24.2.10

OPINIÃO: Vemos, Ouvimos e Lemos

DÁ DEUS NOZES...
Ávido de conhecimento como sou, também das coisas da terra, todos os dias dou uma vista de olhos por blogues e páginas disponíveis na Internet, institucionais, associativas e particulares, cá do burgo e arrabaldes.
Desta vez acedi à página da ETAPRONI (Escola Tecnológica Artística e Profissional de Nisa), que já não visitava há algum tempo. De entre o conteúdo disponível chamou-me particular atenção o seguinte trecho, que reproduzo na íntegra:
“Os alunos do terceiro ano do Curso iniciaram os seus processos de FCT no dia 1 de Fevereiro, sendo as entidades receptoras: Santa Casa da Misericórdia de Vila Velha de Ródão, Gavião e Covilhã; Centro Social de Palmela – Centro de Acolhimento Temporário Porta Aberta; Clube Trilho, DL – Animação Turística, Unipessoal; Capitão Dureza. Organização de Desportos Aventura, Lda. Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental, Castelo Branco. Já em relação ao segundo ano do Curso, os alunos que o compõem iniciarão o seu período de FCT dia 8 de Março, estando já definidas parcerias com algumas das entidades anteriores, mas acrescentando outras que também enriquecerão as estratégias de formação prática e técnica de animadores socioculturais: Associação Quinta Essência, Sintra; Centro Assistencial Cultural e Formativo do Fundão; Turistrela. Turismo da Serra da Estrela, SA; Santa Casa da Misericórdia de Ponte de Sôr; e Centro de Recuperação Infantil de Ponte de Sôr. Como se pode depreender da identificação das entidades, procurou-se diversificar as experiências de formação, para que posteriormente haja uma transferência de conhecimentos entre os alunos, enriquecendo a sua participação nas sessões lectivas teóricas e teórico-práticas. Desta forma procura-se levar a escola até junto das realidades e fazer com que estas a componham enquanto oficina de saberes.”
Fiquei feliz e orgulhoso por saber que os alunos da nossa ETAPRONI são bem-vindos em instituições e empresas por esse país fora, atestado de competência da formação aí ministrada, da valia dos seus cursos, da qualidade dos seus professores e funcionários.
Mas aquele órgão que tenho entre as orelhas, e que tem o raio do vício de nunca estar sossegado, pôs-se a trabalhar. Sigam o meu raciocínio: Vila Velha de Ródão, Gavião, Covilhã, Palmela, Penacova, Castelo Branco, Sintra, Fundão e Ponte de Sôr. Então e Nisa?
Temos uma Escola que forma futuros profissionais na área da Animação Sociocultural e Desportiva, área fundamental no sector do Turismo, que nos é apresentado como peça chave do desenvolvimento estratégico de Nisa, e nem um único destes alunos estagia no Concelho?
Há alguns anos, em particular durante a NISARTES, que me venho perguntando o porquê de se andarem a contratar grupos de animação externos, sem querer pôr em questão a sua qualidade e muito menos insinuar que não devem ser contratados porque são de fora, quando temos em Nisa uma Escola com um Curso de Animação Sociocultural. E durante o resto do ano? Salvo raras e honrosas excepções não é solicitada a sua colaboração. Não haveria possibilidade de utilizar regularmente esta mais-valia preciosa? Não poderiam os alunos propor e realizar actividades de animação nos nossos Lares e Escolas? No Museu? Nos castelos de Montalvão e Amieira do Tejo? No Complexo Termal da Fadagosa? No centro da Vila e nas restantes localidades do Concelho?
Confesso que nunca entendi. Mas uma coisa vos digo: dá Deus nozes a quem não tem dentes!
José Carlos Monteiro in "Mala de Porão" - http://maladeporao.blogspot.com