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8.4.18

PRECARIEDADE: Pra melhor está bem, está bem. Pra pior já basta assim!

No passado dia 28 de Março, milhares de jovens trabalhadores manifestaram-se nas ruas de Lisboa exigindo trabalho com direitos e o direito ao futuro.
Assinalavam o Dia Nacional da Juventude Trabalhadora exigindo o direito que têm a um futuro digno no país que é o seu/nosso.
A Comunicação Social dita de referência pouco viu dessa manifestação ou então mostrou-nos muito pouco do que viu, talvez por não ter percepcionado que não se tratava de uma qualquer manifestação de apoio ao governo, que por norma contesta não pelo que faz ou não faz mas por se apoiar numa maioria parlamentar onde a “sinistra” está presente.

30.3.18

OPINIÃO: Incompetência ou maldição?

A fábrica dos Robinson ou fábrica da rolha foi ao longo de quase dois séculos um factor de modernidade e desenvolvimento de Portalegre e, sempre, a principal empregadora dos portalegrenses.
Foi-o desde a sua fundação por George Robinson pai em 1840 e principalmente durante a gestão de George Robinson filho e continuou a sê-lo durante várias décadas quando em 1940 a família Robinson se afastou da empresa e esta passou para a posse duma sociedade de capital português.
Desde a fundação até à década de 80 do século passado a Robinson continuou a garantir emprego a um número significativo de famílias portalegrenses e a levar o nome de Portalegre aos vários continentes mesmo quando as rolhas já haviam dado lugar a novas aplicações na construção civil e na aeronáutica.
 Quando a democracia política abriu portas ao regresso dos “velhos senhores”, os “chico-espertos” iniciaram o processo que em diferentes áreas e a coberto do poder político de então, haveriam de abrir caminho ao refazer dos monopólios.
No sector corticeiro também foi assim. No processo de alianças, as aquisições e concentrações criaram o monopólio no sector deixando de fora, por vontade ou não das que ficaram, algumas empresas detentoras de know-how, de clientes, mas necessitadas de mudanças estruturais que os novos tempos impunham.
A Robinson foi das que optou por não se deixar absorver e era no final do século passado “um sobreiro” com trabalhadores dedicados, know-how, clientes fiéis em vários continentes mas totalmente cercada por “árvores de outra qualidade” que assumiu morrer de pé. No sector, passou a nome maldito.
O nome “maldito” colou-se à Fundação que visava manter viva a cultura operária e doar à cidade um espaço de memórias e de futuro e ainda perpectuar a industria corticeira em Portalegre.
O mesmo viria a suceder com uma nova empresa, a Robcork, anunciada em 2009, com o objectivo de continuar a Robinson, mas inaugurada apenas em 2015 e já encerrada.
 Que se saiba, esta empresa nem sequer arrancou com o processo produtivo. Viu ser-lhe declarada a falência em Janeiro deste ano. O Estado Português, detentor de 95% dos créditos da Robcork, recusou a proposta de viabilização apresentada e impôs a falência da Empresa.
É maldição? É incompetência? Os culpados serão sempre entidades e pessoas exteriores à cidade e à região?
Claro que não! Muitas das responsabilidades de chegarmos ao estado actual podem e devem ser encontradas no nosso território, entre decisores políticos e gestores de empresas e instituições mas, reconhecendo-o, é fundamental não perdermos a perspectiva do porquê e quem deve assacar com o principal dessas responsabilidades.
Em relação à Corticeira Robinson está há muito identificada a “culpa”, a qual se deve às alterações estruturais necessárias e que não foram encetadas e à própria autarquia que não soube ou não quis garantir com a necessária agilidade a transferência da fábrica para instalações com as condições necessárias.
Também em relação à Fundação são conhecidas muitas das razões e particularmente as que se prendem com a incapacidade financeira e política da sua principal/única proprietária.
E a Robcork? Talvez também consigamos intuir. Mas é preciso que quem “esteve por dento da coisa” venha explicar o que na verdade se passou. E que não venham com o “paleio” de que se trata de um investimento privado e que, por isso, não tem nada a explicar senão aos seus accionistas.    Naquele investimento privado estão (pelo menos 12 milhões de euros) que serão pagos pelo pagador do costume.
Aguardemos.
Diogo J. Serra

17.8.15

OPINIÃO: "Quando uma porta se fecha abre-se sempre uma janela. Será?"

 A afirmação que assumo como título deste texto, o último a ser subscrito como Coordenador da USNA/cgtp-in é a transcrição de um ditado popular usado na nossa região.
A dúvida colocada é justificada tão só pela proximidade da data em que deixo a coordenação da União e procuro "acertar o passo" com o que quero que seja o meu futuro imediato.
Os projectos, em particular os que deixaram de ser projectos de vida para se assumirem como o projecto de uma vida, como foi o caso, marcam-nos sempre, mesmo que o não queiramos admitir. Este não foi diferente, tanto mais que o Movimento Sindical de classe e a União fazem parte da minha vida desde a juventude. Foram a  família mesmo antes de ter constituído a minha família.
Quando casei em 1980, quando nasceram os meus filhos, hoje com 34 e 31 anos, os meus dias (e tantas vezes as noites) eram guiados a partir da velha sede da União, na Travessa da Liberdade, no edifício onde hoje está sediada a delegação local do Novo Banco.
Ali, com outros camaradas e amigos, desenhei o programa das comemorações do 1º de Maio de 1978 e com o Joaquim Miranda então à frente do Secretariado Distrital das UCP's e Cooperativas e o António Ramos do Sindicato Agrícola, preparámos a vinda e distribuição das máquinas agrícolas oferecidas pela União Soviética às cooperativas do distrito.
Ali, com dezenas de outros camaradas, defendemos o edifício perante a turba enraivecida convocada pela CAP para o Rossio, naquela que seria a primeira manifestação da CAP a sul do Tejo. 

Foi ainda a partir daquele edifício, onde estavam sediados o Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura, o Secretariado das UCP´s e Cooperativas e a União dos Sindicatos do Distrito de Portalegre, que planificámos, coordenámos e dirigimos a primeira Greve Geral realizada no pós 25 de Abril.
Foram trinta e sete anos de intensa actividade em que percorri com muitos outros o caminho que une a minha condição de jovem acabado de deixar o serviço militar obrigatório (os vencedores do 25 de Novembro passaram-me de forma compulsiva à disponibilidade a 2 de Dezembro de 1975) e profundamente empenhado no processo revolucionário e em particular no desenvolvimento das Unidades Colectivas de Produção Agrícolas, ao homem que ultrapassou os sessenta, marido, pai e avô que continua a acreditar que os homens e mulheres, todos e todas hão-de um dia libertar-se das grilhetas e, como dizia o poeta referindo-se ao Alentejo, hão-de cantar!
Agora aos 24 dias de Junho de 2015, 37 anos depois daquela noite de Fevereiro de 1978, é preciso aprender a gostar de mim. Aprender a libertar-me dessa carapaça que me acompanhou ao longo de décadas e a tornar possível que sejam outros e outras, jovens, entusiastas e sonhadores a assumirem o seu papel.
Procurar (acreditem que não vai ser fácil) estar disponível se solicitado sem atrapalhar quem ficou e assumir novos projectos e batalhas.
Diogo Serra - 2015-06-24 

1.5.14

OPINIÃO: Ainda um dia hás-de cantar!

O Alentejo, desde sempre vitima da organização territorial e política do estado-nação e da “inabilidade” para se posicionar face aos detentores do poder continua, quarenta anos depois da reconquista da democracia politica, em patamares de desenvolvimento que ilustram a descriminação de que é vítima.
No momento em que nos preparamos para iniciar mais um ciclo de utilização de fundos comunitários constatamos que continua a ser difícil o aproveitamento integral dos meios financeiros colocados à disposição do país.
Muitos dos obstáculos para conseguirmos transformar esses envelopes financeiros em instrumentos de mudança e de progresso continuam a existir apesar de há muito estarem sinalizados.
Acabados de aprovar um novo Plano de Acção Regional, o PAR Alentejo 2020, podemos constatar que muitas das barreiras identificadas continuam a condicionar a sua implementação e desde logo a teimosia do estado centralista em cumprir a Constituição da Republica, também, no que respeita à Regionalização e, no que a nós respeita, à criação da Região Alentejo.
Apesar de partir de um quadro que não questiona a subordinação dos fundos estruturais à Estratégia Europa 2020 e ao cumprimento do Pacto de Estabilidade e Crescimento e como isso vai retirar ainda mais capacidade para podermos, o país e a região, definir as politicas de acordo com as nossas necessidades e não com imposições exteriores, o Plano Regional – Alentejo 2020, foi aprovado por unanimidade pelo Conselho da Região e revestir-se-á de grande importância para o próximo futuro.
O Movimento Sindical de Classe que a CGTP-IN corporiza deixou bem claro nas diferentes fases de “construção”do Plano que recusa a subordinação do princípio da coesão social aos objectivos que visam a liberalização dos principais mercados de serviços e bens, com o acelerar do processo de privatização e a desregulamentação do mercado de trabalho.
Uma estratégia de desenvolvimento para o Alentejo só tem préstimo se servir para melhorar a vida de quem aqui vive e trabalha. Tem que ser este o seu objectivo principal.
No nosso caso a perda de postos de trabalho e de população foi de tal grandeza que os principais objectivos que qualquer estratégia de desenvolvimento tem que assumir deverão ser: a facilitação da criação de emprego de qualidade e o aumento dos níveis de vida e de bem-estar da população.
Desde logo medidas para a revalorização do trabalho e para uma industrialização que abranja todas as sub-regiões.
Persistir em centrar os apoios às empresas exportadoras e situadas em “ilhas” dentro do território será o continuar das apostas erradas ou insuficientes para as necessidades da região. O caminho passa pela aposta nos bens transaccionáveis na sua globalidade como consta aliás nos contributos que em nome da CGTP-IN/Alentejo, fiz chegar à Presidência da CCDRA.
“…A proposta centra os apoios às empresas no fomento das exportações, o que consideramos insuficiente para o desenvolvimento regional. Tem sido assim no INALENTEJO, como concluiu a avaliação intercalar do mesmo (pág. 6). Na nossa opinião o próximo período de programação tem que apostar nos bens e serviços transaccionáveis na sua globalidade e não apenas ou primordialmente nas exportações, com o objectivo de substituir importações. Com este objectivo os regulamentos dos apoios deveriam premiar os projectos que visam aumentar a produção para o mercado nacional…” [1]
Este aspecto é particularmente relevante nos bens alimentares uma vez que o país não garante a auto-suficiência em praticamente nenhum produto agrícola tendo a situação vindo a piorar desde a década de 90 do século passado.
A nossa elevada dependência alimentar, gritante nas leguminosas secas (produzimos apenas 8,5% das necessidades do país, mas com grande peso também nos cereais e no arroz (produzimos menos de 30% das necessidades do país) e nas raízes e tubérculos (56,7% das necessidades). Apesar de mais reduzida essa dependência assinala-se também nas carnes, nos frutos e no azeite.
A região poderia e deveria apostar nesses sectores contribuindo para satisfazer as necessidades do país e para criar emprego.
Para o Alentejo e as suas gentes os fundos estruturais e de investimento a serem disponibilizados até 2020 têm que ser (bem) utilizados para que possamos garantir: crescimento económico e criação de emprego de qualidade; aumento da produção regional em particular em sectores que contribua para substituir exportações e diminuir a nossa dependência; diminuição das assimetrias com o exterior e no interior da região; redução da pobreza e da exclusão social; reabilitação urbana e preservação do património cultural.
Sendo certo que nos debatemos com fortes constrangimentos ao desenvolvimento: o comportamento recessivo da demografia regional, a desvitalização social e económica de importantes aglomerados urbanos e dos territórios de baixa densidade, reduzido dinamismo do tecido empresarial, debilidades dos factores estruturantes da atracção de novos investimentos e desvantagens competitivas face a regiões concorrentes,  [2] a que acrescem os resultados do desinvestimento público a que grande parte da região foi votada durante décadas. Não é menos certo existirem potencialidades suficientes para que tais constrangimentos possam ser ultrapassados.
O Alentejo detém no seu vasto território recursos suficientes para atrair pessoas e investimentos mas tal não chega para construir o desenvolvimento sustentável que os/as Alentejanos/as reclamam e merecem.
Para atingir esse patamar é essencial uma estratégia de desenvolvimento que aposte na revitalização e modernização do sector produtivo, na revalorização do trabalho e na melhoria dos serviços públicos.
Diogo Serra in Revista Alentejo - Abril/2014

13.10.13

OPINIÃO: As pontes (portas) que Abril abriu, ninguém mais agora encerra!

O governo das forças de ocupação teme que possa suceder "alguma coisa" aos manifestantes que irão cumprir, no próximo dia 19 de Outubro a Marcha por Abril.
Preocupado com a segurança dos manifestantes e munido dos pareceres que encomendou para justificar o injustificável, o governo pede que não se atravesse a Ponte.
 Está preocupado e tem razões para estar!
 Razões que se prendem não com as invenções apresentadas: desconhecimento do número de participantes, possibilidade de os marchantes baixarem para o patamar onde circulam os comboios, não ser possível qualquer intervenção em caso de emergência, os marchantes não terem seguro, etc..., etc..., mas com a razão real de que a Marcha será um novo e importante empurrão para pôr o governo na rua e os seus mandantes tirarem a mão dos nossos bolsos.
 Não esqueceram que foi na Ponte 25 de Abril que se iniciou a contagem final do "reinado cavaquista" e medrosos, afadigam-se a tentar manter a sua Ponte Salazar esquecendo que esta é há muito a Ponte 25 de Abril.
Vejamos os argumentos (alguns):
1º Não é possível saber atempadamente quantos serão os marchantes no dia 19, ao contrário de anteriores feijoadas ou maratonas. Não? então não é o governo quem sistematicamente manda os seus "avaliadores" dizerem que em cada manifestação eram muito poucos?
2º A altura de 70 metros entre o Tabuleiro e a àgua é fator de grande risco.
Porquê, o tabuleiro da ponte vai atirar-nos borda-fora?
3º Os manifestantes, ao contrário dos maratonistas, não tem seguro.
Será que se as seguradoras "amigas" engordarem com mais uns euros, o "perigo desaparece"?
4º As dificuldades acrescidas no caso de multidões em fúria (ou em pânico).
Tem sido essa a matriz das iniciativas da CGTP-IN? ou o governo está a equacionar enviar provocadores (como já sucedeu) para estimular a fúria ou o pânico?
Posto isto resta-nos a constatação de que o governo das forças ocupantes teme pela sua própria segurança.
Tem razão! Como outros que o antecederam com os mesmos objectivos vai ser despachado para o caixote do lixo da história.
Como transformámos o Terreiro do Paço em Terreiro do Povo, dia 19 vamos garantir que a Ponte que já foi Salazar se mantenha para nós e para os nossos filhos e neto a PONTE 25 DE ABRIL!
Portalegre, 12-10-2013
Diogo Serra