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16.9.26

OPINIÃO: Para onde vamos?


Não estamos só a viver um período de aceleração digital, mesmo que haja quem tente travar ou resistir o quanto pode a esta revolução tecnológica sem igual. Estamos a viver uma transformação a um ritmo vertiginoso que segue em várias direções. Fascinante, mas ao mesmo tempo aterradora.

Esta semana foi rica em acontecimentos que demonstram que a viagem que estamos a fazer segue a grande velocidade. E há já quem comece a defender que é preciso carregar no travão a fundo. Foi o caso de um engenheiro britânico que trabalhou na OpenAI, a criadora do famoso ChatGPT, e na Anthropic, a empresa que desenvolveu a Claude.

Jacob Coxon, que durante três anos esteve envolvido no treino de IA, demitiu-se e deixou um alerta. Basicamente, acusou aquelas empresas de estarem a brincar com as nossas vidas, por estarem "a correr rumo à superinteligência que se autoaperfeiçoa".

"As pessoas que desenvolvem IA acreditam que ela poderá matar todos os seres humanos no espaço de uma década. Aliás, muitos executivos e investigadores de renome costumam usar um discurso prudente na Imprensa, mas ouço essas mesmas pessoas a expressarem medo em conversas privadas", escreveu no X. Alarmista ou não (cada um julga como quiser), a verdade é que outro investigador valida a teoria. Evan Hubinger prevê um autoaperfeiçoamento da IA, no qual os sistemas passarão a acelerar cada vez mais o desenvolvimento dos seus sucessores.

Estas declarações não indicam que uma catástrofe esteja próxima. Longe disso. Mas se há poucos anos discutíamos se a IA seria capaz de escrever um texto, hoje debatemos se agentes de IA podem escapar aos ambientes onde foram colocados e agir sem autorização.

Será muito difícil travar a fundo durante esta viagem. Mas, pior, é viajar sem sabermos para onde vamos.

Manuel Molinos – Jornal de Notícias - 11 de setembro, 2026