Com
Rui Pires Cabral, "as praças que estiveram/ ao fundo da noite uma vez/ é
para onde caminhamos a vida inteira" ("Praças e quintais",
2003).
Depois
de constatar a escassez de praças em freguesias como Ramalde, bem como as
muitas que, sequestradas pelo automóvel soberano, são praças só de nome,
apresentei na Assembleia Municipal, em 2022, a recomendação de um programa de
construção e requalificação de praças e pracetas em áreas residenciais e zonas
de expansão urbana. Respondeu-me o Executivo, na ocasião, que a densidade
construtiva da cidade já não permitia novas praças. Isto apesar de terem sido
inscritas no PDM, revisto em 2021, zonas de expansão e seis novas ORU (e apesar
de Contumil, Azevedo, Viso, Requesende, da projetada Via Nun"Álvares...).
Mas,
afinal, sempre é possível recuperar praças, como está a suceder na Praça de
Pedro Nunes, em frente à Escola Rodrigues de Freitas. Saúda-se a empreitada,
mas lamenta-se a reincidência na insólita prática que tem vingado neste tipo de
intervenções. Numa época em que se recomendam miniflorestas urbanas, capazes de
amortecer a canícula, e solos permeáveis, aptos a drenar a água das chuvas e a
recarregar os aquíferos, é indefensável a opção por extensos tapetes de betão e
a consequente rarefação do coberto vegetal, com a agravante da manutenção de lugares
de estacionamento. Corre já uma petição que pede a revisão do projeto a uma
escala mais humana - à escala das muitas crianças e jovens que ali estudam.
Pedro Duarte, que mostra ter vocação não só para continuar a dar mundo ao Porto
mas também para cuidar dos pequenos mundos portuenses, faria bem em escutar as
razões dos peticionários.
Rui
Lage – Jornal de Notícias - 8 de outubro, 2026
