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17.1.24

ESTREMOZ: NeoRealismo no Museu Municipal Prof. Joaquim Vermelho


Integrada no Programa Comemorativo “50 anos em Liberdade: Comemorações do 50º aniversário da Revolução de Abril de 1974”, abre ao público, no próximo sábado dia 20 de janeiro, na Galeria D. Dinis, uma exposição de obras Neorealistas pertencentes ao acervo da Galeria de Desenho do Museu Municipal de Estremoz Prof. Joaquim Vermelho.
Compõem esta mostra obras dos artistas plásticos António Carmo, Avelino Cunhal, Azinhal Abelho, Clementina Moura, Dórdio Gomes, Espiga Pinto, José Dias Coelho, José Augusto Pereira, Júlio, Maria Keil, Júlio Resende, Manuel Ribeiro de Pavia e Rogério Ribeiro, .
A exposição poderá ser visitada até dia 7 de abril.

21.3.15

M de Março e de Memórias


A vida na fábrica


Insaciável, a devorar energias, a fábrica chama. O seu apelo domina a vila adormecida e galga os campos.
As mulheres pegam no xaile e saem a mastigar a côdea do pão de mistura. Vão a passo ligeiro, que o portão não se abre para as que chegam mais tarde.
Levam no corpo as fadigas da véspera. Levam nos olhos as amarguras de sempre.
Vão entrar pela bocarra, faminta de energias.
A buzina lança o último grito. Há mulheres que correm, tairocando para não perderem a féria. E o portão cerra-se. Duas ainda ouviram os ferrolhos pesados e ficaram a olhar o portão, compreendendo o destino do dia.
E voltam pelo mesmo caminho, mais mirradas, como se ouvissem a bramação em casa.
Lá dentro tudo se move. Giram os tambores e fogem as correias. E os teares não param. As mulheres também. Tudo tocado no mesmo frenesi de loucura.
As palavras são hostis. Para matar o tempo e esquecer penas, há bocas que querem cantar. Mas da gerência veio a ordem para que se trabalhe em silêncio. Só se ouvem as canções dos teares.

Alves Redol in “Marés”
Desenho de Álvaro Cunhal