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5.10.24
EDUCAÇÃO: Greve dos trabalhadores não docentes encerra mais de 20 escolas no distrito de Portalegre
O STFPSSRA – Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas convocou uma greve nacional para o dia de hoje, 4 de Outubro, abrangendo os trabalhadores não docentes das escolas com os seguintes objectivos: criação das carreiras especiais; reposição das carreiras de Auxiliar Acção Educativa, Assistente de Acção Educativa e Assistente de Administração Escolar; valorização da carreira de técnico superior; criação de um modelo de aproximação à residência e de consolidação da mobilidade dos técnicos superiores; fim do trabalho precário dos trabalhadores não docentes; vinculação de todos os técnicos especializados contratados a termo; revisão da Portaria de Rácios; admissão de novos efectivos; Escola inclusiva; Contra a municipalização.
No Alto Alentejo, como em todo o país, a adesão a esta acção de luta foi visível pelo elevado número de escolas que encerraram ou não tiveram actividade lectiva ou refeitório, demonstrando bem que estes trabalhadores são essenciais ao funcionamento das escolas e é inteiramente justa a luta pela recuperação das suas carreiras e a sua valorização e que os trabalhadores não docentes estão descontentes e disponíveis para a luta.
No distrito de Portalegre foram mais de 20 as escolas encerradas ou sem actividade lectiva de que são exemplo: o Agrupamento do Bonfim, a EB1 da Praceta, a EB1 da Corredoura, o Agrupamento José Régio, a EB1 do Atalaião, a EB1 dos Assentos e a ES S. Lourenço, em Portalegre e ainda as sedes dos agrupamentos nos concelhos de Avis, Fronteira, Campo Maior, Gavião, Arronches, Castelo de Vide e Crato, para além de muitas outras JI/EB1.
Os trabalhadores não docentes estiveram ainda, hoje, em manifestação nacional em Lisboa, incluindo vários das escolas do distrito de Portalegre.
O Depº de Informação da USNA/CGTP-IN
3.8.23
TEXTOS DE AUTORES NISENSES (12) - Dionísio Cebola - ECOS DA NOSSA HISTÓRIA - Educação
RÉCITAS INFANTIS EM NISA - Maio 1946
"Não há alegria mais sã do que a das crianças! Nem mais comunicativa!
A exuberante confirmação do asserto teve-a a população de Nisa nas duas récitas que, em 4 e 18 de Maio, se realizaram no Cine Teatro em benefício das Caixas Escolares.
Foram duas noites plenas de entusiasmo, nas quais a gárrula vivacidade dos alunos das nossas escola, a sua buliciosa graciosidade e cristalinas risadas conseguiram fazer vibrar de contentamento e emoção as muitas centenas de pessoas que ocupavam totalmente a vasta e linda sala de espectáculos.
Em vários anos as crianças se têm exibido em festas análogas; mas as de este ano marcaram, sobre todas as outras uma nota de acentuada superioridade e distinção.
Além de alguns números de canto executados pelo Orfeão e de um acto de variedades de grande relevo, o melhor da festa foi o desempenho brilhantíssimo do "Auto das Flores", peça em um acto em que tomaram parte cerca de uma centena de alunos das escolas locais e os do Colégio Condestável, Maria Graciosa Paralta e António Carmona Barreto, respectivamente nas personagens "Maria Parda" e "Ti Zé", jardineiro. O papel de "Garoto Endiabrado" foi desempenhado pelo aluno da quarta classe António Ribeiro Paralta de Figueiredo.
A concepção de tão mimoso e moralizador trabalho cénico não podia ser mais feliz. Obra de arte de intuitos educativos, ela trouxe à luz da ribalta desde a "Rosa", de rubro colorido, à modesta "Violeta"; desde o "Amor Perfeito", de riquíssimo matiz, ao "Tojo" de rústico encanto; desde a "Flor de Laranjeira" níveo símbolo nupcial, ao narcisismo do "Junquilho", desde o flamante "Girassol" ao "Malmequer" dos namorados, à alacridade do "Cravo", à elegância da "Glicínia", à candidez do "Lírio", etc., etc..
E depois a sugestiva lição dos insectos: as airosas e polícromas borboletas, as abelhas douradas... E até o sapo, pelo qual as crianças naturalmente sentem asco, ali foi reabilitado e imposto à estima e gratidão das pequeninas "flores" como seu grande e dedicadíssimo amigo. Pastores, camponeses, quantos labutam e no amanho e grangeio da terra ali tiveram a sua exaltação. Foi, por todos os motivos, uma festa interessantíssima, mormente pela sua simpática finalidade.
O Sr. Inspector Silvestre Figueiredo, ensaiador, e todos os professores e professoras aos quais o Sr. Director do Distrito Escolar, no discurso de abertura da primeira récita, dirigiu justas palavras de louvor, trabalharam incansavelmente para o resultado obtido e, por isso, a assistência saudou-os com calorosas ovações."
As récitas das escolas masculina e feminina de Nisa, levadas à cena nos dias 4 e 18 de Maio de 1946, tiveram honras de divulgação nacional. Assim o confirmam as páginas 640/1 do Boletim de Acção Educativa da Direcção Geral do Ensino Primário - "Escola Portuguesa" - Lisboa, 4 de Julho de 1946. O texto assinado por J.F. ( José Francisco Figueiredo - ndr) com o título "Récitas Infantis em Nisa" incluía quatro fotos, uma das quais aqui reproduzimos.
* Texto e foto reproduzido no nº 145 do "Jornal de Nisa" (26/11/2003) com a cortesia do prof. Dionísio Cebola
9.1.20
NISA: Educação é o tema central do nº 33 da revista Nisa Viva
No passado mês de Dezembro saiu a público a edição nº 33 da revista Nisa Viva, publicação da Associação dos Naturais e Amigos do Município de Nisa.
Neste número, o tema central é a Educação, com uma resenha sobre o assunto de António Montalvo, as memórias da escola, testemunhadas por Zulmira Lopes e Fátima Dias, e uma análise de Alcides Pimentel sobre a transferências de competências para as autarquias locais em matéria de educação. A educação merece também uma reflexão de Ana Aldeia e, nas páginas centrais, evoca-se o professor Joaquim Marques Rodrigues e um texto de sua autoria sobre a história da instrução em Santana.
Luís Mário Bento assina um texto histórico-etnográfico sobre a Rua do Convento e Maria José Mandeiro reflecte sobre os maus tratos a idosos.
Neste número da Nisa Viva não faltam as habituais secções "Viva a Vida", "Leituras" e "Boa Mesa", havendo ainda espaço para a informação sobre a Assembleia Geral da Associação realizada no dia 19 de Outubro e na qual foram eleitos os novos órgãos sociais da Nisa Viva.
Em artigo assinado pelo presidente honorário, António Montalvo, e sob o título "Grave afronta da Srª Presidente da Câmara" é criticado o procedimento da autarca que recusou a cedência do auditório da Biblioteca Municipal de Nisa para a realização de um colóquio sobre as novas competências das autarquias.
Por último, as habituais e hilariantes "Cartas do Dr. Fadagosa", onde o autor, Jaime Fadagosa, defende a criação do Museu Salazar, avançando mesmo com "propostas" para o seu funcionamento.
10.4.19
NISA: Subsídios para a História da Educação no concelho
Os documentos que transcrevemos aludem a duas épocas distintas de sistemas de governação: Monarquia e República. No primeiro, o presidente da Câmara, Mário Monteiro solicita, em carta ao Governador Civil, entidade por onde tudo passava nas relações com o Poder Central, a concessão de exames de 2º grau na sede do concelho. No segundo e já após a Revolução de 5 de Outubro, João de Sousa Bagorro, elemento da Comissão Administrativa da Câmara de Nisa solicita, com base num requerimento feito pelos habitantes dos Montes de Baixo (Arneiro, Duque e Pardo) a instalação de uma escola. São dois documentos, entre centenas existentes e que se debruçam sobre este assunto, a mostrar que a Educação, no concelho de Nisa como em todo o país, constituindo uma das principais bandeiras da 1ª República, não era, de igual modo, desprezada pelo regime que lhe antecedeu.
Nota: As fotos respeitam aos anos 50 e 60 do século passado.
Documentos da Câmara de Nisa - Educação (1910)
Exames de 2º grau na sede do concelho
2 Junho 1910 - Carta ao Governador Civil de Portalegre
Exmo Senhor
Para que o pedido de concessão de exames do 2º grau na sede d´este concelho, possa ser attendido, tem elle de ir acompanhado da deliberação d´esta Camara, assumindo responsabilidade de aumento de despesa resultante da concessão, devendo tal deliberação ser sancionada pela Exma Comissão Districtal, como tudo se determina nos nºs 1 e 2 da postura de 12 de abril ultimo, constante do Diário do Governo nº 79 d´este anno. E para que a respectiva representação se possa fazer e ser informada de modo a entrar na Direcção Geral competente até 1 de julho próximo, nos termos do nº 3 da dita portaria, me cumpre solicitar a Vª Exª a remessa com a possivel brevidade, do accordam de approvação da deliberação a que alludo. Deus guarde a Vª Exª.
O presidente da Camara - Mário Monteiro
Pedido de escola para os Montes de Baixo (Arneiro, Duque e Pardo)
21 Novembro de 1910 - Carta ao Governador Civil de Portalegre
Serviço da República
Exmo Senhor
Ao depôr nas mãos de Vª Exª o incluso requerimento dos habitantes dos montes de Arneiro, Duque e Pardo, pertencentes à freguezia de S. Simão, deste concelho, me cumpre solicitar de Vª Exª a remessa, com a possivel brevidade, ao Ministerio do Interior do mesmo requerimento e copia junta, cumprindo-me informar que a representação copiada foi enviada à Direcção Geral de Instrução Publica pelo Subinspector escolar deste círculo = Pela referida Direcção Geral foi ordenado à dita Sub-inspecção o exame das condições em que se encontravam aquelles montes, no sentido de se ver qual o desenvolvimento dos respectivos alunnos, contando que, em resultado do exame a que procedeu o competente sub-inspector, a sua informação foi o mais favoravel possivel, sem que, todavia, se obtivesse qualquer despacho.
De harmonia, pois, com a resolução desta Commissão, peço a Vª Exª se digne empregar os meios que julgar convenientes, para que a pretenção a que alludo, seja deferida, como merece.
Saude e Fraternidade - João de Sousa Bagorro
17.3.19
8.5.17
NISA: A Educação no Concelho (1)
A educação e a instrução popular foram objectivos primordiais dos governos da 1ª República, implantada em 5 de Outubro de 1910.
Mau grado as sucessivas crises e disputas políticas que foram tomando conta do país e culminaram no golpe militar de 28 de Maio de 1926 e a instauração da Ditadura Militar, esse desiderato continuou, pesem embora as graves dificuldades económicas com que a governação se debatia.
A República tinha lançado as sementes da Educação e estas foram germinando, com tal impulso que, face à inacção dos poderes locais, eram os habitantes das aldeias e vilas que tomavam a iniciativa de tentar construir um futuro melhor e aspirar ao Ensino e Educação para todos, um direito que só com o 25 de Abril foi plenamente conquistado.
Os documentos que seguem, são extractos de actas da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Nisa, no governo da Ditadura Nacional e neles se dão alguns exemplos de iniciativas tomadas por associações e, o mais flagrante, pelos habitantes de Velada, na luta por uma Escola, pelo direito ao Ensino e no combate ao analfabetismo. Passados 85 anos, verificamos como tanta coisa mudou... Desertificação humana e física do interior, despovoamento das aldeias e vilas, edifícios públicos que foram "bandeiras", em ruínas, e sem que haja uma ou mais ideias para a sua reconversão e aproveitamento. A escrita vai longa. Apenas pretendíamos, aqui, dar o exemplo da população da Velada (como o deram a do Pardo, Chão da Velha e outros lugares) que se quotizaram para conseguir "aquilo" que era um dever público, do Estado: o direito à Educação e à Cultura.
Sessão 11/2/1932 – Comissão Administrativa – Tenente António Falcão – António Joaquim Fraústo
* Tomar conhecimento de um ofício da Direcção da Sociedade
Artística Nisense, pedindo subsídio ou livros para a sua Biblioteca, resolvendo
adquirir alguns livros na primeira oportunidade.
* Sessão 21/1/1932 – CA – Falcão – AJ Fraústo – M. Macedo
Tomar conhecimento de um ofício da professora de Tolosa em
que pede desdobramento para a criação de um 2º lugar de professora.
- Tomar conhecimento de uma representação dos habitantes do
Monte da Velada em que pedem a criação de um posto de ensino em conformidade
com o respectivo decreto recentemente publicado, tomando os mesmos o
compromisso das despesas a fazer com o posto, são requerentes: Júlio Correia,
comerciante; Manoel David, capataz de empresa; João Martins, moleiro; António
Louro, lavrador; João Pereira, jornaleiro, Joaquim Narciso, moleiro; José
Pereira, jornaleiro, João Patrício, proprietário; José António Pereira,
jornaleiro; António Correia Narciso, alfaiate, resolvendo oficiar neste sentido
ao sr. Ministro da Instrução.
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