizações Nacionalistas das Colónias Portuguesas (CONCP). - 1973: É mandatado pelo Comitê de Coordenação Político-Militar do MPLA, para organizar os textos políticos de Amílcar Cabral. - 1974: Mário, com o seu irmão Joaquim funda a “Revolta Activa”, corrente que se opõe à liderança de Agostinho Neto no MPLA, exigindo a democratização do regime; os dois irmãos Pinto de Andrade e outros militantes são muito perseguidos e têm que abandonar Angola. - 1976/8:

Após a independência de Angola, Mário exila-se na Guiné-Bissau e ocupa o cargo de coordenador-geral do Conselho Nacional de Cultura. - 1978/80: Mário é o Ministro da Informação e Cultura da Guiné-Bissau. - 1980: Golpe de “Nino” Vieira na Guiné; Mário desloca-se para Cabo Verde. - Anos 80: Mário colabora na “História Geral da África” - 1990: A 26 de Agosto Mário falece em Londres.

 Fonte:  http://www.vidaslusofonas.pt/mario_pinto_andrade.html

10.6.16

EVOCAÇÃO: Luís Morais, um grande músico de Cabo Verde

A data de hoje, 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, é pretexto para lembrar um grande artista da música cabo-verdeana, que tive a felicidade de conhecer e de ouvir, quase diariamente, nos anos de 1972 a 1974. Chamava-se Luís Morais, era um virtuoso dos instrumentos de sopro, artista aclamado da música africana e com uma grande dimensão a nível internacional, tanto na Europa (Holanda, França e Portugal, especialmente) como nos Estados Unidos, país onde acabaria por falecer aos 67 anos e com muito ainda para dar à música e cultura de expressão africana.
Luís Morais nasceu no dia 10 de Fevereiro de 1935, na Ilha de São Vicente e morreu no dia 25 de Setembro de 2002 nos Estados Unidos de América.
Durante a sua longa e prestigiada carreira, notabilizou-se como um virtuoso executante de instrumentos de sopro, entre os quais saxofones (alto e tenor), clarinete e flauta. Foi o mentor do famoso conjunto Voz de Cabo Verde, com o qual percorreu o mundo como solista e director musical. O Voz de Cabo Verde, recorde-se, foi formado na Holanda há precisamente 50 anos (Maio-Junho de 1966) e teve como vocalista, numa das suas fases, o popular Bana.
Luís Morais e Bana são, aliás, considerados os “pais” da moderna música cabo-verdeana, o primeiro a nível instrumental, o segundo no plano vocal.