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4.6.18

MEMÓRIA DO JN: Festa em Montalvão para assinalar restauro e recuperação da Igreja da Misericórdia (2008)

“Montalvão é uma estrela / No seu cabeço a brilhar / Mirando a Beira e Espanha / Tens formosura sem par.”
Montalvão esteve em festa no passado dia 31 de Maio, data escolhida pela Irmandade da Santa Casa da Misericórdia para a celebração das solenidades do dia alusivo à padroeira da instituição, mas também para a inauguração das importantes obras de beneficiação e restauro de que foi alvo a Igreja da Misericórdia. Nesse dia e tal como nos versos da poesia popular, o edifício religioso consagrado ao Espírito Santo foi “uma estrela a brilhar”, ressurgindo, pujante, da letargia a que foi, durante anos, forçada a suportar.
Perdem-se nas brumas do tempo as origens de Montalvão. Sabe-se que a povoação é muito antiga e foi sede de concelho até finais do século XIX.

21.1.12

AREZ: Valorização do património da Misericórdia *



Em Setembro de 2009 no I Encontro Internacional de Investigadores de História Moderna surgiu o primeiro contacto para a salvaguarda da Igreja da Misericórdia de Arez. Ponto comum entre a comunicação de Joana Pinho sobre a Arquitectura das Misericórdias quinhentistas e a tese de mestrado de Ana Leitão, estudo monográfico de Arez.
Desta dinâmica resulta a redacção deste texto como relato de boas práticas e forma de sensibilização para a preservação e valorização do património cultural das Misericórdias.
Destacando atitudes fundamentais na intervenção em património cultural: a interdisciplinaridade que assegura uma intervenção coerente, o diálogo entre técnicos e dono de obra, o envolvimento e participação da comunidade; um conhecimento académico credível que servirá de base às decisões e opções da intervenção.
Arez é actualmente uma freguesia do concelho de Nisa, com c. 56 km² e 256 habitantes. Foi vila e sede de concelho do séc. XII a 1836, comenda da Ordem de Cristo e teve foral por D. Manuel em 1517. Do seu património edificado destacam-se: Igreja Matriz e ermida de Santo António que sofreram campanhas de obras no séc. XX que alteraram significativamente as suas características. E também o edifício sede da Misericórdia de Arez composto por igreja, sacristia e outras dependências. Originalmente foi capela do Espírito Santo e com a fundação da Misericórdia de Arez em 1592 sofreu uma intervenção que se prolongou até ao séc. XVII. A planimetria, volumetria e características arquitectónicas do edifício integram-se numa corrente maneirista-chã de cariz regional. Do património móvel e integrado destacam-se o retábulo-mor, a escultura da Santíssima Trindade e as pinturas murais. As da nave, duas campanhas principais, representam retábulos fingidos seguindo modelos da retabulística nacional em madeira entalhada. Da primeira campanha fazem parte os retábulos com frontão contracurvado e colunas com capitéis coríntios, de finais do séc. XVIII. Já os retábulos de perfil neoclássico, com frontões triangulares e emblemas marianos,
pertencerão a uma campanha mais recente, talvez do séc. XIX.
Neste projecto desde o início foi considerado prioritário o envolvimento das várias áreas disciplinares relacionadas com o património. Nos inícios de 2010, as duas investigadoras e Patrícia Monteiro, que desenvolve tese de doutoramento sobre pintura mural do Alto Alentejo, realizaram uma visita ao edifício. A investigação resultante de trabalhos académicos produz conhecimento, em si mesmo de inegável valor, mas que ganha nova valia ao reverter para um caso concreto, torna-se conhecimento aplicado e com impacto na comunidade.
A nível técnico foram também contactadas a Direcção Regional da Cultura do Alentejo e o Gabinete do Património Cultural da União das Misericórdias Portuguesas.
Em Junho de 2011 realizou-se nova visita ao edifício com alunos do Curso de Especialização Tecnológica em Conservação e Restauro do Instituto de Artes e Ofícios da FRESS e o professor Joaquim Caetano que, além de ter constituído motivo de estudo, teve como objectivo delinear uma estratégia para a conservação das pinturas murais existentes na igreja.
O grupo foi recebido pelo Provedor José Fazendas e outros membros da Mesa Administrativa e do diálogo resultaram três ideias fundamentais: isolar o telhado com subtelha, evitar o uso de novos revestimentos à base de cimento e conservar e restaurar as pinturas murais pois, independentemente do seu valor estético, são testemunho do gosto de uma época.
Fez-se uma sondagem na parede fundeira da capela-mor onde se detectou pintura decorativa simulando silhares de azulejo enxaquetado do séc. XVII.
O diálogo estabelecido entre promotores da obra, técnicos de conservação e restauro e historiadores da arte evidencia os bons resultados que procedimentos deste tipo proporcionam, devendo servir como exemplo a outras intervenções.
Seguidamente procurou-se sensibilizar a comunidade local para a importância do património cultural, da sua conservação e o seu envolvimento no projecto; mobilizando-se a Comissão de Festas de Arez de 2011 para a angariação de fundos que reverteram para a intervenção.
Após este processo, no verão de 2011, iniciou-se a intervenção nos telhados, rebocos e pavimentos que estará concluída no início de 2012 e definiram-se projectos futuros para o património cultural da Misericórdia de Arez: novas sondagens na capela-mor e a instalação do recuperado arquivo histórico da Misericórdia numa das dependências do edifício.
* Ana Santos Leitão, Joana Balsa de Pinho, Joaquim Caetano e Patrícia Monteiro
- Texto publicado no mensário “Voz das Misericórdias” – Dezembro 2011

18.1.12

MISERICÓRDIA DE AREZ: Restaurar para preservar o património

Misericórdia de Arez investe na restauração da sua Igreja, preservando um património de séculos.
A Santa Casa da Misericórdia de Arez iniciou em Agosto as obras de restauração da sua Igreja, que habitualmente é utilizada pela população desta localidade como casa mortuária.
Este edifício do século XVI estava já um pouco degradado e a instituição estava ciente da necessidade que havia de serem feita obras, sobretudo no que se refere ao telhado, por ser o que estava em pior estado, no entanto, e como nos explica o provedor, José Fazendas, a Misericórdia tinha outras prioridades, daí que só recentemente tenha decidido avançar com a obra.
«Estávamos bastante empenhados no projecto da construção de um Lar, o que representaria um grande investimento por parte da instituição, e por isso sabíamos não ter capacidade para avançar também com a restauração da Igreja», esclarece.
Entretanto, e por diversos motivos, a Misericórdia acabou por desistir do projecto da construção do Lar e avançou com a recuperação da Igreja, onde inicialmente estava apenas previsto a substituição do telhado, mas «uma vez que íamos começar com obras, e porque queremos dar as melhores condições possíveis aos Irmãos e a quem usufrui deste espaço, decidimos fazer uma recuperação completa», conta o provedor.
Para tal, e porque em dois dos três altares no interior da Igreja se encontram pinturas antigas, também bastante degradas, a Misericórdia pediu a colaboração de especialistas do Instituto de História da Arte, da Faculdade de Letras de Lisboa, que avaliaram o património artístico e se comprometeram a recuperar essas pinturas, tendo ainda aconselhado a instituição sobre o que seria importante fazer, preservar e os materiais a utilizar.
Conforme relata José Fazendas, a primeira fase da obra consistiu na substituição total do telhado, numa segunda fase foram então feitos os arranjos ao nível do edifício, nomeadamente nas paredes interiores e exteriores, e a substituição do pavimento. Já numa terceira fase será então feita a recuperação das pinturas dos altares, bem como a pintura da Igreja.
«Fizemos uma recuperação de fundo da nossa Igreja, e estamos convictos de que se trata de um investimento a pensar no futuro, ou seja, em que estamos já a preservar o património da Misericórdia para os próximos anos. Esperamos que as pessoas gostem e que percebam que a nossa intenção foi fazer o melhor possível, mas sem descaracterizar o já existia», sublinha o provedor, que orgulhosamente nos revela que fizeram questão de manter o coro.
A recuperação da Igreja representa um investimento que deverá rondar os 50 mil euros, e de acordo com José Fazendas foi importante poderem recorrer as materiais que, mantendo as suas características, tornaram o espaço «mais acolhedor e com condições para receber condignamente quem dele usufrui», e que ao mesmo tempo vão permitir a sua preservação durante mais tempo. José Fazendas revela ainda que, tudo indica que obra deverá estar concluída ainda em Janeiro.
Construída em 1618, a Capela do Divino Espírito Santo, ou Igreja da Misericórdia como é conhecida, foi o local onde foi fundada a Irmandade da Misericórdia de Arez.
* Patrícia Leitão in "Alto Alentejo" - 11/1/2012