22.12.14

NISA: Dezembro de 2000- Grande animação desportiva

 GDRC de Tolosa - Campeão distrital de 2ª Divisão - 1999/2000
 Em Dezembro de 2000 o concelho de Nisa tinha três equipas a competir no campeonato distrital de seniores da AFP: Nisa e Benfica, GDR Alpalhoense e GDRC de Tolosa. A estas juntava-se a equipa de seniores de futsal do Nisa e Benfica, a disputar o campeonato nacional da 3ª divisão – série B, após ter disputado e vencido o respectivo campeonato distrital.
No campeonato distrital de futebol, ao Nisa e Benfica e Alpalhoense, clubes habituais nestas “andanças” juntava-se o nóvel Grupo Desportivo Recreativo e Cultural de Tolosa que sucedera ao Grupo Desportivo da Sociedade Filarmónica de Tolosa.
O GDRC de Tolosa ascendeu à 1ª divisão distrital após vencer o campeonato distrital da 2ª divisão na época 1999/2000.


Havia, na altura, diversos clubes a disputar os campeonatos distritais, muitos mais do que actualmente, situação que obrigou a AFP a organizar duas provas distintas, 1ª e 2ª divisão distritais, o que era também um factor de nivelamento das provas de seniores.
Com o decorrer dos anos clubes como o Alegrete (regressou mais tarde), Póvoa e Meadas, Foros do Arrão, Elvenses, Avisenses, Tramaga,Arenense, Castelo de Vide, o próprio Campomaiorense, Portalegrense, Estrela (regressou esta época através de patrocinadores estrangeiros) deixaram de competir a nível de futebol sénior, agrupando-se todas as equipas numa só divisão e campeonato, ainda assim bastante exíguo e pouco exigente.
Alguns desses clubes optaram pelos escalões de formação ou, a nível de seniores, voltaram a competir nos distritais de futsal, modalidade menos dispendiosa quer em termos de custos quer, sobretudo, no recrutamento de atletas.
Dos três clubes do concelho, actualmente, o Nisa e Benfica participa nas provas da AFP em três escalões de formação (benjamins, infantis e iniciados); o Alpalhoense tem apenas em actividade e esporádica o Núcleo de Veteranos e do GDRC de Tolosa não mais tivemos notícias. Em Tolosa, o gosto pelo futebol foi “reacendido” nos escalões de formação pela APTOS – Associação de Pais de Tolosa, enquanto em Nisa e dinamizada pela Inijovem tem havido, com sucesso, participações nos campeonatos regionais de andebol. Isto para além do ténis de mesa e da pescas desportiva, modalidades onde a associação tem alcançado apreciáveis êxitos.
 Os tempos que correm são de "vacas magras". Os jovens e menos jovens olham com esperança, para outras latitudes e horizontes. Poucos são os que ficam e resistem. Há cada vez mais dificuldade em recrutar crianças e jovens para a prática do desporto.
A Câmara anunciou, recentemente, a intenção de proceder à beneficiação do campo de jogos D. Maria Gabriela Vieira e a implantação de um piso sintético, a exemplo do que dispõe recintos desportivos em todo o distrito.
A melhoria de equipamentos pode fazer surgir, esperamos, o gosto pelo futebol e a médio prazo a constituição de equipas de seniores que sejam a natural sequência de um processo de formação no qual os clubes têm investido sem dele tirarem o indispensável aproveitamento.

21.12.14

VILA VELHA DE RÓDÃO: Preservação da anta do Cabeço D’ Ante


A Associação de Estudos do Alto Tejo, em colaboração estreita com a Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão, está a desenvolver, durante o mês de dezembro, trabalhos de intervenção arqueológica no monumento megalítico do Cabeço D´Ante, localizado na proximidade da localidade de Vilas Ruivas.
Este monumento constituía, há muitos anos, um forte motivo de preocupação para a Associação pois a sua localização e o facto de uma parte da sua estrutura estar parcialmente sob um caminho florestal, aumentava significativamente os riscos da sua destruição.
A anta do Cabeço D’ Ante é um monumento com cerca de 5000 anos e apresenta ainda um estado de conservação razoável pois mantêm, quase intactos, os seus esteios o que lhe confere uma grande beleza e um potencial de visita para fins lúdicos e didáticos. Está ainda integrada num percurso pedestre, o PR2 Caminho das Virtudes, que faz parte da rede de percursos de Ródão, o que constitui um especial ponto de interesse para os frequentadores desta rota.
Nesta primeira fase das escavações realizadas, foram recolhidos materiais arqueológicos, bem como informação de relevo para a posterior recuperação que se pretende realizar, após a conclusão da escavação arqueológica.
Esta intervenção, para além da componente cientifica e de salvaguarda do monumento megalítico, vai de encontro a um projeto mais alargado de salvaguarda, que o município procura desenvolver e que se destina a preservar o riquíssimo e variado património existente no concelho, bem como valorizar, com estas intervenções, a oferta de conteúdos para a crescente procura turística que se assiste no concelho.
Apraz-nos ainda registar a extraordinária colaboração prestada pelos proprietários do terreno onde se situa o monumento e do terreno limítrofe, que prontamente autorizaram a realização dos trabalhos arqueológicos bem como o desvio do caminho, situação que constitui a melhor forma de proteção deste exemplar do megalitismo rodense.
A realização destes trabalhos tem ainda o apoio da Celtejo, empresa que tem mostrado uma grande sensibilidade para colaborar com as organizações do concelho em ações de destaque nos campos da cultura e da preservação do património.

Bruno Paixão vence S. Silvestre do Crato

O atleta Bruno Paixão, do Benaventense, venceu no sábado, dia 20, a 17.ª edição da corrida de São Silvestre do Crato, no distrito de Portalegre, completando o percurso de 10.600 metros em 32.04 minutos.
Ricardo Mateus, do Sporting, classificou-se em segundo lugar, com 32.13 minutos, seguido de Paulo Gomes, do Benaventense, com 32.17.
Catarina Carvalho, do Donas, foi a primeira classificada na prova feminina, completando o percurso em 36.45 minutos.
Cátia Santos, do Grecas, foi segunda, com 37.02 minutos, e Emília Kumos, da Juventude Vidigalense, garantiu o terceiro posto, com 37.29.
Organizada pela Câmara Municipal do Crato, com o apoio técnico da Associação de Atletismo do Distrito de Portalegre, a prova contou com a participação de cerca de 180 atletas dos escalões de juniores, seniores e veteranos.
* Foto Carmo Correia - Lusa

NISA: Dezembro de 2000- Um mês cheio de animação

 Há 14 anos, o concelho de Nisa viveu um mês de Dezembro repleto de animação, com inúmeras iniciativas de carácter cultural, desportivo e recreativo, a que não faltaram, sequer, as diversas festas natalícias, dinamizadas um pouco por todas as freguesias e que puderam alegrar crianças e adultos, os idosos de um modo particular, transmitindo um pouco da magia desta época e fazendo esquecer as agruras dos restantes dias do ano.

Os calendários de iniciativas que, aqui, recordamos, passados 14 anos, prestam-se, também para uma leitura e análise, uma visão, se quisermos, sobre o concelho, o dinamismo de colectividades e instituições, os espaços de cultura, educação e da própria autonomia política que, ao longo destes anos fomos perdendo.
Podendo não dizer muito, os quadros remetem-nos ainda, em termos comparativos, para analisarmos a actividade desportiva, cultural e institucional, em relação à actualidade, com o foco, por exemplo, na redução drástica do número de espectáculos cinematográficos no Cine Teatro, números a que não serão alheios, certamente, factores como a diminuição da população, o aumento do custo de vida e ausência de hábitos culturais regulares. Mas, este último, é um ciclo “vicioso”: as pessoas não vão ao cinema porque “não há” ou porque, havendo, a programação não é (será) atractiva.
Pena é termos uma infraestrutura, uma sala de espectáculos deste nível e não ser devidamente utilizada.

Com regularidade e rigor.

20.12.14

CANTINHO DO EMIGRANTE: O Natal

O mês de Dezembro com o frio e a neve a bater-nos à porta, com o dia 25 a anunciar-nos o nascimento do Menino Jesus e a encher os lares de paz, amor e alegria, festejando-se em todo o mundo há vários séculos, como sendo o símbolo da união da família.
A árvore de Natal com as grinaldas e coberta de brinquedos é a alegria das crianças, dando luz e cor a esta noite fria de Inverno.
Esta noite não se trata apenas de um dia de festa, só por se comer uma refeição mais requintada ou estrear um fato novo no outro dia. Esta data deve chocar o coração das pessoas boas para poderem mostrar a sua solidariedade com os mais necessitados, ajudando os hospitais e as instituições de beneficiência, para que os doentes, as crianças abandonadas e os sem abrigo, possam passar este dia com dignidade. Sim, porque a solidariedade existe, pois “quem dá aos pobres empresta a Deus”.
E a melhor prenda de Natal seria o nosso Governo pudesse combater a pobreza, o desemprego, a droga e a exclusão e que pudesse também haver paz no mundo.
Veio-me à memória o Natal dos soldados na guerra, por vezes conflitos quase intermináveis, como foram aqueles por que passei em Angola, longe dos meus afectos, oprimidos pela polícia política e a censura, sem que nós pudéssemos exaltar os nossos pensamentos nacionais, as nossas ideias de paz e liberdade.
Agora e como não podia deixar de ser, não queria terminar sem desejar a todos os nisenses, em nome de toda a comunidade emigrante de França, os votos de um Bom Natal e um Próspero Ano Novo, aproveitando também para homenagear todos aqueles que têm espalhado a Portugalidade nos cinco cantos do Mundo.
António Conicha – in “Jornal de Nisa” – 22/12/ 2004

NISA: Iniciativa solidária da Inijovem - Correr em Nisa


OPINIÃO: A greve que protege os emigrantes e o país

 Ao avançar para a requisição civil, o Governo veio reconhecer que a TAP não é uma empresa como as outras. Em quantas empresas não estratégicas é que o Governo decretou a requisição civil? Em nenhuma, claro. E essa é a maior prova, por um lado, da centralidade da empresa para a economia e, por outro, dos perigos decorrentes da sua privatização.
O mesmo governo que avança para a requisição civil na TAP, alegando a sua importância estratégica para a economia e para os emigrantes que "não têm alternativa para se deslocarem a Portugal", quer privatizar a operadora aérea nacional e não tem pejo em colocar em causa a presença da TAP junto das comunidades portuguesas.
Não julguem que é exagero ou cliché.  Nem é preciso irmos muito longe. Olhemos aqui ao lado, para o que aconteceu depois da privatização da Iberia. Uma das primeiras decisões dos novos donos foi a supressão de rotas históricas, essencialmente na América Latina. Olhemos para trás. Se, no início da década, Guterres tivesse vendido a TAP à Swissair, hoje a TAP faria parte de uma empresa falida.
Diz o Governo que avança com uma requisição civil, de contornos legais mais do que duvidosos, para assegurar a tranquilidade do natal de milhares de famílias. E a reunião familiar natalícia no próximo ano, quem a protege se a empresa for privatizada a um qualquer fundo abutre? E no ano seguinte? E daqui a 10 anos? Quem é que a protege? Os trabalhadores em greve.
Os argumentos do Governo não se aguentam dois segundos porque o interesse desta privatização, feita à pressa e quando o Governo está em fim de mandato, não tem nada a ver com critérios económicos, de eficácia ou gestão. É o fanatismo ideológico de quem é contra tudo o que é público e aí encontra uma oportunidade de negócio.
Nunca é demais lembrar a importância da TAP. É a companhia que fala a nossa língua onde quer que estejamos. É a companhia que junta o continente às ilhas e o país todo aos seus emigrantes. É a companhia que, sempre que há portugueses em risco em qualquer canto do mundo, os vai resgatar em segurança. Isto acontece porque é uma empresa nacional de capitais públicos.
Todos estes serviços estarão em causa com a privatização da empresa. Que interesses manterão os capitais sabe-se lá de onde na ligação às ilhas ou aos países onde temos comunidades emigrantes?  Aí já não interessa o Natal e o impacto dos emigrantes na economia nacional?
Claro que o Governo nos vai dizer que, no fabuloso acordo de serviço público que irá assinar, vai garantir que os interesses dos cidadãos vão ser acautelados. Na verdade já disse isso com a ANA ou com os CTT. O que é que aconteceu? No primeiro caso as tarifas aéreas subiram várias vezes num ano, aumentando 33%, enquanto os correios se entretêm a tentar impingir créditos ao consumo com juros abusivos e insustentáveis.
O governo tenta intoxicar a opinião pública, apresentando-se como o defensor da reunião familiar contra os madraços dos trabalhadores apresentados como inimigos dos interesses nacionais. Nada mais falso. O governo é responsável pela emigração, sim.  Mas quem protege o que é nosso, e o nosso futuro como entidade coletiva, são os trabalhadores da TAP que se unem em greve. Merecem o nosso respeito. E apoio.
Mariana Mortágua - in "Expresso" -19 de dezembro de 2014

19.12.14

OPINIÃO: A morte de Vítor Crespo

 Morrem os bravos, ficam os bárbaros.
Um a um, os heróis de Abril vão perecendo e Portugal fica mais pobre, carecido de referências, entregue à comissão liquidatária que escondeu a agenda ideológica durante a campanha eleitoral.
Vão-se os bravos e ficam a uivar os lobos nesta melancólica quadra em que os próximos voos da TAP são de aves migratórias que não regressam mais, obrigadas a levantar voo, expulsas do seu habitat.
Como o crocodilo, ficam a voar baixinho os membros da comissão liquidatária do país que nunca sentiram seu. Falam grosso, como se as polícias estivessem ao seu serviço, o poder fosse um direito e a governação uma viagem ao passado.
Vítor Crespo foi um dos melhores. Vai a sepultar enquanto ficam os que nos enterram e preparam campanhas sujas para se perpetuarem.
Em Abril, Vítor Crespo estava na Pontinha, depois esteve na transição da independência de Moçambique e continuou a servir Portugal sem se servir da Pátria que amou.
A mágoa pela perda de um herói só tem paralelo na que permanece pelos cobardes que ficam.
Há luto em Portugal e Moçambique. Em Belém e S. Bento a vida continua indiferente à perda que os democratas sentem.
Carlos Esperança in http://ponteeuropa.blogspot.pt 18/11/2014
Associação 25 de Abril manifesta profundo pesar


O antigo oficial da Marinha Vítor Crespo, que participou no 25 de Abril de 1974, morreu hoje aos 82 anos, anunciou a Associação 25 de Abril.  "É com profundo pesar que vos comunico o falecimento do militar de Abril, ocorrido hoje, almirante Vítor Manuel Trigueiros Crespo.
Nascido em Porto de Mós, em 21 de março de 1932, Vítor Crespo foi um militar de Abril de todas as horas, um dos principais dirigentes da Marinha no Movimento das Forças Armadas, integrando a equipa do Posto de Comando da Pontinha, nas operações militares do 25 de Abril", pode ler-se no comunicado, assinado pelo presidente da associação, Vasco Lourenço.
A Associação 25 de Abril lembra ainda que Vítor Crespo foi membro do "primeiro Conselho de Estado, após o 25 de Abril" e assumiu o cargo de Alto-Comissário de Moçambique até à independência deste território. "Regressado a Portugal, mantém-se no Conselho da Revolução (...) sendo o único dos membros da Armada a integrar os primeiros subscritores do Documento dos Nove", lembram.
Crespo integrou depois como ministro da Cooperação o VI Governo Provisório (setembro de 1975 a julho de 1976), chefiado por Pinheiro de Azevedo. "Após a extinção do conselho da revolução, volta à Armada, onde (...) assume o cargo de Director do Serviço de Justiça (...) até à sua passagem à situação de Reserva", pode ler-se no comunicado da associação, destacando o facto de Vítor Crespo ter "sócio fundador nº 2" da organização.
"Com o seu falecimento, Portugal perde um dos seus melhores cidadãos, a Associação 25 de Abril fica bastante mais pobre e, pessoalmente, vejo partir um dos meus melhores amigos", lamentou Vasco Lourenço.
O velório de Vítor Crespo realiza-se na Basílica da Estrela, quinta-feira, a partir das 17h00. Na sexta-feira, realiza-se uma cerimónia de homenagem às 12h, que antecede o funeral, no cemitério do Alto de S. João.

OPINIÃO: Vai de Carrinho

Há trinta anos, Portugal era um país sem acessibilidades, desprovido de vias de comunicação ou estradas condignas. Desde então, a União Europeia canalizou para a resolução deste problema milhões de milhões em fundos. Mas as opções tomadas pelos nossos governantes não poderiam ter sido piores.
Os recursos disponíveis deviam ter sido utilizados para infraestruturar uma boa rede de transportes públicos e proporcionar aos portugueses uma qualidade de vida sustentável. Um sistema de transportes integrado, nomeadamente ao nível da ferrovia, poderia ter dado coerência aos diversos espaços regionais, poder-se-ia ter criado uma rede de transporte de mercadorias entre o Atlântico e o centro da Europa.
Mas fez-se tudo ao contrário. Encheu-se o país de autoestradas que estão hoje desertas. A estratégia foi suicida para o país, mas dela beneficiaram (e de que maneira!) as empresas de obras públicas, as concessionárias de parcerias público-privadas rodoviárias e os bancos financiadores das obras. O resultado é apenas betão a rasgar a paisagem, com um ganho económico nulo. O transporte de mercadorias, predominantemente rodoviário, é caro e poluente.
Se no plano regional as opções foram erradas, a nível urbano não podiam ter sido piores. Encheram-se as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto de autoestradas – CRIL e CREL, VCI e CREP – chamando mais e mais carros para o centro. Na nova travessia sobre o Tejo, privilegiou-se a opção que favorecia o automóvel (a atual Ponte Vasco da Gama), abandonando a solução Chelas-Barreiro, que admitia uma ligação em metropolitano englobando as duas margens do rio. Só assim Lisboa poderia projectar-se como grande metrópole. Claro que com mais obras voltaram a ganhar construtoras, promotores imobiliários que especulavam com terrenos nas zonas agora acessíveis e concessionários de automóveis que venderam carros de ricos... a pobres. E, claro, sempre os bancos.
Poderíamos hoje ter um país equilibrado, económica e ambientalmente sustentável. Mas os investimentos em acessibilidades empobreceram o país e apenas servira para alimentar o setor automóvel, as financeiras e as construtoras. A qualidade de vida, essa, é hoje uma miragem.
Paulo Morais – in “Fio de Prumo” – Correio da Manhã – 13/12/2014

QUERCUS denuncia: Código da Estrada assombra a reutilização e reciclagem de automóveis

O IMT (Instituto da Mobilidade e dos Transportes, I.P.) continua a cancelar matrículas de automóveis sem o Certificado de Destruição (CD), previsto na legislação sobre Veículos em Fim de Vida (VFV), nomeadamente pela ordem do proprietário.
 Em 2013 foram canceladas 245 966 matrículas, onde 35% (85 853) foi sem CD. Quase tantas como aquelas com CD.
A continuação desta situação vai comprometer seriamente a meta para 1 de Janeiro de 2015, onde a “reutilização e a valorização” de todos os VFV deve aumentar para um mínimo de 95 % em peso, em média, por veículo e por ano, sendo que a “reutilização e a reciclagem” deve ter um mínimo de 85%.
 Atualmente a Valorcar, a única entidade gestora existente para VFV licenciada pelo Ministério do Ambiente, apresenta o seguinte desempenho, 92,7% para “reutilização e valorização” e já cumpre os 85% para a “reutilização e a reciclagem”. O que pode significar, se não existirem esforços em contrário, que o cumprimento da futura meta “reutilização e valorização” venha a ser à custa da queima de materiais dos VFV.
Grande parte dos veículos cuja matrícula é cancelada por ordem do proprietário, e que a Quercus e a Valorcar acreditam estarem a alimentar o mercado paralelo de sucateiras, são viaturas sinistradas e relativamente recentes, o que significa que o seu potencial de reutilização e reciclagem é elevado.
Sendo assim, os 35% de viaturas canceladas pela ordem do proprietário são determinantes para o cumprimento da meta de reutilização e reciclagem, a partir 1 de Janeiro de 2015, respeitando o espirito da legislação.
As diferentes possibilidades de cancelamento de matrícula previstas no novo Código da Estrada, sobre o qual a Quercus oportunamente deu parecer, tendo-se envolvido ativamente na discussão da respetiva proposta, continuam a ser utilizadas abusivamente e permitindo assim que viaturas cujo destino natural seria um operador de desmantelamento de VFV estejam a ser negociadas, em muitos casos através de leiloeiras (com participação ativa das seguradoras), perdendo-se a rastreabilidade das mesmas e dos respetivos materiais. Esta situação lesa o País em termos económicos, sociais e apresenta altos riscos ambientais e de saúde pública, pois os VFV contêm muitos componentes perigosos (ex: óleos, baterias, fluidos diversos, airbag, etc.).
Segundo o Código da Estrada (Lei n.º 72/2013) o cancelamento da matrícula pode ser requerido sempre que o veículo se encontre nas situações previstas no artigo 119 e 119-A do Código da Estrada, em relação às situações em que este diploma fomenta a gestão ilegal de VFV voltamos a destacar as seguintes 6:
1) “O veículo haja desaparecido, sendo a sua localização desconhecida há mais de seis meses”: Esta disposição possibilita a entrega dos veículos em sucatas ilegais ou o seu abandono na via pública. Assim, propõe-se o alargamento do prazo para aumentar a responsabilização do proprietário e garantir pelo menos o pagamento de um ano de Imposto Único de Circulação (IUC);
2) “O veículo deixe de ser utilizado na via pública, passando a ter utilização exclusiva em provas desportivas ou em recintos privados não abertos à circulação”: Este motivo não deve constituir fundamento para cancelamento da matrícula, dado que o veículo continua a existir. Com esta redação viabiliza-se a entrega dos veículos em sucatas ilegais ou o seu abandono na via pública, dado que os serviços não terão capacidade de fiscalizar a veracidade das informações prestadas;
3) “O veículo falte à inspeção referida no n.º 2 do artigo 116.º, sem que a falta seja devidamente justificada.”: A punição pela falta injustificada a inspeção já se encontra prevista no art. 116.º do Código da Estrada. Este motivo não deve constituir fundamento para cancelamento da matrícula, dado que o veículo continua a existir (se tal acontecer está-se a beneficiar o infrator porque o proprietário deixa de pagar o IUC e pode entregar o veículo a uma sucata ilegal ou abandoná-lo);
4) “Quando o veículo fique inutilizado ou atinja o seu fim de vida mediante apresentação da documentação legalmente exigida nos termos do disposto no Decreto-Lei n.º 196/2003, de 23 de agosto”: Deve ser explicitamente mencionado o CD, dado que se trata do documento comunitário criado para este efeito no âmbito da Diretiva 2000/53/CE;
5) “Quando o veículo deixe de ser utilizado na via pública, mediante apresentação de requerimento justificando os motivos e o local onde o mesmo é utilizado ou guardado”: Ver justificação mencionada no Ponto 2);
6) “Assume ainda caráter temporário o cancelamento de matrícula previsto nas alíneas e) e g) do n.º 1 do artigo 119.º, pelo prazo máximo de cinco e um ano respetivamente, ficando os seus proprietários obrigados à entrega da documentação dos veículos nos serviços competentes, onde o processo de cancelamento da matrícula tiver lugar.”: Estes motivos não devem constituir fundamento para cancelamento da matrícula, mesmo que temporária, dado que o veículo continua a existir. Tal como está, esta disposição viabiliza a entrega dos veículos em sucatas ilegais.
Lisboa, 10 de Dezembro de 2014
A Direção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

17.12.14

NISA: Concerto de Boas Festas da Sociedade Musical Nisense


Natal é quando um homem quiser


NATAL É QUANDO UM HOMEM QUISER
Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão
O Natal é quando um Homem quiser!
E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitros de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e combóios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
ARY DOS SANTOS

IMPRENSA REGIONAL: "Alto Alentejo" - edição de 17/12/2014


16.12.14

"Nisa, História e Tradição" - Novo livro de Carlos Cebola é apresentado no sábado


Vai ter lugar em Nisa o lançamento e apresentação do livro "Nisa, História e Tradição" do autor Carlos Dinis Tomás Cebola, numa edição da União de Freguesias de Espírito Santo, Nª Srª da Graça e São Simão - Nisa.
O evento terá lugar no Salão Nobre da Santa Casa da Misericórdia de Nisa, no próximo Sábado, dia 20 de Dezembro, pelas 15 horas.

NISA: Última sessão ordinária da Câmara em 2014


ALPALHÃO: VII Presépio Vivo no dia 25 de Dezembro


Municipalização da Educação em Sousel? - o SPZS exige um debate sério e aberto a toda a comunidade educativa

COMUNICADO DO SPZS / FENPROF
"O governo e algumas câmaras municipais estarão em vias de acordar a entrada em vigor, já em Janeiro, de um processo de municipalização da Educação. Para evitarem ser contrariados nas suas intenções, os envolvidos têm primado pelo silêncio, agindo num quadro de quase completo secretismo.
Salvo raras excepções, só através de “fugas de informação” tem sido possível conhecer algumas linhas do processo em curso.
O município de SOUSEL tem sido referido como aquele em que esta “experiência” de municipalização da Educação irá ser realizada.
Tendo em conta que os contratos entre as autarquias e o Ministério da Educação e Ciência deverão vigorar a partir de 1 de Janeiro de 2015, o Sindicato dos Professores da Zona Sul coloca as seguintes questões:
Está o município de Sousel envolvido neste processo?
Depois de uma fase em que era necessário o parecer favorável dos conselhos gerais dos agrupamentos e escolas do município e de outra em que apenas entravam os que estivessem de acordo, será agora dispensado esse parecer?
A manter-se a necessidade de parecer favorável dos conselhos gerais, que condições terá o governo para que o processo se inicie já em 1 de Janeiro?
Qual a matriz de competências que governo e câmaras pretendem acordar? Mantém-se a transferência de competências pedagógicas das escolas para as câmaras? A esse processo o governo continua a chamar “descentralização”?
Mantém-se ou não a obrigação de o governo reduzir o número de docentes para o “intervalo de tolerância” estabelecido pelo MEC, sob pena de se sujeitarem à intervenção de uma designada “comissão de acompanhamento”?
 Foi eliminada a cláusula que prevê premiar as câmaras, caso reduzam o número de docentes para aquém do estimado como necessário pelos critérios já de si restritivos do governo?
Mantém-se ou não a possibilidade de as câmaras contratarem até 25% dos docentes, para as componentes curriculares locais, o que significará seleccionar um número significativo de docentes e empurrar outros tantos para o desemprego ou para a mobilidade especial?
Foi eliminada da matriz a intenção de atribuir às câmaras a designada “contratação de escola”?
Foi alterada a possibilidade de as câmaras gerirem o exercício de funções pelos docentes no âmbito municipal, deslocando-os entre escolas e agrupamentos?
Foi eliminada a possibilidade de, em articulação com o novo estatuto do ensino particular e cooperativo, escolas públicas e privadas serem consideradas em pé de igualdade para efeitos de rede e distribuição de alunos dentro do chamado território municipal?
Estas são 10 questões que exigem resposta clara e não apenas evasivas com as quais se pretende esconder a verdade, baralhar a opinião pública e calar o protesto dos professores.
Face a esta situação, o SPZS:
Reafirma a exigência de realização de um debate público sobre descentralização em Educação, envolvendo toda a comunidade educativa do Concelho de Sousel;
Solicitará, no quadro da plataforma sindical dos professores, reuniões a organizações e entidades representativas do município, pais e encarregados de educação, estudantes, trabalhadores não docentes e escola;
Continuará a recolher assinaturas de docentes contra o processo de municipalização em curso que reforcem ainda mais a petição entregue na Assembleia da República com 13.000 assinaturas;
Manterá o trabalho de esclarecimento e mobilização dos professores, em particular no concelho de Sousel;
Avançará, em conjunto com os outros Sindicatos da Fenprof, com toda a acção e luta que venham a ser consideradas necessárias e adequadas para travar mais esta má intenção do governo/Mec em relação à Educação, um sector que tem sido dos mais massacrados e os seus profissionais dos mais atacados, pelas políticas do actual governo."
15 de Dezembro de 2014 – A Direcção Distrital de Portalegre do SPZS/Fenprof

15.12.14

Associação Portuguesa de Museologia atribui prémio a museus de Vila Velha de Ródão


O projecto Terras de Oiro, desenvolvido pelo município de Vila Velha de Ródão e que implementou uma rede descentralizada de núcleos museológicos temáticos, em vários locais do território concelhio, recebeu da Associação Portuguesa de Museologia (APOM), o prémio na categoria “Prémio Trabalho na área da Museologia – 2014”.
A distinção ao trabalho de preservação da memória local foi entregue no museu da Farmácia, em Lisboa, no passado dia 12 de Dezembro e mereceu da parte de Luís Pereira, presidente da Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão, um agradecimento e um destaque à importância e estímulo que projetos desta natureza, com a dimensão cultural a eles associados, representam para a preservação do património e da identidade e para o reforço da atratibilidade do concelho enquanto destino turístico. No final da sua intervenção, o presidente da edilidade de Ródão convidou os presentes, que preenchiam na íntegra o auditório da Associação Nacional de Farmácias, a visitar Vila Velha de Ródão, o seu património natural e cultural e a conhecer a terras e as gentes que alimentam o projeto cultural das Terras de Oiro.
O conjunto dos espaços museológicos distinguidos e que incluem o Centro de Interpretação da Arte Rupestre do Tejo (CIART), o Lagar de Varas do Enxarrique, o núcleo do Contrabando em Perais, o Centro de Interpretação do Linho e da Tecelagem, em Foz do Cobrão e núcleo museológico História de uma Comunidade, em Fratel, têm merecido uma crescente procura que, no conjunto dos diferentes espaços, se contabiliza, em 2014, em mais de 6000 visitantes.
Os prémios da APOM são atribuídos, anualmente, desde 1997, a museus, projetos, profissionais e atividades desenvolvidas no sector da museologia.

NISA: Festa de Natal do Agrupamento de Escolas


Teatro da Terra estreia "Na solidão dos campos de algodão"

O contacto de duas pessoas sem passado comum, sem linguagens familiares, sem cumplicidade histórica, acontece em território neutro, numa noite fria e deserta de sinais, numa qualquer rua sem memória, silenciosa.
Voltar a Koltès significa decifrar uma obra imprescindível para a compreensão da dramaturgia do final do século XX, representativa da condição humana em diálogo com os nossos tempos. Um universo com raízes na rua, nos marginais, nos descriminados, nos injustiçados, NA SOLIDÃO DOS CAMPOS DE ALGODÃO, obra ilustrativa deste torrencial autor, apresenta--nos uma atitude insubmissa face à hierarquia social do bicefalismo estrutural de dois extremos: o vendedor e o comprador.
A extensa crítica social insiste na fatalidade do irracional prejuízo na ausência de critério, que condenam a Humanidade a manter uma postura de desconfiança face ao outro, comprometendo toda a possibilidade de se conhecerem. A linha reta em que ambos seguiam, converte-se numa linha curva e labiríntica sem espaço para hesitações.
Como dois animais que se cruzam no mesmo território, uma hostilidade violenta submerge estes dois seres humanos, igualmente confusos, cara a cara, dois estrangeiros, degladiam-se ali, num tempo e espaço argumentativo de: ou diálogo ou morte; um combate dialético dominado pelo medo, que apesar da densidade verbal, assinala, um conflito que ultrapassa em muito as palavras. Sem alternativas à ausência de desejo, surge a inevitável guerra e lutam. Maria João Luís, Rita Blanco e Marcello Urgeghe, criam uma despojada dramaturgia cénica, estratégia estética de uma geração que abdica de grandes cenografias ou dispositivos que diminuam a força da palavra deste texto fundamental. Um cenário minimalista e a música de José Peixoto completam esta seca abordagem, e focam o espectáculo no trabalho de actor, centrando-o entre o ritmo, a corporalidade e a entoação verbal. A austeridade poética proposta na peça, jogada com poucos elementos, resulta na máxima rentabilidade, onde tudo significa e nada provoca indiferença.
27 DEZ 21H30 - 28 DEZ 17H00
TEATRO CINEMA DE PONTE DE SOR ANTE-ESTREIA .
NA SOLIDÃO DOS CAMPOS DE ALGODÃO
BERNARD-MARIE KOLTÈS
Texto: Bernard-Marie Koltès
Tradução: Marcello Urgeghe , Rita Blanco
Co-encenação: Marcello Urgeghe, Maria João, Rita Blanco
Interpretação: Maria João Luís, Rita Blanco
Música: José Peixoto
Consultor para o espaço cénico: F. Ribeiro
Direcção de produção e luz: Pedro Domingos
Co-produção: Teatro da Terra e São Luiz Teatro Municipal 2014 M/12

NISA: Torneio de Futsal Inter-Turmas - Desporto escolar


AVIS: 32ª Corrida de S. Silvestre

Avis recebe, no próximo dia 27 de Dezembro, a partir das 14h00, a 32.ª Edição da S. Silvestre, uma corrida pedestre organizada pela Associação Desportiva e Recreativa "Amigos do Atletismo de Avis", em parceria com o Município de Avis, a colaboração técnica da Associação de Atletismo do Distrito de Portalegre e o apoio dos Bombeiros Voluntários Avisenses.
Esta tradicional prova de Atletismo, em estrada, integrada no Circuito de Corridas AADP, será aberta a atletas federados e não federados, de ambos os sexos, em representação individual ou coletiva, devendo os interessados enviar a sua inscrição, até ao dia 22 de Dezembro, para a para a Associação de Atletismo do Distrito de Portalegre – Av. de Badajoz, 1, Estádio dos Assentos – 7300-306 - Portalegre - Telefone e Fax 245 202 133, pelo e-mail portalegre@fpatletismo.org.
O circuito da competição apresentar-se-á dividido em três trajetos distintos: A, para Benjamins A, num percurso de 200 m, com partida do Mercado Municipal, B, para Benjamins B e Infantis, que darão uma volta de 800 m, assim como para Iniciados, que percorrerão duas voltas do mesmo trajeto, e C, a S. Silvestre propriamente dita, com uma extensão de 3300 m, para Juvenis, Juniores e Veteranos Femininos, e 6600 m, para Juniores, Seniores e Veteranos A e B, parte principal desta Corrida com partida, às 16h00, da Rua do Plano de Urbanização, junto ao Auditório Municipal "Ary dos Santos".
Os prémios, material desportivo para os 5 primeiros classificados nos escalões Benjamins A e B, Infantis, Iniciados e Juvenis, serão ainda monetários para os escalões Juniores, Seniores e Veteranos e sob a forma de taças para as 10 primeiras equipas classificadas no cômputo geral.

Quinzena Gastronómica da Caça em Marvão


O Município de Marvão promove, entre 20 de Dezembro e 4 de Janeiro, a Quinzena Gastronómica da Caça. Ao longo destas duas semanas, os dez restaurantes aderentes do concelho apresentam um conjunto de saberes e sabores, com os melhores pratos à base de lebre, perdiz, pombo bravo, coelho bravo, javali ou veado.
À semelhança das anteriores, a quarta edição da Quinzena Gastronómica da Caça pretende promover Marvão enquanto destino gastronómico de excelência e, ao mesmo tempo, realçar os nossos produtos endógenos. Por outro lado, esta iniciativa é também uma forma de homenagear os caçadores e afirmar a região enquanto destino turístico de caça.
Numa região com forte actividade cinegética, a diversidade de pratos de caça é enorme, graças à utilização da lebre, da perdiz, do pombo bravo, da codorniz, do coelho bravo, do javali e do veado. Pratos que merecem ser acompanhados pelos excelentes produtos hortícolas e vinhos produzidos no concelho.
Canja de perdiz com aroma a hortelã, coelho bravo com míscaros, feijoada de lebre, arroz de pombo bravo, caçolinha de veado com setas, perdiz de tiro em escabeche, javali estufado em vinho tinto com puré de maçã e codornizes de escabeche, são algumas das iguarias que pode degustar, nos dez restaurantes aderentes.

Aproveite esta quadra natalícia para saborear os melhores pratos de caça da região e, em simultâneo, contemplar a paisagem, o património histórico e cultural do concelho de Marvão.

14.12.14

OPINÃO: As falácias de alguns políticos (sugilação para uma política de ética)

Outro dia, numa das rádios locais, um senhor da política julgou analisar ponto por ponto a análise de um comentador jovem de outra sede ou matriz partidária.
No final o “ criterioso “ político julgou esgotado o tema em voga das subvenções vitalícias com o pressuposto de que o ratio da lei se mantinha, proferindo a sua decisão inabalável.
No pressuposto de que políticos há, que, desde a juventude, que nunca tendo conhecido profissão ou atividade senão a política, caiam no âmbito da lei .
Ora nada de mais errado sobretudo numa época  em que  o seguro obrigatório segue rumos novos- cumpre aos próprios  interessados  recorrerem ao seguro privado, e têm condições financeiras para o fazer, acautelando o futuro.
E, mesmo os senhores deputados poderão sempre acautelar o futuro recorrendo aos seguros privados, (facultativos) bem como os demais lugares da atividade política, remunerados quase todos.
De modo que a lei é naturalmente inválida, e não tem qualquer razão de existir, sendo inútil.
Por mais embrulhadas que sejam as palavras nem sempre é razoável chamar à colação éticas políticas desadequadas, desde logo de racionalidade lógica sem qualquer sustento.
Uma coisa é termos o direito de escolher o o caminho a seguir na vida, outra é a exclusão de privilégios, mormente quando não têm qualquer fundamento.
Esta bem diferente é abordada em jeito de... falácias e peca por parcialidade.

João Castanho

Exposição “Entre o Fio e o Espelho” de Susana Pires no Mosteiro de Flor da Rosa

A Câmara Municipal do Crato e a Direção Regional da Cultura do Alentejo inauguram, a 13 de dezembro de 2014, no Mosteiro de Santa Maria de Flor da Rosa, a exposição “Entre o Fio e o Espelho” da autoria de Susana Pires.
“Expulsamos fios invisíveis que param noutro corpo ou o trespassam criando teias, redes, formas aleatórias que são sempre pontes. O espelho é um silêncio!”
A exposição estará patente até 31 de janeiro de 2015.

HUMOR EM TEMPO DE CÓLERA


Marquinhos.... agora cuidadinho com os comentários, tá bem?

CRÓNICAS DE LISBOA: A Falta do Pai

 Quando caminhamos, pelas ruas, dominados pelos nossos  sentimentos e problemas, normalmente com a cabeça baixa, nem nos damos conta dos dramas de muitos com quem nos cruzamos, mas, se mais libertos dos nossos “egocentrismos”, poderemos olhar no rosto dos transeuntes com quem nos cruzamos e tentarmos “ler” o que lhe vai na alma, sim porque “o rosto são os olhos da alma” de cada um de nós, que pode ser de felicidade ou tristeza ,de angústias ou reflexo dos problemas que as afligem. Por mim, e porque me apaixonei pela Psicosociologia, essa parente pobre das ciências (sociais,) e cujo atraso, em relação às demais ciências, provoca muitos  “danos” nas pessoas, essa percepção das emoções e sentimentos, dizia eu, é feita sem qualquer sentido de “voyerismo”, mas apenas porque me apaixona observar as pessoas e tentar penetrar na sua alma que, mesmo pela observação, não é assim tão difícil de se conseguir. Pelo menos, poderemos ler no rosto o seu “mundo”. Não destaco, no meu interesse de observação, qualquer faixa etária em especial, porque cada uma tem o seu interesse psicosociológico de observação. Da pureza e ingenuidade das crianças, do desabrochar dos adolescentes, da maioridade ou maturidade dos jovens adultos, até aos idosos, muitos deles duma ternura comovente, são todos universos de interesse de observação.
Mas nem tudo são rosas, porque a “ruindade” é, muitas vezes,  detectada à vista de desarmada, isto é, pela simples observação, ou então cruzarmos-nos com um deficiente e, neste saco, é como se a nossa alma fosse trespassada por um punhal e nos provoca uma enorme dor, sentimento esse atenuado ao olharmos-nos ao espelho ou em redor e darmos graças a Deus, ao Deus de cada um e eu tenho o meu, por termos tido bafejados pela sorte de, pelos menos, não termos uma enfermidade tão grave, embora possamos “esconder” as nossas doenças. Tocam-me bem fundo, no coração e na alma, muitos dos casos dramáticos que observamos ou nos são mostrados pelos “medias” e  deixam-nos confusos e ousamos perguntar a Deus, porquê, ainda mais quando as vítimas são crianças!
Há dias, já em plena época natalícia, propícia ao desabrochar de sentimentos de fraternidade, de solidariedade, de família, etc, muitos deles genuínos mas outros autêntica manifestação de “faz de conta” ou mesmo de hipocrisia e frieza, em crescendo nas sociedades modernas dominadas pelo “ter” (consumismo e materialismos) e não pelo “ser”, não pude ficar indiferente ao que ia ouvindo, ao mesmo tempo que me aproximava duma jovem senhora que, ao telemóvel, falava alto para alguém que estava do outro lado. Já mais próximo, foi-me possível ouvir algumas das palavras que ela proferia e também verificar que ela tinha no seu colo, dentro do “canguru”, uma criança de poucos meses que, dormia como um anjo, indiferente ao que a mãe dizia. Deu para ouvir que ela protestava contra o pai do seu filho, dizendo ; “esqueceste-te que tens um filho e há dias que não apareces para o ver, nem neste fim de semana te dignaste fazê-lo”. Conjuntamente com a cena que observei, as palavras ainda me comoveram mais e não pude ficar indiferente, mas também nada podia fazer, senão reprimir o impulso de confortar aquela mãe e abraçar, no meu colo aquela criança, porque não há nada mais gratificante do que sentir o corpo frágil duma criança bem colocada ao nosso peito, de modo a que “penetre” a nossa alma. Assim tenho a felicidade de o fazer com os meus netos, tal como o fiz com os meus filhos. Fiquei a pensar se aquela não seria uma mãe solteira ou uma daquelas mães em auto-gestação, mas essas não protestam pela falta do pai, porque, muitas vezes, ele serviu apenas para fecundar, às vezes anonimamente, o desejo materno, talvez num gesto egoísta.
A matutar ainda naquela situação, e nem por coincidência, cruzei-me, com uma vizinha,  mãe e o seu filho André, um menino com pouco mais dum ano, fruto do amor de duas mulheres, cuja mãe, que conheço há anos, decidiu casar-se, oficialmente, com a companheira e engravidar, como qualquer mulher que sente o desejo da maternidade. Pelo que vou observando, e por vezes em diálogos próprios dos encontros à porta ou no elevador, parece-me ser uma mãe extremosa para com o seu filho. Mas mais do que a curiosidade de saber como foi o André gerado e de viver com duas “mães”, embora a “mãe-pai” seja bastante mais ausente, talvez por questões profissionais, dou comigo a pensar como será o crescimento do André e do seu futuro, quando souber que não tem pai nem nunca o teve, não porque ele o tenha abandonado ou ter sido vítima duma fatalidade, mas porque é fruto do amor de duas mulheres, embora uma delas o tenha trazido no seu ventre a ela seja tão devotada ao ponto de sacrificar a sua profissão, cuidando dele.

A gestação, a adopção e a criação duma criança por um “casal”  do mesmo sexo, é um tema fracturante da sociedade portuguesa, mas vale a pena pensarmos no que é (será)  melhor para as crianças institucionalizadas, isto é, crianças internadas nas instituições, muitas delas desde o nascimento até atingirem a maioridade e que ali foram parar por razões já de si “desumanas”. Fazerem um percurso de vida triste, sem afectos e amor e, muitas vezes, vítimas de violência dos cuidadores , ou serem criadas com amor por duas “mães” ou por dois “pais”?  E o que dizer do “horror” da pedofilia e da violação de muitas crianças, mas cuja sociedade, todos nós, vai assobiando para o lado, sem que se “ataque” este drama que nos deveria envergonhar a todos, mas que estamos mais preocupados com a “proteção” dos direitos dos violadores, muitos deles da própria família,  do que com as vítimas indefesas?
Estes dois exemplos, aqui relatados, são, talvez, o espelho de que a família tradicional está em profunda crise e, paradoxalmente, numa época em que o presépio, como símbolo dessa “tríade” (pai, mãe e filho) está na moda, grandes, pequenos, simples ou sumptuosos, mas fazendo parte desta festa natalícia convertida mais numa manifestação de consumismo, apesar dalguns gestos puros e genuínos. Paradoxos, mas é inquestionável que um pai, tal como a mãe, faz falta na educação e formação humana de qualquer criança e jovem, pelo que o presépio deveria ser visto e interiorizado na plenitude da sua simbologia e mensagem, sejamos ou não cristãos. A sociedade ainda não se questionou de que a educação e a formação, desde o infantário, escola primária e o ensino secundário é, maioritariamente, feita no feminino. Quais as consequências,  nos “fomandos” sem pai (presente ou um avô que seja a referência masculina) que “compense” esta realidade? Estudos e factos têm revelado pesadas heranças e vítimas, piores do que nos casos de orfandade, porque, nestas situações, a falta do pai não é imputável a outrem, mas a um “Deus” ou algo semelhante.
Serafim Marques - Economista