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3.5.25

SAÚDE: Um em cada seis portugueses com mais de 50 anos vive com insuficiência cardíaca

 


O Dia Europeu da Insuficiência Cardíaca assinala-se a 3 de maio.

A insuficiência cardíaca (IC) é um problema de saúde grave em que o coração não bombeia sangue de forma tão eficiente como deveria. Devido a múltiplos potenciais mecanismos, o músculo cardíaco torna-se menos capaz de contrair ou tem limitação na sua capacidade de relaxar e encher com sangue.

A IC é atualmente um dos problemas de saúde mais comuns nos países desenvolvidos. É um problema grave de saúde pública, uma vez que, apesar de avanços no diagnóstico, no tratamento farmacológico e não farmacológico, e na gestão da doença, atinge um grande número de pessoas e está associado a elevada morbilidade e mortalidade. De facto, a IC é a causa mais frequente de internamento hospitalar acima dos 65 anos e a mortalidade associada pode atingir 50% aos 5 anos.

Em Portugal, o estudo PORTHOS (Portuguese Heart Failure Observational Study), que foi desenvolvido para conhecer a prevalência de pessoas que sofre de IC no nosso país, revelou que 1 em cada 6 portugueses com mais de 50 anos tem IC, e que, desses, 90% não estavam diagnosticados, ou seja, não sabiam que tinham a doença. A prevalência de IC foi estimada com base numa amostra de cerca de 6200 pessoas com mais de 50 anos registadas no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Mais de 25 anos após a realização do último estudo nacional que avaliou a prevalência de IC na população portuguesa, verificou-se que o número das pessoas que vivem com a doença é bastante superior ao esperado.

Confirmou-se ainda que a IC é uma síndrome associada ao envelhecimento, com uma prevalência de 31 % nos maiores de 70 anos, sendo de 4% na faixa etária entre os 50 e os 59 anos. Apesar da prevalência da doença aumentar com a idade, a IC pode surgir em qualquer escalão etário, e exige cuidados ao longo da vida.

Os resultados deste estudo vêm alertar para a necessidade de modificar a abordagem da IC na população portuguesa, especialmente acima dos 50 anos. O avançar da idade associa-se a um aumento da suscetibilidade para a IC, e, dado o envelhecimento da população, a IC associada à idade representa um enorme desafio de saúde pública global na atualidade.

Um dos pontos mais importantes na abordagem da doença é o foco na prevenção, através da atuação nos fatores de risco que podem conduzir à IC, como a Hipertensão Arterial, a obesidade, e a Diabetes mellitus. Do ponto de vista individual, a melhor maneira de prevenir a IC é evitar as condições que contribuem para o risco de IC, como não fumar ou deixar de fumar, ter uma alimentação equilibrada, evitar o sedentarismo ou fazer exercício físico, e seguir os planos de prevenção e tratamento de outras doenças ou condições que constituem fatores de risco para a IC.

Outro foco importante é o diagnóstico precoce de quem já tem a síndrome, e não sabe, de modo a iniciar o tratamento e controlo da doença o mais cedo possível. Sinais de alerta são cansaço fácil, dificuldade em respirar, com limitação da atividade física ou necessidade de dormir com a cabeceira elevada, inchaço das pernas e pés e frequência cardíaca alta constante. Estes devem motivar uma consulta do seu médico assistente, que poderá pedir exames de diagnóstico que permitam fazer o diagnóstico de IC ou de outra situação clínica que cause sintomas semelhantes.

É possível prevenir a IC, diagnosticar mais cedo, tratar mais eficazmente e melhorar a qualidade de vida de quem tem IC.

No Dia Europeu da Insuficiência Cardíaca vamos estar alerta para a dimensão do problema e para o que podemos fazer para Prevenir, Diagnosticar e Tratar de forma mais precoce e eficaz.

 

·        Patrícia Dias – Núcleo de Estudo de Insuficiência Cardíaca da SPMI

 

29.4.20

COVID-19: Quatro conselhos médicos para doentes com insuficiência cardíaca

As recomendações são do médico Victor Gil, especialista em Cardiologia e presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia.
Vivemos uma fase especialmente difícil em que ao risco da pandemia COVID-19 se soma o risco do medo. Como é sabido, os doentes cardiovasculares e em especial os que têm insuficiência cardíaca apresentam especial fragilidade e por isso a recomendação de se protegerem deve ser tomada à risca, permanecendo em casa sempre que possível, e adotando cuidados de proteção máxima em caso de saírem.
A falta de cuidado, o incumprimento das recomendações, o achar que “não é bem assim porque me sinto bem” ou que “não estou assim tão mal”, as distrações em relação às medidas de proteção, podem ser muito perigosas. Os mais disciplinados e os mais atentos, provavelmente serão mais facilmente vencedores desta verdadeira guerra contra o vírus. Siga algumas recomendações muito práticas:
1. Não abandone nem suspenda a terapêutica
Os fármacos para a insuficiência cardíaca não devem nunca ser suspensos. Atualmente, já existem sistemas de apoio que levam até casa todos os medicamentos necessários, sem que precise de se deslocar à farmácia.
Outro aspeto que deve ser clarificado é que não há nenhuma evidência científica que comprove que algum fármaco utilizado no tratamento da insuficiência cardíaca, na hipertensão ou em qualquer outra situação cardiovascular aumente o risco de infeção por COVID-19. Além disso, também não está comprovado que o vírus atenua a ação de algum dos fármacos que são utilizados para o tratamento da Insuficiência Cardíaca.
Por isso, tome sempre a medicação sem qualquer receio, até porque a alteração de toma por sua iniciativa poderá levar a um agravamento da doença. 
Há por vezes necessidade de ajustes na medicação, mas esses só podem ser determinados ou validados pelo médico ou equipa de saúde.
2. Vigie o peso
O peso nos doentes com IC é particularmente importante. Um aumento significativo de peso, por exemplo 2kg, em dois ou três dias, pode indicar que a pessoa está fazer retenção de líquidos e isso pode significar o início de descompensação.
Assim, pese-se diariamente sempre nas mesmas circunstâncias, isto é, tentando fazê-lo sempre à mesma hora, com o mesmo tipo de roupa ou sem, mas mantendo sempre esse padrão. Se registar alterações significativas, conforme mencionado acima, deverá entrar em contacto, mesmo à distância, com o seu médico assistente ou com a equipa médica que o acompanha.
3. Não tenha medo nem hesitação em pedir ajuda
A pandemia não interrompe as outras doenças que continuam a manifestar-se. A recomendação de permanecer em casa pode inibir as pessoas de pedir ajuda ou atrasar esse pedido de ajuda e ficar “à espera que passe”. Em caso de sintomas suspeitos de situações cardíacas agudas - dor no peito, falta de ar aguda ou perda da consciência - ligue o 112, com o o faria antes da pandemia. O INEM tem equipas que podem atuar de imediato se surgir uma complicação e o levarão para setores seguros dos serviços de urgência. se sentir que algo não está bem consigo.
Preocupa-nos a diminuição que tem havido de urgências cardíacas porque elas não desapareceram: nalguns casos corre mal e a pessoa descompensa e pode mesmo morrer; noutros a situação pode evoluir para crónica mas com sequelas que podem comprometer a qualidade de vida e mesmo a sobrevivência a médio prazo.
Nas situações crónicas é muito importante manter o contacto com o cardiologia ou equipa de saúde, de forma a avaliar a evolução clínica e evitar agravamentos. Nestas, além da vigência de peso e de tomar rigorosamente os medicamentos prescritos, é muito importante uma alimentação saudável, com pouco sal e tentar fazer algum exercício, mesmo em casa.
4. Siga as recomendações gerais da DGS
Não deve sair de casa, mas se por motivos de força maior tiver que o fazer, é obrigatório que use uma máscara. Deve fazer uma lavagem repetida das mãos com gel alcoólico ou com água e sabão, mesmo estando em casa, e obrigatória ao sair e sempre que vem da rua. Quando receber compras é essencial que também lave os alimentos, bem como as embalagens laváveis.
Por fim, e talvez a mais difícil, é fundamental que evite o contacto físico com os seus familiares ou amigos. As crianças, felizmente são pouco afetadas pelo vírus mas podem ser portadores e transmiti-lo, embora se sintam em perfeita saúde. Não esqueçam!