17.8.25
HUMOR EM TEMPO DE CÓLERA
Ataque flagrante | cartoon editorial da revista de Domingo do @correiodamanhaoficial - Vasco Gargalo
3.6.25
ISRAEL GENOCIDA: Com "matança" interminável, resta resistir "em desespero" pelo reconhecimento da Palestina
Da União Europeia até "aos portugueses e às portuguesas de todas
as ideologias", o apelo, feito no Fórum TSF desta terça-feira, é que a
Palestina seja reconhecida como Estado por todos.
A embaixadora Ana Gomes, uma das subscritoras da petição que defende
que Portugal deve reconhecer o Estado da Palestina, faz um apelo ao Governo
para que dê esse passo. "Há um povo lá que, neste momento, está a ser
barbaramente exterminado", lembrou. Mais de 140 países já o fizeram, tais
como Espanha, Brasil, Noruega, Suécia ou Angola.
Em declarações no Fórum TSF, a socialista explicou que assinou aquela
petição "por desespero" e para manifestar a "total indignação à
matança que está em curso em Gaza" que, sem uma condenação,
"torna-nos cúmplices".
Fazendo uma analogia com a luta do povo português pela independência de
Timor, em 1999, pediu "aos portugueses e às portuguesas de todas as
ideologias" que se unam à causa palestiniana em nome da "sanidade e
da sobrevivência da humanidade, da lição da Segunda Guerra Mundial e do que foi
o Holocausto".
Além daquela diplomata, também Azeredo Lopes defendeu que é
"importante uma posição comum da União Europeia". No entanto, o
antigo ministro da Defesa, especialista em questões internacionais, tem pouca
fé que isso aconteça: "Por exemplo, a Alemanha tem uma relação muito
complicada com Israel por razões demasiado óbvias, sente o peso histórico do
Holocausto."
No caso da Amnistia Internacional em Portugal, o porta-voz Miguel
Marujo sublinhou que usar a fome de "pessoas desesperadas" como arma
é um crime de guerra. Este "cerco sem sentido", que "é
perfeitamente desumano", deveria servir para a comunidade internacional
pressionar Israel.
Também em declarações no Fórum TSF, mas como ouvinte, o antigo
eurodeputado do PCP João Pimenta Lopes anunciou que os comunistas entregaram
esta terça-feira na Assembleia da República uma nova proposta, mais uma, para o
reconhecimento do Estado da Palestina.
In Fórum TSF
FOTO: Haitham Imad/EPA (arquivo)
17.5.25
OPINIÃO: Israel usa a fome como arma. E está a matar bebés
Chamava-se Janan Saleh al-Sakafi, tinha quatro meses de vida. A mãe não a conseguia alimentar e foi assistindo à queda do cabelo e das unhas da sua bebé. Em linguagem técnica, como lhe explicaram depois num hospital que não tinha medicamentos para a tratar, sofreu de acidez sanguínea, insuficiência hepática e renal. Resumindo: morreu de fome.
Era palestiniana de Gaza e nada justifica a sua morte. Nem a luta por um Estado palestiniano independente, nem a necessidade de combater os terroristas islâmicos do Hamas, nem a vontade de libertar reféns. Janan morreu porque um regime outrora democrático e hoje sequestrado por extremistas de direita, fanáticos religiosos e um primeiro-ministro com mandado de captura internacional, está a levar à letra o lunático que ocupa a Casa Branca e a transformar a faixa na Riviera de Gaza, arrasando tudo e expulsando as suas gentes, matando-os à fome, para os incentivar à “saída voluntária”.
O Mundo assiste, desinteressado do sofrimento, incluindo os portugueses, entretidos que andamos com promessas de descidas delirantes de impostos, aumentos impossíveis de pensões e salários e crescimentos económicos imaginários. Com a notável exceção de Paulo Raimundo, o líder comunista, que, fugindo ao guião, aproveitou o debate entre os oito principais líderes partidários para uma curta observação sobre o sofrimento dos palestinianos de Gaza.
O que teríamos para dizer se a bebé se chamasse Maria, se fosse a bebé de um vizinho, se fosse nossa filha ou neta? O que está acontecer em Gaza, com dois milhões de pessoas em risco de fome, depois de tanta bomba, destruição e morte, é indescritível. E exige de todos, e em particular dos que têm voz no espaço público, e mais ainda de quem tem a capacidade política de decidir e pressionar, uma posição firme e ação determinante. Num tempo em que tantos ministros se querem mostrar na televisão, por onde anda Paulo Rangel, que tem a pasta dos Negócios Estrangeiros? Já era altura de dizer qualquer coisa, ou o facto de Israel se propor terraplenar Gaza e expulsar os palestinianos que entretanto não morrerem de fome não é motivo suficiente?
· Rafael Barbosa – Jornal de Notícias - 08 maio, 2025











