5.5.18

MEMÓRIA: Grande jornada desportiva e de amizade (Maio de 2008)

 Portugueses de Joué les Tours “abraçaram” Nisa
Foram quatro dias vividos com grande intensidade em terras do norte-alentejano, por uma embaixada de trinta desportistas que viajou desde Joué les Tours, no centro de França, para virem “abraçar” Nisa e reforçar os laços de amizade existente entre as duas localidades.
Durante quatro dias, trinta desportistas, jogadores e acompanhantes da equipa de futebol de veteranos da União Desportiva Portugueses de Joué les Tours (dito, assim, em português, soa um pouco melhor) visitaram Nisa, abraçaram familiares e amigos, fizeram novos amigos e reforçaram os laços de amizade, através do desporto, que unem esta duas terras de Portugal e de França.
A viagem começou a tomar forma quando Jean Pierre Laret, um nisense naturalizado francês, chegou à direcção do núcleo de veteranos da Unión Sportive Portugais de Joué les Tours, um clube fundado em 1981 e ao qual alguns nisenses têm dado um contributo fundamental e inestimável.
Se bem o pensou melhor o fez. Expôs a ideia aos seus companheiros, que rejubilaram de entusiasmo com a possibilidade de uma visita a Portugal e desde logo meteram mãos à obra, o que, em França, significa, fazer o planeamento da viagem (datas, custos, patrocínios e, sobretudo, financiamento), uma deslocação a ser feita a expensas próprias. Depois o sonho começou a ganhar forma. Actividades, rifas, iniciativas diversas, os fundos foram aparecendo e a ida a Portugal começou a desenhar-se no horizonte.
Em causa estava não só uma visita de amizade e de carácter desportivo, mas também um agradecimento e homenagem a um atleta que vestiu e honrou as cores do clube mais português de França.
Chegaram a Nisa na quinta-feira, dia 8 e após o almoço rumaram ao cemitério.
Foram momentos comoventes e de grande emoção, os vividos junto à campa de António Maria Polido Cabim, o companheiro e atleta falecido em 2000, ainda jovem na plenitude dos seus 40 anos. Após depositarem uma coroa de flores e a homenagem em silêncio e recolhimento que se seguiu, a comitiva rumou até ao cabecinho da Senhora da Graça.
Formado por portugueses, franceses e luso-descendentes, o grupo ficou maravilhado com a paisagem que do alto do monte se desfruta. O padre Nuno Folgado, presente no local, foi convidado e de imediato aceitou, pronunciar algumas palavras de boas vindas, para além de ter feito uma resenha da história local, detendo-se nas origens de Nisa e explicando a importância da Senhora da Graça para os nisenses.


De regresso a Nisa, os momentos seguintes foram de descontracção face às emoções sentidas até ali. Na Devesa, o Café Manso foi o cenário escolhido para refazer o estômago e provar algumas das iguarias tradicionais. Rodaram os pastéis de bacalhau (excelentes, por sinal), provaram-se e apreciaram-se os enchidos da região, e o tinto alentejano não deixou os seus créditos por paladares alheios.
No dia seguinte, o grupo vindo de Joué les Tours fez uma incursão pelo Alentejo. Elvas, Borba, Estremoz, Vila Viçosa foram algumas das localidades visitadas antes de regressarem a Nisa e prepararem, à noite, o estágio para o importante desafio a ter lugar no dia seguinte.
E foi no sábado, dia 10, que teve lugar o tão aguardado encontro. No campo D. Maria Gabriela Vieira, já sem o sobreiro que alguns conheceram antes de partirem à procura do sonho e da esperança para terras gaulesas, perante muitos espectadores, as três equipas, dispuseram-se para a realização de uma jornada desportiva que era mais, muito mais do que um simples jogo de futebol e representava o abraço, franco e fraternal, entre aqueles que um dia partiram e os que ficaram.


Representava, também, a demonstração clara de que o “espírito europeu” se firma e fundamenta na relação pacífica e no respeito entre os povos que integram esta mesma Europa. E se sobre o jogo pouco há a dizer, dada a correcção e o ambiente de amizade com que decorreu, apraz registar que, na equipa visitante, além de alguns nisenses, havia portugueses de outras regiões do país, descendentes de portugueses, de sérvios e marroquinos, uns e outros, todos, encantados com a recepção de que foram alvos em Nisa.
Sorriu a vitória aos veteranos do Nisa e Benfica, num jogo bem disputado e com fases de excelente futebol, que serviu para “abrir as hostilidades” para a terceira parte do jogo, esta realizada no amplo salão de festas do clube anfitrião.
Foi o culminar de uma jornada desportiva intensamente vivida e partilhada. À mesa, os atletas veteranos, de um e outro país, foram todos portugueses naquilo que o nosso povo tem de melhor: o saber da convivência feito, a troca de saudações, o bem receber e partilhar emoções.
Tão bela jornada só merece ser continuada, agora em terras da Touraine. É o que esperam os portugueses, franceses, cidadãos da Europa, da USP de Joué les Tours.
A primeira parte está ganha. É tempo de preparar a segunda...
Mário Mendes
“Estou sensibilizado com a homenagem ao meu tio”
- Rafael Cabim Pinto
Visivelmente emocionado, Rafael José Cabim Pinto, um jovem nisense a residir em França, não escondeu a sua satisfação e quis deixar algumas palavras de agradecimento.
“Estou muito sensibilizado com a homenagem que fizeram ao meu tio. Não tenho palavras para agradecer ao clube USP de Joué, principalmente ao Jean Pierre, a todos os que aqui vieram e também aos antigos companheiros do meu tio. Acho que o que ele fez pelo clube e a amizade que tinha com todos, foi reconhecida. Muito obrigado!”

 “ Esta homenagem significa muito”
- Jean Pierre Laret
Jean Pierre Laret, natural de Nisa, há mais de 40 anos em França, foi o principal dinamizador desta visita a Portugal.
“ Fui jogador do clube durante várias épocas e quando o ano passado, em Julho, decidi pegar nos Veteranos, a minha primeira ideia foi logo virmos a Nisa este ano.
Para isso avançámos com várias iniciativas, tivemos centenas de contactos, a minha mulher que é transmontana, colaborou a cozinhar, fazendo comida todos os 15 dias, para 30 pessoas (quando jogamos, em “casa”) e fomos conseguindo arranjar receitas. Falámos com o Bento Semedo dos Veteranos de Nisa e a visita foi concretizada.
É uma grande alegria, estarmos em Portugal e na nossa terra. Tivemos uma grande recepção, o pessoal está muito contente e destas 30 pessoas, apenas 12 conheciam Nisa.
A homenagem significou muito para mim e para todos, porque o Cabim era um rapaz da nossa terra, muito estimado. Foi jogador do clube e na nossa sede temos lá uma sala com o nome dele, onde estão as taças, troféus, fotos, recordações, a história do clube e também onde jantamos.”

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