O
primeiro-ministro demorou 11 dias para falar sobre as manifestações e
bastonadas nas cabeças na Praça de D. João I e no Rossio, argumentando que não
se pronunciou antes porque estava a trabalhar! O presidente do Instituto da
Habitação e da Reabilitação Urbana disse não saber se a sociedade atual está
disponível para o nível de sacrifício que os nossos pais e os nossos avós
fizeram para ter uma casa. Mais tarde, não teve outra solução que não fosse
admitir que as declarações foram infelizes. Já a PSP foi para as redes sociais
mostrar em vídeo editado a sua versão dos acontecimentos na madrugada de
domingo, em Lisboa e no Porto, gerindo a imagem pública da instituição como se
fosse um qualquer influencer. E, por fim, a ministra do Ambiente e da Energia
veio dizer que lhe custa andar com motorista. Isso mesmo.
Durante
o segundo dia de debate na generalidade da proposta do Governo do Orçamento do
Estado, a deputada do Chega Patrícia Carvalho criticou Maria da Graça Carvalho
por, ainda em setembro, ter sugerido a partilha de boleias como uma forma de
poupar combustível perante a subida de preços. Nessa altura, a ministra apelou
ao bom senso dos portugueses e recomendou "comportamentos de
partilha", além da redução da velocidade dos veículos. É então que, na
resposta à deputada do Chega, a ministra do Ambiente faz uma confissão pessoal.
"Só não venho à boleia porque não posso vir à boleia. Das coisas que mais
me custam, enquanto membro do Governo, é ter de andar com motorista".
A
frase é muito mais do que uma declaração infeliz. É mesmo um exemplo daquilo
que mais nos custa ouvir de quem nos governa.
Manuel
Molinos –Jornal de Notícias - 30 de
outubro, 2026
