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16.2.23

SAÚDE: Encefalopatia Hepática: a perigosa ligação entre o fígado e cérebro

A cirrose hepática é a fase final de agressões continuadas ao fígado, como por exemplo no consumo regular e continuado de álcool. Contudo, o impacto desta condição é bastante mais abrangente do que parece à primeira vista. Uma das complicações frequentes da doença hepática crónica (cirrose) é conhecida por encefalopatia hepática, que leva à perturbação do funcionamento do cérebro e pode chegar a afetar até 50% destes doentes.
A encefalopatia hepática está relacionada com a inflamação e a lesão do fígado, que por sua vez leva a alterações no sistema nervoso, principalmente pela acumulação de substâncias tóxicas que o fígado não conseguiu eliminar do sangue, pelo seu funcionamento estar comprometido. Esta consequência pode surgir de forma silenciosa e progredir para uma sintomatologia debilitante, que vai impactar a personalidade e comportamento do doente no dia a dia. É possível manifestar-se através de:
Desorientação mental;
Raciocínio lento;
Esquecimentos constantes;
Sonolência;
Tremores;
Problemas na coordenação motora;
Perturbações no sono;
Coma (nos quadros clínicos mais graves e com prognóstico reservado).
É essencial que seja feito um exame clínico que despiste a causa das alterações neurológicas e se avalie a gravidade da perturbação. Deve haver uma mobilização de esforços por parte do cuidador e profissional de saúde, especialmente nos casos graves em que a fragilidade mental é substancial e muitas vezes negligenciada pelo portador.
Apesar de passarem despercebidos, os sinais de alerta como apatia no discurso, irritabilidade, agressividade e condução de forma perigosa, por parte de doentes hepáticos, devem constituir um motivo para procurar ajuda médica. Os sintomas não devem ser em nenhuma instância ignorados, uma vez que a probabilidade de reversão rápida e definitiva diminui em atuações tardias.
No que diz respeito ao tratamento da encefalopatia hepática, este não é isolado, uma vez que está intimamente interligado com a própria terapêutica das doenças hepáticas. Portanto, o processo que trave a progressão deste tipo de patologias deve ser delineado pelo hepatologista e adaptado às características de cada caso. Os estádios mais avançados normalmente necessitam de medicação.
Ainda assim, é de reforçar que os comportamentos alimentares, nomeadamente a eliminação dos hábitos nocivos, através da adoção de uma dieta equilibrada que reduza o consumo de comida processada, gorduras e bebidas alcoólicas, é uma das recomendações principais, tanto na fase de tratamento, como na prevenção das doenças hepáticas e da sua sintomatologia.
Cuide da sua saúde e mente, priorizando um estilo de vida saudável que contemple um acompanhamento regular do seu médico de confiança.

 * Artigo de opinião de José Presa, presidente da Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF)

12.2.23

APEF lança vídeos que consciencializam população para a Encefalopatia Hepática

 
Dia Mundial do Doente assinalou-se a 11 de fevereiro
A Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF) vai lançar um conjunto de seis vídeos para consciencializar a população para a Encefalopatia Hepática, uma das manifestações mais debilitantes da cirrose. A iniciativa surge no âmbito das comemorações do Dia Mundial do Doente, que se assinala a 11 de fevereiro.
“Com estes vídeos pretendemos transmitir várias mensagens sobre a Encefalopatia Hepática, os seus sintomas, fatores de risco, consequências, formas de prevenção e de tratamento. O nosso objetivo é consciencializar os portugueses para a Encefalopatia Hepática; para a importância da adoção de cuidados dietéticos, farmacológicos e do acompanhamento regular pelo médico Hepatologista”, avança José Presa, presidente da APEF.
As doenças crónicas do fígado são a sétima causa de morte na Europa. “Em Portugal, morrem cerca de 2.500 pessoas por ano com doenças no fígado, como a cirrose ou o cancro do fígado. A cirrose hepática é a fase final de agressões continuadas ao fígado, como por exemplo no consumo regular e continuado de álcool. Contudo, o impacto desta condição é bastante mais abrangente do que parece à primeira vista. Uma das complicações frequentes da cirrose é conhecida por Encefalopatia Hepática, que leva à perturbação do funcionamento do cérebro, e pode chegar a afetar até 50% destes doentes”, explica.
Os vídeos podem ser visualizados no canal de YouTube da Associação aqui: https://www.youtube.com/@apefassociacaoptestudofigado.
O conteúdo também está disponível em áudio, no podcast “À Conversa com o seu Fígado” aqui: https://open.spotify.com/show/6X07pXsey24xWvuZpSAzP3?si=bc6fe021d7a34387
A encefalopatia hepática é uma consequência direta da inflamação e da lesão do fígado, que leva a alterações das funções cerebrais,  principalmente pela acumulação de substâncias tóxicas que o fígado não conseguiu eliminar do sangue. Esta consequência pode surgir de forma silenciosa e progredir para uma sintomatologia debilitante, que vai impactar a personalidade e o comportamento do doente no dia a dia.
Os sinais de alerta como apatia no discurso, irritabilidade, agressividade e condução de forma perigosa, por parte de doentes hepáticos, devem constituir um motivo para procurar ajuda médica. Os sintomas não devem ser em nenhuma instância ignorados, uma vez que a probabilidade de reversão rápida e definitiva, diminui em atuações tardias.
A adoção de uma dieta equilibrada que reduza o consumo de comida processada, ingestão proteica excessiva, de gorduras e bebidas alcoólicas, é uma das recomendações principais, tanto na fase de tratamento desta condição, como na prevenção das doenças hepáticas e da sua sintomatologia.