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19.10.17

MEMÓRIA: Desportivo de Santana já tem sede social (OUT. 2006)

Sonho antigo tornado realidade
Foi uma luta, persistente, de muitos anos até ver concretizado o sonho de uma sede social. A inauguração, festiva e solene, aconteceu no passado sábado. A data vai ficar na história do clube e da freguesia de Santana, já que, como foi afirmado, é uma casa de todos e para todos. Para servir a comunidade. O Clube Desportivo e Recreativo de Santana, prestes a completar 30 anos de vida está de parabéns.
A localidade de Arneiro e toda a freguesia de Santana estiveram em festa no passado sábado. O motivo foi a inauguração da sede social do Clube Desportivo e Recreativo de Santana, um espaço que não servirá apenas para as actividades do clube, mas aberto a toda a comunidade, seja para festas de baptizados, casamentos, aniversários, convívios, bailes, etc.
Logo pela manhã e para despertar os mais desprevenidos, os Bombos de Nisa fizeram-se ouvir. Com a garra que é seu timbre, percorreram, praticamente, quase todas as ruas das três povoações que integram a freguesia (Arneiro, Duque e Pardo) num convite à população para estar presente na festa da abertura oficial da sede do clube da terra.
De tarde e à hora marcada, compareceu a Banda do Fratel, os convidados – eleitos nas autarquias, dirigentes desportivos, amigos do clube – e a população das três localidades.
Ao som da banda, foi descerrada a placa de granito que assinala a data de inauguração do imóvel. Houve música e palmas, o entusiasmo patente no rosto de todos os santanenses: o sonho de muitos anos, acabava de ser concretizado.
Depois seguiu-se a sessão solene, visitaram-se as novas instalações, apreciou-se a exposição de pintura, inaugurada simultaneamente e partiu-se o bolo da inauguração, com o emblema do clube. A Banda do Fratel fazia-se, de novo ouvir, agora no amplo salão. Quem quis, dançou, festejou, congratulou-se com a data e o acontecimento. O clube, na magreza dos recursos de que dispõe, “fez das tripas o coração” e presenteou todos os presentes com um lanche ajantarado. Houve música e animação a toda a hora e até os “Fora d´Horas”, o popular grupo do Arneiro, deu corda ao relógio para que a festa não terminasse sem um pezinho de dança e um hino ao pescador.
“ A festa foi bonita, pá!”, como cantou o Xico Buarque. Que melhor prenda poderia desejar o CDR Santana para assinalar, condignamente, 30 anos de existência?. 
“Com o esforço de todos, fizemos a multiplicação dos pães”
- Joaquim Rodrigues, presidente do CDR Santana
Na sessão solene de inauguração, estiveram na mesa Fernando Catarino em representação da Assembleia de Freguesia, Joaquim Rodrigues, presidente do clube, Gabriela Tsukamoto, presidente da Câmara de Nisa e Francisco Bolêto São Pedro, presidente da Junta de Freguesia de Santana.
Joaquim Rodrigues, agradeceu a presença da população e convidados e disse que as primeiras palavras eram de agradecimento para aqueles que acreditaram e nunca desistiram. Agradeceu também a todos quantos trabalharam para que o sonho se concretizasse, desde as anteriores direcções do clube aos eleitos e técnicos da Câmara que “fizeram a multiplicação dos pães”. Referiu a colaboração da Junta, “sempre pronta a responder, dentro das suas limitações”.
O presidente do CDR Santana, finalizou com “uma palavra de esperança”. “Concretizado o sonho, agora é preciso dar vida, desenvolver actividades, porque esta casa terá a vida que soubermos dar-lhe. É uma casa de todos para todos e nós já apresentámos um Plano de Actividades para o próximo ano. A direcção que vier a ser eleita, terá um importante papel na dinamização da vida do clube e no associativismo, devendo privilegiar o conhecimento e desenvolvimento da nossa terra.”

Francisco São Pedro, presidente da Junta, agradeceu a presença de todos os santanenses e visitantes, disse ser com muito gosto que ali estava e aproveitou para dar os parabéns a todas as pessoas que trabalharam para erguerem esta obra, acabando por formular votos de que a mesma seja uma casa para toda a comunidade.
Falou por último a presidente da Câmara, agradecendo também a presença da população e convidados e lembrando que esta obra tinha sido um sonho de muita gente, alguns dos quais já não estavam presentes, pelo que propôs um minuto de silêncio em memória de todos aqueles que, de uma forma ou outra, contribuíram para a realização do projecto. Minuto de silêncio que foi escrupulosamente respeitado e sublinhado no fim, com uma salva de palmas.
A edil de Nisa referiu-se à sua recente deslocação à Irlanda onde participou no Encontro de Geoparques, no qual o Geoparque da Naturtejo, o 1º em Portugal, foi oficialmente admitido, tendo destacado o papel que a freguesia de Santana, com o Conhal, as paisagens e a gastronomia, representou para o reconhecimento internacional desta região como Geoparque.
A autarca disse ter “confiança que o Arneiro e a freguesia não só não vai desaparecer, como passou a ser conhecida internacionalmente. O Arneiro está numa rede mundial, é um património mundial, que muitos milhares de visitantes virão conhecer e apreciar, desde as belezas naturais à gastronomia e hospitalidade das gentes. Os próximos desafios, a desenvolver em três meses serão a elaboração de um Plano Estratégico que vai mexer com a pesca, a agricultura e o turismo. O Geoparque abre novas perspectivas desenvolvimento através das quais podemos afirmar a diferença do nosso território, a singularidade das nossas gentes. Porque os Geoparques não são apenas as pedras, são, sobretudo, as pessoas e o modo como se relacionam com o meio ambiente. Tenho confiança de que esta freguesia vai ter muito mais gente”
Mário Mendes in "Jornal de Nisa" - nº 216 - 6/10/2006

EM NISA ACONTECEU... Memória do Jornal de Nisa - Nº 216

Muito e diverso material noticioso fez a edição nº 216 do JN publicado no dia 6 de Outubro de 2006. Reportagem sobre o Projecto "Experimenta o Campo", entrevista a José Predro Fragoso de Almeida (ainda de lembram do Urânio de Nisa?), reportagem sobre a inauguração da sede social do CDR Santana e entrevista ao executivo da Junta de Freguesia de Arez, entre outras notícias do concelho e região. Deixamos uma pequena amostra...
Dia Mundial da Música assinalado em Nisa
O Dia Mundial da Música (1 de Outubro) foi assinalado em Nisa, no passado sábado, numa iniciativa promovida pela Sociedade Musical Nisense.
Com um dia de antecedência, a SMN trouxe até esta vila norte-alentejana, a banda da Associação de Cultura Musical Cetense, de Cête (Paredes), fundada em 1835.
A Banda desfilou, com garbo e simpatia, por alguma ruas da vila, executando peças de um repertório que primou pela música alegre, festiva e popular, como era próprio do Dia.
Seguiu-se um concerto no Cine Teatro de Nisa, pleno de qualidade e brilhantismo, a assinalar um Dia Mundial, o da Música, que deveria ser apanágio de todos os dias, povos e gerações.
Esta iniciativa contou com o apoio da Câmara Municipal de Nisa e do Inatel.
Grupo de Jovens da Paróquia
Disponíveis para ajudar o próximo
São cerca de vinte jovens, católicos e disponíveis para a ajuda ao próximo. Têm um nome e encontram-se, regularmente, de modo quase informal, sem rigidez de horas ou de organização, pelo prazer de conviverem e de discutirem entre si, temas e problemas que dizem respeito ao seu universo de jovens e ao mundo que os rodeia.
Na Paróquia, dão o seu contributo na animação de algumas cerimónias religiosas e recentemente colaboraram numa experiência que não deixou de os sensibilizar: foram os “olhos” , os guias e acompanhantes, de um grupo de associados da ACAPO, invisuais, que passaram uma semana, para eles, inolvidável, de férias no nosso concelho.
A ajuda, o amparo, dos Jovens da Paróquia e do Grupo de Escoteiros de Portalegre tornou-se preciosa e nós pudemos constatar o interesse, a alegria, a sensibilidade com que responderam a este apelo.
Registamos o grupo em foto e o texto é o pretexto para perpetuar uma experiência que, sem dúvida, vão querer repetir.
9º Encontro Convívio de ex-combatentes na Guiné
Os naturais ou residentes no concelho que cumpriram o serviço militar na Guiné Bissau, reuniram-se no passado dia 23 de Setembro em mais um encontro convívio, assinalando a sua passagem por aquela ex-colónia portuguesa. Foi o nono Encontro de uma iniciativa que teve a sua primeira realização em 1997, no local onde até hoje se tem mantido, o Café Manso, na Devesa, cujo proprietário foi também um ex-combatente na Guiné.
Como habitualmente, o Encontro decorreu sob o signo da alegria e da sã camaradagem. Vieram as histórias, as aventuras, recordaram-se locais e personagens, camaradas de armas, alguns daqueles que já não estão entre nós e que tombaram na luta ou morrerem em acidentes, cumprindo o seu desígnio que, naquele tempo, se chamava dever para com a Pátria.
A evocação de uma época, sem falsos temores de nostalgia, as peripécias, as viagens, a lembrança dos usos e costumes de um povo, o guineense que, apesar das vicissitudes da guerra continua a estar presente, sem ódios nem rancores, no coração de todos aqueles que pisaram o chão de balantas, fulas, mandingas e de tantas outras etnias.
A África e a Guiné, em particular, marcaram a vida de quem lá esteve. A uns, infelizmente, de forma trágica, violenta e dolorosa. A outros, mesmo nas agruras de uma guerra que não desejaram e para a qual não contribuíram, deixou o travo amargo de uma passagem, o “salto” abrupto do jovem para o homem. Há os que foram, estiveram e combateram em África e aqueles que não foram e não conheceram. E os que foram, sabem, lá bem no fundo, que tendo regressado mais “pobres”, física e psicologicamente, “enriqueceram” em termos de consciência, de contacto e solidariedade humana. Este é o “segredo” de África: o regresso às origens e a lição de que o homem e as comunidades tidas como primitivas são, afinal, mais ricas e mais puras, na sua dimensão social e humana.
Esta é a razão, também, por que tantos homens, de norte a sul do país, que num dado momento compartilharam alegrias e perigos, se juntam todos os anos em convívios, levando consigo os filhos e os netos.
A injustiça de uma guerra e a teimosia de um regime, serviu, para fortalecer o espírito de amizade e camaradagem entre alentejanos e madeirenses, açorianos e beirões, algarvios e transmontanos, entre europeus e africanos.
A “guerra”, neste campo, perdeu. E o que ficou são estes convívios que não irão acabar, mesmo que o ministro os faça taxar com IRS.
A concertina arranca com uns acordes, haja música que tristezas não pagam dívidas. Da Salavessa e pela primeira vez, veio um ex-combatente. Integra-se facilmente no ambiente geral e mal se dá por ele atira-nos com uma versão pungente do “Adeus, Guiné”. É a versão “subversiva” que fala da guerra e da tristeza de quem está (esteve) longe daqueles que ama.
Está tão longe e tão perto, a Guiné. Encurta-se a distância, em cada mês de Setembro e em cada convívio. Foi assim este ano uma vez mais. A música, as conversas, a gastronomia, o convívio e a confraternização.
Para o ano, cá estaremos outra vez. Nem que seja para lembrar aos mais cépticos que, afinal, a guerra colonial existiu.
Melhor fora que não tivesse acontecido e que a Guiné de hoje fosse, sempre, uma Guiné melhor. Livre e independente.
Mário Mendes