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2.11.23

OPINIÃO: É preciso morrer alguém?

O novembro “dramático”, como antecipou o diretor-executivo do SNS, está à porta e não há soluções para os problemas na saúde. As negociações, que decorrem há mais de um ano entre o Governo e os sindicatos médicos, avançaram na semana passada, com a apresentação de propostas dos dois lados, criando a legítima expectativa por parte da população de que o acordo estaria à vista, mas ainda não está fechado. E é cada vez mais evidente que um eventual acerto entre as partes pode não ser suficiente para resolver os problemas estruturais que se acumulam.
António Costa disse sábado, na Comissão Política do PS, que o “SNS não é slogan” e que a reforma em curso visa proteger o seu futuro. Mas não há SNS, nem futuro, sem as pessoas que lá trabalham todos os dias. E os sinais de desgaste em várias classes profissionais são demasiado evidentes. A rápida expansão do movimento Médicos em Luta, que mobilizou a recusa às horas extra e conta já com cerca de quatro mil profissionais, mais do que um sintoma da insatisfação da classe é uma nova realidade que pode baralhar as dinâmicas negociais. Porque não estando sujeito a qualquer tutela sindical, pode desafiar eventuais acordos que venham a ser conseguidos. 
A responsabilidade pelo impasse nas negociações até pode ser partilhada, mas é ao Governo que compete assegurar condições para o SNS funcionar e garantir que os portugueses têm efetivamente direito à saúde. E isso não está a acontecer. Há serviços hospitalares a colapsar, urgências fechadas ou sem todas as especialidades necessárias para acudir à população. Mais de 1,6 milhões de utentes não têm médico de família. As imagens de idosos a passar a noite à porta do centro de saúde na tentativa de arranjar uma consulta é degradante. Pessoas de baixos recursos estão a fazer seguros porque têm pânico de adoecer e não terem assistência, como alertou, em entrevista ao JN, Adalberto Campos Fernandes, ex-ministro da Saúde socialista. É o SNS em mínimos históricos. Envergonha-nos a todos.
Perante isto tudo, Costa insiste nas contas certas e amealha o excedente. Ele, que viu cair Marta Temido - a ministra da Saúde que resistiu a uma pandemia, mas se demitiu na sequência da morte de uma grávida por falta de assistência no Santa Maria -, está à espera de quê para resolver esta crise? Será preciso morrer (mais) alguém? 
* Helena Norte - Jornal de Notícias -30 outubro, 2023

27.6.22

Ordem dos Médicos alerta para falta de clínicos no hospital de Portalegre

O presidente da sub-região de Portalegre da Ordem dos Médicos alertou para a falta de clínicos de Medicina Interna no hospital da cidade e avisou que as carências afetam também outras especialidades.
O presidente da sub-região de Portalegre da Ordem dos Médicos (OM), Hugo Capote, alertou no domingo para a falta de clínicos de Medicina Interna no hospital da cidade e avisou que as carências afetam também outras especialidades.
“Há uma pressão enorme, especialmente sobre aquela especialidade médica, que é basilar em qualquer hospital”, mas os problemas da unidade de saúde vão “muito para lá da Medicina Interna”, afirmou à agência Lusa o responsável.
Segundo o também diretor do Serviço de Urgências do Hospital Dr. José Maria Grande, em Portalegre, os problemas desta unidade hospitalar não se resumem à carência de internistas, pois existem “lacunas em variadíssimas especialidades”.
“Não há uma especialidade médica no hospital de Portalegre que, atualmente, não dependa de tarefeiros, de empresas prestadoras de serviços, para cumprir as suas obrigações assistenciais, nomeadamente ao nível da urgência”, sublinhou.
Hugo Capote falava a propósito de um comunicado da sub-região de Portalegre da OM sobre a carta aberta de descontentamento enviada pelos médicos de Medicina Interna daquele hospital ao conselho de administração da Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano (ULSNA).
No comunicado, a estrutura de Portalegre da OM confirmou “o défice de internistas no hospital de Portalegre”, salientando que a situação reflete-se “no excesso de trabalho e exaustão física” dos clínicos, que “inevitavelmente contribuirão para uma falta de segurança clínica dos doentes e dos médicos”.
“Estas lacunas fazem-se sentir há vários anos, mas o período de pandemia que atravessámos e que exigiu imenso de todos os internistas, somado à falta de respostas da tutela, só veio agudizar os problemas”, sustentou.
Contudo, notou a OM, o défice de especialistas “não se resume à Medicina Interna”, uma vez que também faltam ginecologistas, pediatras, cardiologistas, pneumologistas, intensivistas e anestesiologista, ortopedistas, gastroenterologistas, imuno-hemoterapeutas, imagiologistas e urologistas.
Nas declarações à Lusa, o presidente da sub-região de Portalegre da OM reconheceu que o conselho de administração da ULSNA tem vindo a “envidar esforços para resolver” o problema da falta de médicos, mas frisou que “nunca é fácil” encontrar soluções.
“Os concursos abrem e ficam vazios na maior parte dos casos e, se não há renovação de quadros médicos e nem sequer há prestadores, os cuidados de saúde em determinadas áreas deixam de estar disponíveis aos doentes de Portalegre”, argumentou.
Quando isso acontece, continuou Hugo Capote, os doentes são “encaminhados para outras unidades hospitalares, em Lisboa ou Évora”, cujas urgências “já estão congestionadas e ficam muito mais, pois ainda receberão estes doentes de Portalegre”.
De acordo com o médico, metade dos doentes que dão entrada nas urgências do hospital de Portalegre “não são urgentes”, mas sim pessoas com “doenças crónicas que não estão estabilizadas, porque não há cuidados de saúde primários” no distrito.
“Isso entope os serviços, cria horas e horas de espera, gera frustração para doentes e para médicos, que estão constantemente sob a pressão de doentes, de familiares e de outros colegas e acaba por, muitas vezes, dificultar o acesso das verdadeiras urgências aos cuidados de saúde hospitalares”, acrescentou.
Os 12 subscritores da carta aberta, à qual a Lusa teve acesso, escrevem que “o Serviço de Urgência está em rotura completa”, à qual “se soma uma incapacidade humana da observação e avaliação de todos os doentes internados a cargo da Medicina Interna”.
“Não estão asseguradas as condições mínimas de qualidade assistencial, nem de segurança, nem para os profissionais de saúde, nem para os doentes”, avisam.
No sábado, em declarações pela Lusa, o porta-voz da ULSNA, Ilídio Pinto Cardoso, refutou a alegada rotura das urgências do hospital de Portalegre, garantindo que as escalas estão “todas preenchidas e não há falta de médicos”.
Agência Lusa - 26 jun 2022

21.10.19

PCP denuncia falta de médicos, redução de consultas e encerramento de farmácias em Portalegre

A Comissão Concelhia de Portalegre do PCP denunciou duas situações que, segundo refere, "mais uma vez vão dificultar o acesso dos portalegrenses aos cuidados de saúde".
Os comunistas salientam que "desde Abril deste ano que a aposentação de uma médica do centro de saúde de Portalegre levou a que os “seus” cerca de 2000 doentes ficassem sem médico de família. Perante a incapacidade do Conselho de Administração da ULSNA, nomeadamente do seu Presidente, Dr. João Moura Reis que, com o aval do Governo PS, é o responsável pela gestão clínica dos centros de saúde do distrito de Portalegre, e perante a pressão que os utentes sem médicos de família foram exercendo, a solução a que se chegou demonstra, novamente, a total falta de planeamento e absoluta desconsideração do interesse público que o CA da ULSNA reiteradamente vem demonstrando".
Os médicos da Unidade de Saúde Familiar (USF) que a médica recém-aposentada integrava, de acordo com o PCP, "reduziram o período de consultas de recurso que seria das 14h às 20h, para o período entre as 17h e as 20h, porque no restante período terão de realizar as consultas médicas da lista de doentes que ficaram sem o seu médico assistente. A consequência tem sido a transferência de cada vez mais doentes para o Serviço de Urgência do Hospital de Portalegre, já de si congestionado e indo ao arrepio de tudo o que são as actuais políticas de saúde".
O PCP e a CDU já tinham denunciado a incapacidade que o Hospital de Portalegre tem de fixar novos especialistas, nomeadamente através de moção aprovada na Assembleia Municipal, mas agora também o Centro de Saúde de Portalegre, apesar de formar especialistas de Medicina Geral e Familiar, não consegue renovar os seus quadros médicos, "em consequência das políticas de saúde do Governo PS e perante a passividade cúmplice da Câmara de Portalegre CLIP".
O PCP sabe que, com a concordância da Câmara CLIP e conivência da vereação PS e PSD, a farmácia Portalegrense pretende sair da sua actual localização, na malha urbana do centro histórico da cidade de Portalegre, deslocando-se para a área comercial dos hipermercados, junto ao Bairro dos Assentos.
A confirmar-se esta deslocação, a zona alta da cidade, nomeadamente a que serve o Bairro do Atalaião ver-se-á privada de mais uma farmácia (depois da saída da farmácia Nova e da Chambel), reduzindo toda esta zona da cidade, onde a população é maioritariamente idosa, a uma única farmácia, ao cimo da Rua do Comércio.
in www.linhasdeelvas.pt - 21/10/2019

25.2.19

SAÚDE: Médicos de Portalegre estão "desesperados"

O bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Miguel Guimarães, afirmou-se hoje preocupado com a carência de profissionais na Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano (ULSNA), alertando que os médicos existentes estão "desesperados".
"Desesperados porque estão há anos a lutar para ter melhores condições, estão há anos a vestir a camisola e a ajudar esta população, têm promessas continuadas que as coisas vão melhorar, que as coisas vão mudar, que para o ano vai haver mais médicos nesta ou naquela especialidade e não veem nada concretizar-se", afirmou o bastonário da OM.
O responsável, que falava à agência Lusa à margem de uma visita ao hospital de Portalegre, inserido na ULSNA, onde reuniu com médicos e com a administração, considerou que, "com o tempo a passar", os profissionais de saúde começam a "não acreditar no sistema, na estrutura e no Governo".
"Neste momento, não estamos a ter equidade no acesso aos cuidados de saúde em Portugal. As pessoas têm melhor ou pior acesso consoante o seu código postal, isto é, consoante a região do país onde vivem. Nós temos que mudar este paradigma", disse.
Na reunião com os clínicos da ULSNA, segundo Miguel Guimarães, foi revelado que existem médicos que "atingiram a linha vermelha" no que diz respeito à segurança clínica, estando em "sofrimento ético" por terem de trabalhar em condições que não são as adequadas, principalmente na área da medicina interna.
"Isto causa uma perturbação imensa, causa uma depressão enorme nas pessoas, causa problemas graves, causa, de facto, uma desmotivação muito grande", sublinhou.
Considerando que o Governo tem de "fazer alguma coisa diferente", o bastonário da OM referiu que o Executivo não pode "continuar a desprezar" as regiões mais periféricas e carenciadas.
"O Governo tem de valorizar mais as pessoas que cá trabalham. Todas as pessoas que trabalham neste hospital merecem ser valorizadas e respeitadas naquilo que é a sua função", defendeu.
Miguel Guimarães exigiu ao Governo que mude a "gestão da política" no país, nomeadamente dando "mais flexibilidade e autonomia" às unidades de saúde para "poderem contratar" especialistas.
"Tem que dar mais capacidade para que os próprios serviços tenham uma gestão melhorada daquilo que são os seus próprios recursos e tem que permitir que as pessoas que acabam cá a especialidade fiquem cá a trabalhar se assim o desejarem", acrescentou.
No final da visita, o presidente do Conselho Regional do Sul da OM, Alexandre Lourenço, disse à Lusa que a ULSNA "precisa desesperadamente" dos poucos médicos que querem fixar-se no interior e que "não é facilitada" a sua colocação.
"A pediatria tem quatro médicos no quadro, todos eles com idade de não fazer urgência, todos fazem. A ginecologia/obstetrícia tem dois médicos em idade de reforma, prolongam os contratos para continuarem a trabalhar", denunciou.
O presidente do Conselho Regional do Sul lamentou também que o hospital de Portalegre não possua "autonomia" para poder gerir as suas necessidades.
"Este é um dos hospitais que mais contrata serviços médicos avulso, que são médicos que veem de outras regiões, estão aqui um dia e vão embora, não estabelecem laços nem continuidade de serviços", lamentou.
A ULSNA gere os hospitais de Portalegre e Elvas e os 16 centros de saúde existentes nos 15 concelhos do distrito de Portalegre.
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