Vejamos o
que aconteceu com as redes sociais. Apareceram como uma novidade,
popularizaram-se a partir dos anos 2000, passaram a ser uma ferramenta de
comunicação e informação, até se tornarem também disseminadoras de fake news,
distorcendo factos ao ponto de influenciarem eleições. Acrescem os problemas de
dependência que criaram. E, depois do fascínio, estamos ainda a tentar descobrir
como lidar com aquilo que deixámos que acontecesse.
Na
quarta-feira, a presidente da Comissão Europeia anunciou que a futura Lei da
Infância da UE vai proibir o acesso às redes sociais a menores de 13 anos e
limitar as contas entre os 13 e os 15 anos a perfis supervisionados por pais.
Mas há quase duas décadas que se discutem as questões da privacidade,
desinformação, conteúdos ilegais e, mais recentemente, as idades de acesso.
Temas que, no entanto, já ultrapassaram a esfera das redes e que, hoje, se
colocam também noutras plataformas de comunicação, como o Discord ou o Roblox,
de jogos online e de streaming.
O mesmo está
a acontecer com a IA. Primeiro o fascínio, depois o medo. Mas não há nenhuma
razão convincente para acreditar que desta vez será diferente. Mesmo que os
criadores milionários dos sistemas de IA também se mostrem preocupados. Quem
acredita?
·
Manuel Molinos – Jornal de Noticias - 18 de
setembro, 2026
