Mostrando postagens com marcador violação dos direitos humanos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador violação dos direitos humanos. Mostrar todas as postagens

2.7.26

DESPORTO: Irão foi enorme, FIFA pequena


Adeus Miami... é hora de Toronto, ficam para trás jacarés, lagartos e iguanas e abre-se a dimensão da cultura popular canadiana com mais força na NBA, representada pelos Raptors, como tributo ao Parque Jurássico. Ficamos, agora, na ficção, sem répteis debaixo dos pés, e sem o regalo de ver a postura espraiada ou fugas a velocidades mirabolantes.

O progresso em competição faz ensaiar outros passos e desbravar outras cidades. Portugal conduz as expectativas para que também haja Dallas e Los Angeles. O futebol é motor de sonhos, mais ainda um Mundial, onde se conjugam forças e poderes, onde se partilha a festa que nasceu para ser abrangente para os adeptos de todos os credos e cores. E, neste particular, o Mundial de 2026 tem uma mancha em relação ao Irão. A FIFA deixou dominar-se por guerras políticas que percorrem a atualidade e a prova mais bela do planeta perdeu credibilidade, honestidade e igualdade.

O Irão ficou com a participação encerrada na fase de grupos, sem perder, deixando rasto de bom futebol, de domínio em todos os jogos, sem abraçar essa expressão justa de superioridade no marcador. E mais valor recolhem os persas por passarem um atestado de competência em condições adversas, brigando contra constrangimentos, que ameaçaram uma presença nos Estados Unidos. Chegaram tarde, foram obrigados a recalcular rota de Tucson para Tijuana, bafejados em boa hora pelo carinho mexicano.

De jogo em jogo, partindo da Nova Zelândia, passando pela Bélgica e acabando no Egito foram enxovalhados por um desgaste patético de só poderem viajar 24 horas antes de cada jogo, perdendo impacto de adaptação nas cidades dos confrontos, casos de Los Angeles e Seattle. Foi a seleção do grupo que se sujeitou a viagens mais pesadas, confrontada sempre com limites na logística, chegando aos Estados Unidos com um peso aberrante de diferenciação face ao resto. Os Estados Unidos não quiseram saber e a FIFA descuidou o tratamento mais adequado a um país que se confrontou com um Mundial que violou os mais elementares cânones desportivos.

Taremi soube projetar a voz de capitão a quem tutela a competição, expondo a traição de promessas de uma normalização da presença iraniana que saiu defraudada. O Irão ainda se despediu do Mundial sem perder, com golos bizarros anulados e com um golpe ainda mais duro que foi um empate logrado noutro campo pela Áustria aos 90+6. O futebol iraniano foi vencedor, a seleção uma campeã numa mentalidade indestrutível perante um emaranhado de problemas, nunca se encolhendo tanto a FIFA como anjo protetor de abusos e tiranias desde o Mundial de 1978, da ditadura argentina. Não se via desde então uma competição tão ferida e martirizante para um competidor.

·         Pedro Cadima - 1 de julho, 2026

 

16.12.20

OPINIÃO: O inimigo somos nós

Por causa de uns bilhetes de futebol e umas viagens, António Costa aceitou no passado demissões de membros do seu Governo. Por que espera agora?
“Encontrámos o inimigo, e o inimigo somos nós”, escreveu Paul Krugman há dias, na sua newsletter semanal. Justificava esta conclusão por razões económicas, porque “os conflitos de interesse dentro dos países são muito mais importantes do que os conflitos de interesse entre os países”, mas também por razões políticas. E concluía: “Eventos políticos recentes ensinaram os americanos, pelo menos, a temer o poder crescente de alguns grupos dentro deste país, mais do que tememos alguma ameaça hipotética do exterior.”
O terrível assassinato de Ihor Homeniúk e a grande desatenção que mereceu da maioria das instâncias políticas exige uma reflexão nacional. Como foi possível esta ignomínia e, pior ainda, a tentativa de a encobrir? Por que não nos mobilizámos de imediato para denunciar a barbaridade? Como pode uma democracia conviver com crimes hediondos como este?
Em 1978, Eduardo Lourenço já alertava para esta espécie de incapacidade colectiva de olharmos de frente para nós mesmos: “A regra do jogo, talvez até mais eficaz que no antigo regime, é a da desdramatização de todos os problemas nacionais. Uma Democracia não tem problemas e nós somos uma democracia.”
Mas a verdade é que continuamos a desdramatizar. Ninguém pode ignorar as terríveis consequências que este assassinato tem para todos nós. Ele revela-nos uma imagem repulsiva do funcionamento de um serviço público, inaceitável num regime democrático. As conivências e conveniências que tentaram abafar o caso são igualmente graves. O silêncio à volta dele, que só a insistência jornalística conseguiu quebrar e reverter, tantos meses depois, revela que a questão é bem mais funda. A democracia está a ser desconstruída, como Manuel Alegre tem denunciado em recentes entrevistas: “As democracias não estão a ser derrubadas com golpes de Estado, mas estão a ser minadas por dentro.”
Assistimos à corrosão de instituições que deviam suportar a razão de ser do nosso regime constitucional. Há uma estratégia internacional concertada para enfraquecer as democracias, não com ataques externos ou golpes militares, mas com infiltrações cirúrgicas nas forças policiais e em movimentos de protesto, já que razões para protestar não faltam. Portugal não é imune a essa estratégia. A única forma de a combater é a defesa permanente dos valores democráticos e a vigilância atenta contra todas as violações. A morte de Ihor revela que baixámos as guardas.
Perante este facto, não podemos satisfazer-nos com justificações processuais. A directora do SEF devia ter-se demitido na hora. Eduardo Cabrita devia ter actuado publicamente com a prontidão que uma tragédia exige. As explicações à Embaixada da Ucrânia não dispensavam uma pronta assistência à família de Ihor, que o Governo de António Costa só agora vem assumir. E Marcelo Rebelo de Sousa devia ter alertado os portugueses para esta morte que mancha a nossa Democracia.
O inimigo somos nós. Ou porque facilmente ignoramos o que “vemos, ouvimos e lemos”, ao contrário do que Sophia sempre fez. Ou porque mais facilmente ainda aceitamos desdramatizar o que não tem perdão. Ou ainda porque fechamos os olhos à forma sistemática como as forças anti-democráticas e iliberais estão a ocupar terreno e a minar os alicerces do regime. É tempo de enfrentar o declínio democrático, no mundo e em Portugal, erguendo a nossa voz, sem tibiezas, na condenação de toda a brutalidade e impunidade no exercício da autoridade do Estado. E exigindo, em nome da decência, que Governo e Presidente retirem as devidas ilações do que se passou. Por causa de uns bilhetes de futebol e umas viagens, António Costa aceitou no passado demissões de membros do seu Governo. Por que espera agora?Helena Roseta - Público - 13/12/2020

13.12.20

OPINIÃO: Antes as lágrimas de Temido que o silêncio de Marcelo

São incompreensíveis as explicações de Marcelo Rebelo de Sousa sobre a sua tardia actuação no caso da tortura e assassinato do imigrante Ihor Homenyuk.
Anteontem, durante um discurso no Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, Marta Temido, a ministra da Saúde, emocionou-se, teve dificuldade em conter as lágrimas, ao falar do papel daquele organismo e dos seus profissionais durante o combate da pandemia. Apesar de o mundo continuar a ter uma quota não negligenciável de gente insensível, e por vezes mesmo imbecil, é com saudável naturalidade que se percebeu que a maior parte das reacções, mesmo de quem é crítico da actuação da ministra, foram de compreensão e apoio para com alguém que nos últimos meses tem arcado com a tensão de estar no centro do furacão.
Isto só torna mais incompreensíveis as explicações de Marcelo Rebelo de Sousa sobre a sua tardia actuação no caso da tortura e assassinato do imigrante Ihor Homenyuk e do seu silêncio com a família. Quem teve um mandato como “rei” dos afectos e dos telefonemas celebratórios deveria perceber que, sendo uma excepção no seu percurso, mais valeria assumir o erro do que procurar explicações na rebuscada ideia de que “não devia abrir uma excepção” quando havia “uma investigação criminal em curso”.
Este refúgio na atitude burocrática só vem reforçar a grave falha de empatia do Estado português, incapaz de entender que perante os contornos tão claros do horrendo crime cometido não deveria hesitar em confortar e amparar a família do ucraniano assassinado. Essa foi também claramente a falha do ministro Eduardo Cabrita, a que acresce a incapacidade de perceber que perante tão grave quebra nas obrigações do Estado a procura da culpa é curta, o mal não fica sanado sem que alguém assuma também a responsabilidade.
Mas não vale a pena acharmos que só “eles” (os políticos) falharam. Um pequeno exercício que não obriga a um grande esforço: quantos, nesses idos de Maio, se juntaram no coro de protesto por causa da morte do norte-americano George Floyd e palmilharam as redes sociais e as ruas imbuídos pelo espírito do Black Lives Matter e quantos o fizeram em nome de Ihor Homenyuk? Tal como agora fazem os políticos, é muito mais fácil deixarmo-nos ir na onda do que criar uma. Somos mesmo todos humanos, não somos? É bom que nunca o esqueçamos, especialmente nos momentos mais difíceis.
David Pontes - Público -13/12/2020
* Peso morto - Cartoon de Henrique Monteiro in https://henricartoon.blogs.sapo.pt

10.12.20

HUMOR EM TEMPO DE CÓLERA

 

A recompensa - Cartoon de Henrique Monteiro in https://henricartoon.blogs.sapo.pt

Celebra-se hoje, dia 10 de Dezembro, o Dia Internacional dos Direitos Humanos e em Portugal, neste ano de todas as pandemias, a data fica tristemente assinalada pela teimosia governamental em assumir a responsabilidade pela bárbara morte de um cidadão ucraniano de 40 anos, ocorrida em Março numa dependência do aeroporto de Lisboa, após ser espancado por elementos do SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras). Pior do que a morte de um ser humano, foi o silêncio cúmplice que foi gerado para impedir o apuramento de responsabilidades e ocultar os tenebrosos actos praticados em solo português. Só há dois dias e para servir de "escudo" ao Ministro da Administração Interna, é que a Directora do SEF se demitiu, provavelmente, com a "promessa" de voltar para cargo governamental, menos "pesado". O escândalo e a vergonha fez com que o Ministro se multiplicasse em comunicados e declarações, num gesto de passa-culpas e de fuga às responsabilidades que lhe cabem como titular da pasta. Por aqui ficará tudo em "águas de bacalhau". Tentei, por diversas vezes, publicar na minhas páginas de Facebook, o cartoon de Henrique Monteiro que está em cima. Sem sucesso. Após cada tentativa aparece, a vermelho, a seguinte "explicação": Ocorreu um erro. Estamos a tentar resolvê-lo o mais depressa possível. Nem depressa, nem devagar, a CENSURA faceboquiana impôs a sua "lei", como se não estivessem obrigados aos procedimentos jurídicos-legais da UE e como se hoje, tristemente, hoje, não evocássemos o Dia Internacional dos Direitos Humanos.

12.6.17

12 de Junho - Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil

Nova Iorque (RV) - Celebra-se, nesta segunda-feira (12/06), o Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) quer combater o trabalho infantil em áreas de conflito e desastres.
Segundo o diretor do escritório da agência da ONU, em Nova Iorque, Vinícius Pinheiro, “o tema do Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil para 2017 diz respeito à situação das crianças que são vítimas de conflitos e catástrofes”.
“Esse é um grupo, particularmente, vulnerável porque, em muitos casos, estão sujeitos ao trabalho infantil, ao tráfico de pessoas, à exploração e ao abuso sexual. De acordo com a OIT, existem 168 milhões de crianças que são vítimas do trabalho infantil e 85 milhões realizam trabalhos perigosos”, disse ele à Rádio ONU.
O Guia de Princípios da OIT aprovado em 2016, pede a todos os Estados-membros que adotem medidas para combater e prevenir o trabalho infantil.
Segundo a organização, os conflitos e os desastres têm um impacto arrasador nas vidas das pessoas. Eles matam, mutilam, ferem e forçam milhões a fugir de suas casas.
Além disso, destroem meios de subsistência, levam pessoas à pobreza e à fome e lançam muitos em situações como vítimas de violações dos direitos humanos.
A OIT explica que as crianças, geralmente, são as primeiras a sofrer com a situação já que as escolas são destruídas e os serviços básicos suspensos. Muitos menores se tornam deslocados internos ou refugiados e estão mais propensos ao tráfico humano e ao trabalho infantil.

Segundo outra agência da ONU, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a porcentagem mais elevada de crianças que trabalham se encontra na África Subsaariana com 28% de menores de 5 a 14 anos. A seguir, a África Central e Ocidental com quase 28% e a África Oriental e do Sul com 26%. No Oriente Médio, no Norte da África, no Leste da Ásia e no Pacífico, 10% das crianças que fazem parte dessa faixa etária desempenham trabalhos prejudiciais em relação aos 9% das crianças na América Latina e Caribe. 
As meninas têm mais probabilidade de ser envolvidas nos trabalhos domésticos. Segundo um relatório recente do Unicef, as meninas de 5 a 14 anos gastam 40% a mais de tempo ou 160 milhões de horas a mais por dia em trabalhos domésticos não remunerados e na coleta de água e de lenha em relação às crianças da mesma faixa etária.
Os dados mostram que o tempo empregado nos trabalhos domésticos começa cedo: as meninas de 5 a 9 anos gastam 30% a mais de tempo ou 40 milhões a mais de horas por dia, em relação às crianças da mesma idade. As meninas de 10 a 14 anos gastam 50% a mais de tempo ou 120 milhões de horas a mais por dia.
A agência da ONU alerta que é necessária uma ação urgente para alcançar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável de nº 8 que busca erradicar o trabalho forçado e acabar com a escravidão moderna até 2030.
A meta é também pôr um fim a todas as formas de trabalho infantil até 2025.
(MJ/Rádio Onu)
Índia: aumento do trabalho infantil nos campos de algodão

Nova Deli (RV) – Ainda este ano, a Índia deve se transformar no principal produtor de algodão do mundo com uma expectativa de produção que gira em torno dos 6 milhões de toneladas do produto. O sacrifício para esse título, porém, foi denunciado por um estudo publicado pelo Comitê Indio Holandês e pela Stop Child Labour Coalition: o número de crianças trabalhando nos campos continua aumentando.
No país asiático, trata-se de 200 mil menores de 14 anos – a idade mínima legal para trabalhar. No entanto, é dessa faixa etária que o país usufruiu 25% da mão de obra, enquanto aqueles entre os 14 e 18 anos somam mais 35%. No total, cerca de meio milhão de crianças estão empenhadas nos campos de algodão na Índia.
Segundo declarações do próprio estudo, percebe-se que o número de crianças usadas como mão de obra nos campos aumentou em até 100 mil em comparação a 2010. A pesquisa ainda traz dados sobre as condições em que as crianças trabalham, que continuam a ser de muito risco.
(AC/Fides)