Esta semana
foi rica em acontecimentos que demonstram que a viagem que estamos a fazer
segue a grande velocidade. E há já quem comece a defender que é preciso
carregar no travão a fundo. Foi o caso de um engenheiro britânico que trabalhou
na OpenAI, a criadora do famoso ChatGPT, e na Anthropic, a empresa que
desenvolveu a Claude.
Jacob Coxon,
que durante três anos esteve envolvido no treino de IA, demitiu-se e deixou um
alerta. Basicamente, acusou aquelas empresas de estarem a brincar com as nossas
vidas, por estarem "a correr rumo à superinteligência que se
autoaperfeiçoa".
"As
pessoas que desenvolvem IA acreditam que ela poderá matar todos os seres
humanos no espaço de uma década. Aliás, muitos executivos e investigadores de
renome costumam usar um discurso prudente na Imprensa, mas ouço essas mesmas
pessoas a expressarem medo em conversas privadas", escreveu no X.
Alarmista ou não (cada um julga como quiser), a verdade é que outro
investigador valida a teoria. Evan Hubinger prevê um autoaperfeiçoamento da IA,
no qual os sistemas passarão a acelerar cada vez mais o desenvolvimento dos
seus sucessores.
Estas
declarações não indicam que uma catástrofe esteja próxima. Longe disso. Mas se
há poucos anos discutíamos se a IA seria capaz de escrever um texto, hoje
debatemos se agentes de IA podem escapar aos ambientes onde foram colocados e
agir sem autorização.
Será muito
difícil travar a fundo durante esta viagem. Mas, pior, é viajar sem sabermos
para onde vamos.
Manuel
Molinos – Jornal de Notícias - 11 de setembro, 2026
